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Vinhos de verão: quando a taça escuta o clima

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Vinhos de verão: beber o clima, escutar o corpo

Em Salvador, o verão não é apenas uma estação, é um modo de existir. O calor define os horários, os encontros, os pratos e, inevitavelmente, o que escolhemos colocar na taça. É nesse cenário que os vinhos de verão ganham outro sentido: não são apenas rótulos para beber gelados, mas escolhas que respeitam o corpo, o clima e o tempo.

Na coluna desta semana, Carol Souzah propõe uma escuta sensível da estação. Mais do que sugerir vinhos brancos, espumantes ou tintos leves, ela convida o leitor a repensar o porquê de ainda insistirmos em potências alcoólicas em pleno calor baiano. Com olhar crítico, toque de ironia e muita elegância sensorial, Carol desmonta mitos, provoca o paladar e revela como o preconceito contra vinhos leves — muitas vezes atravessado por machismo — nos afasta de experiências mais honestas e prazerosas.

Um texto que refresca ideias, inspira escolhas e reafirma: o bom vinho de verão é aquele que acolhe por dentro e refresca por fora.

vinhos de verao 2
Vinhos de Verão

Vinhos de verão, quando a taça escuta o clima

Em Salvador, o verão dita o ritmo da vida. O calor molda os horários, os encontros, o jeito de ocupar a cidade e, inevitavelmente, o que colocamos na taça. Quando o vinho entende esse clima, entra nesse diálogo não como imposição, mas como extensão do ambiente, um vinho que refresca, acolhe e convida à permanência, sem excesso e sem esforço.

Para quem quer acertar no vinho de verão, algumas escolhas funcionam quase como um mapa seguro. Sauvignon Blanc seguem imbatíveis nesse clima, dos chilenos de regiões mais frias, como o Caliterra Reserva, aos rótulos vibrantes de Marlborough, na Nova Zelândia, como o Marlborough Sun Sauvignon Blanc, cheios de acidez, fruta fresca e aquela sensação quase elétrica que refresca imediatamente. Vale olhar também para os brasileiros, que têm surpreendido muito, especialmente nos espumantes, com rótulos precisos, leves e cheios de frescor. Um ótimo exemplo é o Espumante Bebber Nature, com 12 meses, elaborado a partir de Chardonnay e Riesling Itálico, um espumante brasileiro de acidez firme, aromas vibrantes e grande precisão. Chardonnay sem madeira, tanto do Chile quanto do Brasil, também funcionam muito bem com peixes, saladas e frutos do mar. Entre os rosés, os estilos mais claros e secos continuam sendo apostas certeiras. E nos tintos, a dica é escolher versões mais leves e pouco extraídas, como Pinot Noir, Garnacha ou Cinsault, inclusive brasileiros e chilenos, sempre com a possibilidade de servir levemente refrescados. São vinhos pensados para beber com prazer, sem esforço, respeitando o clima, o ritmo e a leveza que o verão pede em Salvador.

Trazer outras referências para Salvador deveria ser quase natural. Aqui, os vinhos mais frescos combinam com peixe grelhado, com uma moqueca mais leve, com petiscos de praia, com frutas e com mesas compartilhadas. Rosés claros e secos, espumantes brut ou nature entram com facilidade nesse cenário. Inclusive, um bom espumante brut ou até um vinho laranja conseguem dialogar muito bem com a moqueca e com o dendê, equilibrando gordura, intensidade e especiarias. Um exemplo interessante é o vinho laranja espanhol biodinâmico 20000 Léguas, que mostra como estrutura, textura e frescor podem caminhar juntos mesmo diante de pratos intensos. São vinhos que combinam com gelo no balde, com vinho na praia ou à beira da piscina, com roupa leve, corpo solto e a liberdade que o calor impõe, sem rigidez.

No entanto, confesso que existe algo que ainda observo bastante em Salvador, mesmo depois de todos os meus verões vividos aqui. Vejo muita gente insistindo em beber, nos dias mais ensolarados do ano, vinhos tintos super potentes, Malbecs, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot extremamente extraídos, alcoólicos, com longa passagem por barrica, como se o clima não tivesse mudado e o corpo não estivesse pedindo outra coisa. Existe uma certa resistência em aceitar que o vinho também acompanha a estação. Não digo para não beber esses vinhos durante o verão, mas ampliar as possibilidades nessa época do ano. Trocar um tinto pesado por um Pinot Noir bem feito, como o Bourgogne Origines do Albert Bichot, mais leve e fresco, não é perda de status nem de prazer, é inteligência sensorial. Já levei um Pinot para um jantar e ouvi, sem saberem que o vinho era meu, comentários do tipo “quem trouxe esse vinho ruim?” seguido de “só pode ter sido mulher”. Isso diz muito. O vinho leve ainda sofre preconceito, e muitas vezes esse preconceito vem carregado de machismo.

O vinho, muitas vezes, acaba sendo usado como um símbolo de afirmação, quase como uma extensão de status. Assim como carros e motos maiores, mais caros ou mais potentes, alguns homens recorrem a vinhos excessivamente fortes, alcoólicos e marcados pela madeira para reforçar uma ideia de poder, gosto e autoridade. Não por acaso, ainda existem homens que dizem entender de vinho, mas que só bebem tinto, como se limitar o repertório fosse sinal de conhecimento. Nesse jogo, a potência passa a ser confundida com valor, e tudo que é delicado, leve ou sutil acaba sendo desqualificado, não por falta de qualidade, mas por carregar um preconceito antigo e silencioso. Enquanto isso, seguem bebendo contra o clima, contra o corpo e contra a própria experiência que o verão poderia oferecer.

Talvez o maior aprendizado do verão seja esse: vinho não precisa ser denso para ser profundo, nem complexo para ser interessante. Às vezes, ele só precisa ser honesto, bem feito e refrescante. Um vinho que respeita o calor, o corpo e o tempo.

No fim das contas, escolher bons brancos, espumantes e rosés é um exercício de escuta. Escutar o clima, o corpo e o lugar. Salvador pede frescor, ritmo e menos peso, e o vinho, quando respeita essa lógica, se transforma em prazer verdadeiro. Porque no calor, o vinho bom é aquele que refresca por fora e acolhe por dentro.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Festival de Ostras na Pituba tem pizza de ostra, chef europeu e carta de vinhos exclusiva

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Segunda edição acontece entre os dias 17 e 19 de dezembro e traz novas receitas ousadas, carta de vinhos especial e participação do chef José Morchón

Entre os sabores do mar e a efervescência da alta criatividade gastronômica, o Proa Gastrôbar, na Pituba, prepara mais uma viagem sem escalas pelo universo das ostras. Após o sucesso retumbante da primeira edição, o Festival de Ostras retorna ao bar nos dias 17, 18 e 19 de dezembro, das 18h às 23h, com uma nova rodada de receitas autorais e uma participação internacional de peso: o chef espanhol José Morchón, do badalado restaurante La Taperia, se junta ao chef residente Ricardo Vallari nesta edição especial.

Ostras em versão crocante, tempurá e até pizza napolitana frita

Para quem acompanhou a estreia do festival de ostras, boas lembranças voltarão ao prato. Clássicos como a Ostra Crocante em Taco de Nori Desidratada com Gohan e Maionese de Wasabi e a Tempura de Ostra no Bao de Tahine Black e Kimchi estão de volta, atendendo a pedidos dos comensais mais fiéis.

Mas é nas novidades que o festival promete surpreender os paladares mais ousados. Entre as novas criações, destaca-se o poético Sonho de Ostra, que combina coalhada, pó de nori e katsuobushi em uma explosão de umami. Já a irreverente Pizza Napolitana Frita ganha recheio de ostras agridoces com conhaque, togarashi, aioli e coentro, misturando técnica, provocação e sabor em cada mordida.

Outra aposta que promete brilhar é o Trio de Ostras, apresentado em três variações: com molho de moqueca, azeite de coentro e um instigante chili oil de dedo de moça — uma verdadeira volta ao mundo em três ostras.

Vinhos especiais e cervejas artesanais direto da fonte

Ampliando a experiência sensorial, o festival contará com uma carta de vinhos exclusiva da Meus Vinhos, cuidadosamente selecionada para harmonizar com o menu. As sugestões dialogam com o frescor e a intensidade das ostras, criando pontes entre o Atlântico baiano e terroirs europeus. E, claro, não poderia faltar o toque da casa: as cervejas artesanais da Proa Cervejaria, servidas diretamente da fonte no Bar da Proa, garantem o equilíbrio ideal entre ousadia e tradição.

Durante os três dias do festival de ostras, o menu regular do Proa será suspenso, dando lugar apenas às criações pensadas para o evento. O endereço do sabor é o de sempre: Rua das Hortênsias, 288 – Pituba, Salvador.

Para quem busca mergulhar em um mar de sabores inusitados, essa é a rota certa.


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Puxadinho celebra 3 anos reafirmando sua alma boêmia na Pituba

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Três anos de porte fechando com chave de ouro

Em uma das ruas mais badaladas da Pituba, onde as luzes da noite se misturam com risos, música e aromas de coquetéis, o Puxadinho Restaurante comemora três anos de trajetória e de histórias vividas.

O Puxadinho vem se consolidando como ponto de encontro para quem busca uma experiência que vai além da mesa: uma celebração constante, com sabor, som e presença.

puxadinho ambiente
Puxadinho (Divulgação)

Luz, música e sabores: o DNA da casa

Com uma arquitetura intimista, marcada por iluminação suave e cantinhos que convidam ao diálogo, o ambiente do Puxadinho é pensado para acolher. A atmosfera recebe impulso extra com a coquetelaria autoral e uma seleção musical alinhada à proposta da casa: agora, de quinta a sábado, o projeto “Luz, Música & Sabores” convida o público a curtir noites vibrantes com shows da cantora Meggie Santos e sets dos DJs Mel Angelim e Santz. Uma mistura de house, boogie e brasilidades. O resultado? Uma energia pulsante e, ao mesmo tempo, acolhedora, ideal para encontros descontraídos ou celebrações intimistas.

Gastronomia contemporânea com alma afetiva

Na cozinha, o talento do chef Jamil Máximo guia um menu que transita entre influências nacionais e internacionais, sem perder o vínculo com sabores regionais e referências afetivas. Pratos bem apresentados e sabores criativos refletem uma gastronomia contemporânea, servida com atenção e proximidade. Fazem parte do time de idealizadores os sócios Thiago Hanna, Gustavo Nilo, Jonathan Café, Nuno Jr. e Henrique Almeida, que se esforçam para consolidar o Puxadinho como referência na vida noturna de Salvador.

Para Henrique, o segredo está em criar conexões reais. “Chegar aos três anos com uma casa cheia, um público fiel e noites que viraram ponto de encontro é motivo de orgulho. Queremos que as pessoas se sintam parte, que vivam momentos significativos. As melhores histórias nascem quando boa comida, boa música e boas companhias se encontram.”

Gastronomia do Puxadinho
Puxadinho comemora 3 anos (Divulgação)

Convite para mais histórias à mesa

Aberto de segunda a sábado, a partir das 18h, o Puxadinho segue de portas abertas para quem busca encontros especiais — seja para um jantar tranquilo, drinks no bar ou celebrações entre amigos. O convite está feito: viva Salvador com novos sabores, sons e memórias.


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Spaghetti com propósito: Mistura Contorno e Plan Brasil se unem no Dia de Doar

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Receita clássica, causa urgente: renda de prato icônico será revertida à proteção de meninas na Bahia

Dia de Doar inspira mais uma vez uma ação saborosa e solidária no coração de Salvador: pelo terceiro ano consecutivo, a ONG Plan Brasil, que combate ciclos de violência contra meninas, se une ao Restaurante Mistura Contorno para transformar um clássico da gastronomia em instrumento de mudança. No próximo dia 2 de dezembro, toda a renda obtida com o tradicional Spaghetti aos frutos do mar (R$ 116) será revertida para iniciativas de proteção à infância na Bahia.

Spaghetti aos frutos do mar, prato participante do Dia de Doar do Mistura Contorno
Spaghetti aos frutos do mar, prato participante do Dia de Doar do Mistura Contorno

Esta é a terceira edição da parceria entre o Mistura Contorno e a Plan Brasil. A escolha do prato não poderia ser mais simbólica: foi com ele que nasceu a história do restaurante, hoje um ícone da gastronomia soteropolitana, comandado pela chef Andréa Ribeiro. “É com muita alegria que participamos desta iniciativa, ajudando a fortalecer ainda mais a atuação da Plan Brasil na Bahia. Escolhemos um prato que simboliza nosso legado de mais de três décadas unindo sabores e memórias em Salvador”, destaca a chef.

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Chef Andréa Ribeiro (Divulgação)

Localizado em um dos cenários mais deslumbrantes da capital baiana, o Mistura Contorno é reconhecido por fundir o frescor dos mares com técnicas da cozinha mediterrânea e baiana. A união com a Plan Brasil reforça o compromisso do restaurante com ações sociais que fazem diferença concreta na vida de crianças e adolescentes.

Dia de Doar – Um gesto, muitas vidas

A Plan Brasil desenvolve, na Bahia, o projeto Escola de Liderança para Meninas, voltado a adolescentes de 13 a 19 anos. A proposta é clara: formar jovens líderes capazes de transformar suas realidades, enfrentando desigualdades e prevenindo violências de gênero. Com oficinas, debates e formação cidadã, as meninas também aprendem sobre saúde menstrual, direitos sexuais e reprodutivos.

“Cada gesto de solidariedade fortalece essa missão”, afirma Elaine Amazonas, gerente de projetos da Plan Brasil na Bahia. “O Dia de Doar mobiliza o mundo inteiro, e essa parceria com o Mistura Contorno amplia nosso alcance e potencial de transformação.”

Em tempos em que a solidariedade é um ingrediente essencial, iniciativas como essa mostram que gastronomia e consciência social podem — e devem — andar lado a lado. No próximo domingo, o convite é claro: saborear um clássico e transformar vidas.

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Mistura Contorno (Divulgação)

SERVIÇO

Restaurante Mistura Contorno – Dia de Doar
Onde: Avenida Contorno, Ladeira do Gabriel, 334 – Salvador
Contato: / Reservas: (71) 2132-8277
Quando: Ação válida em 02 de dezembro (domingo)
Prato Participante: Prato participante: Spaghetti aos frutos do mar (R$ 116,00)


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Emoriô: festa, música e caruru no Santo Antônio Além do Carmo

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Joca Mesa Bar celebra Santa Bárbara com caruru ancestral e festa Emoriô

Quando o dendê encontra o quiabo, a Bahia inteira sorri, e, no próximo dia 4 de dezembro o Joca Mesa Bar se prepara para transformar a tradição em celebração. Sob o signo de Dia de Santa Bárbara — orixá dos ventos e da tempestade, conhecida como Iansã — o bar-restaurant do chef Jota Moraes convida baianos e visitantes para um instante de memória, sabor e fé ancestral.

Joca Mesa Bar
Varanda do Joca Mesa Bar – Foto: Divulgação

Caruru com dendê, raízes e resistência

Desde as 12h de quinta-feira, o caldeirão do Joca Mesa Bar estará fumegando o tradicional caruru de quiabos: uma receita que atravessa gerações, feita com quiabo, azeite de dendê, camarão seco, amendoim, castanha e cebola. Quem chegar vestindo vermelho — cor querida de Iansã — recebe de presente uma caipirinha. Um gesto simbólico, um brinde de boas‑vindas.

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Chef Jota Moraes (Divulgação)

Emoriô: moda, música e ancestralidade

Mas a celebração não se encerra na quinta. No sábado (06/12), o Joca Mesa Bar abre as portas para a Emoriô — festa de estreia do Guia Rota Viva no bairro Santo Antônio Além do Carmo. Das 15h às 22h, a casa ganha vida com um encontro vibrante de música, moda, arte e gastronomia. A tradição nordestina contemporânea serve de pano de fundo para a celebração da cultura baiana.

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Emoriô (Divulgação)

A programação incluiu:

  • 16h: experiência sensorial da marca de autocuidado Sou Dumato, celebrando ancestralidade e beleza afro‑baiana
  • lançamento da nova coleção da grife Salcity Cria
  • ritmos intensos e envolventes com o cantor Vital — residente da festa — e dias com curadoria musical pelo DJ Namonster, com show especial de Mistro e Luan Costa

Na sexta-feira, o branco — cor associada à religiosidade afro — é o dress code simbólico. E o caruru de Santa Bárbara volta à mesa como carro‑chefe do cardápio.

Um roteiro de alma: Santo Antônio Além do Carmo ganha vida no Guia Rota Viva

O lançamento do Guia Rota Viva marca um momento de valorização dos espaços culturais e da gastronomia do bairro. O Joca Mesa Bar aparece entre bares, pousadas, ateliês, moda e galerias — como um dos destinos essenciais para quem deseja escutar, saborear e viver o Santo Antônio Além do Carmo com alma e sotaque.

Para quem quer se perder nas ruas de paralelepípedos e encontrar o dendê, o axé e o sabor da Bahia em um só lugar: a Rua Direita do Santo Antônio, 90, será destino e celebração.

“Mais do que servir comida — oferecemos ancestralidade em forma de prato, fé em cada colherada e a alegria de celebrar juntos.”

Venha de vermelho ou de branco. Mas venha. A festa já começa na primeira garfada.


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A taxa de rolha: ponte ou muro?

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A polêmica da rolha: liberdade de escolha ou desrespeito ao conceito da casa?

Em outubro de 2022, publicamos aqui no Muito Gourmet uma matéria sobre os restaurantes de Salvador que não cobravam taxa de rolha, e o conteúdo, como era de se esperar, gerou polêmica.

Afinal, rolha é sempre um tema que divide opiniões: de um lado, consumidores que desejam liberdade; do outro, casas que buscam sustentabilidade. Na época, listamos 16 estabelecimentos. Hoje, em novembro de 2025, quatro deles já não existem mais, ou seja, uma redução de 25%.

Passados três anos, o debate continua atual, mas ganha novas camadas. E quem retoma o assunto com profundidade e sensibilidade é nossa colunista Carol Souzah. Sommelière, jornalista e ex-proprietária do Terroir Bar de Vinhos, ela viveu o tema na prática, nos bastidores e na salão. Em sua nova coluna, Carol propõe um olhar mais amplo sobre o uso da taxa de rolha, questionando intenções, contextos e possibilidades de inclusão.

Mais que regra ou direito, rolha é também sinal de como consumimos, celebramos e nos relacionamos com os lugares que escolhemos frequentar. E talvez esteja aí a real provocação: o que estamos esquecendo nessa conversa?

Taxa de rolha, ponte ou muro?

Taxa de Rolha: o que estamos esquecendo nessa conversa?

A taxa de rolha sempre foi um tema delicado no mundo do vinho, polêmico mesmo, e por isso precisa ser discutido com honestidade. Acredito que ela tenha surgido para permitir que o cliente leve um vinho especial, algo que não está na carta da casa, uma garrafa rara, um presente afetivo, um rótulo escolhido com cuidado para um aniversário ou celebração. Não deveria funcionar como um passe para entrar no restaurante levando qualquer garrafa sem propósito.

Quando a taxa de rolha vira uma brecha para driblar o consumo no local, algo se perde. Perde a casa, que investe em equipe, treinamento, taças, adega e serviço para oferecer uma experiência. Perde o cliente, que acredita estar economizando enquanto fragiliza a sustentabilidade de um espaço que ele mesmo escolheu frequentar. Vinho é bebida, mas também é contexto, ambiente, hospitalidade e serviço.

E aqui entra algo que vivi de perto, um exemplo que mostra bem o mau uso da taxa de rolha. No Terroir Bar de Vinhos, que era um espaço totalmente dedicado ao vinho e especializado em oferecer rótulos diferentes, vinhos vivos, novos e curiosos, eu era frequentemente abordada por pessoas querendo levar suas próprias garrafas e pagar a taxa de rolha. Isso acontecia em um lugar cujo coração era justamente a experimentação e a descoberta. O negócio inteiro existia para que o cliente provasse vinhos que não encontrava em outros estabelecimentos de Salvador. Então como alguém chega a um bar de experimentação e deseja levar a própria garrafa? Ali, simplesmente não fazia sentido. A taxa de rolha precisa considerar o estilo da casa. Em um espaço que vive da venda de vinhos com curadoria específica, a lógica da rolha desmonta a essência do conceito.

Ao mesmo tempo, eu também reconheço um outro lado que precisa ser considerado. Há pessoas que não conseguem pagar os valores de uma carta de vinhos e recorrem à rolha para viver a experiência de estar naquele lugar. Gente que quer celebrar, compartilhar, participar, mesmo com um orçamento apertado. Levar uma garrafa mais simples ou que já tinham em casa pode ser a única forma de tornar aquele momento possível. E isso também é legítimo, humano e real.

O problema não é levar vinho. O problema é perder de vista o propósito. A taxa de rolha foi criada para equilibrar as contas de um restaurante que oferece serviço especializado, mas também pode ser uma ferramenta de inclusão quando usada com sensibilidade e respeito. O equilíbrio está em reconhecer que cada garrafa levada conta uma história diferente. Às vezes é uma história de afeto, às vezes é uma história de dificuldade, às vezes é só o desejo de brindar junto.

Talvez o que precise mudar não seja a taxa, mas o olhar. Lembrar que rolha não é atalho para conveniência, mas também não deve ser um muro que separa quem pode de quem não pode. É uma ponte. E toda ponte pode ser atravessada com consciência, respeito e propósito, sempre levando em conta o estilo de cada casa e a verdadeira intenção por trás de cada garrafa.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Conheça os participantes do 19º Festival Tempero no Forte: chefs, pratos e sabores do Litoral Norte

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De Praia do Forte a Imbassaí, circuito gastronômico exalta ingredientes da terra entre 11 e 21 de dezembro

Com o tema “Sabores da Terra”, o 19º Festival Tempero no Forte transforma o Litoral Norte da Bahia em um mapa afetivo da gastronomia brasileira. De 11 a 21 de dezembro, chefs locais e convidados assumem os fogões de restaurantes e hotéis em Praia do Forte, Guarajuba, Itacimirim, Imbassaí, Massarandupió e Lagoa Aruá, apresentando pratos autorais feitos com ingredientes regionais como mel, coco, farinha, raízes, hortaliças e frutas tropicais.

O circuito gastronômico é democrático: há receitas veganas e vegetarianas, sobremesas criativas, pratos de mar e sertão, todos com uma curadoria que une tradição e contemporaneidade. Abaixo, conheça os restaurantes participantes, os pratos criados especialmente para o festival e seus respectivos chefs.


Circuito Gastronômico Tempero no Forte – Restaurantes, pratos e chefs

Praia do Forte

  • 7 Express | Pizza de Cogumelos com alho-poró | Geovane Carvalho
  • 7 Pizzas | Pizza 7 Emoções – carne seca, queijo de cabra, cebola caramelizada, pimenta biquinho | Ronílson Amorim
  • Amada Confeitaria | Sabor de Verão – mousse de coco verde, calda de goiaba, praliné de castanha | Raquel Guirra e equipe
  • Atóba do Porto – Zarpa Hotel | Moqueca de Camarão ao Porto Zarpa | Vera Lúcia da Silva
  • Bem Puro | Bolo do Bem – com sorvete de tapioca, açaí e crocante de coco | Rafaela Dalvoglio
  • Café do Forte | Filé Sabor da Terra – filé com molho de jabuticaba, nhoque flambado na cachaça | Mana Zortéa
  • Corais Gourmet – Hotel Via dos Corais | Quichette de Feijoada | Isaías Neries
  • Crêperie | Tropical – crepe de doce de coco, abacaxi e hortelã | Mônica Sousa
  • Donana | Filé do Mar Caipira – peixe empanado com mel e cachaça | Adriana Santos
  • Farol do Projeto Tamar | Moqueca Veggie Lovers – versão vegana com banana da terra, maxixe e castanha | Sara Maria
  • Maré | Carpaccio de Beterraba com mel de uruçu, coalhada de cabra e azeite de trufa | Gabriel Matos e Kaywa Hilton
  • O Sertão Vai Virar Mar | Costela Sertaneja com glaçagem de mel e cachaça | Adriana Santos
  • Porto da Lua Boutique Hotel | Filé mignon ao molho de mostarda com farofa de mel e minibatatinha | Valdinete Oliveira e equipe
  • Raízes do Forte | Nhoque Raíz de banana da terra com lagosta, camarão e queijo coalho | Diane Moura
  • Refúgio da Vila Boutique Hotel & Spa | Filé do sol com mousseline de aipim, tropeiro de cuscuz, cebola bruleé e crispy de couve folha | Reginaldo Machado
  • Sabor da Vila | Trio Nordestino – carne seca crocante, purê de abóbora e banana da terra | Alex Souza
  • Santo Chico Sushi Bar | Ceviche Especial – peixes, polvo, camarão, manga e abacate | Gustavo Guimarães
  • Tango Café | Patagônia Toast – sanduíche integral com queijo boursin, abacate, ovo e mel | Graciela Rodriguez
  • Terra Brasil | Camarão, coco & queijo – com purê de banana da terra, bacon e canoas de tapioca | Patrícia Pereira e equipe
  • Tivoli Ecoresort – Restaurante Tabaréu | Da Roça ao Mar – polvo na manteiga de garrafa com aligot de aipim e farofa de tapioca | Tânia Godoi

Itacimirim

  • Alecrim | Camarão Alecrim Dourado – frito no dendê com banana da terra e leite de coco | Heloísa Braga

Guarajuba

  • Varandas | Salmão ao molho de pitanga com mil folhas de batata | Fernando Conceição

Massarandupió

  • Encanto Regional | Tapioca com carne seca, banana da terra e queijo coalho com melaço | Jackson Oliveira

Lagoa Aruá

  • Terroir do Axé | Pernil de Carneiro Carmel com queijos de cabra e fio de mel, servido com baião de dois | Girlene Conceição

Imbassaí

  • Vinobar | Salada morna de feijão guandu com fumeiro e linguiça do Recôncavo | Newton Ximenes e Celinho Buery

BA-099

  • Polomar | Chef Ângelo Castiglioni

Um convite ao turismo de sabor

Com pratos disponíveis nos próprios estabelecimentos, sem necessidade de reserva especial ou ingresso, o Tempero no Forte é uma experiência acessível e plural. Ideal para quem já está no Litoral Norte ou para quem quer fazer bate-volta a partir de Salvador, o festival convida a uma viagem gastronômica embalada por mar, sol e muito dendê.


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Santo Antônio recebe D.A.Y. Sessions com vinhos, ostras e pôr do sol

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Terceira edição do evento reúne música, sabores e encontros na esquina mais charmosa do Centro Histórico

O D.A.Y. Sessions escolhe, mais uma vez, o bairro Santo Antônio Além do Carmo — um dos cenários mais encantadores de Salvador — para sua terceira edição. Na sexta-feira, 28 de novembro, das 17h às 23h, o evento ocupa a esquina de casarões coloniais, luz dourada e vista para a Baía de Todos-os-Santos com encontros despretensiosos, taças bem servidas e uma trilha sonora feita para guardar na memória.

Idealizado pela união entre Decanter, Allê Varanda Bar e Yolo Coffee Bar, o D.A.Y. Sessions já se consagrou como um ritual contemporâneo entre os apreciadores do lifestyle gourmet em Salvador. A proposta é simples e irresistível: ocupar a esquina mais charmosa do Centro Histórico com vinhos selecionados, ostras frescas e um clima que mistura sofisticação com afeto.

vinhos e ostras
D.A.Y. Sessions e suas Ostras Gigas de Santa Catarina (Divulgação)

D.A.Y. Sessions: Vinhos na taça e ostras ao vivo

O ponto alto da experiência começa com a carta da Decanter, uma das mais respeitadas importadoras do país. Rótulos escolhidos a dedo serão servidos em taça ou garrafa, direto de um carrinho exclusivo posicionado na varanda, um convite perfeito para brindar sob o céu em tons de laranja.

Para harmonizar, duas estrelas do menu: as Ostras Gigas de Santa Catarina, servidas fresquinhas, e os Sanduíches de Camarão Crocante assinados pelo chef Raphael Sepulveda (Yolo), em parceria com a Villa Camarão. Uma combinação pensada para surpreender o paladar sem abrir mão da leveza típica das noites soteropolitanas.

Day Sessions
Chef Raphael Sepulveda e as Ostras Gigas de Santa Catarina (Divulgação)

Música, encontros e charme no ar

Quem comanda a trilha sonora desta edição é o DJ Santz, que assume a varanda do Allê com um set vibrante, entrelaçando beats nacionais e internacionais. A música começa com o pôr do sol e segue embalada até às 23h, criando a atmosfera perfeita para quem busca um momento leve, sem pressa, mas cheio de sabor.

“O D.A.Y. Sessions nasceu do desejo de criar um momento leve e aberto, onde as pessoas possam simplesmente chegar, brindar e aproveitar o bairro. Cada edição traz uma energia especial, e ver essa esquina cheia de vida, música e boas conversas é o que faz tudo valer a pena”, destaca Wolton Fonseca, sócio do Allê.

A entrada é gratuita, com atendimento por ordem de chegada — sem necessidade de reserva. O consumo de bebidas e pratos é feito à parte.

Dj Santz na D.A.Y. Sessions
Dj Santz (Divulgação)

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Zabé: novo projeto de Kátia Najara estreia com menu natalino de dar água na boca

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Delivery gourmet, alma brasileira e afeto à mesa: a essência do empreendimento que une tradição e praticidade para o fim de ano em Salvador

Faltando exatamente um mês para o Natal, Salvador ganha um novo sabor para celebrar a data com afeto e praticidade. Nesta segunda-feira, 24 de novembro, a cozinheira e empresária Kátia Najara lança oficialmente o Zabé, um projeto gastronômico que aposta na comida brasileira do dia a dia – quente, acolhedora e cheia de memória afetiva – com foco em delivery, encomendas e pequenas celebrações.

Com um currículo robusto que cruza gastronomia, cultura, design e comunicação, Kátia combina décadas de experiência para criar uma proposta que é, ao mesmo tempo, prática e sofisticada. A estreia de Zabé vem em grande estilo: um menu de Natal compacto, certeiro e repleto de clássicos que prometem conquistar tanto mesas familiares quanto confraternizações corporativas.

Kátia Najara Zabé
Kátia Najara (Pedro Mascarenhas)

Ceia com sotaque afetivo

No cardápio de estreia, Zabé oferece quatro opções principais pensadas para facilitar a vida dos anfitriões sem abrir mão do sabor: o suculento Pernil Suíno ao molho de laranja e tomilho, servido com batatinhas douradas, confit d’alhos e tomatinhos; o elegante Rosbife frio de lagarto com vinagrete balsâmico de abacaxi; a refrescante Salada de Bacalhau com grão-de-bico e azeitonas azapa; e, claro, o Peru laqueado com mel de gengibre e especiarias, acompanhado por uma farofa rica de bacon, uvas-passas e cebolinhas.

Com praticidade como ponto de partida, os pratos frios vêm prontos para servir, direto da embalagem biodegradável para a mesa. Já as carnes quentes chegam em assadeiras de aço que vão ao forno e, depois, direto à celebração. Os pedidos devem ser feitos via WhatsApp (71) 98828-8848 e mais informações estão no Instagram oficial: @zabe.salvador.

Zabé: uma homenagem às cozinheiras do Brasil

O nome Zabé é uma corruptela carinhosa de Izabel, homenagem às incontáveis mulheres que sustentam a tradição da cozinha brasileira com mãos de talento e coração quente. Kátia Najara se inspira nessa ancestralidade para criar uma culinária que respeita os sabores do passado, mas dialoga com as técnicas e ingredientes contemporâneos.

“Cada prato foi pensado para trazer aconchego, beleza e praticidade. Quero que minhas clientes se sintam acolhidas, seja numa ceia em família, num pré-Natal entre amigas ou numa confraternização no trabalho”, conta Kátia, que acompanha pessoalmente cada etapa do pedido, do preparo à entrega – incluindo sugestões de montagem e harmonização dos pratos com a decoração da mesa.

E depois do Natal?

Passado o Réveillon, Zabé se reinventa. O projeto ganha fôlego com a oferta de almoços frescos via delivery, kits de comida congelada e encomendas sob medida para pequenas festas. A proposta também inclui locação de utensílios, aulas de culinária e até um espaço reservado para encontros e eventos intimistas em Salvador.

Para turistas, a opção de abastecer o freezer com delícias práticas e afetivas promete ser um diferencial durante as férias na capital baiana.

A trajetória de Katita

Kátia Najara começou sua jornada culinária nos anos 2000 com o blog Rainhas do Lar, pioneiro na gastronomia digital brasileira. De lá para cá, lançou o premiado livro O Pequeno Manual da Cozinha, foi colunista dos jornais A Tarde e Correio, e assinou projetos que misturam arte, comida e afeto, como a Pequena Escola de Culinária e o Quintas Bistrô.

Além disso, participou de campanhas e ações de destaque nacional e internacional, como o projeto Identidade da Todeschini, a websérie Cozinha Finna e o #TodoDiaDelas do Huffpost. Em cada passo, reafirma o seu compromisso com uma cozinha viva, cultural e cheia de história.

Com Zabé, Kátia dá um novo passo: transformar sua cozinha em um gesto de carinho compartilhado. Afinal, como ela mesma resume: “o capricho mora na simplicidade – e uma comida quentinha pode transformar o dia de qualquer pessoa.”


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La Liste 2026: Fabrício Lemos e Lisiane Arouca são Talentos do Ano

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Chefs soteropolitanos recebem prêmio especial em Paris e consolidam o Origem como referência do Nordeste no cenário global

A noite desta segunda-feira, 24 de novembro, ficará marcada na história da gastronomia baiana. Em Paris, diante de uma plateia que reúne alguns dos nomes mais influentes do fine dining mundial, Fabrício Lemos e Lisiane Arouca foram anunciados como vencedores do “New Talent of the Year Award 2026”, um dos prêmios especiais mais prestigiados do ranking francês La Liste 2026. Únicos brasileiros contemplados na categoria, eles também são os primeiros representantes do Nordeste a conquistar o título. Um marco que reafirma a força do Origem e o vigor criativo da culinária baiana.

La Liste 2026: Um reconhecimento que celebra trajetória, identidade e afeto

“Encerrar o ano com mais este reconhecimento é emocionante”, disse Lisiane Arouca, ainda sob a vibração da cerimônia. A chef-pâtissière, conhecida por sua delicadeza técnica e memória gustativa afinada, destacou o papel da Bahia como norte criativo da dupla. “Este prêmio nos dá ainda mais força para seguir levando a Bahia, o Nordeste e a nossa maneira de ser e de cozinhar para o mundo.”

Ao seu lado, Fabrício Lemos reforçou o caráter coletivo da conquista. “Somos imensamente gratos à equipe e aos parceiros que fazem parte da jornada do Origem. Ver nossa gastronomia, nossos ingredientes e nossa identidade sendo celebrados fora do Brasil é algo que nos motiva profundamente.” Para ele, estar entre talentos que representam o futuro da alta gastronomia mundial é um impulso adicional para continuar inovando.

chefs baianos no la liste 2026
Lisiane Arouca e Fabrício Lemos (Leonardo Freire)

La Liste: rigor, diversidade e uma leitura global da cozinha contemporânea

O prêmio “New Talent of the Year Award” integra um conjunto de 11 distinções especiais concedidas pelo La Liste 2026, plataforma reconhecida por seu apurado método de avaliação. A instituição reúne milhares de publicações, mais de 1.100 fontes internacionais e milhões de avaliações online para construir um ranking orientado por dados — um panorama amplo que reflete tendências, renascimentos e transformações da gastronomia global.

Em sua abordagem, o La Liste valoriza diversidade cultural, compromisso social, coragem criativa e reinvenção, aspectos que dialogam diretamente com a proposta do Origem.

Origem: um restaurante que narra a Bahia de forma sensorial

A história de Fabrício e Lisiane com Salvador é visceral. Unidos pela vontade de resgatar a identidade gastronômica da Bahia com frescor, precisão e poesia culinária, eles transformaram o Origem em um laboratório sensível de sabores baianos. O restaurante, que trabalha exclusivamente com menu degustação, percorre biomas, territórios e memórias, indo do litoral à Caatinga, do Recôncavo à Chapada.

Receitas icônicas nasceram desse olhar afetivo e investigativo: o “abarajé”, união irreverente de abará com acarajé; a carne de fumeiro de Maragogipe; a farinha de Copioba; o licuri da Caatinga; o umbu e o siri mole. Ingredientes garimpados diretamente com pequenos produtores, respeitando a sazonalidade e a essência de cada território.

Uma casa que coleciona conquistas e projeta o futuro

Nos últimos anos, o Origem acumulou reconhecimentos raros para um restaurante nordestino. Foi eleito Melhor Restaurante do Brasil pela Exame (2025), alcançou a 52ª posição no Latin America’s 50 Best Restaurants, entrou na disputada List of The World’s Greatest Places 2024 da Time e rendeu a Fabrício e Lisiane duas facas no The Best Chefs Awards, reconhecimento concedido a chefs de classe mundial.

Agora, o prêmio do La Liste 2026 abre mais uma porta, e reafirma o protagonismo de uma Bahia que se reinventa, honra suas raízes e cozinha o próprio futuro.


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