Início Blog

Quem escolhe o seu vinho: você ou IA?

0

Vivemos na era das respostas instantâneas. Avaliações por estrelas, rankings globais, algoritmos que prometem precisão milimétrica. Mas quando o assunto é vinho, essa bebida feita de clima, tempo, memória e interpretação, será que a melhor escolha cabe em um comando digitado?

Na nova coluna, Carol Souzah lança uma pergunta incômoda e necessária: estamos terceirizando o nosso próprio paladar? Entre a garrafa e a inteligência artificial, entre o sommelier e o aplicativo, ela reflete sobre confiança, presença e o que se perde quando a escolha deixa de ser conversa e vira clique.

Mais do que um debate sobre tecnologia, é um texto sobre humanidade.

Quem escolhe o seu vinho, você ou a máquina? A garrafa versus a IA

Antes a gente descobria vinho por indicação do sommelier, de um amigo, de uma revista ou de um site especializado. A escolha vinha da leitura, da recomendação de alguém de confiança, da troca de experiências. Havia repertório, referência, conversa. O vinho chegava até nós pelas pessoas, não por um comando.

Hoje, quase tudo passa por apps de avaliação, rankings e, mais recentemente, pela inteligência artificial. E não há problema em usar essas ferramentas, elas informam, ampliam a visão, ajudam a pesquisar. O risco começa quando a gente reduz toda a experiência de escolha a isso. Quando a decisão deixa de ser troca e vira comando, menos conversa, mais clique, menos escuta, mais resposta pronta.

E eu fico pensando no que se perde quando o vinho deixa de ser conversa e vira recomendação automática.

Quem me conhece sabe que sou muito observadora de ambientes. Antes de falar de uva, safra ou região, eu observo a mesa. O ritmo das pessoas, o jeito de folhear o cardápio, se é encontro de trabalho ou aniversário, se querem experimentar ou se querem segurança de rótulos conhecidos.

Outro dia, no salão, vi uma cena que sintetiza bem o nosso tempo.

O casal pediu uma indicação de vinho ao garçom. Ele chamou o sommelier, que, por sorte e investimento da casa, estava ali. O profissional apresentou os pratos, explicou o estilo da cozinha, perguntou sobre preferências e, depois da escolha da comida, sugeriu um vinho. Eles agradeceram com simpatia.

Logo depois, pegaram o celular, abriram o ChatGPT e deixaram que a inteligência artificial escolhesse o vinho.

Naquele momento, não senti raiva ou incômodo com a tecnologia. Foi uma tristeza miúda, dessas que o cotidiano provoca quase em silêncio. Porque não era sobre praticidade. Era sobre confiança.

A gente começou a terceirizar o próprio paladar. Só que vinho nunca foi exato. Harmonização não é equação.

A IA pode cruzar dados de acidez, tanino, teor alcoólico. Mas não provou o molho naquele dia, não sabe que o chef decidiu puxar o prato para o limão, nem percebe o toque defumado que entrou de última hora na receita. Mesmo os clássicos ganham releituras, mudam de tempero, de intenção. Numa situação assim, será que ela realmente sabe mais do que o profissional que conhece a cozinha da casa por dentro?

Porque o trabalho do sommelier não é só indicar rótulo. A gente precisa interpretar gente, transformar desejos ainda confusos em experiência.
É ajustar a escolha ao clima da noite, ao orçamento, à memória afetiva, ao prato real que chega à mesa.

Quando trocamos isso por uma resposta automática, a gente pode até acertar tecnicamente. Mas pode ir se perdendo humanamente.

Talvez a grande pergunta do nosso tempo não seja qual IA escolhe melhor.

Seja outra.
O que acontece quando a gente para de confiar nas pessoas que estão ali, presentes, que estudaram, investiram, foram treinadas, olhando nos nossos olhos?

E nenhuma inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, substitui o gesto humano de escutar e servir.

vinho e ia 2
Quem escolhe seu vinho? Você ou a IA?
Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

O que é especial no café de qualidade?

0

Uma nova voz para falar de café no Muito Gourmet

Café especial é o ponto de partida da nova coluna que o Muito Gourmet estreia. Ela chega com aroma de café fresco, profundidade de origem e olhar crítico sobre consumo, cultura e cadeia produtiva. Brenda Matos, barista, empreendedora, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, passa a assinar textos que convidam o leitor a ir além da xícara: entender processos, histórias, pessoas e escolhas que definem o que chamamos de qualidade.

Para abrir a coluna, Brenda parte de uma pergunta que parece simples, mas carrega camadas de significado: o que, afinal, torna um café especial? Entre conceitos técnicos, sensibilidade e reflexão social, o texto abaixo inaugura uma conversa que promete ser tão rica quanto um bom café bem extraído.

A seguir, o texto de estreia da colunista:

O que é especial no café de qualidade?

Por Brenda Matos

Nos últimos anos, o termo “café especial” sofreu um boom e foi inserido no vocabulário do brasileiro com muita rapidez. Alguns atribuem à pandemia e suas novas formas de consumo, outros culpam fielmente o TikTok e suas bebidas aesthetic, mas o fato é: o termo tem marcado presença nos cardápios de cafeterias, nas embalagens em gôndolas de mercados e empórios gourmet e, principalmente, nos discursos de marcas que levantam essa bandeira.

Mas, afinal, o que é café especial?

Aos coffeelovers de plantão, eu posso soar repetitiva no conceito. Mas chego aqui no sapatinho e pedindo licença pra entrar no Muito Gourmet. (:

O que eu vou dizer agora é de conhecimento geral da Nação Cafezeira — ou está simplesmente a um Google de distância. Segundo a BSCA, um café ocupa a categoria de especial quando os grãos são isentos de defeitos e impurezas e possuem atributos sensoriais específicos.

O que buscamos sensorialmente em um café especial (ou de especialidade) é uma bebida limpa e doce, com corpo e acidez equilibrados e que atinjam uma nota acima dos 80 pontos na etapa de análise sensorial.

Além da qualidade do insumo, os cafés especiais precisam ter uma rastreabilidade certificada e, é claro, respeitar critérios de sustentabilidade ambiental, econômica e social em todas as etapas de produção.

Em outras palavras, a qualidade está diretamente ligada a sabermos quando–como–de onde veio esse café. Produtor, fazenda, local, altitude, variedade da planta e forma de processamento do café são informações essenciais que precisam vir na embalagem para que o consumidor consiga fazer esse “caminho de volta” até o início da cadeia de produção.

Durante muito tempo, o mercado tentou resumir qualidade a número. A pontuação é importante para averiguar a qualidade do produto, mas ela nunca foi responsável por traduzir a história inteira. Um café verdadeiramente especial não se sustenta única e exclusivamente pelo resultado sensorial; ele carrega uma cadeia longa, sensível e profundamente interdependente de decisões.

O café é uma mistura de terras, mãos, histórias e afetos. É como a nossa Bahia: plural, potente, criativa, mas também marcada por tensões, desigualdades e invisibilidades.

Ao olharmos para o mundo do café especial, estamos a todo momento revisitando o passado. Voltando ao início. Honrando os saberes ancestrais, o fazer manual e a presença de quem sustenta uma cadeia que é invisível para muitos, mas fundamental para todos.

Só assim a qualidade se sustenta. Quando o que é bom na xícara é bom pra todo mundo, desde o início.

cafe especial 2
Foto: Brenda Matos
brenda site

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Queijos e vinhos: o mito da harmonização perfeita (e o que funciona de verdade)

0

Harmonizar queijos e vinhos não é fórmula pronta — é escuta do sabor

Queijos e vinhos formam um par clássico no imaginário coletivo — mas nem sempre na prática. Que atire a primeira tábua quem nunca acreditou que vinho tinto era a melhor escolha. Com sua escrita precisa e provocadora, Carol Souzah nos mostra que muitas dessas ideias consagradas são mitos que o paladar desmente. E propõe outra lógica: menos tradição, mais equilíbrio, frescor e prazer à mesa.

Com sua escrita precisa e provocadora, Carol desmonta certezas e convida à experimentação. Afinal, espumantes e brancos vibrantes têm muito mais afinidade com a cremosidade dos queijos do que os tintos potentes que costumam protagonizar os brindes. E quando os sabores se intensificam? A lógica muda, mas sempre com equilíbrio entre frescor, textura e prazer.

Degustar e harmonizar, para Carol, é escutar o alimento, o corpo e o momento. Sem fórmulas engessadas. Sem regras absolutas. Uma coluna que ensina, provoca e inspira a montar a próxima tábua com mais intenção e menos tradição.

queijos e vinhos 2
Queijos e Vinhos: Mitos e Verdades

Queijos e vinhos: Mitos e verdades e como criar a harmonização perfeita

Tem uma cena clássica que mora no nosso imaginário: uma tábua de queijos lindos, uma taça generosa de vinho tinto e a sensação de que estamos fazendo a harmonização perfeita.

Romântico e elegante, só que, tecnicamente, muitas vezes… errado.

Sim, eu sei. Dói um pouquinho descobrir isso. É como quando você prova chocolate com vinho tinto seco e sente o amargor brigar na boca, até existem alguns estilos de tintos que harmonizam, mas não é uma tarefa simples. Ou quando você percebe que aquele espumante fresco funciona muito melhor à mesa do que muito vinho pesado. E, para mim, essa é a beleza: o vinho vive desafiando as nossas certezas.

Mas, voltando aos queijos, a verdade é que a maioria deles harmoniza melhor com vinhos brancos e espumantes do que com tintos. E, depois que a gente entende o porquê, nunca mais monta a tábua do mesmo jeito.

Vamos quebrar alguns mitos?

Mito número um: queijo pede vinho tinto.

Na prática, o sal, a gordura e a cremosidade dos queijos brigam com o tanino dos tintos. O resultado pode ser um gosto metálico, amargo, pesado na boca. Já os brancos, com mais acidez e frescor, limpam o paladar, cortam a gordura e deixam tudo mais leve. Espumantes então, são quase mágicos, as borbulhas funcionam como um reset entre uma mordida e outra.

Verdade: quanto mais cremoso o queijo, mais o vinho deve ser fresco.

Brie, camembert, burrata, chèvre, ricota temperada. Esses pedem brancos vibrantes, sauvignon blanc, chardonnay sem madeira, vinhos jovens, ou um bom espumante brut. A sensação é de equilíbrio, não de peso.

E quando a tábua começa a ganhar mais textura, entram os queijos semiduros e curados, como gouda, estepe, prato ou um gruyère jovem. Aqui dá para subir um degrau no vinho também. Alvarinho, chenin blanc ou um chardonnay mais estruturado seguram melhor a untuosidade e criam aquela sensação gostosa de equilíbrio entre corpo e frescor, nada sobra, nada pesa.

À medida que os sabores se intensificam, com lascas de parmesão, grana padano, manchego ou pecorino, a pedida é dar ainda mais estrutura ao branco. Brancos com textura, passagem por madeira, um chardonnay barricado, um viognier, até um vinhos laranja cabe aqui. É intensidade com intensidade, sem o amargor que o tanino do tinto pode trazer.

Mito número dois: tintos nunca combinam com queijo.

Também não é assim.

Tintos funcionam, sim, mas com o parceiro certo.

Queijos duros, curados e mais intensos têm estrutura para abraçar o tanino. A concentração de sabor acompanha vinhos mais encorpados, como cabernet sauvignon, tempranillo, syrah ou blends mais robustos. Aqui a lógica muda, é intensidade com intensidade.

Verdade: contraste é mais importante do que tradição.

Harmonização não é sobre regras antigas, é sobre textura, acidez, gordura e sal. Quando você pensa nesses elementos, começa a criar combinações mais inteligentes e prazerosas.

Eu, particularmente, quando recebo amigos, gosto de conduzir a noite em camadas: começo com um espumante, passo para um branco fresco, como um chardonnay chileno sem madeira, e termino com um Viognier aromático e equilibrado. A mesa fica leve, a conversa flui e o paladar não se cansa, a gente só percebe quando a garrafa já está no fim.

No fim das contas, harmonizar é isso: menos fórmula pronta, mais escuta do sabor.
Quando a combinação acerta, a conversa flui, a taça esvazia sem perceber e a tábua some da mesa. E, para mim, esse é o sinal de que deu certo.

Dicas de ouro da Somm

Para surpreender a mesa

Queijos azuis e picantes, como gorgonzola, roquefort e stilton, pedem contraste, não força. Vá de vinhos de sobremesa, como Sauternes ou Moscatel de Setúbal. A doçura abraça o sal, a acidez equilibra a gordura e, de repente, tudo se encaixa.
Esse é, sem dúvida, um dos momentos de harmonização com queijos de que eu mais gosto. A primeira mordida, o primeiro gole, e a mesa inteira faz aquela cara de surpresa. É quase um bug sensorial, tão improvável que fica perfeito. Pode apostar, você vai impressionar muita gente.

Para nunca errar

Se estiver na dúvida sobre como harmonizar queijos e vinhos, abra um espumante. Quase sempre é a harmonização mais democrática, versátil e certeira da mesa.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Pala Wine: novo bar de vinhos no Palacete Tirachapéu

0

Carta afinada com terroirs do mundo, vinhos de baixa intervenção e atmosfera elegante marcam o novo point enogastronômico do Centro Histórico

Salvador acaba de ganhar um novo endereço para os amantes do vinho — e não é qualquer bar. Localizado no imponente Palacete Tira Chapéu, no coração do Centro Histórico, o recém-inaugurado Pala Wine chega com a proposta de ser mais que um wine bar: um espaço de curadoria, identidade e descobertas sensoriais, onde o vinho é protagonista absoluto.

Aberto todos os dias, das 12h às 22h, o Pala Wine se desenha como um refúgio para iniciantes curiosos e enófilos experientes. Com uma carta que viaja por clássicos do Velho Mundo — como França, Portugal, Itália e Espanha — e explora tesouros da América do Sul, o espaço equilibra tradição e ousadia.

pala wine palacete tirachapeu 2
Palacete Tirachapéu, o lar da Pala Wine (Divulgação)

Bahia, Uruguai e vinhos de mínima intervenção

Entre os destaques da carta estão rótulos autorais, vinhos laranja e produções de mínima intervenção. A proposta é clara: valorizar pequenas vinícolas, práticas sustentáveis e terroirs autênticos. Entre os nomes de peso, figuram os vinhos da Riccitelli Wine, ícone argentino de baixa intervenção, e a exclusiva vinícola uruguaia Mataojo, cujos rótulos só podem ser encontrados no Pala Wine, em Salvador.

Do Brasil, brilham produções artesanais do Rio Grande do Sul e da vinícola UVVA, orgulho baiano instalado na Chapada Diamantina, que conquista paladares com vinhos de identidade forte e personalidade tropical.

Pala Wine, muito além da taça

Mas o Pala Wine não se limita ao consumo no local. O bar também funciona como empório, permitindo que os clientes levem para casa os vinhos selecionados com a mesma curadoria dedicada. Uma carta especial de destilados também foi pensada para harmonizar com os charutos Jamm, em uma experiência que une aroma, textura e prazer.

Com consultoria da sommelière Carol Souzah, o espaço promete ainda uma agenda de degustações guiadas e eventos temáticos, conectando o público a produtores e estilos pouco explorados, em uma atmosfera acolhedora e sofisticada.

carol souzah afrotinto
Carol Souzah – Foto: Divulgação

Uma nova cena enológica em Salvador

A chegada do Pala Wine reafirma a vocação do Palacete Tira Chapéu como polo criativo e gastronômico no Centro Histórico, resgatando o charme da cidade com uma proposta cosmopolita. Um brinde à Salvador, que se reinventa com elegância e sabor.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Onde celebrar Iemanjá 2026 com fé, arte e gastronomia

0

Um mergulho na força da Rainha do Mar e nas melhores experiências para celebrar o 2 de fevereiro no Rio Vermelho desse ano

Em Salvador, o dia 2 de fevereiro é mais do que uma tradição: é um fenômeno cultural, religioso e sensorial.

É quando a cidade inteira se curva diante do mar para homenagear Iemanjá, a mãe das águas, senhora das marés, da fertilidade e do acolhimento. No bairro do Rio Vermelho, epicentro dessa celebração, o sagrado e o profano se entrelaçam com naturalidade, entre cortejos, oferendas, moquecas fumegantes, festas premium e arte urbana.

Neste especial, o Muito Gourmet convida você a mergulhar nas origens da festa, entender seus rituais e conferir o melhor da programação para viver uma das datas mais emblemáticas da Bahia em 2026.

A rainha do mar e a maior festa pública do candomblé

Iemanjá é uma das divindades mais cultuadas nas religiões de matriz africana no Brasil. Senhora dos mares e mãe de muitos orixás, ela é sinônimo de proteção, fertilidade, acolhimento e força feminina. Seu culto se manifesta com intensidade em Salvador, especialmente no 2 de fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas, vestidas de branco e azul, tomam o bairro do Rio Vermelho.

O momento mais simbólico da celebração é a entrega do presente oficial a Iemanjá: uma oferenda especial elaborada pelo Terreiro Olufanjá – Ilê Axê Iyà Olufandê, que sai em cortejo às primeiras horas do dia 2 de fevereiro rumo à Colônia de Pescadores Z-0, no Rio Vermelho.

Lá, o presente é exposto e depois levado ao mar pelos próprios pescadores — criadores da festa — acompanhados por dezenas de embarcações. O ritual, carregado de fé e ancestralidade, marca o ápice espiritual da festa.

Esse gesto ritual resume o espírito do dia: devoção coletiva, respeito às tradições afro-brasileiras e profunda conexão com a natureza.

Gastronomia e festas: onde viver o melhor do 2 de fevereiro em Salvador

A espiritualidade caminha de mãos dadas com a celebração. Bares, restaurantes e beach clubs criam programações especiais para quem deseja vivenciar o dia com música, sabores e vista para o mar.

Blue Praia Bar – Tradição e feijoada pé na areia

Na charmosa Praia do Buracão, o Blue Praia promove sua já tradicional festa de Iemanjá, das 10h às 19h. A experiência começa com banho de folhas, cortejo e rituais simbólicos, e segue com buffet de feijoada, drinks Corona, DJs e queima de fogos.

iemanja blue
Blue Praia Bar – Foto: Divulgação

Principote – Luxo mediterrâneo e show de Jau

No mesmo cenário paradisíaco, o Principote celebra com a festa Dos Mares em formato All Inclusive Premium, das 12h às 20h. O buffet mediterrâneo inclui arroz de frutos do mar feito ao vivo pelo chef Raianderson Santos. No palco, Jau comanda o clima junto ao DJ Matheus Cê.

principote iemanja dos mares
Principote – Dos Mares – Foto: Divulgação

Casa de Tereza e Bar Da Tetê – Tradição e comida de terreiro com Tereza Paim

A chef Tereza Paim honra Iemanjá com sabor e ancestralidade. A famosa Barraca da Tetê funciona das 5h30 às 11h30 com mingaus, bolos, caldos e sarapatel. No almoço, moquecas, maniçoba e ensopados tomam conta do restaurante.

À tarde, o bar Da Tetê sedia a Varanda de Yemanjá, festa All Inclusive com shows de Arlesson Cruz e Aline Souza (ex-The Voice Brasil), petiscos e drinks à vontade.

Barraca da Tetê Iemanjá no 2 de fevereiro
Barraca da Tetê – Foto: Marcello Fontes

Exposição “Yemanjá: Mar, memória e devoção” – Arte para saudar as águas

Com curadoria de Tati Sampaio, a mostra “Yemanjá: Mar, memória e devoção” reúne 34 artistas na Confraria das Ostras. A exposição celebra a força simbólica da orixá com pinturas, instalações, cerâmicas e vídeos. Um dos destaques é Pedro Fróes, artista de apenas 13 anos.

paulo neves iemanja
Obra de Paulo Neves – Foto: Divulgação

Uma Salvador em estado de encantamento

No Dia de Iemanjá, Salvador transcende o tempo. A cidade pulsa em outra frequência — onde o tambor do candomblé embala o coração de fiéis, curiosos e turistas. As ruas do Rio Vermelho se tornam um território sagrado, onde se celebra o feminino, o mar, os ancestrais e os encontros.

Seja você devoto, turista ou curioso, o convite está feito: venha viver esse dia com respeito, beleza e entrega. Porque na Bahia, fé e festa caminham de mãos dadas — e com gosto de dendê e maresia.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Silva Cozinha deixa o Rio Vermelho e anuncia novo capítulo na Rua Chile

0

Mudança marca transição estratégica do restaurante autoral de Ricardo Silva, que se despede com homenagem a Iemanjá

Para o Silva Cozinha o mar continuará presente, mas o horizonte será outro. Depois de quase três anos servindo afetividade em forma de comida na Rua da Paciência, no coração do Rio Vermelho, o restaurante Silva Cozinha abre um novo ciclo e se prepara para uma mudança histórica: a casa comandada pelo chef Ricardo Silva vai se instalar na icônica Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador.

O novo endereço, vizinho da Baía de Todos-os-Santos e atualmente ocupado pela pop-up Casa Verão Hidden, representa mais do que uma troca de CEP. É um salto de maturidade, segundo o chef: “Nossa história foi construída e consolidada no Rio Vermelho, mas temos agora a oportunidade de aumentar nosso repertório em um ambiente que vai nos permitir ir além da cozinha, atendendo com mais conforto”.

Silva Cozinha vai para Rua Chile
Luciana Mastique e Ricardo Silva (Foto: Gabriel Brawne)

Uma cozinha com vista para o futuro (e para a Baía)

A nova sede traz não apenas mais espaço e infraestrutura, mas também uma vista privilegiada, que encantou os sócios à primeira visita. “Vimos aquela vista e nos apaixonamos”, conta Luciana Mastique, sócia do Silva. “Quando houve a oportunidade de expandir para atender nossos clientes em um espaço maior e de frente para a Baía de Todos-os-Santos, não houve dúvida da decisão”.

O Silva Cozinha, que se firmou como referência de gastronomia autoral em Salvador, segue com a proposta de uma cozinha afetiva e contemporânea, agora em cenário ainda mais especial, onde a arquitetura histórica da cidade se mistura ao frescor do mar e à efervescência cultural do Centro.

A despedida: uma última noite no Rio Vermelho com bênçãos de Iemanjá

Marcando essa transição com o respeito que sempre dedicou à cultura local, o Silva encerra sua operação no Rio Vermelho na madrugada do dia 2 de fevereiro, logo após a tradicional homenagem a Iemanjá. Como já virou costume, a casa receberá, da noite do dia 1º até a alvorada, amigos e clientes para um brinde coletivo, uma despedida simbólica, embalada pela fé e pelas boas energias que movem o mar e os sonhos.

Com essa virada de chave, o Silva Cozinha reafirma seu compromisso com Salvador, com a criação de experiências sensoriais que ultrapassam o prato, e com a valorização do território urbano como ingrediente essencial da boa mesa.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Feijoada do Mar celebra Iemanjá com chefs do Espírito Santo, Minas e Bahia no Orí e Megiro

0

Almoço especial reúne Bárbara Verzola, Pablo Pavón e Henrique Gilberto ao lado de Fabricio Lemos e Lisiane Arouca em homenagem à Rainha do Mar

Feijoada do Mar é o nome do almoço especial que toma conta do Orí e Megiro no dia 2 de fevereiro, quando Salvador se pinta de azul e branco para celebrar Iemanjá. Promovido pelo Grupo Origem, o evento reúne grandes nomes da gastronomia brasileira em uma homenagem à Rainha do Mar, mesclando sabores oceânicos e tradição culinária em um encontro que promete ser memorável.

A convite dos chefs Fabricio Lemos e Lisiane Arouca, anfitriões da casa, participam da experiência Bárbara Verzola e Pablo Pavón, do consagrado Soeta, de Vitória (ES), e Henrique Gilberto, da premiada Cozinha Tupis, de Belo Horizonte (MG). Juntos, eles assinam um menu colaborativo que reverencia os frutos do mar, os saberes tradicionais e a criatividade da alta gastronomia brasileira.

Feijoada do Mar: Sabores de um Brasil profundo e diverso

No centro da mesa, a estrela do dia é a feijoada de frutos do mar, criação do chef Fabricio Lemos. Os convidados completam o cardápio com snacks e entradas autorais, que traduzem suas vivências culinárias regionais. A doçura vem das mãos da chef-pâtissière Lisiane Arouca, com uma ilha de sobremesas pensada para fechar a experiência com frescor e afeto.

Além do banquete, o evento conta com open bar de cervejas (Corona e Stella Artois) e bebidas não alcoólicas. Vinhos e drinques estarão disponíveis à parte, garantindo uma jornada sensorial completa. As vagas são limitadas, com ingressos a R$ 550 por pessoa — uma oportunidade rara de provar criações de chefs premiados em um único serviço.

Cozinha como território de encontro

Bárbara Verzola e Pablo Pavón, parceiros no restaurante Soeta, trazem uma bagagem multicultural refinada. Ela, capixaba, soma passagens por casas italianas estreladas e pelo lendário El Bulli, onde conheceu Pavón, chef equatoriano com formação sólida na Europa. Já Henrique Gilberto, de Belo Horizonte, cultiva uma cozinha sensível aos ingredientes mineiros, lapidada por experiências com Alex Atala, Massimo Bottura e pelo mentor Yoji Tokuyoshi, em Módena.

Essa reunião de talentos reflete a proposta do Grupo Origem desde 2016: promover intercâmbios entre cozinheiros de origens distintas, em uma troca criativa que valoriza a diversidade da gastronomia brasileira contemporânea.

Iemanjá, rainha do mar e da cidade

O almoço no Orí e Megiro conecta-se ao espírito da Festa de Iemanjá, uma das celebrações mais emblemáticas de Salvador. Desde 1923, pescadores e devotos se reúnem no bairro do Rio Vermelho para homenagear a orixá das águas salgadas, oferecendo flores, perfumes e pedidos ao mar.

Hoje, a festa se espalha por toda a cidade, misturando tradição religiosa, cultura popular e turismo. Reconhecida como Patrimônio Cultural de Salvador em 2022, a celebração começa na véspera, com cortejos, capoeira e música, e segue até o amanhecer do dia 2. O almoço da Feijoada do Mar é mais uma forma de viver essa experiência, com o paladar como guia.

Serviço

Feijoada do Mar em homenagem a Iemanjá
📍 Orí e Megiro – Av. Santa Luzia, 656 – Horto Florestal, Salvador
📅 02 de fevereiro, das 12h às 18h
🎟️ Valor: R$ 550 por pessoa (inclui open bar de cervejas e bebidas não alcoólicas)
📲 Reservas: (71) 98890-8357


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Degustar vinhos é treinar os sentidos

0

O repertório sensorial começa fora da taça

Degustar vinhos é o ponto de partida da nova coluna de Carol Souzah, que desmonta o mito de que identificar aromas é um talento reservado a iniciados. Com linguagem sensível e acessível, ela nos lembra que degustar é, antes de tudo, um exercício sensorial, de corpo inteiro, sendo um verdadeiro treino do olhar, do olfato, do tato, do paladar e, acima de tudo, da memória.

Em um mundo que anestesia os sentidos com ar-condicionado e fragrâncias artificiais, a taça vira um convite ao desacelerar, ao respirar com atenção e reconhecer o que já vive em nós: lembranças de feira, cozinha, terra molhada, flor no quintal. Carol defende que o olfato não é uma habilidade de poucos, mas um músculo coletivo que só precisa ser exercitado.

Essa coluna é também um convite ao autoconhecimento sensorial. Degustar vinhos é degustar tempo, presença e confiança.

degustar vinhos 2

Degustar vinhos é treinar os sentidos

Uma das frases que mais escuto quando conduzo cursos ou degustações é: “eu não sinto nada no nariz”. Às vezes vem acompanhada de frustração, às vezes de vergonha, como se perceber aromas no vinho fosse um dom reservado a poucos. A boa notícia é simples: sentir aromas no vinho não é talento, é treino.

Degustar vinhos é, antes de tudo, um exercício sensorial. Envolve visão, olfato, paladar e memória. Mas é no nariz que muita gente trava. Não porque o vinho não tenha aromas, e sim porque nosso olfato anda pouco estimulado no dia a dia.

Beber vinho é uma experiência multissensorial. Ele envolve o corpo inteiro. O olhar, o toque, o cheiro, os sons, tudo se mistura para construir a memória daquele momento. Dos cinco sentidos, o vinho desperta todos. O olfato reconhece aromas que nos remetem a lembranças afetivas. O tato percebe a temperatura do vinho, a textura na boca, o peso da taça. O som do vinho sendo servido ou da rolha se soltando já prepara o corpo para a experiência. Até a visão importa: a cor do vinho no copo, o brilho, a luz do ambiente, o rótulo. Nada é detalhe, tudo soma.

Vivemos em ambientes cada vez mais neutros, climatizados, com cheiros artificiais e repetitivos. Isso empobrece o repertório olfativo. Quando a pessoa leva a taça ao nariz, espera identificar algo muito específico e, quando isso não acontece, conclui que não sente nada. Na verdade, sente sim, só ainda não sabe nomear.

Durante as degustações que conduzo, costumo dizer que o aroma do vinho não está apenas na taça, ele está na nossa memória. O vinho desperta referências. Para alguém pode lembrar fruta madura, para outra pessoa pode remeter a um chá, a um tempero da cozinha, a um passeio no mercado. Nenhuma dessas percepções está errada.

Treinar o nariz começa fora do vinho. Ir à feira, cheirar frutas, ervas, especiarias. Prestar atenção aos cheiros da cozinha, do café, da terra molhada, das flores. Quanto mais você cheira conscientemente, mais seu cérebro cria repertório sensorial.

Outro ponto importante é desacelerar. Em muitas degustações percebo que as pessoas cheiram rápido demais. O olfato pede tempo. Girar a taça com calma, aproximar o nariz sem pressa, respirar. Às vezes o aroma não aparece no primeiro instante, ele se revela aos poucos.

Também reforço que não é preciso sentir tudo. Nem profissionais sentem tudo o tempo inteiro. Degustar não é um teste, é uma experiência. Quando tiramos o peso da performance, os sentidos se abrem.

O nariz prepara o paladar. Grande parte do que chamamos de sabor vem do olfato. Quando ele está mais atento, a boca entende melhor o vinho, sua textura, sua acidez, seu equilíbrio.

Degustar vinhos é treinar presença. É aprender a confiar nas próprias percepções e aceitar que elas mudam com o tempo. Quanto mais você se permite sentir sem julgamento, mais o vinho se revela.


Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Espumantes: o vinho que marca o tempo

0

Chega dezembro, e com ele o som mais simbólico da virada: o estouro da rolha. Mas, como nos lembra Carol Souzah, espumante não é só celebração é um gesto coletivo, ritual de passagem. Na última coluna de 2025, Carol reflete sobre o papel simbólico e sensorial dos espumantes, desconstrói preconceitos e traz recomendações certeiras para quem deseja brindar o ano novo com mais intenção e menos automatismo.

Em um texto que equilibra informação, poesia e crítica leve, ela mostra que espumante é, sim, vinho, e dos mais versáteis. Vai muito além da meia-noite e pode (e deve) estar à mesa, do primeiro petisco ao prato principal.

Entre brasileiros de respeito e clássicos franceses e ibéricos, Carol entrega uma curadoria afetiva e acessível, pensada para brindar com verdade. Porque a virada do ano merece mais do que apenas borbulhas. Merece propósito.

Espumantes: o vinho que marca o tempo

Existe um motivo pelo qual o espumante insiste em aparecer nos momentos de virada. Não é só pela festa, nem apenas pelas borbulhas. Espumante é vinho que marca o tempo. Ele anuncia começos, brinda amores, celebra novos ciclos, sela encontros e negócios. No Réveillon, mais do que uma bebida, ele se transforma em gesto simbólico de abertura de caminhos — quase um ritual coletivo de esperança e renovação.

Com isso tudo, acho curioso perceber como, mesmo tão presente, o espumante ainda é pouco compreendido. Para muita gente, ele segue restrito às festas, aos casamentos, ao brinde apressado da meia-noite ou à ideia de um vinho “leve demais” para acompanhar a comida. Nada poderia ser mais injusto com um dos estilos mais versáteis e gastronômicos do mundo do vinho. Já ouvi frases como “não gosto de espumante, só de vinho”, quando, na verdade, o espumante é vinho — com gás.

Esse gás pode surgir naturalmente durante o processo de elaboração ou ser preservado para manter frescor, vivacidade e a sensação de leveza na taça. Espumantes podem ser simples ou complexos, diretos ou profundos, e muitos deles têm estrutura, textura e enorme capacidade gastronômica, comparáveis — ou até superiores — a diversos vinhos sem borbulhas.

As borbulhas não estão ali apenas para fazer festa. Elas limpam o paladar, despertam a boca, equilibram gordura, realçam sabores. Por isso, espumantes funcionam tão bem com entradas, frituras, frutos do mar, pratos com acidez, molhos cítricos, queijos frescos e até carnes mais delicadas. Um bom espumante brut ou extra brut pode acompanhar uma ceia de Réveillon inteira, do primeiro petisco ao prato principal, com elegância e frescor.

Outro ponto importante é que espumante não é tudo igual. Método de produção, tempo de contato com as leveduras, uvas utilizadas e origem fazem toda a diferença no perfil do vinho. Um espumante feito pelo método tradicional — aquele mesmo do Champagne — tende a ser mais cremoso, complexo, com notas de pão, brioche e amêndoas. Já os ancestrais, os famosos pét-nat, costumam ser mais rústicos, vibrantes, espontâneos, com uma energia quase indomável. Ambos têm espaço na mesa. Tudo depende da proposta e do momento.

No Brasil, especialmente na Serra Gaúcha, temos espumantes de altíssima qualidade, com acidez natural, frescor e preços muito mais acessíveis do que muitos rótulos importados. Olhar para os espumantes nacionais no Réveillon é também um gesto de consciência, valorização do terroir e — por que não? — de surpresa positiva para os convidados.

E se existe uma dica de ouro para essa época do ano, ela é simples: escolha espumantes mais secos — brut, extra brut ou nature. Eles harmonizam melhor com a comida, cansam menos o paladar e permitem que o brinde se estenda para além da primeira taça.

Para quem ainda acredita que escolher um bom espumante para o Réveillon é questão de sorte ou de preço, fica o convite para olhar com mais atenção. Há espumantes para todos os bolsos, estilos e mesas — rótulos acessíveis e surpreendentes, outros mais sofisticados e cheios de camadas — todos capazes de acompanhar a virada do ano com personalidade e intenção.

A seguir, compartilho algumas dicas facilmente encontradas na internet e que podem elevar o seu Réveillon a um brinde verdadeiramente especial:

Sugestões para brindar com mais intenção

CASA VALDUGA ARTE BRUT ROSÉ – VALE DOS VINHEDOS, RS, BRASIL
Esse é o coringa da festa. Leve, fresco, democrático e com ótimo preço, agrada todo mundo na mesa. Ideal para brindar, acompanhar entradas e circular a noite inteira sem erro.

PÉT-NAT GLERA CASA VICCAS – SERAFINA CORRÊA, RS, BRASIL
Para aqueles que gostam de espumantes com alma e zero formalidade. Um pét-nat de Glera fresco, leve e cheio de energia, ótimo para abrir a noite, beber sem cerimônia ou acompanhar entradas, petiscos, antepastos e pratos leves. Borbulhas vivas, clima descontraído e aquele vinho que convida a brindar mais uma vez.

ESPUMANTE GUATAMBU EXTRA BRUT BLANC DE BLANCS – RS, BRASIL
Esse é para quem ama espumante com perfil mais clássico e quer frescor certeiro no brinde. Extra brut, com borbulhas finas e acidez viva, tem equilíbrio e estrutura para acompanhar de aperitivos a pratos mais leves da ceia.

CRÉMANT DE BOURGOGNE MOILLARD – BORGONHA, FRANÇA
Esse é pra quem não abre mão de um bom clássico. Elegante, cremoso e refinado, com aquele charme francês que combina com frutos do mar, pratos especiais e o brinde da virada. Sofisticação na medida certa.

CAVA DON ROMÁN – PENEDÈS, ESPANHA
Esse é pra quem gosta de espumante direto, fresco e cheio de energia. Um cava espanhol versátil, com boa acidez e borbulhas vivas, que funciona muito bem com tapas, entradas, frutos do mar, peixes e petiscos da ceia. Um espumante prático e certeiro pra brindar e seguir a noite com leveza.

ESPUMANTE MESSIAS TINTO – BAIRRADA, PORTUGAL
Pra quem gosta de tinto, mas quer brindar com borbulhas. Um espumante feito de Baga e Touriga Nacional, fresco, gastronômico e cheio de personalidade, que acompanha muito bem carnes suínas, pernil, embutidos, aves mais estruturadas e pratos mais intensos da ceia. Uma escolha fora do óbvio, perfeita para surpreender na virada sem abrir mão do perfil de tinto.

ESPUMANTE AMITIÉ SUR LIE – SERRA GAÚCHA, RS, BRASIL
Esse é pra quem busca elegância na taça. Cremoso, gastronômico e com ótima acidez, funciona lindamente com peixes, frutos do mar e pratos delicados. Com notas de frutas tropicais, pão tostado e mel, é um espumante seguro pra quem quer acertar com classe.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Baianas como nunca vistas: livro-arte celebra símbolos, fé e ancestralidade da Bahia

0

Publicação reúne 28 artistas em homenagem sensível e contemporânea à figura das baianas como ícone cultural da Bahia

A figura da baiana, com seus trajes de renda, colares de contas e presença altiva, ganha novas camadas de significado na obra Baianas – Rituais, Símbolos e Fé, lançada em Salvador na última quarta-feira (16).

O livro-arte é uma ode visual e conceitual a essa personagem-símbolo da Bahia, reunindo 28 artistas entre fotógrafos, ceramistas e artistas plásticos em uma construção coletiva que transborda fé, força e feminilidade.

Editada pela SobreGentes Editora, a obra tem curadoria tripla de Dan Maior (@danmaior), Reinaldo Giarola (@reinaldogiarola) e Celo Hermida (@celohermida), que conduzem o leitor por três eixos essenciais: rituais, símbolos e fé. Não se trata de uma representação literal, mas de um mergulho plural na baianidade como campo estético e espiritual.

Durante o lançamento — realizado em Salvador com a presença de artistas, curadores e convidados — o clima era de celebração e pertencimento. “É mais do que um livro. É um ato de reverência à ancestralidade que sustenta a cultura baiana”, comentou uma das participantes do evento.

Com tiragem limitada e sem fins lucrativos, Baianas – Rituais, Símbolos e Fé nasce também como plataforma de fortalecimento para o cenário artístico local. A iniciativa amplia a visibilidade de criadores da Bahia, promovendo encontros entre linguagens visuais e narrativas identitárias que, embora diversas, compartilham raízes comuns.

A publicação aponta ainda para um movimento editorial em expansão. Os idealizadores já planejam uma nova obra, ainda mantida sob sigilo, mas com a mesma proposta de valorizar símbolos vivos da cultura baiana por meio da arte.

Mais do que páginas ilustradas, Baianas é um relicário contemporâneo da fé que se veste de branco, carrega oferendas e dança ao som dos atabaques — um livro para ver, sentir e reverenciar.

Leia também: Vinhos de verão: quando a taça escuta o clima


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!