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Uma boa garrafa é um presente com história: o que levar para o próximo brinde!

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Entre vinhos, fermentados de frutas, destilados, licores e cervejas, o Brasil oferece ótimas possibilidades para presentear, conhecer produtores e levar novos sabores à mesa.

Bebidas para presentear? Escolher uma bebida para dar de presente costuma começar pela prateleira e terminar no preço. Dan Morais, gastrônomo, mixologista, sommelier de cerveja e colunista quinzenal do Muito Gourmet, propõe inverter a ordem: primeiro a pessoa, depois a garrafa. Na coluna desta quinzena, ele monta um roteiro de presentes que passa por vinhos da Chapada Diamantina, fermentados de frutas brasileiras, destilados e licores baianos e cervejas artesanais da Bahia, sempre com atenção a quem produz. Por transparência, o próprio Dan declara no texto sua relação com parte das marcas citadas: é embaixador da Pato Preto e da Royal Charlotte e participou da criação do KORY Soju.

Uma boa garrafa é um presente com história: o que levar para o próximo brinde!

Quando penso em presentear alguém com uma bebida, sempre tento pensar primeiro na pessoa que vai ser presenteada! Claro que reparo na garrafa, apresentação e no preço, mas, como profissional de bebidas, começo a pensar em como aquela escolha vai fazer parte da vida da pessoa: ela gosta de preparar drinks, costuma abrir um vinho no jantar, prefere cerveja artesanal ou é daquelas que gostam de uma bebida docinha depois de comer? Parece uma pergunta simples, mas faz diferença, porque escolher algo que combine com o gosto de alguém é uma forma de mostrar que prestamos atenção nos detalhes.

Gosto também de aproveitar esse momento para apresentar um produtor específico, um ingrediente inusitado ou algo que represente uma região. Temos bastante coisa interessante na Bahia e em outras partes do Brasil para fazer isso, desde vinhos produzidos na Chapada Diamantina até fermentados de frutas, licores e cervejas artesanais que podem ser comprados diretamente de quem produz. Saber um pouco sobre a origem e a proposta da bebida ajuda a escolher e ainda rende uma boa conversa na hora de entregar o presente.

Vinhos e fermentados de frutas

Para quem gosta de vinho, a produção baiana merece entrar nas possibilidades. Na Chapada Diamantina, a UVVA, em Mucugê, e a Reconvexo, em Morro do Chapéu, oferecem oportunidades de conhecer o que vem sendo feito na região. Na UVVA, há opções como o branco Viognier (um dos meus favoritos) e os tintos Cordel e Bateia; na Reconvexo, o VV Barriguda Syrah é um rótulo bem legal para beber. Eu partiria do que a pessoa já costuma beber para escolher uma garrafa que desperte sua curiosidade, levando em conta suas preferências e a ocasião. As duas vinícolas têm venda on-line, e a UVVA também conta com seu lounge no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico de Salvador.

Para quem se interessa por outras frutas na taça, a Companhia dos Fermentados, de São Paulo, faz um trabalho brilhante e tem uma ótima seleção com borbulhantes de jabuticaba, cambuci, cacau (maravilhoso) e caju. Aqui, o presente pode apresentar uma maneira diferente de experimentar ingredientes brasileiros: a fruta que conhecemos fresca, no suco ou na cozinha ganha outras características pela fermentação. São bebidas com propostas próprias, e contar isso a quem recebe ajuda a despertar a curiosidade sobre o que será servido, não deixando nada a desejar comparadas com outros fermentados complexos (e até bem mais caros). Os produtos podem ser comprados diretamente no site da marca.

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Cia dos Fermentados – Foto: Dan Morais

Destilados, licores e outras possibilidades

Quando o presente é para alguém que gosta de preparar drinks, penso nos diversos usos que aquela garrafa pode ter em casa (prezando praticidade, obviamente). Entre os destilados da Pato Preto, o Sangue Latino (amaro com identidade brasileira), o Pé de Café (licor fino de café especial) e as cachaças Graúna oferecem caminhos para essa escolha, enquanto o KORY Soju (que desenvolvi com a destilaria e a multiartista Gabriela Cruz) é o primeiro Soju Nordestino, aproximando a referência coreana da produção local. Tanto os destilados da Pato Preto quanto o KORY podem ser encontrados no Guadalupe, no Rio Vermelho. Para completar o presente, sempre é legal incluir uma sugestão do que preparar, com ingredientes simples e fáceis, para que a pessoa consiga aproveitar a bebida sem precisar montar um bar inteiro.

A Royal Charlotte também entra nessa seleção, trazendo o mel de cacau, extraído da polpa do fruto, combinado com especiarias. Para quem se interessa por ingredientes pouco comuns e pela relação deles com a nossa região, é uma oportunidade de conhecer outra parte do cacau (que não seja o chocolate ou o suco) e experimentar a bebida com gelo ou em um coquetel. A compra pode ser feita pelo site da marca ou em redes como Hiperideal e Casa 10.

Aqui cabe deixar clara, somente por transparência, a minha proximidade com esses produtos: sou embaixador da Pato Preto e da Royal Charlotte, além de participar da criação do KORY.

A Lemavos, de Santo Antônio de Jesus, trabalha com jenipapo, tamarindo e jabuticaba na linha de licores Brazeiro, mas também tem ótimos destilados, como o Kabjak (destilado de cacau sensacional), com venda pelo próprio site. É o tipo de presente em que vale lembrar daquela fruta de que a pessoa gosta ou de algo que vocês já provaram juntos, aproveitando essa referência para escolher. E não precisamos esperar o São João para colocar um licor à mesa: ele pode acompanhar o encerramento de um almoço, uma sobremesa ou uma conversa depois do jantar.

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Kabjak – Foto: Dan Morais

Para quem prefere bebidas cremosas, há ainda a Don Cream, antiga Don Luiz, marca nascida em Salvador que combina doce de leite e um toque de baunilha em um coquetel alcoólico. Ela entra como uma possibilidade para quem aprecia esse perfil mais doce, inclusive em um presente acompanhado de café. Ela pode ser comprada pelo site da marca e está no catálogo de diversos pontos de venda pelo Brasil.

Cervejas para descobrir e compartilhar

Com cerveja, eu sempre gosto da possibilidade de reunir diferentes rótulos em um mesmo presente. Proa (amo a Sour de Caju), Híbrida (a APA goiaba é uma delícia), Bardo (a Druida é absurdamente bem feita) e MinduBier (Mindu IPA é meu amor) são nomes baianos para considerar nessa seleção, procurando estilos que tenham a ver com quem vai receber e deixando espaço para alguma descoberta. Eu começaria com uma cerveja de um estilo que a pessoa já aprecia e acrescentaria outra que pudesse despertar sua curiosidade: se ela gosta de amargor, se prefere cervejas mais leves, se curte acidez. Vale sempre respeitar essa preferência em vez de escolher algo intenso apenas por ser diferente.

Também ajuda pensar no momento em que essas cervejas serão abertas, seja para acompanhar um almoço ou para dividir com amigos e comparar os rótulos. Recomendo sempre a compra feita diretamente com as cervejarias e pontos parceiros, aproveitando o contato com os produtores para conhecer as opções disponíveis. Assim, a seleção ganha um cuidado que vai além de colocar algumas latas ou garrafas em uma embalagem.

É isso que me interessa em dar uma bebida de presente: escolher alguma coisa que tenha a ver com quem vai receber e apresentar um sabor, um produtor ou um lugar. Pode ser um vinho da Chapada, um destilado para preparar o drink favorito ou algumas cervejas para harmonizar. A garrafa vai com a pessoa, mas a escolha leva um pouco da nossa atenção também. E, se for abrir uma boa bebida, me chama!

bebidas para presentear
bebidas para presentear
por dan morais
Uma boa garrafa é um presente com história: o que levar para o próximo brinde!

Perguntas Frequentes

Como escolher uma bebida para dar de presente?

O ponto de partida é o gosto de quem vai receber, não a garrafa. Vale observar se a pessoa prepara drinks, abre vinho no jantar, prefere cerveja artesanal ou gosta de algo mais doce depois da refeição. A partir daí, a escolha pode apresentar um produtor, um ingrediente ou uma região.

Onde comprar vinho baiano em Salvador?

As vinícolas da Chapada Diamantina, como a UVVA, de Mucugê, e a Reconvexo, de Morro do Chapéu, vendem pela internet. Em Salvador, a UVVA conta com um lounge no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico.

O que são fermentados de frutas?

São bebidas obtidas pela fermentação de frutas como jabuticaba, cambuci, caju e cacau, que ganham aromas e texturas diferentes dos da fruta fresca. Muitos têm versão borbulhante e funcionam bem como alternativa ao espumante em brindes e presentes.

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Itália na Taça: série do Muito Gourmet sobre vinhos italianos estreia hoje (3) no YouTube

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Com Felipe Havok e a sommelière Esmeralda Stallone, série percorre Mistura Itapuã, Jabu, Cremonini e Casa Iryna

O Itália na Taça, nova série audiovisual do Muito Gourmet, estreia hoje, sábado (3), às 18h, no canal do Muito Gourmet no YouTube. Apresentada pelo editor-chefe Felipe Havok e pela sommelière ítalo-baiana Esmeralda Stallone, Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, a série coloca vinhos italianos à mesa de quatro restaurantes de Salvador e testa como eles conversam com pratos que vão da moqueca e do bobó à cozinha de fusão. A primeira temporada tem patrocínio da Vinífera Import e apoio da Federicci Import.

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Felipe Havok – Foto: Manoel Neto

Por que vinho italiano na mesa baiana

A pergunta que move a série parece simples, mas carrega um preconceito antigo: vinho italiano combina com massa, pizza e toalha xadrez, e só. O Itália na Taça parte do caminho oposto e vai procurar, na própria taça, os argumentos para tirar o vinho italiano desse lugar.

E os argumentos estão lá. Boa parte dos rótulos da Itália tem como marca a acidez viva e o frescor, características que pesam a favor num lugar onde faz calor o ano inteiro e onde a cozinha trabalha com dendê, leite de coco e frutos do mar.

“Existe uma ideia de que vinho italiano é coisa de massa e pizza, e a série nasce para desfazer isso. O frescor e a acidez de muitos rótulos da Itália são exatamente o que o nosso clima pede e o que equilibra a intensidade da cozinha baiana”, diz Esmeralda.

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Esmeralda Stallone – Foto: Manoel Neto

O primeiro episódio: a Itália em uma mesa

O episódio de estreia funciona como uma aula sem cara de aula. Em clima de conversa, Felipe e Esmeralda percorrem o que faz da vitivinicultura italiana uma das mais diversas do mundo: regiões produtoras, uvas nativas, tradições e as particularidades de um país que produz vinho de norte a sul.

Para tirar a teoria do papel, a degustação passa por dois queijos que resumem a tradição italiana, o Grana Padano DOP, de leite de vaca, e o Pecorino Romano DOP, de leite de ovelha. A dupla mostra, na prática, como acidez, corpo e intensidade de cada vinho reagem a texturas e salinidades diferentes.

“Com mais de 400 uvas autóctones vinificadas de tantas formas diferentes, seria um desperdício não explorar tamanha riqueza! Existe um leque infinito de possibilidades, tanto nas harmonizações com pratos de diferentes culturas quanto em ocasiões que vão muito além da mesa de um restaurante italiano refinado. Essa diversidade está aí para ser descoberta”, afirma Esmeralda.

O roteiro da temporada

A partir do segundo episódio, a série deixa o estúdio e ganha a cidade, passando por quatro casas com propostas bem diferentes entre si.

No Mistura Itapuã, aberto em 1993 à beira-mar, o restaurateur italiano Paolo Alfonsi, um dos fundadores da casa, recebe a dupla para uma harmonização horizontal: um branco, um rosé e um tinto italianos servidos diante dos mesmos pratos da culinária local, para comparar lado a lado como cada estilo se comporta.

No Jabu, no Rio Vermelho, o chef francês Aurélien Roche coloca à prova sua cozinha autoral, que cruza técnica francesa e ingredientes brasileiros. No Cremonini, na Pituba, o chef Massimo Cremonini, natural do Lazio, abre a cozinha de memória italiana que assina. E na Casa Iryna, também na Pituba, a empresária Iryna Podusovska, que viveu boa parte da vida na Itália, apresenta a proposta clássica da casa que leva seu nome.

Em cada parada, chefs e restaurateurs sentam à mesa com os apresentadores e contam suas histórias, conceitos e referências.

Uma conversa, não uma aula

O formato aposta na dinâmica entre os dois apresentadores. Felipe faz as perguntas que o público faria; Esmeralda responde com a precisão técnica de quem estuda o assunto, sem perder a leveza.

“A ideia não é ditar o que se deve beber nem com o que cada vinho precisa ser harmonizado. Queremos mostrar como a cultura italiana conversa com a nossa mesa, inclusive com pratos que, à primeira vista, parecem distantes desse universo. O vinho é o fio condutor de uma conversa muito maior, sobre pessoas, histórias e o jeito como a gente come em Salvador”, explica Felipe Havok.

Quem é Esmeralda Stallone

Sommelière da Vinífera Import, Esmeralda Stallone é formada pela ABS-RS, com certificação IWC pela International Sommelier Guild e Italian Wine Scholar pela Wine Scholar Guild. Em abril de 2026, em Verona, recebeu o título de Italian Wine Ambassador da Vinitaly International Academy, certificação que reúne menos de 500 profissionais no mundo. O público baiano já a conhece das masterclasses de vinhos italianos que conduz em Salvador.

Como assistir

O primeiro episódio do Itália na Taça vai ao ar hoje, às 18h, no canal do Muito Gourmet no YouTube: https://www.youtube.com/@muito.gourmet. Inscreva-se no canal e ative o sininho para ser avisado dos próximos episódios. Cortes e conteúdos especiais da série também serão publicados no Instagram @muito.gourmet.

O Itália na Taça é uma produção do Muito Gourmet, com patrocínio da Vinífera Import, importadora da qual a apresentadora Esmeralda Stallone é sommelière, e apoio da Federicci Import.

Perguntas Frequentes

Onde assistir ao Itália na Taça?

A série é exibida no canal do Muito Gourmet no YouTube, em youtube.com/@muito.gourmet. O primeiro episódio estreia no sábado, 3 de outubro de 2026, às 18h, e os cortes são publicados no Instagram @muito.gourmet.

Quem apresenta o Itália na Taça?

A série é apresentada por Felipe Havok, editor-chefe do Muito Gourmet, e pela sommelière ítalo-baiana Esmeralda Stallone, Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy.

Quais restaurantes de Salvador participam da série?

A primeira temporada passa pelo Mistura Itapuã, em Itapuã, pelo Jabu, no Rio Vermelho, e pelo Cremonini e pela Casa Iryna, ambos na Pituba.

Vinho italiano combina com comida baiana?

Pode combinar muito bem. A acidez e o frescor de muitos vinhos italianos equilibram a intensidade de pratos com dendê, leite de coco e frutos do mar, além de funcionarem bem no clima quente de Salvador. A escolha do estilo, branco, rosé ou tinto, depende do preparo.

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Salvador Restaurant Week 2026 começa nesta quinta com mais de 140 restaurantes

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Festival vai até 1º de novembro com o tema Brasil de Norte a Sul. Confira a lista completa de participantes

A segunda edição do Salvador Restaurant Week 2026 começa nesta quinta-feira, 1º de outubro, e segue até 1º de novembro com 142 unidades participantes em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana. Cada casa serve um menu fechado de três etapas, com entrada, prato principal e sobremesa, por preço fixo que vai de R$ 59,90 no almoço da categoria mais acessível a R$ 119 no jantar da categoria Premium. O tema desta edição é “Brasil de Norte a Sul”, e a lista completa de restaurantes está no fim desta matéria.

Uma semana que dura um mês

O nome diz semana, o calendário diz outra coisa. São 32 dias de festival, tempo suficiente para fazer o que a Restaurant Week 2026 sempre prometeu: tirar o almoço e o jantar do piloto automático. Dá para finalmente conhecer aquela casa que está na lista de desejos há meses e, na semana seguinte, voltar a um endereço que participa do festival há várias edições e nunca decepcionou.

Os números ajudam a dimensionar a edição. São 142 unidades, mas cerca de 120 nomes diferentes, porque várias redes entram com mais de uma filial. A Cantina Volpi aparece em seis endereços, o Seven Bistrô em quatro, e Martim Pescador e Pereira em três cada. Fora da capital, Feira de Santana participa com três casas (Casa 24 Forneria, Grissini Bistrô e ISS Restrô), e Lauro de Freitas com a unidade da Regalo Pizzeria em Vilas do Atlântico.

Quanto custa cada menu do Salvador Restaurant Week 2026

Os preços são tabelados em três categorias, com valores diferentes para almoço e jantar:

CategoriaAlmoçoJantar
Menu RW TradicionalR$ 59,90R$ 74,90
Menu PlusR$ 73,90R$ 94,90
Menu PremiumR$ 99R$ 119

Os valores são por pessoa. Menus, categorias, dias e horários de funcionamento de cada restaurante estão detalhados no site oficial, restaurantweek.com.br, e vale conferir antes de sair de casa, porque nem toda casa opera nos dois turnos todos os dias.

Brasil de Norte a Sul, num cardápio de muitos sotaques

A proposta da organização é que cada restaurante construa seu menu a partir de ingredientes, receitas e referências das cinco regiões do país, considerando também os biomas e as influências indígenas, africanas e europeias que formaram a cozinha brasileira. É um tema amplo o bastante para caber tanto um pirarucu quanto um arroz carreteiro.

O curioso é o contraste com a própria lista. Pelos nomes, a cozinha italiana é a que mais aparece, com cantinas, trattorias e fornerias espalhadas por toda a cidade. Somam-se uma casa de lámen (Ainá Lamen), duas indianas (Masala e Vishnu Culinária Indiana), um kebab (Pasárgada), um frango peruano (Peruvian Chicken Pollo a La Brasa), cozinhas ibéricas (Santiago Culinária Ibérica e La Taperia) e um bistrô francês de longa data (Chez Bernard).

Como uma casa de lámen traduz o Pará? Como um restaurante indiano conversa com o Pampa? Essa é, talvez, a pergunta mais interessante da edição, e ela não contradiz o tema. A cozinha brasileira nasceu justamente de cruzamentos, e ver técnicas estrangeiras trabalhando ingredientes nacionais é uma forma honesta de celebrar isso. As respostas estão nos menus publicados no site e no Instagram oficial, e são o melhor critério para montar o roteiro do mês.

Cerveja de brinde e doação para a Irmã Dulce

Nesta edição, a Ambev distribui uma bebida por menu. Quem pedir o menu de almoço ganha uma Corona Cero, versão sem álcool da cerveja mexicana. No jantar, o brinde é uma Stella Artois Pure Gold. A ação vale enquanto durar o estoque, então a recomendação é confirmar a disponibilidade diretamente com a casa escolhida.

Há também o componente social, que já virou marca do festival. Em cada menu do Salvador Restaurant Week 2026, o cliente pode acrescentar, de forma opcional, R$ 2 destinados às Obras Sociais Irmã Dulce, instituição beneficiada nesta edição.

Serviço

Evento: Salvador Restaurant Week 2026
Período: 1º de outubro a 1º de novembro de 2026
Onde: 142 unidades em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana
Menu RW Tradicional: R$ 59,90 (almoço) e R$ 74,90 (jantar)
Menu Plus: R$ 73,90 (almoço) e R$ 94,90 (jantar)
Menu Premium: R$ 99 (almoço) e R$ 119 (jantar)
Ação social: R$ 2 opcionais por menu para as Obras Sociais Irmã Dulce
Brinde Ambev: Corona Cero no almoço e Stella Artois Pure Gold no jantar, enquanto durar o estoque
Menus, dias e horários: restaurantweek.com.br
Instagram: @salvadorrestaurantweek

Lista completa dos restaurantes participantes

Lista oficial divulgada pela organização do Salvador Restaurant Week, em ordem alfabética. Filiais da mesma marca aparecem agrupadas, com a localização entre parênteses.

  • 33 Contemporâneo
  • A Taberna
  • Ainá Lamen
  • Al Mare
  • Alfredo’Ro
  • Alfredo’Ro Trattoria & Forneria (Salvador Shopping)
  • Allê Varanda Bar
  • Almacen Pape (Horto e Shopping Barra)
  • Álvares Gastrobar
  • Amada Lisboa
  • Amado Salvador (Salvador Shopping)
  • Antique Bistrô
  • Arento
  • Azougue (Salvador Shopping e Salvador Norte Shopping)
  • Azougue Prime
  • Barbacoa Salvador
  • Barravento
  • Bella Napoli
  • Blue Praia
  • Boteco do Lê
  • Boteco Português
  • Bottino Ristorante Italiano
  • Buddha Bistro Asiático
  • Cantina Volpi (Ondina, Paralela, Paseo Itaigara, Pituba, Salvador Norte Shopping e Salvador Shopping)
  • Canto
  • Carvão
  • Casa 24 Forneria (Feira de Santana)
  • Casa Chálabi
  • Casa de Moá
  • Casa di Vina
  • Casa Iryna
  • Casaria Salvador
  • Casarra
  • Cazinha Bistrô
  • Cazolla (Pituba)
  • Cedro
  • Chez Bernard
  • CÖA Restaurante
  • Confraria das Ostras
  • Cork Wine Lab
  • Cremonini Ristorante
  • di Giuseppe
  • Di Liana
  • Ferreiro Café
  • Forneria Bottino
  • Gattai
  • Genaro
  • Gero
  • Grissini Bistrô (Feira de Santana)
  • Healthy por Victoria Cintra (Salvador Shopping e Shopping Barra)
  • Il Filetto Ristorante
  • ISS Restrô (Feira de Santana)
  • Jabú Resto & Bar
  • James Steakhouse
  • Jota Gastronomia
  • Ki-Mukeka (Salvador Shopping)
  • La Bottega
  • La Lupa
  • La Pasta Gialla
  • La Pulperia (Brotas e Paseo)
  • La Taperia
  • Lafayette
  • Lar Café Bistrô
  • Le Vin (Mercure Boulevard e Mercure Pituba)
  • Leto Gastronomia
  • Lôro (Bahia Marina)
  • Lotti Cucina
  • Lotti Osteria
  • Maendú
  • Mamma Jamma (Shopping Barra e Shopping da Bahia)
  • Martim Pescador (Paralela, Pituba e Shopping da Bahia)
  • Masala
  • Medieval Gastro Pub
  • Megiro
  • Miss Koh (Salvador Shopping)
  • Mistura (Itapuã)
  • Moara
  • Mõrea
  • Muy Massa
  • Myia
  • Nova Belles (Pituba e Santo Antônio Além do Carmo)
  • Orí (Horto Florestal)
  • Pala7
  • Palles
  • Pasárgada Kebab Grill & Bar
  • Passeio da Vitória
  • Pasta em Casa (Alphaville e Rio Vermelho)
  • Pereira (Barra, Shopping da Bahia e Shopping Paralela)
  • Peruvian Chicken Pollo a La Brasa
  • Preta Bistrô
  • Preta Tira-Chapéu
  • Principote
  • Proa Bar
  • Purgatório
  • Racletto
  • Red Burgue N Bar
  • Regalo Pizzeria (Pituba e Vilas do Atlântico)
  • Rivie Rouge Bistrô
  • Riz Bistrot
  • Sagratto Café Bar
  • Salvador Dali
  • Santiago Culinária Ibérica (Clube Espanhol e Shopping Barra)
  • Segreto Ristorantino
  • Sette Restaurante
  • Seven Bistrô (Boulevard Side, CAB, Salvador Shopping e Shopping da Bahia)
  • Soho (Bahia Marina e Paseo)
  • Taboada
  • Torre de Pizza
  • Une Cozinha
  • Villa da Praia Hotel (Serê Cozinha do Mar)
  • Vim Vim Trattoria
  • Vini Figueira Gastronomia
  • Vini Figueira Mar
  • Vishnu Culinária Indiana
  • Vona
  • Yaya
  • Zaccaria
  • Zaffe
  • Zuuk Sushi

Perguntas Frequentes

Quando acontece a Salvador Restaurant Week 2026?

A 28ª edição acontece de 1º de outubro a 1º de novembro de 2026, em 142 unidades de Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana. Dias e horários variam de casa para casa e estão no site restaurantweek.com.br.

Quanto custa o menu da Salvador Restaurant Week 2026?

Há três categorias. O Menu RW Tradicional custa R$ 59,90 no almoço e R$ 74,90 no jantar, o Menu Plus sai por R$ 73,90 e R$ 94,90, e o Menu Premium por R$ 99 e R$ 119, sempre por pessoa.

O que está incluído no menu do festival?

Cada menu tem três etapas: entrada, prato principal e sobremesa. Nesta edição, o almoço vem com uma Corona Cero e o jantar com uma Stella Artois Pure Gold de brinde, enquanto durar o estoque.

Qual é o tema da Salvador Restaurant Week 2026?

O tema é “Brasil de Norte a Sul”. Os restaurantes foram convidados a criar menus com ingredientes e referências das cinco regiões do país e das influências indígenas, africanas e europeias na cozinha brasileira.

Como funciona a doação para as Obras Sociais Irmã Dulce?

Em cada menu, o cliente pode acrescentar R$ 2 de forma opcional. O valor é destinado às Obras Sociais Irmã Dulce, instituição beneficiada nesta edição.

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Carta de vinhos não é lista: a lição do Melhores da Taça 2026

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Premiada no Melhores da Taça 2026, a sommelière Carol Souzah revela o método por trás da carta do Silva Cozinha

Na noite de 14 de setembro, em São Paulo, a carta de vinhos do Silva Cozinha, restaurante do chef Ricardo Silva e da empresária Luciana Mastique, recebeu o Prêmio de Excelência do Melhores da Taça 2026, da revista Prazeres da Mesa.

Quem subiu ao palco para buscar a distinção foi a sommelière Carol Souzah, autora da carta e, para nosso orgulho, colunista quinzenal do Muito Gourmet. Numa edição em que Salvador também viu o Cork Wine Lab premiado pela carta de vinhos e o Purgatório Bar levar duas categorias, Carol usa este espaço para responder à pergunta que mais ouviu desde então: o que, afinal, faz uma carta merecer um prêmio?

Carta de vinhos não é lista: o que existe por trás de uma seleção premiada

Receber, em nome do Silva Cozinha, o Prêmio de Excelência pela carta de vinhos no Melhores da Taça foi uma alegria imensa, não apenas por reconhecer o trabalho de curadoria que realizei, mas também por colocar a carta do restaurante entre algumas das melhores do Brasil, ao lado de outras seleções de excelência de diferentes regiões do país. A premiação é realizada em São Paulo, e estar nesse palco representando Salvador tornou o momento ainda mais especial. Esse reconhecimento valoriza uma carta que construí com muita pesquisa, dedicação e liberdade criativa, e também o restaurante e a equipe que fazem essa experiência acontecer todos os dias.

E talvez por isso tenha sido tão emocionante para mim.

O Melhores da Taça, realizado pela Prazeres da Mesa, é a maior premiação de bebidas do Brasil. Fazer parte desse reconhecimento torna o momento ainda mais especial e reforça a importância de um trabalho que muitas vezes acontece longe dos holofotes, entre pesquisas, degustações, planilhas, conversas e escolhas cuidadosas.

Fazer cartas de vinhos é uma das partes do meu trabalho que mais amo. Existe pesquisa, técnica, estratégia, gastronomia e números, claro. Mas existe também uma enorme possibilidade de contar histórias. Uma boa carta diz muito sobre um restaurante antes mesmo de a primeira garrafa ser aberta.

Lista não é carta

Depois do reconhecimento, algumas pessoas me perguntaram: “Carol, como faço para o meu restaurante concorrer?”

Minha resposta começa por uma provocação: não basta ter bons vinhos.

Carta de vinhos não é escolher dois Sauvignon Blanc, três Chardonnay, alguns Malbec, Cabernet Sauvignon, um rosé, um espumante e considerar o trabalho encerrado.

Isso é uma lista. Carta é outra coisa.

Quando construí a carta do Silva, comecei pela identidade da casa e pela gastronomia contemporânea brasileira de Ricardo Silva, uma cozinha que considero especialmente rica, afetiva e cheia de possibilidades. Levei muito a sério a tarefa de criar uma carta que fizesse real sentido com tudo o que chega à mesa: os ingredientes, os sabores, as técnicas, a relação com Salvador e a maneira como o restaurante traduz o Brasil em sua cozinha. O vinho precisava conversar com os pratos, acompanhar essa experiência e valorizar a gastronomia que Ricardo construiu com tanta personalidade.

Uma carta para o calor de Salvador

Também levei em consideração o clima de Salvador. Uma carta construída aqui não pode ser pensada como se estivesse em uma região de clima frio, como a Serra Gaúcha, onde há naturalmente uma predominância maior de vinhos tintos. Em Salvador, os brancos, espumantes, champanhes e rosés ganham um destaque especial, porque combinam com o calor e com o perfil da cidade. São vinhos que acompanham bem a culinária local e a experiência de estar à mesa em Salvador.

A partir daí entram muitas camadas.

Penso em países, regiões, estilos, produtores e uvas, inclusive aquelas menos óbvias, capazes de despertar curiosidade. Penso em vinhos leves, estruturados, brancos de diferentes perfis, espumantes, rosés e em propostas que tragam diversidade de verdade.

Também considero fundamental abrir espaço para pequenos produtores, para vinhos de mínima intervenção e para diferentes formas de pensar a vitivinicultura. Uma carta contemporânea, para mim, precisa mostrar um pouco do que está acontecendo no mundo do vinho e não apenas repetir os rótulos que o consumidor encontra em qualquer lugar. Também não podemos nos fiar somente nos vinhos conhecidos, os famosos “vinhos que se vendem sozinhos”. Se eles não estiverem na carta, o cliente não necessariamente vai procurar outro restaurante; muitas vezes, vai pedir uma sugestão. E é justamente aí que a carta passa a oferecer a possibilidade de descobrir novas uvas e estilos, ampliando o repertório de quem está à mesa. Penso muito nisso ao fazer uma carta.

Preço, ordem e linguagem também vendem

Mas variedade sozinha também não resolve.

Existe estratégia de preço. É preciso criar diferentes portas de entrada para o cliente, pensar no ticket médio da casa e permitir que alguém encontre tanto uma garrafa mais acessível quanto uma experiência especial. Até a ordem em que os vinhos aparecem e a forma como os preços são distribuídos dentro de cada seção influenciam a escolha. Isso também é venda.

Existe ainda o posicionamento. A estética. A organização das categorias. A linguagem. A facilidade para o cliente se localizar. Uma carta pode ter vinhos incríveis e ainda assim ser confusa, intimidadora ou simplesmente não vender.

A carta precisa ter uma razão para existir

E existe uma coisa que considero essencial: identidade.

Quando centenas de cartas chegam para serem analisadas pela Prazeres da Mesa, elas não são submetidas a voto popular. O trabalho é feito por especialistas, que avaliam as seleções com critérios técnicos e editoriais, observando aspectos como diversidade, coerência, profundidade, identidade, relação com a gastronomia e a capacidade de a carta traduzir a proposta daquela casa. Por isso, não adianta apenas reproduzir o que todo mundo já está fazendo. É preciso fugir um pouco do óbvio, pesquisar, encontrar produtores interessantes, descobrir regiões e trazer rótulos que façam sentido para aquele restaurante. Não se trata de rejeitar produtores conhecidos, mas de não construir uma carta inteira no automático, repetindo sempre as mesmas escolhas.

A carta precisa ter uma razão para existir ali.

Inclusive, quando um restaurante inscreve sua carta no Melhores da Taça, envia também o cardápio. Isso diz muito. Não faz sentido avaliar o vinho separado da comida. A pergunta é: essa seleção conversa com a gastronomia dessa casa?

Para mim, esse é um dos princípios mais importantes de uma boa curadoria.

Hospitalidade fecha a conta

No Silva, tive algo precioso para realizar esse trabalho: liberdade criativa e confiança. Ricardo Silva, Luciana Mastique, Daniel e Mariana Braga me motivam a pesquisar, experimentar e propor caminhos, enquanto a equipe do restaurante dá vida a essa carta no salão e contribui diariamente para que a experiência aconteça com cuidado e personalidade. E isso faz diferença. Não existe curadoria autoral se toda escolha precisa caber apenas no território do que já é conhecido e seguro.

Talvez por isso esse reconhecimento tenha mexido tanto comigo. Ele valoriza algo em que acredito profundamente: vinho dentro de restaurante precisa ser pensado com a mesma seriedade com que se pensa a cozinha, o salão, a louça, o serviço e a experiência. E, sobretudo, a hospitalidade. Uma carta bem construída só cumpre seu papel quando encontra uma equipe bem treinada, capaz de ouvir o cliente, compreender suas preferências, apresentar as opções com segurança e fazer sugestões sem impor escolhas. O conhecimento técnico precisa caminhar junto com a atenção, a generosidade e a sensibilidade de quem recebe. No fim, é a equipe que transforma a carta em conversa, orientação e prazer à mesa.

E Salvador brilhou nessa edição. Ver nossa cidade aparecendo entre os reconhecidos me deixa especialmente feliz.

Uma carta de vinhos começa muito antes da escolha das garrafas. Começa na compreensão da casa, da cozinha, do público e da experiência que o restaurante deseja oferecer. Quando esses elementos estão claros, cada vinho encontra seu lugar, não apenas na carta, mas também à mesa e na história daquele restaurante.

Perguntas Frequentes

O que é o Melhores da Taça?

É a premiação anual da revista Prazeres da Mesa que reconhece as melhores cartas de vinhos, cervejas, coquetéis e bebidas sem álcool do Brasil, além de profissionais do setor. A edição 2026 teve cerimônia em 14 de setembro, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, durante o Salão Abrasel.

O que faz uma carta de vinhos ser premiada?

Segundo Carol Souzah, não basta reunir bons rótulos. Uma carta premiada precisa ter coerência com a cozinha da casa, diversidade real de estilos e produtores, estratégia de preço, organização clara e identidade própria. No Melhores da Taça, os restaurantes enviam também o cardápio, porque o vinho é avaliado em diálogo com a comida.

Quais vinhos combinam com o clima de Salvador?

Brancos, espumantes, champanhes e rosés ganham destaque em Salvador por acompanharem bem o calor e a culinária local. Uma carta pensada para a cidade não deve seguir a lógica de regiões frias, onde os tintos naturalmente predominam.

Onde fica o Silva Cozinha?

O Silva Cozinha, do chef Ricardo Silva, fica na Rua Chile, 7, no Centro Histórico de Salvador.

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Silva Cozinha recebe a segunda edição da ConfraDelas na Rua Chile

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Menu de sete tempos do chef Ricardo Silva e rótulos selecionados por Carol Souzah marcam o encontro de 30 de setembro

O Silva Cozinha realiza na quarta-feira, 30 de setembro, a segunda edição da ConfraDelas no endereço da Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador. A noite de degustação guiada de vinhos, voltada ao público feminino, reúne um menu de sete tempos assinado pelo chef Ricardo Silva e seis rótulos escolhidos pela sommelière Carol Souzah, que também conduz as harmonizações. O investimento é de R$ 320 por pessoa, com vagas limitadas e reserva antecipada pelo WhatsApp da casa.

Um projeto da casa que mudou de endereço junto com ela

A ConfraDelas nasceu no Silva Cozinha em julho de 2025, ainda no Rio Vermelho, como uma forma de aproximar mulheres do vinho sem a formalidade que costuma cercar a bebida. Quando o restaurante se mudou para a Rua Chile, o projeto foi junto. A primeira edição no novo endereço aconteceu em julho deste ano, exatamente um ano depois da estreia, e a de setembro dá sequência ao calendário.

À frente da recepção está a empresária Luciana Mastique, anfitriã do projeto desde o início. A curadoria dos vinhos fica com Carol Souzah, que assumiu a seleção na retomada e agora assina sua segunda carta para o encontro.

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Carol Souzah e Luciana Mastique – Divulgação

O menu, tempo a tempo

A noite começa pela mesa de pão. O couvert traz pão de queijo frito, pão integral, azeite extravirgem e uma manteiga de mel de uruçu, o mel das abelhas nativas sem ferrão, mais ácido e mais aromático que o mel convencional. O primeiro vinho é o Impazzimento Branco, que segue no copo para o tempo seguinte: um carpaccio de queijo coalho com alcaparras fritas, tomate-cereja, agrião e castanha de caju caramelizada.

A escolha de manter o mesmo rótulo em dois pratos é das mais interessantes da sequência. O branco que abre com a gordura do pão frito e a doçura do mel reaparece diante do sal do coalho e do amargor do agrião, e a comparação entre os dois momentos vira parte da aula.

Depois vem o gaspacho de melão com mussarela de búfala e presunto cru, servido com o Laceira Branco. É a lógica clássica do melão com presunto, levada ao prato frio e ao copo leve.

O quarto tempo sobe a temperatura. O tartar de atum temperado chega com ovas de salmão, creme de abacate e crocante de folha de arroz, ao lado do Cava Ramiro Rosé. Espumante espanhol diante de peixe cru e especiarias é daquelas combinações em que a borbulha trabalha como faxina, limpando a boca entre uma garfada e outra.

O nhoque de aipim com tucupi, cogumelos e queijo de cabra é o prato mais baiano e amazônico da noite ao mesmo tempo, e encontra o Petit Maynne Pinot Noir. Na leitura do papel, faz sentido: a acidez do tucupi e o terroso dos cogumelos costumam conversar bem com um tinto de corpo leve, que não atropela a delicadeza da massa.

Cordeiro, Carménère e uma pavlova que provoca

O prato principal é o carré francês de cordeiro com mandioquinha e Marsala, acompanhado do Leyenda Carménère. A uva, que se tornou emblema do Chile, costuma trazer notas herbáceas e de especiarias que dialogam com a carne de cordeiro e com o fundo adocicado do vinho fortificado no molho.

A sobremesa fecha a sequência com o prato mais inesperado do menu: pavlova com mousse de iogurte, ganache de coentro e um vinagrete de kiwi, tomate e baunilha. O coentro e o tomate levam para o doce ingredientes que o paladar associa ao salgado, e o Espumante Moscato entra para amarrar a noite com doçura e frescor.

A Rua Chile como cenário

Tida como a primeira rua do Brasil, a Rua Chile vive nos últimos anos um processo de ocupação gastronômica que tem atraído restaurantes e bares de assinatura para o Centro Histórico. A chegada do Silva Cozinha, que trocou o Rio Vermelho pelo novo endereço, faz parte desse movimento, e a ConfraDelas leva para lá um público que talvez não frequentasse o Centro à noite num dia de semana.

silva cozinha rua chile
Silva Cozinha recebe a segunda edição da ConfraDelas na Rua Chile

Serviço ConfraDelas

ConfraDelas | 2ª edição na Rua Chile
Quando: quarta-feira, 30 de setembro, às 19h30
Onde: Silva Cozinha, Rua Chile, 7, Centro Histórico, Salvador
Com: chef Ricardo Silva (menu), sommelière Carol Souzah (vinhos e harmonização) e Luciana Mastique (anfitriã)
Formato: menu de sete tempos harmonizado com seis rótulos
Investimento: R$ 320 por pessoa
Reservas: antecipadas, pelo WhatsApp da casa
Informações: @silva_cozinha

Perguntas Frequentes

O que é a ConfraDelas?

É uma experiência de degustação guiada de vinhos voltada ao público feminino, criada pelo restaurante Silva Cozinha em 2025. Cada edição reúne rótulos selecionados por uma sommelière e pratos criados pelo chef Ricardo Silva para harmonizar com eles.

Quando e onde acontece a próxima ConfraDelas?

A segunda edição no novo endereço acontece em 30 de setembro de 2026, quarta-feira, no Silva Cozinha, na Rua Chile, Centro Histórico de Salvador.

Quanto custa e como reservar?

O investimento é de R$ 320 por pessoa. As vagas são limitadas e a reserva deve ser feita com antecedência pelo WhatsApp do restaurante, com informações no Instagram @silva_cozinha.

Quais vinhos serão servidos?

A carta de Carol Souzah tem seis rótulos: Impazzimento Branco, Laceira Branco, Cava Ramiro Rosé, Petit Maynne Pinot Noir, Leyenda Carménère e um Espumante Moscato para a sobremesa.

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A 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na Pituba

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Do Coado ao Espresso ocupa a 14ª posição no ranking sul-americano e coloca o Nordeste no pódio nacional

A 3ª melhor cafeteria do Brasil está em Salvador. A Do Coado ao Espresso, a DCAE, na Pituba, ficou em 14º lugar no The South America’s 100 Best Coffee Shops 2026, ranking que elege as 100 melhores cafeterias da América do Sul, e aparece atrás de apenas duas casas brasileiras na lista. A classificação foi anunciada em 20 de setembro, em Quito, no Equador, e chega dez meses depois de a marca baiana ter conquistado o título de Torrefação do Ano Brasil 2025.

O Nordeste no pódio brasileiro

Doze cafeterias brasileiras entraram no ranking. A mais bem colocada é a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, em quarto lugar no continente. Logo em seguida vêm duas nordestinas: a RDV Roasters, de Maceió, em 13º, e a DCAE, em 14º.

É um dado que merece ser lido com atenção. Durante muito tempo, o mapa do café especial no Brasil foi desenhado a partir do Sul e do Sudeste, onde estão os grandes centros de consumo e boa parte das torrefações de referência. Ver duas casas do Nordeste ocupando o segundo e o terceiro lugares nacionais, à frente de endereços de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, diz muito sobre o amadurecimento da cena na região.

A lista brasileira inclui ainda representantes do Paraná, de Goiás, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Como funciona o ranking

O levantamento é produzido pela The World’s 100 Best Coffee Shops, organização que publica rankings globais e continentais de cafeterias. Na edição sul-americana, mais de 300 jurados visitaram cerca de 4.200 estabelecimentos ao longo de mais de um ano de avaliação.

A nota final combina duas frentes: o painel de especialistas responde por 70% da pontuação, e o voto do público, pelos 30% restantes. As casas entram na disputa por indicação do público ou dos próprios avaliadores e passam por uma triagem antes da definição final.

Os critérios vão além da xícara. Entram na conta a qualidade do café, a formação dos baristas, o atendimento, a inovação, o ambiente, as práticas de sustentabilidade, a oferta de comida e confeitaria e a relação da casa com a comunidade. Ou seja, o ranking avalia a cafeteria como experiência completa, não apenas o grão.

No topo da lista continental ficou a Eco Mapu Coffee, de Villarrica, no sul do Chile, seguida pela Fankør, de Quito, e pela Differente Coffee, da Colômbia.

O paradoxo brasileiro

Há um detalhe que o ranking expõe sem querer. O Brasil é o maior produtor de café do mundo, mas aparece com menos cafeterias na lista do que Peru, com 18, Equador, com 15, e Chile, com 13. Só supera a Argentina, que emplacou dez.

A explicação passa justamente pelos critérios. Produzir café de excelência e servi-lo com excelência são competências diferentes, e a segunda depende de cultura de consumo, formação de baristas e casas dispostas a transformar o balcão em lugar de descoberta. É nesse terreno que a DCAE se destaca.

Da torra para a xícara

A Do Coado ao Espresso foi fundada por Flávio Camargos, Matheus Maciel e Nayara Chaves e começou como torrefação. O trabalho da marca sempre esteve concentrado na seleção de grãos, no desenvolvimento de perfis de torra e na valorização do café produzido na Bahia.

Esse trabalho já tinha rendido um título nacional. Em novembro de 2025, a DCAE venceu o prêmio de Torrefação do Ano Brasil, na final disputada durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, considerada a principal feira do setor no país.

A cafeteria da Pituba veio depois, como extensão natural da torrefação. O espaço reúne café especial, gastronomia e experiências voltadas à educação do público, para quem quer entender por que dois cafés da mesma origem podem ter sabores tão diferentes.

É essa ponte entre o torrador e o balcão que Flávio aponta como o sentido do novo resultado. “Mostra que estamos conseguindo levar para a xícara, dentro da nossa cafeteria, todo o cuidado, a técnica e a dedicação que já fazem parte do nosso trabalho na torrefação”, afirma.

Para ele, o reconhecimento também ultrapassa a casa. “Estar entre as 100 melhores cafeterias da América do Sul e chegar à 14ª posição é uma conquista enorme. É especialmente significativo porque estamos falando de uma avaliação que reúne milhares de cafeterias e envolve diferentes países.”

Serviço

Do Coado ao Espresso (DCAE Cafeteria)
Endereço: Rua das Hortênsias, 776, Pituba, Salvador
Funcionamento: terça a sexta, das 9h às 19h; sábados e domingos, das 9h às 18h
Instagram: @dcaecafeteria

Perguntas Frequentes

Qual é a melhor cafeteria de Salvador segundo o ranking sul-americano?

A Do Coado ao Espresso, na Pituba, é a cafeteria de Salvador mais bem colocada no The South America’s 100 Best Coffee Shops 2026. Ficou em 14º lugar no continente e é a terceira melhor do Brasil na lista.

Quais cafeterias brasileiras estão entre as melhores da América do Sul em 2026?

Doze cafeterias brasileiras entraram no ranking. As três mais bem colocadas são a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba (4º lugar), a RDV Roasters, de Maceió (13º), e a Do Coado ao Espresso, de Salvador (14º).

Como é definido o ranking The South America’s 100 Best Coffee Shops?

A pontuação combina a avaliação de um painel de especialistas, com peso de 70%, e o voto do público, com 30%. São analisados critérios como qualidade do café, formação dos baristas, atendimento, ambiente, sustentabilidade, comida e relação com a comunidade.

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Tempero Bahia leva oito chefs, feira e shows de graça ao Parque Shopping no fim de semana

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Etapa Cultural do festival acontece nos dias 26 e 27 de setembro, com Cozinha Show, artesanato e música na Praça de Alimentação

A parte gratuita do Festival Tempero Bahia 2026 acontece no sábado 26 e no domingo 27 de setembro, das 13h às 20h, na Praça de Alimentação do Parque Shopping Bahia, no Piso L3. São dois dias com oito aulas-show conduzidas por chefs baianos, uma feira de arte, artesanato e gastronomia com microempreendedores e três apresentações musicais, tudo sem cobrança de ingresso. É a Etapa Cultural, o único trecho do festival aberto a quem quiser chegar sem reserva e sem consumo mínimo.

A programação fecha a nona edição do festival, que começou em 17 de setembro e movimenta restaurantes, pousadas e hotéis de seis destinos turísticos: Salvador, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz, Feira de Santana e Vale do Capão. São 80 casas participantes, cada uma com um prato criado especialmente para o festival e com preço definido pelo próprio restaurante. A lista completa, com fotos dos pratos e informações de cada endereço, está no site oficial.

“Estou muito feliz com a constante expansão do Tempero, que começou em Salvador e cresce a cada ano, sempre valorizando ingredientes e movimentando a cadeia produtiva na Bahia”, diz Djanira Dias, da 2D Eventos, realizadora do festival.

Os Biomas da Mata Atlântica Baiana como tema

A nona edição elegeu como protagonista os Biomas da Mata Atlântica Baiana, e a escolha organiza a despensa de todo o festival: peixes e frutos do mar, siri, caranguejo, pitanga, taioba, araçá, cacau e mel de abelhas nativas. É um recorte que empurra os chefs para ingredientes que existem a poucos quilômetros das cozinhas, e não para a carta de importados.

O mel de abelha sem ferrão, um dos ingredientes citados, vive um momento particular na Bahia. Em agosto, o meliponário Meldoyá, de Jaguaripe, no Recôncavo, venceu o Concurso de Méis Código das Abelhas e levou o título de melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil. Para este mesmo Tempero Bahia, a chef Flávia, do Deguste o Brasil, no Vale do Capão, criou o prato Transição dos Biomas, que vai da Mata Atlântica ao Sertão e usa o mel de uruçu de Jaguaripe no acabamento. O Vale do Capão, vale lembrar, é um dos seis destinos do circuito.

Cozinha Show: oito chefs, duas tardes

As aulas-show acontecem em quatro horários por dia, sempre na Praça de Alimentação. As inscrições para assistir são feitas pelo aplicativo do Parque Shopping.

No sábado, 26, abre a chef Caroline Cavalcanti, do Quilombo do Quingoma, com o tema Comida de Quilombo e um Arrumadinho Sertanejo. Na sequência vêm Vinícius Soares, do Senac-BA, com Terroir do Baixo Sul; Rafael Evangelista, do 33 Contemporâneo, que apresenta uma polenta cremosa com grano padano e ragu de linguiça ao vinho tinto; e Ana Cesário, do Cadivó, que fecha o dia com biscoitos amanteigados em aula voltada para crianças.

O domingo, 27, começa com João Sérgio Rodrigues, do Senac-BA, e uma moqueca de siri com banana da terra sob o tema Sabores de Valença. Depois entram Wiltemberg Santos, do Seen Feira do NH Hotel, com uma Picanha do Mar feita de lombo de pescada amarela laminada; a culinarista Elíbia Portela, com massa de pão delícia e focaccia; e Leo Grimaldi, que encerra a programação com o Arroz entre Marés, de camarão e sururu sobre base de moqueca, com jaca tostada e vinagrete de mel de cacau.

Mercado do Parque e a música do fim de tarde

A feira funciona em horário mais largo que o restante da Etapa Cultural: sábado das 10h às 22h e domingo das 12h às 21h. Reúne microempreendedores de gastronomia e de artesanato.

No lado da comida e bebida estão o Do Coado ao Expresso, com cafés artesanais, a Proa Cervejaria, a Kikaxassa, com cachaças da Bahia, o Chorando com Cebola, com molhos, antepastos e geleias, e a Juli Produtos Naturais. Na frente de arte e artesanato, participam Jô do Barro, com cerâmica, o Ateliê Telma Lasmar, Soraia Medeiros Crochê, Eu Tenho Art e Alcione Zanca, com arte religiosa.

A trilha fica por conta de três atrações. No sábado, às 18h, sobem os Gaiatos, com MPB e pop rock. No domingo, às 17h30, o Grupo Cultural Sambadeiras leva samba de roda, e às 18h30 entra o Duo de Chorinho Peu Souza e Estevam Dantas.

Serviço

O quê: Etapa Cultural do Festival Tempero Bahia 2026, com Cozinha Show, Mercado do Parque e shows musicais
Quando: Sábado 26 e domingo 27 de setembro, das 13h às 20h
Mercado do Parque: Sábado das 10h às 22h e domingo das 12h às 21h
Onde: Parque Shopping Bahia, Praça de Alimentação, Piso L3
Quanto: Gratuito
Inscrições para o Cozinha Show: Pelo aplicativo do Parque Shopping
Circuito Gastronômico: 80 restaurantes em seis destinos, até 27 de setembro, com preço definido por cada casa

Perguntas Frequentes

Quando e onde acontece a Etapa Cultural do Tempero Bahia 2026?

Nos dias 26 e 27 de setembro, das 13h às 20h, na Praça de Alimentação do Parque Shopping Bahia, no Piso L3. A entrada é gratuita e a feira do Mercado do Parque abre em horário estendido, das 10h às 22h no sábado e das 12h às 21h no domingo.

Como assistir às aulas do Cozinha Show?

As inscrições são feitas pelo aplicativo do Parque Shopping. São quatro aulas por dia, em horários entre 13h e 17h50, com chefs como Caroline Cavalcanti, Rafael Evangelista, Wiltemberg Santos e Leo Grimaldi.

Quanto custa comer nos restaurantes do Festival Tempero Bahia?

Não há preço único. Cada um dos 80 restaurantes participantes cria um prato exclusivo para o festival e define o próprio valor. A lista completa com fotos e informações de cada casa está no site oficial do evento.

Quais cidades participam do Tempero Bahia 2026?

O festival acontece em seis destinos turísticos: Salvador, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz, Feira de Santana e Vale do Capão, até 27 de setembro.

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Melhores da Taça 2026: a Bahia vence no vinho, no drink e na cerveja

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Cinco prêmios levaram casas de Salvador ao palco do Salão Abrasel e colocaram o estado nos três universos da premiação.

A Bahia saiu do Melhores da Taça 2026 com cinco reconhecimentos e um feito que nenhum outro estado repetiu na mesma noite: pontuou nas três frentes que a premiação cobre, vinho, coquetelaria e cerveja. A cerimônia aconteceu na segunda-feira (14), no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, durante o Salão Abrasel, e é promovida pela revista Prazeres da Mesa para mapear quem move o mercado brasileiro de bebidas. Purgatório Bar, Silva Cozinha, Cork Wine Lab, Proa Cervejaria e a sommelière Isadora Fornari, a Isadinha, formam a lista baiana.

Purgatório Bar: melhor do Nordeste e melhor fat wash do Brasil

O Purgatório foi o grande nome da noite baiana, com duas vitórias. A primeira, Melhor Bar do Nordeste, veio em uma disputa que reuniu os conterrâneos Megiro e Minibar Gem, o Bar do Delegado, de Alagoas, e o Pina Cocktails, de Pernambuco.

A segunda tem nome, sotaque e técnica: Melhor Fat Wash, com o drink Capoeira. O fat wash é um processo de infusão em que uma gordura, manteiga, azeite, bacon, leite de coco, é incorporada ao destilado para transferir sabor e textura, e depois removida por resfriamento. É uma das técnicas mais associadas à coquetelaria contemporânea, e o coquetel baiano superou criações de bares de São Paulo, Santa Catarina e Pará. O Capoeira integra a nova carta da casa, assinada pelo diretor criativo e sócio Jonatan Albuquerque e batizada de “Confia na Bahia”.

“O prêmio de Melhor Bar do Nordeste tem um significado muito especial porque representa a nossa casa e a nossa Bahia, enquanto o reconhecimento do Melhor Fat Wash mostra que a gente consegue levar a nossa identidade para uma coquetelaria cada vez mais técnica e criativa”, celebrou Peu Magalhães, sócio do bar, presente na cerimônia ao lado da sócia, a empresária Iryna Podusovska.

A dobradinha chega em um momento de projeção da casa, que também integra a seleção dos 500 melhores bares do mundo.

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Caporeira, Eleito o melhor Fat Wash do Brasil em 2026 – Foto: Divulgação

Duas cartas de vinho baianas no Prêmio de Excelência

O Prêmio de Excelência, categoria que reconhece cartas de bebidas de alto nível, contemplou dois endereços de Salvador.

No Silva Cozinha, restaurante do chef Ricardo Silva e da empresária Luciana Mastique, a carta assinada pela sommelière Carol Souzah foi reconhecida pelo trabalho de curadoria. Souzah recebeu o prêmio em nome da casa.

“Estou muito feliz por esse reconhecimento. Fazer cartas de vinhos é uma das coisas que eu mais gosto e agradeço, em nome do Silva Cozinha, que coloca o vinho no lugar de destaque em seu restaurante, que é o certo”, disse a sommelière.

A Cork Wine Lab, de Frederico Poli, dividiu a categoria. Inaugurada no fim de 2025 na Pituba, a casa opera em três camadas ao mesmo tempo, wine bar, loja especializada e escola de vinhos, uma proposta que ainda tem poucos equivalentes no Nordeste.

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Carol Souzah – Foto: Divulgação

Proa Cervejaria e a cerveja baiana de identidade própria

A cerveja baiana também subiu ao palco do Melhores da Taça 2026. A Proa Cervejaria, comandada pela mestre cervejeira Débora Lehnen, recebeu o Prêmio de Excelência na frente cervejeira, representada na cerimônia por Ricardo Vallari. Com fábrica em Lauro de Freitas e bar na Pituba, a Proa construiu reputação apostando em ingredientes regionais e em um time majoritariamente formado por mulheres, dois traços que a diferenciam dentro de um mercado artesanal ainda bastante homogêneo.

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Ricardo Vallari – Foto: Divulgação

Isadinha, Personalidade da Coquetelaria

O reconhecimento individual ficou com Isadora Fornari, a Isadinha, eleita Personalidade da Coquetelaria. Sommelière e consultora, ela não nasceu na Bahia, mas construiu aqui parte importante da sua obra: assina a coquetelaria de casas como Origem e Amado, formou equipes de bar em Salvador e ajudou a elevar o patamar técnico de uma cena que hoje disputa prêmio nacional de igual para igual. É também jurada do Spirits Selection do Concours Mondial de Bruxelles e trabalha há anos pela valorização dos destilados brasileiros, com a cachaça no centro do discurso. O prêmio reconhece menos um cardápio e mais uma trajetória, o que dá ao resultado baiano uma camada de profissão, não só de vitrine.

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Isadinha – Foto: Reprodução

O que o resultado diz sobre Salvador

Premiação de bebidas costuma medir tendência antes de medir gosto. E a leitura do Melhores da Taça 2026 é direta: a Bahia deixou de ser exceção pontual em uma categoria e passou a aparecer em todas as três ao mesmo tempo. Coquetelaria com técnica de ponta, cartas de vinho com curadoria autoral e cervejaria com identidade regional são frentes que exigem repertório, investimento e público disposto a pagar por isso. As três amadureceram juntas.

Há até uma coincidência geográfica que ajuda a contar a história. Cork Wine Lab e Proa Cervejaria ficam na mesma rua da Pituba, a Rua das Hortênsias, a poucos números de distância, e o Purgatório opera no mesmo bairro. Um trecho de Salvador que, em 2026, concentra três dos endereços de bebida mais premiados do país.

Onde encontrar os premiados pelo Melhores da Taça 2026 em Salvador

Purgatório Bar
Rua Alexandre Herculano, 45, Pituba, Salvador
Quarta a sábado, a partir das 19h
Reservas: (71) 98343-2622
Instagram: @purgatorio.bar

Silva Cozinha
Rua Chile, 7, Centro Histórico, Salvador
Terça a domingo
Reservas exclusivamente por WhatsApp: (71) 99688-5535
Instagram: @silva_cozinha

Cork Wine Lab
Rua das Hortênsias, 478, Pituba, Salvador
Terça a sábado, das 18h às 23h
Contato: (71) 98802-5735
Instagram: @corkwinelab

Proa Cervejaria (bar Salvador)
Rua das Hortênsias, 288, Pituba, Salvador
Contato: (71) 99948-0674
Instagram: @proacervejaria

Perguntas Frequentes

Quem são os baianos premiados no Melhores da Taça 2026?

Purgatório Bar (Melhor Bar do Nordeste e Melhor Fat Wash), Silva Cozinha e Cork Wine Lab (Prêmio de Excelência em cartas de vinho), Proa Cervejaria (Prêmio de Excelência em cervejas) e a sommelière Isadora Fornari, a Isadinha (Personalidade da Coquetelaria).

O que é o Melhores da Taça?

É uma premiação anual da revista Prazeres da Mesa que reconhece nomes, rótulos, cartas e endereços dos universos do vinho, dos drinques e das cervejas no Brasil. Os finalistas são indicados por especialistas do setor e o resultado passa por votação aberta ao público.

O que é fat wash na coquetelaria?

É uma técnica de infusão que incorpora uma gordura, como manteiga, azeite ou leite de coco, a um destilado para transferir sabor e textura. Depois do descanso, a mistura é resfriada e a gordura solidificada é removida, deixando apenas o aroma no líquido.

Onde fica o bar baiano eleito o melhor do Nordeste?

O Purgatório Bar fica na Rua Alexandre Herculano, 45, na Pituba, em Salvador, e funciona de quarta a sábado a partir das 19h.

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Purgatório antecipa a Negroni Week 2026 e reúne três bartenders no balcão nesta terça

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Noite de guest bartender na Pituba abre a programação da casa uma semana antes da edição mundial do clássico italiano

Negroni Week 2026 chegou mais cedo! O Purgatório Bar recebe nesta terça-feira (15), a partir das 19h, uma noite de guest bartender apresentada pela Campari, com Pietra Crispim, Lucas Tomáz Gómez e Max Galvão dividindo o balcão. O encontro acontece na Rua Alexandre Herculano, 45, na Pituba, abre a programação de Negroni Week da casa e chega uma semana antes da edição mundial, marcada para 21 a 27 de setembro. As reservas são feitas pelo site do bar.

Três bartenders, um balcão só

A noite tem como fio condutor o Negroni, mas o desenho da ativação diz mais sobre o momento da coquetelaria baiana do que sobre o drink em si. Pietra Crispim, que integra o time do Purgatório, se formou na European Bartender School de Barcelona e venceu o Pato Preto Distillery Cocktail Championship de 2026. Lucas Tomáz Gómez e Max Galvão chegam pela Campari, dentro da programação que a marca desenhou para Salvador.

Colocar três profissionais em serviço simultâneo num balcão de speakeasy não é hospitalidade comum. É formato de evento de cena, o tipo de noite em que o cliente paga um drink e assiste a três repertórios diferentes trabalhando o mesmo clássico.

A casa que sempre viajou agora recebe

Há um detalhe que o calendário esconde. O Purgatório construiu boa parte da sua reputação nacional indo embora de Salvador: reuniu bartenders do Nordeste em São Paulo durante o Bar Convent Brasil e, em agosto deste ano, levou masterclass e guest bartender ao Hideout Speakeasy, em Santos. A casa é conhecida no circuito como quem visita.

A programação desta semana inverte o sinal. Quem chega é a Campari, e o balcão da Pituba vira destino. Para uma cidade que historicamente exporta talento em coquetelaria e importa pouca programação de marca, a diferença não é cosmética.

Por que antecipar uma semana

A Negroni Week 2026 chega à 14ª edição e acontece entre 21 e 27 de setembro. Criada em 2013 pela revista Imbibe em parceria com a Campari, a semana nasceu com dois objetivos simultâneos: celebrar o coquetel e transformar a venda dele em arrecadação para causas sociais, modelo que se espalhou para milhares de bares em dezenas de países.

O Purgatório optou por abrir antes. A escolha da terça-feira não é aleatória: 15 de setembro é o Dia do Cliente, e a casa amarrou as duas datas no mesmo evento. A leitura comercial é evidente, mas a leitura de cena também: antecipar significa não disputar atenção com a enxurrada de ativações que tomam o calendário nacional a partir do dia 21.

O clássico que não envelhece

Gin, Campari e vermute tinto em partes iguais. A fórmula do Negroni tem pouco mais de cem anos e resiste a todas as ondas da coquetelaria porque é, ao mesmo tempo, simples de montar e difícil de acertar. O amargo do Campari não perdoa desequilíbrio, e a escolha do gin e do vermute muda completamente o resultado no copo.

É justamente essa margem estreita que faz do drink um bom terreno para noites de guest. Com três bartenders no mesmo serviço, a graça está menos no drink servido e mais nas decisões de cada um sobre diluição, gelo, gin e casca.

negroni week 2026 em Salvador
Negroni – Purgatório Bar – Foto: Divulgação

O que mais acontece na casa

A programação especial começou nesta segunda-feira (14), com uma masterclass produzida pela Campari e conduzida por Max Galvão e Lucas Tomáz Gómez, voltada para profissionais do setor. A agenda do bar segue no dia 16 de setembro, com novas ativações ligadas à Negroni Week.

Serviço

Guest Bartender Campari no Purgatório
Quando: terça-feira, 15 de setembro, a partir das 19h Onde: Purgatório Bar, Rua Alexandre Herculano, 45, Pituba, Salvador Com: Pietra Crispim, Lucas Tomáz Gómez e Max Galvão Reservas: purgatoriobar.com.br Instagram: @purgatorio.bar

Perguntas Frequentes

Quando é a Negroni Week 2026?

A edição mundial da Negroni Week 2026 acontece de 21 a 27 de setembro. É a 14ª edição do evento, criado em 2013 pela revista Imbibe em parceria com a Campari.

Onde fica o Purgatório Bar em Salvador?

O Purgatório Bar fica na Rua Alexandre Herculano, 45, na Pituba, em Salvador. O bar funciona no formato speakeasy e as reservas são feitas pelo site purgatoriobar.com.br.

Precisa reservar para a noite de guest bartender?

Sim. As reservas para o Guest Bartender de 15 de setembro são feitas pelo site oficial do Purgatório Bar. A casa trabalha com capacidade reduzida, característica do formato speakeasy.

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KFC com Pinot Noir: o vinho saiu do pedestal

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De redes de frango frito a popstars, o vinho sai do pedestal e circula onde as pessoas estão

Sim, o KFC e o vinho se encontraram, e não foi uma vez só. No Japão, a rede fez uma parceria com a importadora Enoteca para indicar rótulos que combinam com o frango da casa, entre eles um Pinot Noir argentino. Em Londres, montou um bar temporário com vinho e balde de frango na mesma mesa. A sommelière Carol Souzah, colunista do Muito Gourmet, olhou para o episódio e viu menos uma piada de marketing e mais um sintoma: o vinho está deixando o pedestal e ocupando lugares, marcas e universos que até pouco tempo pareciam distantes dele. A seguir, a leitura dela sobre esse movimento e sobre o que muda quando a taça troca de endereço.

Frango frito KFC com Pinot Noir. Há alguns anos, talvez essa combinação parecesse uma provocação feita apenas para chamar atenção. Hoje, ela diz bastante sobre o momento que o vinho está vivendo.

KFC com Pinot Noir: por que todo mundo quer um pedaço do mundo do vinho

No Japão, o KFC se uniu à Enoteca para apresentar combinações entre produtos da rede e diferentes rótulos. Entre elas, estava a sugestão de servir o tradicional frango da marca com um Pinot Noir argentino. Segundo o comunicado do KFC Japão, a iniciativa retomava uma experiência anterior realizada no fim de 2025.

Em Londres, o KFC também promoveu uma experiência temporária, um bar chamado Coq au Vin, em parceria com a marca francesa La Vieille Ferme, conhecida nas redes como “chicken wine” por causa do galo e da galinha estampados no rótulo. Não se tratava da abertura de um bar permanente, mas de uma ação promocional de curta duração.

O mais interessante nessa história, para mim, nem é decidir se frango frito combina ou não com Pinot Noir. Mas, já que chegamos até aqui, faço uma ressalva.

Antes de pedir a garrafa, algumas perguntas

Antes que alguém ache que estou recomendando a harmonização, calma. Ela pode funcionar, sim, mas eu faria algumas perguntas antes de pedir a garrafa: que Pinot é esse? Como esse frango foi temperado? Tem molho? É mais picante, mais gorduroso? Harmonização depende muito desses detalhes. Então não digo que não funciona, apenas não seria uma combinação que eu escolheria no automático.

Só que esta coluna nem é sobre harmonização. O que me chamou atenção foi outra coisa: o vinho está cada vez mais presente em lugares, marcas e universos que antes pareciam muito distantes dele.

Snoop Dogg, Kylie Minogue, Jay-Z e o vinho como território de marca

E o KFC não está sozinho.

Em 2020, o Snoop Dogg entrou no mercado de vinhos com a 19 Crimes. Kylie Minogue transformou seu nome em uma marca que já vendeu milhões de garrafas. Jay-Z se associou ao Champagne Armand de Brignac.

Música, entretenimento, luxo, fast-food. O vinho circulando por todos esses lugares.

Os códigos continuam, a cerimônia é que afrouxou

Os códigos continuam existindo. A taça certa, a comida certa, a temperatura certa, o vocabulário certo. Tudo isso faz parte da técnica e ainda tem seu lugar. O que parece estar mudando é a seriedade com que a bebida precisa ser tratada o tempo todo. O problema não está na técnica, mas em transformá-la em uma barreira. Nem sempre o vinho precisa de uma cerimônia inteira para ser consumido. Em países onde faz parte do cotidiano, como a França, ele também é tratado como alimento: está presente nas refeições, sem que isso signifique servi-lo sempre na temperatura exata ou em uma taça de cristal. É simplesmente parte da vida.

O mercado mudou, e o consumidor também.

Hoje, o vinho disputa espaço com coquetéis, cervejas artesanais, bebidas prontas, produtos sem álcool e muitas outras opções. Precisa encontrar novas ocasiões de consumo e também novas formas de conversar com quem talvez nunca tenha se sentido convidado para esse universo.

Tirar a taça das mãos dos deuses gregos

É por isso que essas aproximações me interessam, porque sempre gostei da ideia de tornar o vinho uma bebida democrática e baseei meu trabalho como sommelière justamente nessa tentativa. Gosto de pensar em tirar a taça das mãos dos deuses gregos e colocá-la nas mãos de pessoas comuns, de todas as origens étnicas e também de diferentes condições financeiras.

Quando uma rede de frango frito fala de Pinot Noir, quando um rapper como Snoop Dogg lança uma marca de vinho ou quando uma cantora transforma seu nome em rótulo, existe marketing, obviamente. Mas existe também uma mudança de simbologia para muita gente que nunca viu o vinho como algo possível de consumir e entender.

O vinho deixa de aparecer apenas em restaurantes sofisticados, adegas especializadas e mesas mais formais e começa a circular por outros ambientes, outras linguagens e outras referências. Mesmo quando ainda está associado ao luxo, ele passa a ser apresentado por pessoas e culturas que ampliam a ideia de quem pode ocupar esse espaço.

Da alta gastronomia ao boteco

Isso não significa abrir mão de técnica, de qualidade ou de critério.

Significa apenas entender que uma garrafa não precisa esperar uma ocasião especial.

Vinho pode estar na alta gastronomia, no hambúrguer, na comida de rua ou num boteco como o Pirambeira, em Salvador, que mantém uma carta de vinhos para quem prefere uma taça à cerveja ou ao drink. E pode, claro, estar em casa numa terça-feira qualquer.

Talvez por isso tantas marcas e personalidades estejam olhando para esse mercado.

O vinho ainda carrega história, luxo, cultura e desejo, mas também começa a estar onde as pessoas estão.

tirando o vinho dos deuses
“Gosto de pensar em tirar a taça das mãos dos deuses gregos e colocá-la nas mãos de pessoas comuns”
por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.