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Na Bahia, a Semana Santa tem dendê: chef Deliene Mota celebra a tradição que o bacalhau não alcança

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Vizinho ao epicentro espiritual de Salvador, o Encantos da Maré transforma a Sexta-feira Santa em ritual de ancestralidade, afeto e resistência à mesa

Enquanto boa parte do Brasil prepara o bacalhau como centro da mesa da Semana Santa, Salvador acorda com outro aroma. O cheiro que sobe das panelas soteropolitanas nesse dia é de dendê, de leite de coco apurando com camarão, de moqueca borbulhando em panela de barro. Não é acaso nem rebeldia: é herança.

Uma tradição que atravessou o Atlântico nas memórias de mulheres e homens africanos, encontrou os frutos do mar dos mangues e rios do Recôncavo e se tornou a identidade alimentar mais potente da Bahia.

A abstenção de carne vermelha, regra católica para a data, casou perfeitamente com uma cozinha que já tinha nos peixes, nos crustáceos e no azeite de dendê sua gramática própria.

Enquanto a tradição portuguesa trouxe o bacalhau como alimento nobre da Quaresma, os africanos escravizados no litoral baiano responderam com o que a terra e o mar ofereciam, criando uma culinária que não pedia permissão para existir.

É nesse cruzamento de fé, memória e resistência que a chef Deliene Mota encontra o sentido mais profundo do seu trabalho.

Um casarão na Colina Sagrada

Aos pés da Basílica do Senhor do Bonfim, na Cidade Baixa de Salvador, o Encantos da Maré completou sete anos em fevereiro de 2026. O restaurante ocupa um casarão histórico com vista para a Baía de Todos os Santos, daqueles que por séculos pertenceram às famílias brancas herdeiras do período colonial. Hoje, quem comanda a cozinha e o negócio é Deliene Mota: mulher negra, mãe, criada na Federação, em Salvador.

Ela sabe o peso simbólico desse endereço. “Estar num casarão de brancos, herdeiros portugueses, é de uma importância e responsabilidade muito grande”, diz Deliene, sem desviar o olhar. E completa, com a naturalidade de quem já mastigou esse assunto muitas vezes: “Como eles dizem: é uma afronta às tradições.”

Eles. A palavra fica no ar de propósito. Deliene não precisa nomear. Em uma cidade onde mais de 80% da população se declara negra ou parda, o racismo estrutural ainda dita quem deveria ocupar certos espaços e quem deveria servir neles. A chef não serve. Ela manda. E o que sai da sua cozinha não é só comida: é um ato cotidiano de ocupação.

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Chef Deliene Mota – Foto: Divulgação

O cardápio afetivo de uma vida inteira

Quando perguntada sobre qual prato do Encantos da Maré representa a Semana Santa baiana, Deliene não hesita: moqueca de peixe, caruru, vatapá, feijão fradinho, arroz e farofa de dendê. Não é uma resposta de chef calculando impacto. É memória de infância.

Na minha infância, adolescência e até na minha vida adulta, sempre foi tradição na minha família“, conta. “É o verdadeiro cardápio afetivo da minha vida.”

A Sexta-feira Santa sempre foi sagrada na família de Deliene. Era o dia das mais velhas. A mãe e as tias assumiam a cozinha enquanto a família inteira se reunia na casa da matriarca, geralmente no interior do estado. As crianças circulavam entre os cômodos, o cheiro de dendê ocupava cada canto da casa, e a mesa era onde tudo convergia: fé e pertencimento.

“Até hoje esse dia tem um significado muito importante pra mim”, diz, com a voz de quem revisita o lugar toda vez que fala dele. “Um dia de saudade e boas lembranças.

É impossível separar essa memória do que o Encantos da Maré se tornou. A cozinha de Deliene não imita a tradição: ela é a tradição, filtrada por uma história pessoal e devolvida ao prato com consciência de quem sabe exatamente o que está fazendo e por quê.

Por que Salvador não é bacalhau

A explicação de Deliene para a diferença entre a mesa baiana e a do resto do Brasil é direta e sem romantização: ancestralidade e acesso.

A cultura do Recôncavo Baiano sempre foi a de utilizar os ingredientes da terra e do mar para colocar comida na mesa. O peixe fresco do litoral, o camarão, o dendê, o leite de coco, o feijão fradinho: tudo estava ali, disponível, enraizado na prática diária de cozinhar. O bacalhau, por outro lado, era (e em certa medida ainda é) um produto nobre, importado, ligado à herança portuguesa. Na Bahia, a tradição popular nunca dependeu dele.

Isso não significa que o bacalhau esteja ausente das mesas soteropolitanas. Está, e sempre esteve, em casas que mantiveram o vínculo com a culinária portuguesa. Mas o protagonismo, na maioria dos lares baianos, é do dendê. E é esse protagonismo que transforma a Sexta-feira Santa em Salvador numa experiência radicalmente diferente da que se vive em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Minas Gerais.

A própria Deliene, atenta à pluralidade dos seus clientes, incluiu no cardápio de Semana Santa do Encantos da Maré opções para quem quer sair do tradicional.

Semana Santa 2026 no Encantos da Maré

A expectativa para o feriado é alta. Deliene conta que a agenda de pedidos para encomendas já está quase esgotada, e que as compras de insumos foram antecipadas para dar conta da demanda. A organização é de quem já passou por sete Semanas Santas à frente do fogão profissional e sabe que esse é um dos períodos mais intensos do ano.

Num gesto que diz muito sobre a cultura do Encantos da Maré, a ceia da “família Encantos da Maré”, como Deliene chama sua equipe, será na Quinta-feira Santa. Na sexta, todo mundo estará a postos.

O restaurante abre mais cedo na Sexta-feira Santa, a partir das 10h. Reservas estão sendo aceitas para chegada até as 12h, e pedidos de encomenda podem ser feitos pelo WhatsApp.

Além do cardápio de sempre, com as Moquecas, o Terra e Mar, a Feijoada de Frutos do Mar e os pratos-âncora que fizeram a fama da casa, o menu especial inclui o escondidinho de bacalhau e o peixe assado com camarão e legumes salteados.

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Peixe Assado com Camarão e legumes salteados – Foto: Mirele Duarte

Mais que um restaurante, um lugar de pertencimento

O Encantos da Maré não é apenas um restaurante com boa vista e comida bem feita. É um lugar onde a Sexta-feira Santa ganha o sentido que sempre teve para Deliene e para milhões de famílias baianas: o de sentar junto, comer o que a terra e o mar deram, honrar quem veio antes e lembrar que a mesa é, talvez, o último espaço onde ninguém precisa pedir licença para existir.

Na Colina Sagrada, ao lado da Basílica do Bonfim, uma mulher negra da periferia de Salvador cozinha com dendê a memória de suas mais velhas. E nisso, sem manifesto nem panfleto, reescreve a história de quem pertence àquele casarão.

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Área externa do Encantos da Maré – Foto: Divulgação

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Confrarias de Vinho em Salvador: Entre a Taça e o Encontro

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O que sustenta uma confraria vai muito além do rótulo: é a troca, o vínculo e a curiosidade compartilhada

Confrarias de vinho são, antes de tudo, espaços de encontro. Em Salvador, elas têm ganhado força como forma de reunir pessoas em torno de uma paixão comum, seja com propósito técnico, seja pelo simples prazer de dividir uma garrafa entre amigos.

Nesta coluna, a sommelier Carol Souzah, colunista do Muito Gourmet, mergulha nas dinâmicas que fazem uma confraria funcionar, ouvindo profissionais da cena local e compartilhando sua própria experiência para mostrar que o vinho, no fundo, é só o pretexto.

Entre o vinho e o encontro: o que sustenta uma confraria

Nem toda confraria de vinho é igual. E talvez esse seja o primeiro ponto que pouca gente entende.

Existem as mais técnicas, quase um laboratório sensorial, onde cada taça vira análise, comparação, estudo. E existem as mais leves, onde o vinho entra como elo, mas o encontro é o que sustenta tudo. Entre um extremo e outro, há uma infinidade de formatos possíveis.

Em muitos casos, o que une essas confrarias não é o quanto se sabe, mas o desejo de compartilhar o vinho e as experiências que ele proporciona.

Muita gente ainda associa confraria a algo fechado ou distante, mas, na prática, elas costumam nascer de um lugar muito mais simples: de amigos, de colegas de trabalho, de pessoas que querem viver o vinho de forma mais próxima, cada uma à sua maneira.

E o interessante é perceber como isso se traduz na prática.

A troca como fundação

Conversei com algumas pessoas que fazem parte de confrarias e a sensação é clara: cada uma delas é um reflexo de quem a constrói.

Algumas começam despretensiosas, outras já nascem com um direcionamento mais definido. Para entender melhor essas dinâmicas, conversei com o sommelier Samuel Souza, do Grupo Origem, que faz parte de uma confraria formada por profissionais do vinho em Salvador.

Segundo ele, a confraria surgiu da amizade, mas com um propósito claro: criar um espaço de troca entre pessoas que vivem o vinho no dia a dia, entre salão, vendas e mercado. Os encontros seguem temas definidos, com rótulos escolhidos para estimular conversa, aprofundar o olhar e fortalecer o próprio cenário local.

No fim, como ele mesmo resume, o vinho é o elo, mas o que sustenta tudo é a troca.

O caminho técnico: degustação às cegas como treino

Mas existem também confrarias que caminham por um outro lugar, mais técnico e com um propósito definido de estudo. É o caso da Equipe Baiana de Degustação às Cegas, que utiliza os encontros como preparação para o campeonato brasileiro.

O sommelier Rodrigo Souza Gomes explica que o grupo mantém uma estrutura bastante focada: há um núcleo fixo de participantes, mas frequentemente convidam outros profissionais para enriquecer os encontros. No início, os treinos seguiam rigorosamente o formato da competição, com dez minutos para analisar cada vinho e tentar identificar uva, país, região e safra.

Com o tempo, o grupo ajustou o ritmo. Hoje, trabalham com janelas mais curtas, entre cinco e sete minutos por rótulo, buscando dinamizar a prática e otimizar o tempo. Os encontros acontecem, em geral, uma vez por mês e reúnem sommeliers experientes da cena de Salvador.

De um lado, o encontro como troca. Do outro, o encontro como treino. No fim, são amigos que se reúnem para partilhar o vinho, cada um à sua maneira.

E talvez seja exatamente isso que define uma boa confraria: ela nunca é só sobre vinho.

O olhar que muda

Nas confrarias que já vivi, cada uma tinha sua própria dinâmica. Algumas com temas definidos, outras mais espontâneas. Tem quem mergulhe no estudo, quem registre cada detalhe e quem simplesmente acompanhe. No meio disso tudo, surgem debates, discordâncias, descobertas. E o que sustenta é a troca.

Respeitar o momento do outro, ouvir diferentes percepções, não transformar a degustação em disputa. Porque quando vira competição de quem sabe mais, perde-se o que o vinho tem de mais interessante: a experiência compartilhada.

Outro ponto que aparece muito é a mudança de olhar. Quem participa de confraria dificilmente volta a beber vinho do mesmo jeito. Não necessariamente mais caro, mas com mais intenção. Mais curiosidade. Mais repertório.

E isso se reflete em tudo: na escolha de um rótulo, na leitura de uma carta, na forma de conversar sobre vinho à mesa.

Confraria não precisa ser cara

Existe também um mito de que confraria é caro ou inacessível. Não precisa ser. Dá para começar com vinhos acessíveis, desde que exista propósito e lógica. O valor está muito mais na construção coletiva do que no preço da garrafa.

Mas tem uma questão que sempre fica: o que faz uma confraria continuar?

Porque começar é fácil. O desafio é fazer esse encontro seguir fazendo sentido com o tempo.

E a resposta passa menos por técnica e mais por dinâmica de grupo mesmo. Quando o encontro perde o prazer, quando fica pesado, ou quando deixa de fazer sentido para quem está ali, ele naturalmente se desfaz. Por outro lado, quando existe interesse real, troca e vontade de estar junto, ele segue.

No fim, uma confraria bem construída não é sobre provar mais vinhos. É sobre criar um espaço onde o vinho faz sentido entre as pessoas.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Purgatório Convida reúne estrelas da coquetelaria nacional em noite especial com a Preshh

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O speakeasy mais premiado de Salvador abre o balcão para uma noite de criações autorais com tecnologia de gaseificação que vem transformando o mercado de drinks no Brasil

O Purgatório, único bar fora do eixo Rio-São Paulo a integrar o ranking Top 500 Bars 2025, recebe no dia 30 de março (segunda-feira), às 19h, mais uma edição do projeto “Purgatório Convida”. Desta vez, a noite acontece em parceria com a Preshh, plataforma que vem revolucionando a coquetelaria brasileira com seu sistema exclusivo de gaseificação de bebidas. As reservas são limitadas e podem ser feitas pelo site oficial do bar.

Um bar que coleciona títulos e agora convida o Brasil para o balcão

O speakeasy não é novidade para quem acompanha a cena de coquetelaria no país. Comandado pelo diretor criativo Jonatan Albuquerque, o Purgatório acumula credenciais que poucos endereços brasileiros podem reivindicar: além da presença no Top 500 Bars 2025, a casa carrega o título de “Melhor Carta de Bebidas” do Brasil pela revista Prazeres da Mesa por dois anos consecutivos, e foi campeã do Sabores de Salvador na categoria Carta de Drinks, a maior premiação gastronômica da capital baiana.

É com essa bagagem que o projeto “Purgatório Convida” se consolida como um dos encontros mais relevantes da coquetelaria contemporânea fora do Sudeste. A proposta é direta: transformar o balcão em território de experimentação, troca criativa e repertório técnico entre bartenders de diferentes regiões do país.

jonatan albuquerque
Jonatan Albuquerque

Preshh: a tecnologia que está mudando a forma de pensar drinks

A convidada de honra desta edição é a Preshh, plataforma que vem ganhando espaço acelerado no mercado nacional com um sistema proprietário de gaseificação de bebidas. A tecnologia permite carbonatar coquetéis, infusões e criações autorais com precisão, abrindo um campo de possibilidades que vai muito além do gin tônica com soda.

Para bartenders e casas que trabalham com coquetelaria autoral, a Preshh representa uma ferramenta de expansão criativa: texturas inéditas, apresentações surpreendentes e uma camada sensorial que a gaseificação controlada adiciona ao drink. Não à toa, a marca já conta com embaixadores e representantes em diferentes estados brasileiros.

O time de convidados

A edição reúne nomes que representam a diversidade e a potência da coquetelaria brasileira atual:

Tom Oliveira é embaixador da Preshh, consultor e diretor criativo do Oliveira Cocktail Bar, em Santa Catarina. Traz na bagagem uma visão que conecta técnica, criatividade e operação de bar.

tom oliveira
Tom Oliveira (Divulgação)

Rafael Alves, mixologista da Preshh, chega com o domínio técnico da gaseificação e suas aplicações em coquetéis autorais.

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Rafael Alves (Divulgação)

Sol Cerqueira, bartender baiana premiada e embaixadora da Pato Preto Destilaria e do licor Royal Charlotte, representa a força da coquetelaria feminina e nordestina na cena nacional.

sol cerqueira
Sol Cerqueira (Divulgação)

Marco De La Roche é o anfitrião do Clube 193, a Sociedade de Coquetelaria de São Paulo, e adiciona ao encontro o repertório de uma das cenas mais efervescentes do país.

Marco de la roche
Marco De La Roche

Dan Morais, bartender, pesquisador em drinks e representante da Preshh em Salvador, é também o mais novo colunista do Muito Gourmet, onde assinará uma coluna quinzenal sobre coquetelaria, cerveja artesanal e cultura de bar. Sua presença nesta edição reforça o quanto Salvador vem se consolidando como polo criativo da coquetelaria nacional.

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Dan Morais (Divulgação)

Serviço

Purgatório Convida + Preshh Data: 30 de março de 2025 (segunda-feira)
Horário: A partir das 19h
Local: Purgatório Bar, Pituba, Salvador (BA)
Reservas: www.purgatoriobar.com.br (vagas limitadas)


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Vona Ristorante lança Menu do Chef com almoço executivo italiano na Graça

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Menu do Chef Peu Mesquita traz entrada e prato principal a partir de R$ 86

O Vona Ristorante acaba de colocar na mesa uma novidade pensada para quem busca uma pausa de qualidade no meio do expediente. O Menu do Chef, disponível de terça a sexta no horário do almoço, entrega a cozinha italiana da casa em formato mais ágil, sem abrir mão da identidade que marca o restaurante do bairro da Graça, em Salvador.

A assinatura é de Peu Mesquita, chef diplomado pelo Instituto Italiano de Culinária e com uma trajetória que inclui passagem pelo Piazza Duomo, triestrela do Guia Michelin na Itália, e pelo D.O.M., de Alex Atala, em São Paulo. De volta a Salvador desde 2019, Peu comanda atualmente a cozinha do Vona e do Arento, no Fera Palace Hotel.

“A ideia do Menu do Chef é trabalharmos um conceito mais leve, prático e rápido, sem perder nossa identidade e qualidade, ideal para a correria do dia a dia”, explica o chef.

O que esperar do Menu do Chef

A estrutura do menu executivo é direta: o cliente escolhe uma entrada e um prato principal por R$ 86. Quem quiser encerrar com sobremesa, acrescenta R$ 12.

Entradas

As opções de abertura passeiam entre o frescor e a indulgência. A Insalata combina mix de folhas, tomate cereja e lascas de parmesão. A Croquetta, recheada com carne de panela, aposta no conforto. Já a Bruschetta chega coberta com pesto e camarões grelhados, num aceno mais generoso ao paladar.

Pratos principais

No centro do menu, quatro caminhos possíveis. O Alfredo com camarões grelhados é a escolha mais clássica. O Capeletti traz recheio de ricotta com pomodoro, enquanto o Polpetone acompanha gnocchi na manteiga de sálvia. Para quem prefere algo mais enxuto, o Pollo alla Griglia oferece peito de frango grelhado com azeite de ervas e legumes preparados na grelha.

Sobremesas

O trio de fechamento equilibra tradição e leveza: Panna Cotta com calda de morango, Mousse al Cioccolato com anglaise e amêndoas, e Frutti, com as frutas frescas do dia.

Serviço

Menu do Chef no Vona Ristorante
Quando: terça a sexta, no almoço
Onde: Rua da Flórida, 41, Graça, Salvador
Reservas: vonaristorante.leadsfood.app
Instagram: @vonaristorante


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Jeanne Garcia: Ovo eleito 3x Melhor de Salvador volta na Páscoa 2026

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Um convite irresistível para quem leva chocolate a sério

A Páscoa 2026 trouxe de volta uma certeza para os amantes de chocolate em Salvador: os ovos de corte da Jeanne Garcia Confeitaria não precisam de laço vistoso para convencer. Basta abrir. A confeitaria volta a ocupar seu lugar de destaque na temporada com um cardápio que equilibra técnica de pâtisserie, ingredientes nobres e aquele toque autoral que já virou assinatura da casa.

A confeitaria da Pituba, comandada por Jeanne Garcia, construiu reputação sólida entre os soteropolitanos mais exigentes quando o assunto é chocolate artesanal. Não por acaso: o ovo de Maracujá da casa já foi eleito três vezes o melhor de Salvador, um feito que, neste mercado cada vez mais competitivo, diz bastante sobre consistência.

Ovos de corte: a estrela da temporada

A tendência dos ovos de corte, aqueles que revelam camadas generosas de recheio ao primeiro golpe de faca, segue firme na Páscoa 2026, e a Jeanne Garcia soube transformar o formato em experiência sensorial completa.

Maracujá, o tricampeão

Meia casca de chocolate branco envolvendo coulis de maracujá fresco, brigadeiro de cream cheese e crumble de castanha de caju. A acidez tropical do maracujá encontra a cremosidade do cream cheese e a crocância da castanha num jogo de texturas que justifica cada uma das três premiações.

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Maracujá – Foto: Pedro Mascarenhas

Devil’s, para os devotos do cacau

Chocolate meio amargo, brigadeiro 63%, caramelo salgado e pedaços do clássico Devil’s Cake da casa. É intenso, é indulgente, é daqueles que pede um café forte ao lado e um minuto de silêncio depois da primeira colherada.

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Devil’s – Foto: Pedro Mascarenhas

Tangerina & Morango, o equilíbrio cítrico

Chocolate ao leite com biscoito speculoos, curd de tangerina, geleia de morango e brigadeiro três leites. A combinação cítrica com a especiaria do speculoos traz uma complexidade inesperada, leve e reconfortante ao mesmo tempo.

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Tangerina & Morango – Foto: Pedro Mascarenhas

Trio JG, para os indecisos de bom gosto

Quem não quer escolher, não precisa. O Trio JG reúne versões mini dos três ovos de corte. Solução perfeita para quem quer experimentar tudo ou presentear com variedade.

Ovos inteiros e clássicos revisitados

Pistache

Ovo inteiro de chocolate branco com casca recheada e interior cremoso de pistache. A oleaginosa, que segue como queridinha da confeitaria contemporânea, ganha aqui uma versão elegante e nada óbvia.

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Pistache – Foto: Pedro Mascarenhas

Avelã & Laranja

Chocolate ao leite, avelãs caramelizadas e laranja-bahia. Um clássico da Jeanne Garcia que retorna com a mesma combinação que conquistou fãs fiéis: a doçura tostada da avelã pontuada pela frescura cítrica da laranja local.

Além dos ovos: presentes e sobremesas para a mesa de Páscoa 2026

O cardápio de Páscoa 2026 da Jeanne Garcia vai além dos ovos. A confeitaria preparou lascas de chocolate com pistache ou com avelã e laranja, biscoitos artesanais de speculoos, caixas especiais de macarons e sobremesas em tamanho família. Bolos e cheesecakes que servem até dez fatias, ideais para quem recebe em casa.

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Outros presentes & sabores para a Páscoa 2026 – Foto: Pedro Mascarenhas

Serviço

Jeanne Garcia Confeitaria
Endereço: R. Ramalho Ortigão, 30 — Pituba, Salvador – BA
Encomendas: até 28 de março, pelo WhatsApp da confeitaria Retirada na loja, com itens também disponíveis para pronta entrega (sujeitos à disponibilidade)
Instagram: @jeannegarciaconfeitaria


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Jota Gastronomia: Rio Vermelho ganha novo restaurante em abril

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Antes de ser restaurante, o Jota Gastronomia já era ideia fixa. Daquelas que moram no fundo da cabeça de quem cozinha por impulso, por afeto, por teimosia. O chef Jota Moraes carrega há pelo menos duas décadas um repertório de sabores que ele mesmo chama de “improváveis”, e que agora ganham endereço novo, nome próprio e a orla do Rio Vermelho como cenário.

A casa abre para convidados no dia 1º de abril e para o público no dia seguinte, ocupando o imóvel que até então abrigava o Silva Cozinha, que segue em transição para um novo espaço na Rua Chile. O endereço muda. A essência, segundo o chef, não.

Do Carmo pro Vermelho: o caminho até aqui

Jota Moraes construiu sua história gastronômica no Santo Antônio Além do Carmo, onde comandou o Casa de Farinha e, depois, o Joca Mesa Bar. Foi ali que ele reencontrou a cozinha depois de um período afastado da área. “A experiência no Santo Antônio me deu uma atualização do perfil de consumo do público”, conta. “Aprendi que tudo que eu vivi de gastronomia regional, de fato, tem um grande valor. A nossa gastronomia, nossos insumos, nossa cultura.”

Foi nesse período que consolidou o conceito que define seu trabalho: cozinha regional contemporânea. Um olhar que bebe da tradição nordestina e sertaneja, mas que não tem medo de recombinar, de estranhar, de propor. Nessa trajetória, o chef reconhece a influência do chef Fabrício Lemos como inspiração constante, um nome que ajudou a redesenhar a percepção da gastronomia baiana no cenário nacional.

Sobre a vida de restaurateur, Jota é direto: “Ser administrador, chef de cozinha, pai, marido, filho… não é um super poder. É um conjunto de escolhas.”

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Chef Jota Moraes – Foto: Márcia Reimão

Por que o Rio Vermelho

Para quem conhece a relação de Jota com Salvador, a escolha do bairro não surpreende. Ele fala do Rio Vermelho como quem fala de casa. Das madrugadas no antigo Mercado do Peixe no início dos anos 2000, passando pelas rodas de hardcore do extinto Idearium, pelos acarajés históricos de Cira, Dinha e Regina, até os restaurantes que hoje compõem a cena do bairro.

“O Rio Vermelho é um bairro de todas as tribos, todos os povos, todas as pessoas. Isso combina demais com a potência do Brasil, do brasileiro”, diz. Para ele, a história pessoal e a história gastronômica se encontram nesse endereço. “Tudo isso é cultura, gastronomia e Nordeste.”

O prato que nasceu há 20 anos

O baião de dois de frutos do mar, carro-chefe da casa, tem origem numa cozinha doméstica, quando Jota ainda cursava Fisioterapia. Ele reunia amigos em casa, cozinhava criações próprias e colhia avaliações. Depois de uma viagem a Recife, onde comeu o baião de dois tradicional com a família, decidiu criar uma versão com frutos do mar. Ali nasceu o prato que hoje define sua assinatura.

“É o exemplo clássico de como definir minha gastronomia. Regional contemporânea”, resume Jota.

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Baião de Dois de Frutos do Mar – Foto: Leonardo Freire

A experiência completa

O Jota Gastronomia não quer ser apenas sobre o prato. A operação prevê almoço com opção de executivo, happy hour (incluindo sexta-feira), jantar, carta de drinks autorais e clássicos, bons whiskys e uma carta de vinhos assinada pela sommelière Carol Souzah. A proposta é de experiência gastronômica por inteiro, do primeiro gole ao último bocado.

O que fica

Quando perguntado sobre a sensação que espera deixar em quem passar pelo Jota Gastronomia, o chef não hesita: nostalgia.

“Tanto a nostalgia pelo que está vivendo dentro do restaurante, de ser algo confortável e que remeta a bons momentos e boas histórias da própria vida. Quanto a nostalgia de, ao sair, ter essa sensação tão positiva que deseje voltar o quanto antes.”

Em tempos de conceitos fabricados e estéticas emprestadas, tem algo genuíno num cozinheiro que leva 20 anos amadurecendo um prato e uma vida inteira acumulando referências que cabem num mesmo balcão: o sertão, o mar, o hardcore, o acarajé, o vinho, o baião. Tudo isso, agora, com vista para a Praia da Paciência, no Rio Vermelho.


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Do grão ao festival: como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

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Café especial no Brasil: a força dos festivais que transformam consumo em cultura

O crescimento do café especial no Brasil não acontece por acaso. Ele é construído em rede, experiência e presença. À frente desse movimento está uma nova geração de profissionais que unem conhecimento técnico, curadoria e atuação prática no mercado. É nesse contexto que se destaca Brenda Matos, barista, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, que acompanha de perto a evolução desse cenário e suas transformações culturais.

Nesse cenário, os festivais independentes surgem como protagonistas silenciosos de uma revolução sensorial. São eles que aproximam o público do produtor, traduzem conceitos técnicos e transformam curiosidade em repertório. Em cidades como Salvador, onde identidade e território são centrais, esses encontros ganham ainda mais potência ao conectar o café às narrativas locais.

Na nova coluna do Muito Gourmet, Brenda Matos, que é barista, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, mostra como esses eventos vêm moldando o paladar brasileiro, e por que eles são peças-chave na consolidação do café especial no Brasil como movimento cultural, econômico e educativo.

Do Grão ao Festival: Como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

O setor de cafés especiais no Brasil cresce, em média, 15% ao ano, ritmo esse que chega a ser cinco vezes superior ao do mercado tradicional. Mas esse crescimento não acontece como um fenômeno de “Geração Espontânea” — Louis Pasteur já refutou essa teoria há tempos, lembra?

Esse movimento ganha mais força ainda quando a cadeia inteira se encontra nos palcos dos festivais independentes de café. Eles são os grandes catalisadores da educação do consumidor e o ponto de virada para marcas que buscam visibilidade e novos negócios.

O fenômeno dos festivais independentes

Enquanto o consumo de café tradicional apresentou uma leve retração em volume, o faturamento da indústria saltou mais de 25%. Isso revela um consumidor que está trocando quantidade por qualidade. É nos festivais que esse público descobre o universo de possibilidades que existe no café de qualidade.

Apresento a vocês três eventos no Brasil que mostram, na prática, como esses encontros transformam a cultura regional:

O Caféstival (Porto Alegre – RS): Um gigante do Sul que, em sua edição recente, atraiu 20 mil visitantes. Com campeonatos de Latte Art e Espresso, o evento prova que o café é, acima de tudo, uma experiência de entretenimento e relações humanas.

O Café Fest (Goiânia – GO): Tornou-se um marco do Centro-Oeste brasileiro. Com um público de 12 mil pessoas, o festival integra gastronomia e cultura, consolidando-se como uma plataforma de grande importância para marcas regionais se posicionarem no radar nacional.

O Festival Baiano de Cafés (Salvador – BA): Projeto que tenho a honra de idealizar e organizar, cumpre um papel estratégico único: encurtar a distância entre o público urbano e o produtor de diferentes terroirs do estado, como a Chapada Diamantina, o Planalto Baiano e a Serra dos Morgados.

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Festival Baiano de Cafés – Foto: Arivaldo Publio

Números que movem a economia

No Festival Baiano de Cafés, os dados refletem a potência desse encontro. Com mais de 2.000 visitantes por dia e cerca de 50 expositores, movimentamos mais de R$ 300 mil em negócios diretos durante o evento. Mais do que estatística, esses dados são o reflexo do trabalho e da dedicação de famílias de agricultores, baristas e pequenos empreendedores sendo inseridos em um ecossistema de valor.

Com mais de 30 especialistas convidados e horas de programação educativa e cultural, o festival atua como uma “escola a céu aberto” sobre a cultura do café na Bahia. É ali que o consumidor entende que o café especial é uma mistura de terras, mãos e muitas histórias.

O café como experiência coletiva

Hoje, cerca de 18% dos consumidores brasileiros já apontam o café especial como seu estilo preferido. E os festivais se tornaram o ponto de encontro entre coffee lovers, instrutores, produtores, torrefações e marcas que, de fato, movimentam a cena dia após dia.

O café especial no Brasil não é apenas uma tendência, é um movimento econômico e, acima de tudo, cultural. Um movimento que ganha vida toda vez que pessoas se reúnem em torno de uma mesa com uma xícara na mão para celebrar o que há de melhor em nossa terra: viva o café baiano!

brenda site
Do grão ao festival: como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

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Chef Tereza Paim recebe Prêmio Alice Bottas e reforça protagonismo feminino na gastronomia baiana

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Reconhecimento celebra empreendedorismo e impacto cultural da chef no cenário baiano

A força da gastronomia baiana ganhou mais um capítulo de reconhecimento. A chef Tereza Paim, um dos nomes mais emblemáticos da culinária contemporânea de Salvador, foi homenageada com o Prêmio Alice Bottas 2026, na categoria Empreendedorismo, em cerimônia realizada no tradicional Clube Espanhol.

À frente do Grupo Tereza Paim, que reúne operações como o Casa de Tereza, Mesa de Tereza, Da TeTê Bar, Loja Tereza Paim e o Tabuleiro da Chef, a empresária construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura baiana e pela expansão de sabores locais para o mundo.

“Feliz em ter recebido esse importante prêmio, que exalta o poder feminino de sermos o que quisermos. Viva todas as mulheres premiadas neste evento”, celebrou a chef durante a cerimônia.

tereza paim premio alice bottas 2026
Chef Tereza Paim recebe Prêmio Alice Bottas 2026 – Foto: Marcello Fontes

Um prêmio que ecoa a luta histórica das mulheres

Criado em 2015 pelo Sindicato dos Bancários da Bahia, o Prêmio Alice Bottas é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e tem como missão reconhecer trajetórias femininas que contribuem para a redução das desigualdades e o enfrentamento da violência de gênero.

A honraria carrega o nome de uma pioneira: Alice Bottas, primeira mulher a integrar a diretoria do sindicato, ainda na década de 1930 — um marco em um período em que a presença feminina no mercado de trabalho formal era extremamente limitada.

A entrega do prêmio à chef Tereza Paim foi feita pelo deputado federal Daniel Almeida, nome historicamente ligado à defesa dos direitos dos bancários e das pautas trabalhistas, uma conexão que reforça o legado de luta e representatividade que a premiação simboliza.

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Daniel Almeida e Chef Tereza Paim – Foto: Marcello Fontes

Gastronomia, identidade e protagonismo feminino

Mais do que uma premiação individual, o reconhecimento a Tereza Paim evidencia o papel da gastronomia como ferramenta de transformação social e cultural. Sua cozinha vai além do prato: é narrativa, memória e resistência.

Com restaurantes que são verdadeiros pontos de encontro entre tradição e contemporaneidade, a chef consolidou um modelo de negócio que valoriza ingredientes locais, saberes ancestrais e a experiência sensorial da culinária baiana.

Mulheres que inspiram: as homenageadas de 2026

Além de Tereza Paim, outras mulheres de destaque também foram reconhecidas na edição 2026 do prêmio:

  • Andreia Reis (Artes), musicista da Banda Olodum
  • Camila Oliveira (Comunicação), da TV Bahia
  • Lívia Santana e S’Antana Vaz (Jurídico), atuantes no combate ao feminicídio
  • Amanda Amaral Lopes (Saúde e Inclusão), vinculada à Fiocruz
  • Lúcia Guedes (Setor Bancário)
  • Bárbara Karine (Educação)

Cada uma, em sua área, representa avanços concretos na construção de uma sociedade mais justa, diversa e igualitária.

Salvador celebra suas protagonistas

Em um cenário onde gastronomia, cultura e empreendedorismo caminham lado a lado, Tereza Paim reafirma seu lugar como uma das principais embaixadoras da Bahia. Seu trabalho transcende fronteiras e posiciona Salvador como destino essencial para quem busca experiências autênticas e sofisticadas.

A premiação não apenas celebra conquistas individuais, mas reforça uma narrativa coletiva: a de mulheres que transformam realidades, seja nos palcos, nas cozinhas, nas salas de aula ou nos espaços de decisão.


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Restaurantes com vinho ou restaurantes com experiência de vinho?

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Introdução editorial

Cada vez mais restaurantes em Salvador incluem vinhos no cardápio. Mas entre ter vinho e oferecer uma experiência de vinho, existe uma diferença enorme.

Na nova coluna, Carol Souzah observa algo que se repete em muitas casas da cidade: cartas estáticas, rótulos que não mudam, equipes sem preparo e uma bebida que poderia ser protagonista acabando relegada a um canto do cardápio. A partir de uma conversa sincera com um restaurateur, ela mostra que o vinho não é apenas mais um item da operação… é estratégia de negócio, ferramenta de hospitalidade e um dos motores mais poderosos da experiência à mesa.

Porque quando o vinho passa a ser pensado de verdade, algo muda no restaurante inteiro.

Restaurantes com vinho ou restaurantes com experiência de vinho?

Quando o vinho vira estratégia, o restaurante muda

Outro dia, almoçando em um restaurante da cidade, acabei conversando com o dono sobre a venda de vinhos da casa. Curiosa que sou, a conversa naturalmente chegou aos rótulos, às possibilidades da carta e ao espaço que o vinho ocupa naquele restaurante. Eu queria entender como essa bebida, cada vez mais presente nas mesas, estava sendo pensada ali.

A resposta dele foi honesta.

Ele me disse que trabalha com o mesmo fornecedor desde que abriu o restaurante. Que sabe que poderia vender mais vinho. Que sabe que o público da casa tem perfil para isso. Mas que, no meio de tantas tarefas que um restaurante exige, o vinho sempre acaba ficando para depois.

Não era preguiça. Era falta de tempo.

Quem já esteve perto da rotina de um restaurante sabe como é. O dono resolve problema de fornecedor, acompanha cozinha, cuida de equipe, de caixa, de cliente, de manutenção, de estoque, de tudo ao mesmo tempo. Em muitos casos, ele também tenta cuidar do vinho.

Mas vinho também é um trabalho.

Montar uma carta coerente, escolher rótulos que conversem com o cardápio, preparar a equipe para sugerir uma garrafa com segurança, cuidar da temperatura de serviço, acompanhar o atendimento no salão, observar o giro das vendas e reavaliar os rótulos e a estratégia da carta de tempos em tempos. Nada disso acontece sozinho.

E quando ninguém cuida de verdade, o vinho vira apenas um item esquecido no cardápio.

Muitos restaurantes acabam resolvendo essa questão da forma mais prática possível: trabalhando com um único fornecedor. Para o dono da casa isso pode trazer conforto. Simplifica o pedido, reduz o tempo de negociação, organiza o estoque. Mas para quem frequenta o restaurante com frequência, o efeito pode ser outro.

Quando a carta de vinhos não muda, os rótulos acabam se repetindo. O cliente que gosta de vinho percebe rápido. Volta algumas vezes e encontra sempre as mesmas opções.

E, aos poucos, algo curioso começa a acontecer: as pessoas continuam indo ao restaurante porque gostam da comida, do ambiente, do serviço, mas passam a levar suas próprias garrafas para beber o que realmente querem.

A taxa de rolha vira então uma espécie de solução informal para um problema que poderia ser resolvido na própria carta.

Uma seleção mais pensada, com diversidade de estilos, regiões e faixas de preço, muitas vezes diminui até a necessidade da rolha. O cliente encontra ali mesmo algo que desperta curiosidade, algo que ele quer provar.

E a garrafa passa a fazer parte da experiência da casa.

O curioso é que muitos restaurantes ainda não percebem o quanto o vinho pode ser um dos maiores aliados de um negócio gastronômico. Se existe uma bebida capaz de alavancar vendas dentro de um restaurante, provavelmente é o vinho.

Diferente de muitas outras bebidas, o vinho é profundamente gastronômico. Ele pede comida, conversa com os pratos, prolonga o tempo da mesa. Quando uma garrafa é aberta, a dinâmica muda: a mesa pede mais água, os clientes ficam mais tempo, novos pratos aparecem, a presença se estende.

Em mesas maiores isso fica ainda mais evidente. Uma garrafa termina e, muitas vezes, outra é pedida naturalmente. O vinho cria ritmo na refeição e aumenta o consumo ao redor dele.

Ou seja, ele não vende apenas a si mesmo. Ele puxa o resto da experiência.

Além disso, uma boa carta de vinhos também constrói imagem. Restaurantes que cuidam do vinho começam a ser lembrados não apenas pela comida, mas também pela experiência da taça.

E o público de Salvador tem mudado.

Hoje há mais curiosidade, mais gente interessada em provar rótulos diferentes, mais clientes que perguntam sobre uvas, regiões, estilos. É um público que valoriza quando encontra alguém no salão que sabe orientar.

Ao mesmo tempo, existe uma frase que escuto com frequência quando converso com donos de restaurantes: a dificuldade de vender vinho. E quase sempre essa queixa vem acompanhada de outra, que também se repete muito pela cidade: a dificuldade de encontrar profissionais que saibam trabalhar com o serviço de vinho.

Mas a verdade é que essa realidade dificilmente vai mudar se cada casa não investir na formação das suas próprias equipes.

Nem todo restaurante precisa ter um sommelier em tempo integral. Mas toda casa que decide oferecer uma carta de vinhos precisa de alguém que pense essa carta, que a organize e que acompanhe a equipe no aprendizado. Para muitos profissionais de salão, o universo do vinho ainda é um território novo, cheio de nomes, regiões, estilos e formas de serviço que não se aprendem de um dia para o outro. É um conhecimento que se constrói com prática, repetição e acompanhamento ao longo do tempo.

Porque quando o vinho recebe atenção, algo muda na mesa.
A experiência melhora, o cliente percebe o cuidado e o restaurante descobre que aquela garrafa, que antes parecia difícil de vender, na verdade só estava esperando alguém apresentá-la direito.

Talvez o vinho nunca tenha sido difícil de vender. Talvez ele apenas tenha sido pouco cuidado. Em uma cidade onde a gastronomia cresce e o público se torna cada vez mais curioso, o vinho deixou de ser detalhe. Para muitos restaurantes, pode ser exatamente a peça que ainda falta para transformar uma boa casa em um lugar memorável.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Segunda virou dia de Megiro: boteco lança almoço executivo e happy hour com samba

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Boteco dos chefs Fabricio Lemos e Lisiane Arouca amplia funcionamento e lança menu executivo durante a semana

A semana começa diferente no Megiro Boteco, no Horto Florestal. O endereço comandado pelos chefs Fabricio Lemos e Lisiane Arouca agora abre também às segundas-feiras, das 12h às 23h, trazendo duas novidades que prometem movimentar o início da semana em Salvador: menu executivo no almoço e happy hour com samba ao vivo à noite.

A proposta reforça a essência do Megiro — um boteco contemporâneo que revisita a tradição dos bares baianos de décadas passadas, com pratos que celebram sabores afetivos e ingredientes locais.

megiro 08 fabricio lemos e lisiane arouca

Menu executivo valoriza clássicos da cozinha brasileira

Durante o almoço de segunda a sexta, o restaurante passa a oferecer menu executivo por R$ 79, composto por entrada e prato principal.

A experiência começa com opções como caldinho de mariscos ou salada da horta com queijo coalho, que abrem caminho para pratos principais com forte sotaque brasileiro. Entre eles estão o picadinho brasileiro, clássico de conforto, e o bobó de camarão com arroz de coco, receita que carrega a identidade da cozinha baiana.

A ideia é oferecer uma alternativa saborosa e rápida para quem trabalha ou circula pela região do Horto Florestal durante a semana, sem abrir mão da assinatura gastronômica da dupla de chefs.

Segunda também vira noite de samba no boteco

Quando a noite chega, o Megiro ganha clima de boteco animado. A segunda-feira passa a contar com happy hour com samba ao vivo, comandado pelo músico Dan Nascimento, das 19h às 22h.

Para acompanhar a música, Fabricio Lemos criou uma série de combos pensados para compartilhar, reforçando o espírito descontraído do bar.

Entre eles estão:

  • Começo Certo — pastel de bobó, pastel nordestino e dois chopps Brahma (R$ 39)
  • Nordestino — arrumadinho nordestino e dois chopps Brahma (R$ 89)
  • Raiz Megiro — moela da casa com duas caipirinhas (R$ 99)

A combinação de samba, petiscos e bebidas transforma o espaço em um ponto de encontro para quem quer esticar o dia com música e boa comida logo no começo da semana.

Um boteco contemporâneo com alma baiana

Instalado no Horto Florestal, um dos bairros mais charmosos de Salvador, o Megiro foi criado para resgatar o espírito dos bares baianos de cerca de 50 anos atrás, reinterpretando pratos tradicionais com técnica e criatividade.

O nome do bar — “Megiro”, que é “Origem” ao contrário — traduz bem a proposta da casa: olhar para o passado da culinária de boteco da Bahia e reinventá-lo com identidade contemporânea.

O reconhecimento veio rapidamente. Em 2025, o Megiro foi eleito o 5º melhor bar do Brasil no ranking 100 Melhores Bares da Casual Exame, consolidando-se como um dos endereços gastronômicos mais interessantes da capital baiana.

Funcionamento atualizado

Com a ampliação do horário, a casa passa a operar da seguinte forma:

Megiro Boteco

Endereço
Avenida Santa Luzia, 656, loja 12 – Horto Florestal, Salvador

Horários
Segunda-feira: 12h às 23h
Quarta a sábado: 12h às 23h
Domingo: 12h às 17h

A casa passa a fechar às terças-feiras, que serão dedicadas ao descanso da equipe.

Reservas: (71) 99644-9141


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