Festa de 1º de novembro reúne estações de chefs de cinco estados, samba ao vivo e vinhos exclusivos
O Boia, restaurante do chef Kaywa Hilton no Horto Florestal, comemora cinco anos no domingo, 1º de novembro, com um festival que transforma o casarão da Rua José Avena em ponto de encontro de oito chefs vindos de cinco estados. Das 13h às 21h, estações gastronômicas assinadas por nomes como Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Origem, Claudia Krauspenhar, do K.Sa, e Caio Soter, do Pacato, dividem o espaço com o anfitrião, ao som de samba ao vivo e com vinhos da Cão Perdigueiro. O ingresso custa R$ 80 e garante apenas a entrada: comida e bebida são cobradas à parte.
Um aniversário que mede o tamanho do anfitrião
No ano passado, o Boia já havia aberto a varanda para uma festa no mesmo formato: estações gastronômicas, casa aberta o dia inteiro e oito chefs convidados, todos de Salvador. A conta deste ano se repete, oito convidados, mas o mapa mudou. Agora eles chegam de Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Santos e Santa CatarinaSanta Catarina.
A diferença diz mais sobre o Boia do que qualquer release. Em festas de aniversário de restaurante, a lista de convidados funciona como currículo do anfitrião: ninguém atravessa o país para cozinhar numa varanda alheia por protocolo. Atravessa por relação, por respeito ao trabalho do outro ou pelas duas coisas.
E o currículo está à vista. No ranking anual dos 100 melhores restaurantes do Brasil da revista Exame, divulgado em junho, o Boia ficou em 10º lugar, logo atrás de um bloco quase todo paulistano. Na mesma lista aparecem o Origem, em 4º, o K.Sa, em 19º, e o Pacato, em 35º, todos com chefs escalados para o domingo. É um pedaço do topo da gastronomia brasileira reunido, por um dia, num casarão do Horto.
Do Vale do Matutu ao Horto Florestal
A trajetória de Kaywa ajuda a explicar a rede que ele consegue mobilizar. Nascido no Vale do Matutu, no sul de Minas Gerais, cresceu entre a Normandia e Salvador e foi para Paris aos 17 anos. Passou mais de uma década circulando por cozinhas em diferentes países antes de abrir um endereço próprio.
Quando abriu, escolheu um tema que parece óbvio numa cidade de mar e que, ainda assim, pouca gente tratava com rigor: o peixe baiano. O Boia trabalha com pescados locais, frutos do mar frescos e técnicas de cura e maturação feitas numa câmara refrigerada visível logo na entrada da casa. A ideia, repetida pelo chef em entrevistas, é devolver ao baiano o peixe que ele já tem, tratado com técnica internacional e insumo regional, numa cadeia que aproxima a cozinha de produtores e pescadores.
A casa é tocada em dupla com a irmã, Thabata Hilton, sócia e responsável pela hospitalidade. A dupla também comanda o Maré, em Praia do Forte. E o Boia já apareceu por aqui em outra pauta: foi lá que nasceu o sorvete de queijo de cabra com favo de uruçu da Meldoyá, mel premiado do Recôncavo.
Quem está nas estações
Os convidados formam um retrato de diferentes registros da cozinha brasileira contemporânea:
Caio Soter, do Pacato, em Belo Horizonte
Cadu Evangelisti, do Broca, em São Paulo
Claudia Krauspenhar, do K.Sa, em Curitiba
Dário Costa, do Madê, em Santos
Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Origem, em Salvador
Mohamad Hindi, chef e comunicador, de São Paulo
Rubens Catarina, ex-D.O.M. e consultor de alimentos e bebidas, de Santa Catarina
Boia – Foto: Funway
O cardápio de cada estação não foi divulgado, e a graça do formato está justamente aí. Festivais desse tipo funcionam melhor como passeio do que como refeição: o público circula, prova, volta à estação que mais gostou e conversa com quem está do outro lado do balcão. Com o horário estendido até as 21h, dá para chegar no almoço e sair depois do pôr do sol.
Samba, vinho e a lógica do ingresso
A trilha fica com o grupo Fragmentos do Samba, que já animou a festa do ano passado, e com Nate Mônaco. Os vinhos vêm da Cão Perdigueiro, representada no evento por Arlindo Menoncin, com rótulos anunciados como exclusivos para a ocasião.
Vale entender o modelo antes de sair de casa. Os R$ 80 funcionam como passaporte de entrada, não como consumação. Cada estação e cada taça são pagas à parte, então o custo final depende de quantas paradas o visitante faz ao longo do dia. A pré-venda começou pelos canais do restaurante, e a reserva é feita pelo WhatsApp da casa.
Para Salvador, o domingo tem um significado que vai além do bolo. A cidade costuma exportar seus chefs para festivais no Sudeste. Desta vez, é o Sudeste e o Sul que sobem a ladeira do Horto.
Serviço
Aniversário de 5 anos do BoiaQuando: domingo, 1º de novembro de 2026, das 13h às 21h Onde: Boia Restaurante, Rua José Avena, 1, Horto Florestal, Salvador Ingresso: R$ 80 por pessoa (somente entrada; comida e bebida à parte) Reservas: WhatsApp (71) 99694-2630 Instagram: @boiarestaurante | @kaywa_hilton
Perguntas Frequentes
Quando é o aniversário do Boia em Salvador?
A festa de cinco anos do Boia acontece no domingo, 1º de novembro de 2026, das 13h às 21h, no restaurante, na Rua José Avena, 1, Horto Florestal. O evento reúne oito chefs convidados de cinco estados, samba ao vivo e vinhos da Cão Perdigueiro.
Quanto custa o ingresso e o que está incluído?
O ingresso custa R$ 80 por pessoa e dá direito apenas à entrada no evento. As comidas das estações gastronômicas e as bebidas são cobradas à parte. A compra é feita pelo WhatsApp (71) 99694-2630.
Quem são os chefs convidados do aniversário do Boia?
Caio Soter (Pacato, BH), Cadu Evangelisti (Broca, SP), Claudia Krauspenhar (K.Sa, Curitiba), Dário Costa (Madê, Santos), Fabrício Lemos e Lisiane Arouca (Origem, Salvador), Mohamad Hindi (SP) e Rubens Catarina (ex-D.O.M., SC). O anfitrião é o chef Kaywa Hilton.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Mixologista e sommelier de cerveja, Dan Morais reúne bares do 50 Best, bodegones, charutos e um bate-volta a Tigre
Buenos Aires tem dois bares da lista The World’s 50 Best Bars a poucos quarteirões um do outro, em Palermo, e isso diz muito sobre a cidade que o mixologista e sommelier de cerveja Dan Morais, colunista quinzenal do Muito Gourmet, escolheu para abrir um roteiro em duas partes. Nesta primeira, são onze paradas que fogem do circuito parrilla, empanada e Malbec: um casarão de 1922 restaurado na Recoleta, uma carta inteira de coquetéis sem álcool em Palermo Chico, o Barrio Chino de Belgrano, um speakeasy escondido atrás de um restaurante de sushi, um rooftop para charutos e um bate-volta até Tigre. É o guia de quem conhece a cidade pelo balcão.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade
Buenos Aires é daquelas cidades que sempre sobra alguma coisa para fazer na próxima viagem: seja um restaurante que ficou na lista, um bar descoberto por acaso ou uma rua que você resolveu seguir sem saber onde iria dar. Entre suas avenidas movimentadas, construções históricas, livrarias, cafés e uma cena gastronômica que parece não parar de crescer, a capital argentina oferece muito mais do que as tradicionais parrillas, empanadas e taças de Malbec.
Quem visita a cidade pela primeira vez costuma dividir os dias entre Caminito, San Telmo, Recoleta, Palermo, o Obelisco e alguns outros pontos turísticos. Mas, para mim, uma das melhores formas de conhecer Buenos Aires é justamente aproveitar essas andanças para descobrir onde os portenhos comem, bebem e se encontram. Nem sempre é preciso cruzar a cidade para fazer uma boa refeição ou tomar um excelente drink. Às vezes, o lugar que merece entrar no seu roteiro está a poucos metros de onde você já pretendia passar.
E como nem sempre temos tempo para conhecer tudo, resolvi reunir alguns dos lugares que mais gosto e acho legais para quem quer aproveitar melhor a viagem, seja numa primeira visita, seja naquele retorno já mais familiarizado com a cidade. Nesta primeira parte, são onze paradas que vão de pequenos estabelecimentos de bairro a alguns dos bares mais renomados do mundo, passando por casarões históricos, uma excelente seleção de cervejas, um rooftop para os amantes de charutos e até um passeio fora da capital.
Recoleta e Palermo Chico: história, arquitetura e boas experiências à mesa
Mansión Mihura
Se você pretende visitar a Floralis Genérica, conhecer a região da Recoleta ou simplesmente caminhar por uma das áreas mais bonitas de Buenos Aires, vale reservar um tempo para a Mansión Mihura. Inaugurado em 2026 em sua nova fase gastronômica, o espaço ocupa uma residência construída em 1922 pelo arquiteto Eduardo Lanús para a família Mihura. O casarão passou por uma restauração que preservou sua história e o transformou em um endereço dedicado à gastronomia, à coquetelaria e aos encontros.
Integrada ao Recoleta Grand Hotel, a mansão reúne quatro propostas: The Atrium, uma brasserie portenha que funciona desde o café da manhã; The Dining Room, com a cozinha autoral de Maximiliano Matsumoto; The Parlor Bar, dedicado à coquetelaria; e The Club, que acrescenta música e programação noturna à experiência. Embora seja possível visitar o espaço para um café ou brunch, minha recomendação é conhecer a casa também à noite. A iluminação, a arquitetura e o cuidado com o atendimento ajudam a construir uma experiência que vai além da gastronomia. Com Juani Bardon (ex-chefe de bar do Punto Mona) na barra, a hospitalidade já foi um diferencial: as sugestões foram sensacionais e o que mais gostei foi o La Mula (Chivas 12, Ardbeg 10, limão, gengibre e gaseificado posteriormente). É uma oportunidade de conhecer um pedaço da Buenos Aires do início do século passado que encontrou uma maneira interessante de continuar fazendo parte da vida da cidade.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Mansión Mihura – Fotos por Dan Morais
Casa Cavia
Seguindo em direção a Palermo Chico, especialmente para quem pretende conhecer o MALBA ou caminhar pelas ruas arborizadas da região, vale incluir a Casa Cavia. Instalada numa residência histórica, a casa reúne gastronomia, café, coquetelaria e um belo jardim interno, daqueles que convidam a prolongar a visita. É uma excelente opção tanto para o café da manhã e brunch quanto para uma refeição mais demorada, com um serviço atento aos detalhes.
Um dos grandes diferenciais está no trabalho da bartender Flavia Arroyo, responsável por uma coquetelaria que também dedica enorme atenção às bebidas sem álcool. O projeto Prototipo Cero apresenta uma carta inteira de coquetéis não alcoólicos, com bases desenvolvidas na própria casa, técnicas contemporâneas e combinações que não ficam devendo em complexidade às versões alcoólicas. Para quem prefere um bom chá, há também uma seleção excelente, inclusive com curadoria de Inés Berton. O meu drink favorito foi o House Club (Cognac Zero com Cogumelos, Mix de Framboesas e Grenadine, Limão, Cereja e Rosas), que casou muito bem com uma tostada de abóboras, queijo vegano, dill e mostarda. É um lugar onde a experiência de beber bem não depende necessariamente da presença de álcool.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Casa Cavia – Fotos por Dan Morais
Belgrano: uma viagem pela Ásia sem sair de Buenos Aires
Barrio Chino e Palitos
Outro passeio que merece entrar no roteiro é o Barrio Chino, em Belgrano. A região reúne supermercados, pequenos restaurantes, lojas de produtos asiáticos e barracas de comida de rua, sendo um daqueles lugares onde a melhor coisa a fazer é caminhar sem muita pressa (acredite, aqui você perde a noção do tempo). Aproveite para experimentar algumas comidinhas pelo caminho, entrar nos mercados e garimpar temperos, snacks, bebidas e ingredientes que muitas vezes custam bem menos do que encontraríamos no Brasil. Há uma variedade enorme de produtos, inclusive alguns que dificilmente aparecem nas prateleiras dos nossos supermercados.
Na hora de comer, uma das minhas indicações é o Palitos, pequeno restaurante de culinária chinesa e taiwanesa: sem grandes formalidades, o lugar tem aquele perfil de restaurante de bairro onde o mais importante continua sendo a comida. Os pratos são bem servidos e há também menu executivo, mas eu não deixaria de pedir a Sopa de Carne (com macarrão, extremamente aromática e saborosa) e os Dumplings de Porco (no vapor, com um molho sensacional). É uma ótima maneira de fazer uma refeição durante o passeio, especialmente para quem gosta de explorar diferentes preparos da cozinha asiática sem precisar necessariamente procurar um restaurante sofisticado.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Palitos – Fotos por Dan Morais
Kōnā
Mas, se a ideia for prolongar a visita a Belgrano e transformar o passeio em um jantar, vale conhecer o Kōnā, projeto de Narda Lepes e Inés de los Santos. Inaugurado em 2023 e selecionado pelo Guia Michelin, o restaurante apresenta uma cozinha japonesa que valoriza técnicas e preparações tradicionais, num ambiente em que a arquitetura também chama atenção. A coquetelaria merece destaque, especialmente no bar do andar superior, que pode funcionar tanto como ponto de partida quanto como encerramento da refeição. O Beef Tataki (com gema curada) e o Tempurá de Lagostin (com crème de abacate) são de outro mundo, mas o Ash (Gin, Shochu, Blend de Vermutes com Gergelim Torrado e Picles de Bambu) é um clássico da carta que precisa ser provado. Outro ponto que amei e vale demais se estiver em grupo: há um karaokê numa parte reservada do restaurante, se quiser quebrar o clima mais formal. Uma ótima escolha para quem quer jantar bem e aproveitar a noite sem precisar voltar imediatamente para Palermo.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Kōnā – Fotos por Dan Morais
Palermo: uma das melhores cenas de coquetelaria do mundo
Palermo concentra alguns dos endereços mais interessantes da gastronomia e da coquetelaria argentina. Entre lojas, cafés, galerias e restaurantes, é fácil reservar uma tarde para passear e perceber que o bairro também merece uma noite inteira. Principalmente quando falamos de drinks. Dois estabelecimentos ajudam a explicar por que Buenos Aires conquistou tanto espaço no cenário internacional: Tres Monos e Cochinchina, que figuram há alguns anos na lista The World’s 50 Best Bars. Mas, embora dividam o reconhecimento internacional, oferecem experiências bastante diferentes.
Tres Monos
O Tres Monos, em Palermo Soho, foge daquela imagem de coquetelaria sofisticada em que tudo parece exigir silêncio e formalidade: o ambiente é descontraído, a música tem presença e a proposta reúne técnica, criatividade e uma relação muito próxima com a identidade argentina. O trabalho de Sebastián Atienza e Gus Vocke com ingredientes locais, produtores e bebidas desenvolvidas pela própria equipe ajuda a construir uma coquetelaria que não depende apenas de apresentações elaboradas para surpreender. Da última carta, o drink que mais gostei foi o Kiwin Gancia (Gin Príncipe de los Apóstoles, Americano Gancia, Erva Mate, Kiwi, Suco), que representa bastante os ingredientes locais. É um daqueles bares que conseguem ser relevantes internacionalmente sem perder a personalidade, com uma atmosfera onde o balcão e o contato com os bartenders fazem parte da experiência (o que faz ser minha parada obrigatória em Buenos Aires).
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Tres Monos – Fotos por Dan Morais
Cochinchina
Já o Cochinchina, comandado pela mixologista Inés de los Santos (a mesma do Kōnā), segue outro caminho: com referências da cozinha vietnamita e influências francesas, o espaço combina gastronomia, coquetelaria e uma ambientação marcante. As cores, a decoração e os diferentes ambientes criam um cenário que dialoga diretamente com o que chega à mesa e ao copo. Vale tanto para jantar quanto para dedicar a noite aos drinks, especialmente se você gosta de descobrir como ingredientes, aromas e diferentes referências culturais podem aparecer numa mesma experiência. O Es Muy Japo (Gin, Doburoku Sake, Cordial de Mirin, Tuile de Wasabi), o meu favorito, e o Jazmin Shangai (Whisky Chivas Mizunara, Umeshu, Chá de Jazmin) retratam bem a atmosfera da casa, além de combinarem bem com variados pratos da casa. É um endereço que mostra como a gastronomia e a coquetelaria podem caminhar juntas, sem que uma precise funcionar apenas como complemento da outra.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Cochinchina – Fotos por Dan Morais
Nicky Harrison
Se ainda houver disposição para continuar a noite, inclua o Nicky Harrison. Escondido atrás de um restaurante de culinária japonesa, o bar segue o conceito dos speakeasies, inspirado nos estabelecimentos secretos dos Estados Unidos durante a Lei Seca. Luz baixa, decoração que remete à Nova York dos anos 1920, jazz e uma atmosfera intimista fazem dele uma opção interessante para quem prefere terminar a noite com um bom coquetel, sem tanta pressa de voltar ao hotel. Não saia sem beber o Moonshiner (Chivas 12 em Fat Wash de Milho e Especiarias, Limonada de Cevada e Maple, Espuma de Humita). É também uma boa escolha para um programa a dois, especialmente para quem gosta de lugares onde o ambiente tem tanta importância quanto a carta de bebidas.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Nicky Harrison – Fotos por Dan Morais
Bodega de Cervezas (Beer Cellar)
E, como nem só de coquetéis vive uma viagem, Palermo reserva um dos meus endereços favoritos para quem gosta de cerveja: a Bodega de Cervezas (Beer Cellar). Para mim, é o melhor lugar para beber cerveja em Buenos Aires: não apenas pela quantidade de rótulos disponíveis, mas principalmente pela curadoria feita por Martín, proprietário do estabelecimento. A seleção contempla algumas das melhores cervejas artesanais argentinas, além de exemplares internacionais que fazem qualquer apaixonado pelo assunto querer olhar cada prateleira com calma.
A Bodega é pequena, intimista e tem algo que considero cada vez mais raro: o clima de um lugar onde as pessoas realmente se encontram para conversar sobre cerveja. Muitos clientes já se conhecem (inclusive fiz bons amigos lá), Martín compartilha informações sobre os rótulos e, entre uma garrafa e outra, a visita pode durar muito mais do que o planejado. Sempre disponíveis, gosto muito das sours da Jabalina e das cervejas da Juguetes Perdidos e Tuut (ambas com um trabalho exímio de envelhecimento em barris), mas é só perguntar a Martín que ele encontrará a cerveja perfeita para você. É um endereço que recomendo sem pensar duas vezes, tanto para beber por lá quanto para descobrir cervejas que merecem voltar na mala.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Bodega de Cervezas (Beer Cellar) – Fotos por Dan Morais
Centro: boa comida, Avenida Corrientes e charutos
Las Cañas
Se o seu passeio passar pelo Obelisco, pela Avenida Corrientes ou pela região dos teatros, há um restaurante ao qual sempre gosto de voltar: o Las Cañas, localizado no Paseo La Plaza. Com aquela atmosfera de bodegón portenho, o estabelecimento aposta numa cozinha tradicional, com pratos generosos, atendimento de quem conhece a casa e uma relação entre preço e qualidade cada vez mais difícil de encontrar em grandes centros turísticos.
É um daqueles lugares em que não é preciso inventar muita coisa para comer bem. A comida é boa, as porções são fartas e os preços continuam bastante justos. Aqui eu gosto de pedir comida portenha clássica: algo da parrilla, empanadas (aqui tenho certeza de que não possuem lactose) e vinho, sem erro e sempre bom. Uma dica é perguntar pelas condições de pagamento em efectivo, como os argentinos chamam o dinheiro em espécie, já que podem existir descontos nessa modalidade. Depois da refeição, aproveite para caminhar pela Corrientes, observar o movimento dos teatros, entrar numa livraria ou simplesmente continuar descobrindo o centro. Para mim, Las Cañas é parada quase obrigatória em Buenos Aires.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Las Cañas – Fotos por Dan Morais
Piso 15 Sky Bar
Ainda na região central, mas com uma proposta completamente diferente, o Piso 15 Sky Bar, no Edifício Comega, merece atenção especial dos amantes de charutos. Localizado no 15º andar, o rooftop oferece uma bela vista de Buenos Aires, com gastronomia, bebidas e uma programação que também inclui música e festas. Entretanto, o grande diferencial, pelo menos para quem aprecia o universo dos puros, está na área dedicada aos charutos.
O espaço possui um amplo humidor com uma seleção de charutos cubanos e de outras origens, além de ambientes onde é possível aproveitar a experiência com mais tranquilidade. O aroma característico dos charutos, a iluminação e a vista da cidade criam uma combinação bastante particular. Se escolher um charuto de entrada, harmonize com o Yogyakarta (Gin, Rum Flor de Caña, Limão, Maracujá, Horchata de Arroz e Cúrcuma), já para charutos mais encorpados, vá de Dirty & Smoky (Dry Martini da casa, defumado com Cedro e Alecrim). Mesmo para quem não fuma, é um endereço interessante para conhecer um rooftop diferente dos mais convencionais e, para os aficionados, pode facilmente se transformar em uma das visitas mais memoráveis da viagem.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Piso 15 Sky Bar – Fotos por Dan Morais
Tigre: quando vale a pena sair um pouco da capital
E se você tiver um dia disponível, mesmo numa viagem relativamente curta, recomendo considerar um bate-volta até Tigre. Localizada a cerca de 30 quilômetros de Buenos Aires, a cidade oferece uma mudança completa de cenário, trocando as avenidas movimentadas por rios, canais, embarcações e uma paisagem que revela outra face da região. O passeio pode ser feito de forma independente, utilizando o trem da linha Mitre a partir da estação Retiro, com percurso que normalmente leva cerca de 50 minutos.
Minha sugestão é sair pela manhã, caminhar pela cidade, conhecer o Puerto de Frutos (e comer um vacío no Los Isleños, parrilla tradicional localizada lá), visitar os pequenos comércios e reservar algum tempo para navegar pelos canais do Delta do Paraná. Dependendo do ritmo, ainda dá para almoçar com calma, tomar um sorvete na Il Fiume (que recomendo escolher alguma fruta da estação), aproveitar a paisagem e retornar a Buenos Aires no fim da tarde ou começo da noite, sempre conferindo os horários dos trens e, enquanto espera, ainda beber uma cerveja artesanal jogando no fliperama do Rock And Beer (ao lado da estação).
Tigre não precisa ser uma viagem dentro da viagem, com hospedagem e uma programação complicada. Pode ser simplesmente aquele dia em que você decide conhecer algo diferente, comer bem, descobrir outro ritmo e voltar à capital com a sensação de ter visto muito mais do que esperava.
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)Tigre – Fotos por Dan Morais
Uma cidade que sempre merece outra visita
O melhor de Buenos Aires talvez seja justamente essa facilidade de combinar experiências tão diferentes num mesmo roteiro. Num dia, um passeio pela Recoleta termina num casarão restaurado; no outro, uma caminhada por Belgrano vira uma descoberta de sabores asiáticos. Palermo oferece alguns dos melhores bares do mundo, enquanto o centro preserva restaurantes onde a boa comida e a hospitalidade continuam falando mais alto do que qualquer tendência.
Estas onze indicações são apenas uma parte do que a cidade oferece e não precisam ser cumpridas como uma lista de obrigações: a ideia é que sirvam de companhia para os passeios, ajudando a escolher onde parar, o que conhecer e quais experiências merecem um pouco mais do seu tempo.
Porque, em Buenos Aires, sempre vai existir outro restaurante para conhecer, uma cerveja que ainda não foi provada e um balcão esperando a próxima conversa. E é justamente por isso que esta viagem ainda merece uma segunda parte: então prepare suas malas que logo vem a parte 2!
Buenos Aires além do óbvio: 11 paradas para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 1)
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Sommelière Carol Souzah percorre a ProWine São Paulo e encontra um Brasil que deixou de ser só consumidor de vinho
A ProWine 2026 em São Paulo, encerrada em 8 de outubro, chegou à sétima edição com números de feira grande: dois pavilhões do Expo Center Norte ocupados pela primeira vez e mais de 2 mil produtores de 43 países. Entre eles estava a baiana UVVA, de Mucugê, na Chapada Diamantina, que levou à feira um Chardonnay elaborado com leveduras nativas. A sommelière Carol Souzah, colunista quinzenal do Muito Gourmet, circulou pelos corredores e voltou com uma leitura que vai além da taça: o Brasil deixou de ser apenas mercado e passou a disputar protagonismo no mapa mundial do vinho. Do branco japonês ao vinho de ânfora da Vidigueira, ela conta o que viu.
Muito além da taça: os sabores, negócios e caminhos que movimentaram a ProWine 2026
É impossível circular pelos corredores da ProWine São Paulo e não perceber que alguma coisa está mudando no mercado brasileiro de vinhos. E não falo apenas da quantidade de rótulos disponíveis para degustação. Falo dos estandes movimentados, das conversas em diferentes idiomas, da presença de novos produtores e, principalmente, de um Brasil que começa a ocupar um lugar cada vez mais importante no mapa mundial do vinho.
Estive na edição de 2026, realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo, a convite da Del Maipo Wines. Foram dias de muitas degustações, encontros e descobertas, mas também de observação. Afinal, uma feira desse porte diz muito sobre o presente e, sobretudo, sobre o futuro do setor.
De Provino a dois pavilhões
Para entender a dimensão desse crescimento, vale olhar um pouco para trás. A ProWine São Paulo nasceu em 2019, inicialmente com o nome Provino, inspirada na tradicional ProWein de Düsseldorf, na Alemanha. Desde então, ganhou musculatura. Em 2022, recebeu mais de 8 mil profissionais. Em 2024, foram 15 mil visitantes. Em 2025, ultrapassou a marca de 20 mil, reunindo mais de 1.500 marcas de 36 países.
Em 2026, a ProWine São Paulo chegou à sua sétima edição em uma dimensão inédita. Pela primeira vez, ocupou dois pavilhões do Expo Center Norte, reunindo, segundo os números anunciados pela organização, mais de 2 mil produtores de 43 países. Uma expansão que impressiona, especialmente quando lembramos que, poucos anos atrás, a feira ainda dava seus primeiros passos no Brasil.
E esse crescimento não acontece por acaso. Ele acompanha o interesse cada vez maior do mercado internacional pelo consumidor brasileiro, que vem ampliando seu repertório e descobrindo novas formas de apreciar o vinho. Em 2025, o setor movimentou R$ 21,1 bilhões, segundo dados divulgados pela organização do evento. Há também um consumidor mais curioso, interessado em novas uvas, regiões pouco conhecidas e estilos que fogem dos tradicionais tintos encorpados.
O Brasil deixa de ser só consumidor
Mas uma das cenas que mais me chamaram a atenção nesta edição foi a força da presença brasileira. E aqui faço questão de destacar: não estou falando apenas das grandes importadoras, mas de vinícolas nacionais apresentando seus próprios vinhos, terroirs e histórias.
Entre os nomes presentes estavam Miolo, Casa Valduga, Aurora, Pizzato e UVVA, esta última, da nossa Chapada Diamantina, na Bahia, com um estande lindíssimo, que chamava a atenção pela beleza e pela identidade. Foi especialmente prazeroso ver uma vinícola baiana ocupando esse espaço de destaque em uma feira internacional.
Estandes movimentados, rótulos cada vez mais interessantes e uma diversidade de regiões produtoras que confirma o amadurecimento da nossa vitivinicultura. O vinho brasileiro já não pode ser resumido aos espumantes da Serra Gaúcha, por mais importantes e excelentes que sejam. Hoje, temos produções relevantes em diferentes estados, novos terroirs sendo explorados e produtores que apostam em identidade, pesquisa e inovação.
E há um dado especialmente significativo: segundo a organização, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil foi o país com o maior número de estandes na feira. Isso diz muito sobre o momento que estamos vivendo. Nossa produção não está apenas crescendo, está ganhando confiança, visibilidade e reconhecimento. O Brasil já não ocupa somente o lugar de consumidor nesse grande encontro mundial do vinho. É também protagonista.
Do Japão, uma surpresa na taça
E por falar em outros países, uma das minhas descobertas mais curiosas veio do Japão. Sim, vinho japonês! Entre tantas regiões tradicionais, encontrei uma produção que ainda é pouco conhecida do público brasileiro. Provei um branco que me agradou especialmente e me fez lembrar por que gosto tanto desse universo: sempre existe algo novo para descobrir.
O Japão vem desenvolvendo uma vitivinicultura bastante particular, com castas como a Koshu, conhecida por produzir brancos delicados, além de investir em variedades internacionais e em vinhos de mínima intervenção. É fascinante perceber como países que raramente associamos ao vinho estão construindo suas próprias expressões.
Uma feira que virou experiência
Outra percepção que trouxe desta edição é que a ProWine deixou de ser apenas um grande espaço de exposição e negociação. Continua sendo uma feira essencialmente profissional, claro, mas hoje proporciona uma experiência muito mais completa.
Há espaços de gastronomia, encontros, degustações especiais, aulas, conversas com produtores e oportunidades de aprendizado que ultrapassam a simples apresentação comercial de um rótulo. E isso faz toda a diferença. O vinho ganha valor quando conhecemos sua origem, entendemos suas escolhas de produção e encontramos as pessoas que estão por trás da garrafa.
Um bom exemplo foi o estande da Del Maipo Wines, com uma estrutura de dois andares. No piso principal, um grande espaço dedicado às degustações e ao relacionamento com clientes e profissionais. No andar superior, uma programação de masterclasses e degustações conduzidas por enólogos e representantes de vinícolas durante os três dias de evento.
Essa aproximação entre quem produz e quem vende é fundamental. Afinal, nosso trabalho não é apenas apresentar vinhos, mas transmitir conhecimento, despertar interesse e construir uma relação entre o consumidor e aquilo que está na taça.
Ânfora, uma técnica que atravessa séculos
Entre os vinhos que mais me surpreenderam nesta edição, merece destaque um branco português da Vidigueira, elaborado em ânfora. Uma experiência especialmente interessante pela utilização de uma técnica ancestral de vinificação, que atravessa séculos e continua encontrando espaço entre produtores contemporâneos.
O que fica depois da ProWine
Voltei da ProWine com a impressão de que o mercado brasileiro está vivendo uma transformação importante. Há mais diversidade, produtores nacionais ganhando visibilidade e profissionais cada vez mais interessados em conhecimento. Ainda temos desafios, sobretudo quando falamos em tornar o vinho mais acessível e presente na vida dos brasileiros. Mas é impossível ignorar o quanto já avançamos.
Talvez o que mais me entusiasme em uma feira como essa seja justamente perceber que o vinho continua em movimento. Novas regiões aparecem, técnicas antigas são revisitadas, estilos ganham espaço e novas histórias chegam às nossas taças.
E, para quem trabalha com vinho, poucas coisas são tão estimulantes quanto descobrir que, mesmo depois de tantas garrafas abertas, ainda existe um mundo inteiro por conhecer.
Perguntas Frequentes
Quando aconteceu a ProWine São Paulo 2026?
A ProWine São Paulo 2026 aconteceu de 6 a 8 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Foi a sétima edição da feira, a primeira a ocupar dois pavilhões, com mais de 2 mil produtores de 43 países. O evento é voltado exclusivamente a profissionais do setor.
Quais vinícolas brasileiras participaram da ProWine 2026?
Entre as vinícolas nacionais presentes estavam Miolo, Casa Valduga, Aurora, Pizzato e a baiana UVVA, de Mucugê, na Chapada Diamantina. A UVVA apresentou na feira uma nova versão do seu Chardonnay Microlote, elaborado com leveduras nativas.
Existe vinho produzido no Japão?
Sim. O Japão tem uma vitivinicultura própria e ainda pouco conhecida no Brasil, com destaque para a casta Koshu, que origina brancos delicados. O país também cultiva variedades internacionais e produz vinhos de mínima intervenção.
O que é vinho de ânfora?
É o vinho fermentado em grandes recipientes de barro, técnica milenar que voltou a interessar produtores contemporâneos. No Alentejo, em Portugal, onde fica a Vidigueira, essa tradição é conhecida como vinho de talha.
A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.
Projeto Chefs na Rua Chile estreia em 21 de outubro no Fera Palace e celebra a nova fase da via histórica
O Arento, restaurante do Fera Palace Hotel, abre em 21 de outubro o Chefs na Rua Chile, projeto do Grupo Fera que vai reunir chefs de Salvador em jantares dedicados à via considerada a primeira rua do Brasil. A estreia é um jantar a seis mãos, às 19h30, em que o chef Peu Mesquita recebe Leila Carreiro, do Dona Mariquita, e Ricardo Silva, do Silva Cozinha. O menu é fixo, com seis tempos, e as reservas são feitas por WhatsApp ou e-mail.
A rua que voltou a cozinhar
Aberta junto com a fundação de Salvador e rebatizada no início do século 20 em homenagem à visita de uma esquadra chilena, a Rua Chile passou décadas como endereço de prestígio, depois como corredor de passagem, e agora vive uma terceira encarnação. Desta vez, a âncora é a cozinha.
Os movimentos recentes se acumulam em poucos metros de calçada. O Fera Palace, hotel Art Déco de 1934 que já hospedou Carmen Miranda, Pablo Neruda e Orson Welles, reformulou sua operação de restaurantes e abriu o Arento. O Silva Cozinha deixou o Rio Vermelho em fevereiro e reabriu na Rua Chile, com o dobro do espaço, wine bar e janela para a Baía de Todos-os-Santos. E o vizinho Villa Andrea entrou no mapa da hospitalidade de luxo com operação gastronômica assinada pelo Grupo Origem.
É desse cenário que o projeto quer dar conta. “O intuito é a valorização da Rua Chile. Queremos celebrar o momento que vivenciamos, a renovação e a referência em cozinhas autorais. Vamos comemorar esse novo cenário soteropolitano da primeira rua do Brasil”, diz Peu Mesquita.
O desenho, porém, vai além da vizinhança. O Chefs na Rua Chile funciona menos como reunião de quem mora ao lado e mais como convite: a rua abre a mesa e chama cozinhas de toda a cidade para sentar nela. A presença de Leila Carreiro na estreia deixa isso claro.
Três cozinhas, três linguagens
O que torna a primeira edição interessante é a distância entre os repertórios. Cada chef chega com um vocabulário próprio, e o jantar a seis mãos obriga os três a conversar.
Peu Mesquita: o mar como protagonista
Chef executivo do Fera Palace e do Arento, Peu Mesquita é diplomado pelo Instituto Italiano de Culinária e tem no currículo o Piazza Duomo, em Alba, no Piemonte, casa de três estrelas Michelin comandada por Enrico Crippa, além do D.O.M., de Alex Atala, em São Paulo, com duas estrelas. Em Salvador, assinou o Vona, na Graça, aberto em 2019 pelo Grupo Soho, parceiro do Fera na operação atual. No Arento, trabalha uma cozinha de pescados e frutos do mar com sotaque do sul da Itália e ingrediente baiano. É o anfitrião e, de certo modo, o eixo técnico da noite.
Leila Carreiro: a Bahia como patrimônio
Fundadora e chef do Dona Mariquita, Leila Carreiro construiu uma das cozinhas mais coerentes da cidade em torno de uma ideia simples e difícil: tratar a comida baiana como patrimônio. O trabalho dela resgata receitas de feira, de tabuleiro e de barraca de rua, com as influências africanas que formam a mesa do estado. Em 2026, o Dona Mariquita voltou a aparecer na lista da Casual EXAME entre os 100 melhores restaurantes do Brasil. Num jantar dentro de um hotel de luxo, a presença dela é também uma afirmação sobre de onde vem a cozinha que a Rua Chile celebra.
Ricardo Silva: brasa e fumaça
Paulista com formação em cozinha de fogo na Argentina, Ricardo Silva passou oito anos à frente do Carvão, no Chame-Chame, casa que ajudou a fundar e que virou referência de brasa em Salvador. No Silva Cozinha, levou a técnica para ingredientes brasileiros e um repertório mais autoral. Na Rua Chile, é o anfitrião da casa ao lado, o que dá à noite um certo sabor de encontro de vizinhos.
O resultado provável é um menu que vai do mar à brasa, passando pela memória baiana. Os seis tempos ainda não foram divulgados.
Como funciona o jantar
Cada edição do Chefs na Rua Chile terá menu especial e fixo, criado pelo chef Peu Mesquita em conjunto com os convidados. Na estreia, são seis tempos, com harmonização oferecida à parte. O jantar acontece no Arento, no térreo do Fera Palace, e a reserva antecipada é o caminho mais seguro, dado o formato de menu único e noite única.
Serviço
Chefs na Rua Chile | Jantar a Seis Mãos Quando: quarta-feira, 21 de outubro, às 19h30 Onde: Arento, Fera Palace Hotel, Rua Chile, 20, Centro Histórico, Salvador Chefs: Peu Mesquita (anfitrião), Leila Carreiro (Dona Mariquita) e Ricardo Silva (Silva Cozinha) Menu: degustação em seis tempos, R$ 320 por pessoa Harmonização: + R$ 180 por pessoa Taxa de serviço: 15% Reservas:WhatsApp ou reservas@ferahoteis.com
Perguntas Frequentes
O que é o projeto Chefs na Rua Chile?
É uma série de jantares criada pelo Grupo Fera no Arento, restaurante do Fera Palace Hotel, para celebrar a Rua Chile, considerada a primeira rua do Brasil, e sua nova fase como polo gastronômico de Salvador. Cada edição reúne o chef Peu Mesquita e chefs convidados em um menu fixo.
Quando acontece o primeiro jantar a seis mãos no Arento?
Na quarta-feira, 21 de outubro, às 19h30, no Fera Palace Hotel, na Rua Chile, 20, Centro Histórico. Os chefs convidados são Leila Carreiro, do Dona Mariquita, e Ricardo Silva, do Silva Cozinha.
Quanto custa e como reservar o jantar Chefs na Rua Chile?
O menu degustação de seis tempos custa R$ 320 por pessoa, com harmonização opcional por mais R$ 180, além de 15% de taxa de serviço. As reservas são feitas pelo WhatsApp (71) 3036-9202 ou pelo e-mail reservas@ferahoteis.com.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Entre vinhos, fermentados de frutas, destilados, licores e cervejas, o Brasil oferece ótimas possibilidades para presentear, conhecer produtores e levar novos sabores à mesa.
Bebidas para presentear? Escolher uma bebida para dar de presente costuma começar pela prateleira e terminar no preço. Dan Morais, gastrônomo, mixologista, sommelier de cerveja e colunista quinzenal do Muito Gourmet, propõe inverter a ordem: primeiro a pessoa, depois a garrafa. Na coluna desta quinzena, ele monta um roteiro de presentes que passa por vinhos da Chapada Diamantina, fermentados de frutas brasileiras, destilados e licores baianos e cervejas artesanais da Bahia, sempre com atenção a quem produz. Por transparência, o próprio Dan declara no texto sua relação com parte das marcas citadas: é embaixador da Pato Preto e da Royal Charlotte e participou da criação do KORY Soju.
Uma boa garrafa é um presente com história: o que levar para o próximo brinde!
Quando penso em presentear alguém com uma bebida, sempre tento pensar primeiro na pessoa que vai ser presenteada! Claro que reparo na garrafa, apresentação e no preço, mas, como profissional de bebidas, começo a pensar em como aquela escolha vai fazer parte da vida da pessoa: ela gosta de preparar drinks, costuma abrir um vinho no jantar, prefere cerveja artesanal ou é daquelas que gostam de uma bebida docinha depois de comer? Parece uma pergunta simples, mas faz diferença, porque escolher algo que combine com o gosto de alguém é uma forma de mostrar que prestamos atenção nos detalhes.
Gosto também de aproveitar esse momento para apresentar um produtor específico, um ingrediente inusitado ou algo que represente uma região. Temos bastante coisa interessante na Bahia e em outras partes do Brasil para fazer isso, desde vinhos produzidos na Chapada Diamantina até fermentados de frutas, licores e cervejas artesanais que podem ser comprados diretamente de quem produz. Saber um pouco sobre a origem e a proposta da bebida ajuda a escolher e ainda rende uma boa conversa na hora de entregar o presente.
Vinhos e fermentados de frutas
Para quem gosta de vinho, a produção baiana merece entrar nas possibilidades. Na Chapada Diamantina, a UVVA, em Mucugê, e a Reconvexo, em Morro do Chapéu, oferecem oportunidades de conhecer o que vem sendo feito na região. Na UVVA, há opções como o branco Viognier (um dos meus favoritos) e os tintos Cordel e Bateia; na Reconvexo, o VV Barriguda Syrah é um rótulo bem legal para beber. Eu partiria do que a pessoa já costuma beber para escolher uma garrafa que desperte sua curiosidade, levando em conta suas preferências e a ocasião. As duas vinícolas têm venda on-line, e a UVVA também conta com seu lounge no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico de Salvador.
Para quem se interessa por outras frutas na taça, a Companhia dos Fermentados, de São Paulo, faz um trabalho brilhante e tem uma ótima seleção com borbulhantes de jabuticaba, cambuci, cacau (maravilhoso) e caju. Aqui, o presente pode apresentar uma maneira diferente de experimentar ingredientes brasileiros: a fruta que conhecemos fresca, no suco ou na cozinha ganha outras características pela fermentação. São bebidas com propostas próprias, e contar isso a quem recebe ajuda a despertar a curiosidade sobre o que será servido, não deixando nada a desejar comparadas com outros fermentados complexos (e até bem mais caros). Os produtos podem ser comprados diretamente no site da marca.
Cia dos Fermentados – Foto: Dan Morais
Destilados, licores e outras possibilidades
Quando o presente é para alguém que gosta de preparar drinks, penso nos diversos usos que aquela garrafa pode ter em casa (prezando praticidade, obviamente). Entre os destilados da Pato Preto, o Sangue Latino (amaro com identidade brasileira), o Pé de Café (licor fino de café especial) e as cachaças Graúna oferecem caminhos para essa escolha, enquanto o KORY Soju (que desenvolvi com a destilaria e a multiartista Gabriela Cruz) é o primeiro Soju Nordestino, aproximando a referência coreana da produção local. Tanto os destilados da Pato Preto quanto o KORY podem ser encontrados no Guadalupe, no Rio Vermelho. Para completar o presente, sempre é legal incluir uma sugestão do que preparar, com ingredientes simples e fáceis, para que a pessoa consiga aproveitar a bebida sem precisar montar um bar inteiro.
Dan Morais e a Kory – Foto: DivulgaçãoSangue Latino – Foto: Daniel Cerqueira
A Royal Charlotte também entra nessa seleção, trazendo o mel de cacau, extraído da polpa do fruto, combinado com especiarias. Para quem se interessa por ingredientes pouco comuns e pela relação deles com a nossa região, é uma oportunidade de conhecer outra parte do cacau (que não seja o chocolate ou o suco) e experimentar a bebida com gelo ou em um coquetel. A compra pode ser feita pelo site da marca ou em redes como Hiperideal e Casa 10.
Aqui cabe deixar clara, somente por transparência, a minha proximidade com esses produtos: sou embaixador da Pato Preto e da Royal Charlotte, além de participar da criação do KORY.
A Lemavos, de Santo Antônio de Jesus, trabalha com jenipapo, tamarindo e jabuticaba na linha de licores Brazeiro, mas também tem ótimos destilados, como o Kabjak (destilado de cacau sensacional), com venda pelo próprio site. É o tipo de presente em que vale lembrar daquela fruta de que a pessoa gosta ou de algo que vocês já provaram juntos, aproveitando essa referência para escolher. E não precisamos esperar o São João para colocar um licor à mesa: ele pode acompanhar o encerramento de um almoço, uma sobremesa ou uma conversa depois do jantar.
Kabjak – Foto: Dan Morais
Para quem prefere bebidas cremosas, há ainda a Don Cream, antiga Don Luiz, marca nascida em Salvador que combina doce de leite e um toque de baunilha em um coquetel alcoólico. Ela entra como uma possibilidade para quem aprecia esse perfil mais doce, inclusive em um presente acompanhado de café. Ela pode ser comprada pelo site da marca e está no catálogo de diversos pontos de venda pelo Brasil.
Cervejas para descobrir e compartilhar
Com cerveja, eu sempre gosto da possibilidade de reunir diferentes rótulos em um mesmo presente. Proa (amo a Sour de Caju), Híbrida (a APA goiaba é uma delícia), Bardo (a Druida é absurdamente bem feita) e MinduBier (Mindu IPA é meu amor) são nomes baianos para considerar nessa seleção, procurando estilos que tenham a ver com quem vai receber e deixando espaço para alguma descoberta. Eu começaria com uma cerveja de um estilo que a pessoa já aprecia e acrescentaria outra que pudesse despertar sua curiosidade: se ela gosta de amargor, se prefere cervejas mais leves, se curte acidez. Vale sempre respeitar essa preferência em vez de escolher algo intenso apenas por ser diferente.
Também ajuda pensar no momento em que essas cervejas serão abertas, seja para acompanhar um almoço ou para dividir com amigos e comparar os rótulos. Recomendo sempre a compra feita diretamente com as cervejarias e pontos parceiros, aproveitando o contato com os produtores para conhecer as opções disponíveis. Assim, a seleção ganha um cuidado que vai além de colocar algumas latas ou garrafas em uma embalagem.
É isso que me interessa em dar uma bebida de presente: escolher alguma coisa que tenha a ver com quem vai receber e apresentar um sabor, um produtor ou um lugar. Pode ser um vinho da Chapada, um destilado para preparar o drink favorito ou algumas cervejas para harmonizar. A garrafa vai com a pessoa, mas a escolha leva um pouco da nossa atenção também. E, se for abrir uma boa bebida, me chama!
bebidas para presentearUma boa garrafa é um presente com história: o que levar para o próximo brinde!
Perguntas Frequentes
Como escolher uma bebida para dar de presente?
O ponto de partida é o gosto de quem vai receber, não a garrafa. Vale observar se a pessoa prepara drinks, abre vinho no jantar, prefere cerveja artesanal ou gosta de algo mais doce depois da refeição. A partir daí, a escolha pode apresentar um produtor, um ingrediente ou uma região.
Onde comprar vinho baiano em Salvador?
As vinícolas da Chapada Diamantina, como a UVVA, de Mucugê, e a Reconvexo, de Morro do Chapéu, vendem pela internet. Em Salvador, a UVVA conta com um lounge no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico.
O que são fermentados de frutas?
São bebidas obtidas pela fermentação de frutas como jabuticaba, cambuci, caju e cacau, que ganham aromas e texturas diferentes dos da fruta fresca. Muitos têm versão borbulhante e funcionam bem como alternativa ao espumante em brindes e presentes.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Com Felipe Havok e a sommelière Esmeralda Stallone, série percorre Mistura Itapuã, Jabu, Cremonini e Casa Iryna
O Itália na Taça, nova série audiovisual do Muito Gourmet, estreia hoje, sábado (3), às 18h, no canal do Muito Gourmet no YouTube. Apresentada pelo editor-chefe Felipe Havok e pela sommelière ítalo-baiana Esmeralda Stallone, Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, a série coloca vinhos italianos à mesa de quatro restaurantes de Salvador e testa como eles conversam com pratos que vão da moqueca e do bobó à cozinha de fusão. A primeira temporada tem patrocínio da Vinífera Import e apoio da Federicci Import.
Felipe Havok – Foto: Manoel Neto
Por que vinho italiano na mesa baiana
A pergunta que move a série parece simples, mas carrega um preconceito antigo: vinho italiano combina com massa, pizza e toalha xadrez, e só. O Itália na Taça parte do caminho oposto e vai procurar, na própria taça, os argumentos para tirar o vinho italiano desse lugar.
E os argumentos estão lá. Boa parte dos rótulos da Itália tem como marca a acidez viva e o frescor, características que pesam a favor num lugar onde faz calor o ano inteiro e onde a cozinha trabalha com dendê, leite de coco e frutos do mar.
“Existe uma ideia de que vinho italiano é coisa de massa e pizza, e a série nasce para desfazer isso. O frescor e a acidez de muitos rótulos da Itália são exatamente o que o nosso clima pede e o que equilibra a intensidade da cozinha baiana”, diz Esmeralda.
Esmeralda Stallone – Foto: Manoel Neto
O primeiro episódio: a Itália em uma mesa
O episódio de estreia funciona como uma aula sem cara de aula. Em clima de conversa, Felipe e Esmeralda percorrem o que faz da vitivinicultura italiana uma das mais diversas do mundo: regiões produtoras, uvas nativas, tradições e as particularidades de um país que produz vinho de norte a sul.
Para tirar a teoria do papel, a degustação passa por dois queijos que resumem a tradição italiana, o Grana Padano DOP, de leite de vaca, e o Pecorino Romano DOP, de leite de ovelha. A dupla mostra, na prática, como acidez, corpo e intensidade de cada vinho reagem a texturas e salinidades diferentes.
“Com mais de 400 uvas autóctones vinificadas de tantas formas diferentes, seria um desperdício não explorar tamanha riqueza! Existe um leque infinito de possibilidades, tanto nas harmonizações com pratos de diferentes culturas quanto em ocasiões que vão muito além da mesa de um restaurante italiano refinado. Essa diversidade está aí para ser descoberta”, afirma Esmeralda.
Pecorino Romano e Grana Padano – Foto: Manoel NetoEsmeralda Stallone – Foto: Manoel Neto
O roteiro da temporada
A partir do segundo episódio, a série deixa o estúdio e ganha a cidade, passando por quatro casas com propostas bem diferentes entre si.
No Mistura Itapuã, aberto em 1993 à beira-mar, o restaurateur italiano Paolo Alfonsi, um dos fundadores da casa, recebe a dupla para uma harmonização horizontal: um branco, um rosé e um tinto italianos servidos diante dos mesmos pratos da culinária local, para comparar lado a lado como cada estilo se comporta.
No Jabu, no Rio Vermelho, o chef francês Aurélien Roche coloca à prova sua cozinha autoral, que cruza técnica francesa e ingredientes brasileiros. No Cremonini, na Pituba, o chef Massimo Cremonini, natural do Lazio, abre a cozinha de memória italiana que assina. E na Casa Iryna, também na Pituba, a empresária Iryna Podusovska, que viveu boa parte da vida na Itália, apresenta a proposta clássica da casa que leva seu nome.
Em cada parada, chefs e restaurateurs sentam à mesa com os apresentadores e contam suas histórias, conceitos e referências.
Uma conversa, não uma aula
O formato aposta na dinâmica entre os dois apresentadores. Felipe faz as perguntas que o público faria; Esmeralda responde com a precisão técnica de quem estuda o assunto, sem perder a leveza.
“A ideia não é ditar o que se deve beber nem com o que cada vinho precisa ser harmonizado. Queremos mostrar como a cultura italiana conversa com a nossa mesa, inclusive com pratos que, à primeira vista, parecem distantes desse universo. O vinho é o fio condutor de uma conversa muito maior, sobre pessoas, histórias e o jeito como a gente come em Salvador”, explica Felipe Havok.
Quem é Esmeralda Stallone
Sommelière da Vinífera Import, Esmeralda Stallone é formada pela ABS-RS, com certificação IWC pela International Sommelier Guild e Italian Wine Scholar pela Wine Scholar Guild. Em abril de 2026, em Verona, recebeu o título de Italian Wine Ambassador da Vinitaly International Academy, certificação que reúne menos de 500 profissionais no mundo. O público baiano já a conhece das masterclasses de vinhos italianos que conduz em Salvador.
Como assistir
O primeiro episódio do Itália na Taça vai ao ar hoje, às 18h, no canal do Muito Gourmet no YouTube: https://www.youtube.com/@muito.gourmet. Inscreva-se no canal e ative o sininho para ser avisado dos próximos episódios. Cortes e conteúdos especiais da série também serão publicados no Instagram @muito.gourmet.
O Itália na Taça é uma produção do Muito Gourmet, com patrocínio da Vinífera Import, importadora da qual a apresentadora Esmeralda Stallone é sommelière, e apoio da Federicci Import.
Perguntas Frequentes
Onde assistir ao Itália na Taça?
A série é exibida no canal do Muito Gourmet no YouTube, em youtube.com/@muito.gourmet. O primeiro episódio estreia no sábado, 3 de outubro de 2026, às 18h, e os cortes são publicados no Instagram @muito.gourmet.
Quem apresenta o Itália na Taça?
A série é apresentada por Felipe Havok, editor-chefe do Muito Gourmet, e pela sommelière ítalo-baiana Esmeralda Stallone, Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy.
Quais restaurantes de Salvador participam da série?
A primeira temporada passa pelo Mistura Itapuã, em Itapuã, pelo Jabu, no Rio Vermelho, e pelo Cremonini e pela Casa Iryna, ambos na Pituba.
Vinho italiano combina com comida baiana?
Pode combinar muito bem. A acidez e o frescor de muitos vinhos italianos equilibram a intensidade de pratos com dendê, leite de coco e frutos do mar, além de funcionarem bem no clima quente de Salvador. A escolha do estilo, branco, rosé ou tinto, depende do preparo.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Festival vai até 1º de novembro com o tema Brasil de Norte a Sul. Confira a lista completa de participantes
A segunda edição do Salvador Restaurant Week 2026 começa nesta quinta-feira, 1º de outubro, e segue até 1º de novembro com 142 unidades participantes em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana. Cada casa serve um menu fechado de três etapas, com entrada, prato principal e sobremesa, por preço fixo que vai de R$ 59,90 no almoço da categoria mais acessível a R$ 119 no jantar da categoria Premium. O tema desta edição é “Brasil de Norte a Sul”, e a lista completa de restaurantes está no fim desta matéria.
Uma semana que dura um mês
O nome diz semana, o calendário diz outra coisa. São 32 dias de festival, tempo suficiente para fazer o que a Restaurant Week 2026 sempre prometeu: tirar o almoço e o jantar do piloto automático. Dá para finalmente conhecer aquela casa que está na lista de desejos há meses e, na semana seguinte, voltar a um endereço que participa do festival há várias edições e nunca decepcionou.
Os números ajudam a dimensionar a edição. São 142 unidades, mas cerca de 120 nomes diferentes, porque várias redes entram com mais de uma filial. A Cantina Volpi aparece em seis endereços, o Seven Bistrô em quatro, e Martim Pescador e Pereira em três cada. Fora da capital, Feira de Santana participa com três casas (Casa 24 Forneria, Grissini Bistrô e ISS Restrô), e Lauro de Freitas com a unidade da Regalo Pizzeria em Vilas do Atlântico.
Quanto custa cada menu do Salvador Restaurant Week 2026
Os preços são tabelados em três categorias, com valores diferentes para almoço e jantar:
Categoria
Almoço
Jantar
Menu RW Tradicional
R$ 59,90
R$ 74,90
Menu Plus
R$ 73,90
R$ 94,90
Menu Premium
R$ 99
R$ 119
Os valores são por pessoa. Menus, categorias, dias e horários de funcionamento de cada restaurante estão detalhados no site oficial, restaurantweek.com.br, e vale conferir antes de sair de casa, porque nem toda casa opera nos dois turnos todos os dias.
Brasil de Norte a Sul, num cardápio de muitos sotaques
A proposta da organização é que cada restaurante construa seu menu a partir de ingredientes, receitas e referências das cinco regiões do país, considerando também os biomas e as influências indígenas, africanas e europeias que formaram a cozinha brasileira. É um tema amplo o bastante para caber tanto um pirarucu quanto um arroz carreteiro.
O curioso é o contraste com a própria lista. Pelos nomes, a cozinha italiana é a que mais aparece, com cantinas, trattorias e fornerias espalhadas por toda a cidade. Somam-se uma casa de lámen (Ainá Lamen), duas indianas (Masala e Vishnu Culinária Indiana), um kebab (Pasárgada), um frango peruano (Peruvian Chicken Pollo a La Brasa), cozinhas ibéricas (Santiago Culinária Ibérica e La Taperia) e um bistrô francês de longa data (Chez Bernard).
Como uma casa de lámen traduz o Pará? Como um restaurante indiano conversa com o Pampa? Essa é, talvez, a pergunta mais interessante da edição, e ela não contradiz o tema. A cozinha brasileira nasceu justamente de cruzamentos, e ver técnicas estrangeiras trabalhando ingredientes nacionais é uma forma honesta de celebrar isso. As respostas estão nos menus publicados no site e no Instagram oficial, e são o melhor critério para montar o roteiro do mês.
Cerveja de brinde e doação para a Irmã Dulce
Nesta edição, a Ambev distribui uma bebida por menu. Quem pedir o menu de almoço ganha uma Corona Cero, versão sem álcool da cerveja mexicana. No jantar, o brinde é uma Stella Artois Pure Gold. A ação vale enquanto durar o estoque, então a recomendação é confirmar a disponibilidade diretamente com a casa escolhida.
Há também o componente social, que já virou marca do festival. Em cada menu do Salvador Restaurant Week 2026, o cliente pode acrescentar, de forma opcional, R$ 2 destinados às Obras Sociais Irmã Dulce, instituição beneficiada nesta edição.
Serviço
Evento: Salvador Restaurant Week 2026 Período: 1º de outubro a 1º de novembro de 2026 Onde: 142 unidades em Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana Menu RW Tradicional: R$ 59,90 (almoço) e R$ 74,90 (jantar) Menu Plus: R$ 73,90 (almoço) e R$ 94,90 (jantar) Menu Premium: R$ 99 (almoço) e R$ 119 (jantar) Ação social: R$ 2 opcionais por menu para as Obras Sociais Irmã Dulce Brinde Ambev: Corona Cero no almoço e Stella Artois Pure Gold no jantar, enquanto durar o estoque Menus, dias e horários:restaurantweek.com.br Instagram:@salvadorrestaurantweek
Lista completa dos restaurantes participantes
Lista oficial divulgada pela organização do Salvador Restaurant Week, em ordem alfabética. Filiais da mesma marca aparecem agrupadas, com a localização entre parênteses.
Azougue (Salvador Shopping e Salvador Norte Shopping)
Azougue Prime
Barbacoa Salvador
Barravento
Bella Napoli
Blue Praia
Boteco do Lê
Boteco Português
Bottino Ristorante Italiano
Buddha Bistro Asiático
Cantina Volpi (Ondina, Paralela, Paseo Itaigara, Pituba, Salvador Norte Shopping e Salvador Shopping)
Canto
Carvão
Casa 24 Forneria (Feira de Santana)
Casa Chálabi
Casa de Moá
Casa di Vina
Casa Iryna
Casaria Salvador
Casarra
Cazinha Bistrô
Cazolla (Pituba)
Cedro
Chez Bernard
CÖA Restaurante
Confraria das Ostras
Cork Wine Lab
Cremonini Ristorante
di Giuseppe
Di Liana
Ferreiro Café
Forneria Bottino
Gattai
Genaro
Gero
Grissini Bistrô (Feira de Santana)
Healthy por Victoria Cintra (Salvador Shopping e Shopping Barra)
Il Filetto Ristorante
ISS Restrô (Feira de Santana)
Jabú Resto & Bar
James Steakhouse
Jota Gastronomia
Ki-Mukeka (Salvador Shopping)
La Bottega
La Lupa
La Pasta Gialla
La Pulperia (Brotas e Paseo)
La Taperia
Lafayette
Lar Café Bistrô
Le Vin (Mercure Boulevard e Mercure Pituba)
Leto Gastronomia
Lôro (Bahia Marina)
Lotti Cucina
Lotti Osteria
Maendú
Mamma Jamma (Shopping Barra e Shopping da Bahia)
Martim Pescador (Paralela, Pituba e Shopping da Bahia)
Masala
Medieval Gastro Pub
Megiro
Miss Koh (Salvador Shopping)
Mistura (Itapuã)
Moara
Mõrea
Muy Massa
Myia
Nova Belles (Pituba e Santo Antônio Além do Carmo)
Orí (Horto Florestal)
Pala7
Palles
Pasárgada Kebab Grill & Bar
Passeio da Vitória
Pasta em Casa (Alphaville e Rio Vermelho)
Pereira (Barra, Shopping da Bahia e Shopping Paralela)
Peruvian Chicken Pollo a La Brasa
Preta Bistrô
Preta Tira-Chapéu
Principote
Proa Bar
Purgatório
Racletto
Red Burgue N Bar
Regalo Pizzeria (Pituba e Vilas do Atlântico)
Rivie Rouge Bistrô
Riz Bistrot
Sagratto Café Bar
Salvador Dali
Santiago Culinária Ibérica (Clube Espanhol e Shopping Barra)
Segreto Ristorantino
Sette Restaurante
Seven Bistrô (Boulevard Side, CAB, Salvador Shopping e Shopping da Bahia)
Soho (Bahia Marina e Paseo)
Taboada
Torre de Pizza
Une Cozinha
Villa da Praia Hotel (Serê Cozinha do Mar)
Vim Vim Trattoria
Vini Figueira Gastronomia
Vini Figueira Mar
Vishnu Culinária Indiana
Vona
Yaya
Zaccaria
Zaffe
Zuuk Sushi
Perguntas Frequentes
Quando acontece a Salvador Restaurant Week 2026?
A 28ª edição acontece de 1º de outubro a 1º de novembro de 2026, em 142 unidades de Salvador, Lauro de Freitas e Feira de Santana. Dias e horários variam de casa para casa e estão no site restaurantweek.com.br.
Quanto custa o menu da Salvador Restaurant Week 2026?
Há três categorias. O Menu RW Tradicional custa R$ 59,90 no almoço e R$ 74,90 no jantar, o Menu Plus sai por R$ 73,90 e R$ 94,90, e o Menu Premium por R$ 99 e R$ 119, sempre por pessoa.
O que está incluído no menu do festival?
Cada menu tem três etapas: entrada, prato principal e sobremesa. Nesta edição, o almoço vem com uma Corona Cero e o jantar com uma Stella Artois Pure Gold de brinde, enquanto durar o estoque.
Qual é o tema da Salvador Restaurant Week 2026?
O tema é “Brasil de Norte a Sul”. Os restaurantes foram convidados a criar menus com ingredientes e referências das cinco regiões do país e das influências indígenas, africanas e europeias na cozinha brasileira.
Como funciona a doação para as Obras Sociais Irmã Dulce?
Em cada menu, o cliente pode acrescentar R$ 2 de forma opcional. O valor é destinado às Obras Sociais Irmã Dulce, instituição beneficiada nesta edição.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Premiada no Melhores da Taça 2026, a sommelière Carol Souzah revela o método por trás da carta do Silva Cozinha
Na noite de 14 de setembro, em São Paulo, a carta de vinhos do Silva Cozinha, restaurante do chef Ricardo Silva e da empresária Luciana Mastique, recebeu o Prêmio de Excelência do Melhores da Taça 2026, da revista Prazeres da Mesa.
Quem subiu ao palco para buscar a distinção foi a sommelière Carol Souzah, autora da carta e, para nosso orgulho, colunista quinzenal do Muito Gourmet. Numa edição em que Salvador também viu o Cork Wine Lab premiado pela carta de vinhos e o Purgatório Bar levar duas categorias, Carol usa este espaço para responder à pergunta que mais ouviu desde então: o que, afinal, faz uma carta merecer um prêmio?
Carta de vinhos não é lista: o que existe por trás de uma seleção premiada
Receber, em nome do Silva Cozinha, o Prêmio de Excelência pela carta de vinhos no Melhores da Taça foi uma alegria imensa, não apenas por reconhecer o trabalho de curadoria que realizei, mas também por colocar a carta do restaurante entre algumas das melhores do Brasil, ao lado de outras seleções de excelência de diferentes regiões do país. A premiação é realizada em São Paulo, e estar nesse palco representando Salvador tornou o momento ainda mais especial. Esse reconhecimento valoriza uma carta que construí com muita pesquisa, dedicação e liberdade criativa, e também o restaurante e a equipe que fazem essa experiência acontecer todos os dias.
E talvez por isso tenha sido tão emocionante para mim.
O Melhores da Taça, realizado pela Prazeres da Mesa, é a maior premiação de bebidas do Brasil. Fazer parte desse reconhecimento torna o momento ainda mais especial e reforça a importância de um trabalho que muitas vezes acontece longe dos holofotes, entre pesquisas, degustações, planilhas, conversas e escolhas cuidadosas.
Fazer cartas de vinhos é uma das partes do meu trabalho que mais amo. Existe pesquisa, técnica, estratégia, gastronomia e números, claro. Mas existe também uma enorme possibilidade de contar histórias. Uma boa carta diz muito sobre um restaurante antes mesmo de a primeira garrafa ser aberta.
Lista não é carta
Depois do reconhecimento, algumas pessoas me perguntaram: “Carol, como faço para o meu restaurante concorrer?”
Minha resposta começa por uma provocação: não basta ter bons vinhos.
Carta de vinhos não é escolher dois Sauvignon Blanc, três Chardonnay, alguns Malbec, Cabernet Sauvignon, um rosé, um espumante e considerar o trabalho encerrado.
Isso é uma lista. Carta é outra coisa.
Quando construí a carta do Silva, comecei pela identidade da casa e pela gastronomia contemporânea brasileira de Ricardo Silva, uma cozinha que considero especialmente rica, afetiva e cheia de possibilidades. Levei muito a sério a tarefa de criar uma carta que fizesse real sentido com tudo o que chega à mesa: os ingredientes, os sabores, as técnicas, a relação com Salvador e a maneira como o restaurante traduz o Brasil em sua cozinha. O vinho precisava conversar com os pratos, acompanhar essa experiência e valorizar a gastronomia que Ricardo construiu com tanta personalidade.
Uma carta para o calor de Salvador
Também levei em consideração o clima de Salvador. Uma carta construída aqui não pode ser pensada como se estivesse em uma região de clima frio, como a Serra Gaúcha, onde há naturalmente uma predominância maior de vinhos tintos. Em Salvador, os brancos, espumantes, champanhes e rosés ganham um destaque especial, porque combinam com o calor e com o perfil da cidade. São vinhos que acompanham bem a culinária local e a experiência de estar à mesa em Salvador.
A partir daí entram muitas camadas.
Penso em países, regiões, estilos, produtores e uvas, inclusive aquelas menos óbvias, capazes de despertar curiosidade. Penso em vinhos leves, estruturados, brancos de diferentes perfis, espumantes, rosés e em propostas que tragam diversidade de verdade.
Também considero fundamental abrir espaço para pequenos produtores, para vinhos de mínima intervenção e para diferentes formas de pensar a vitivinicultura. Uma carta contemporânea, para mim, precisa mostrar um pouco do que está acontecendo no mundo do vinho e não apenas repetir os rótulos que o consumidor encontra em qualquer lugar. Também não podemos nos fiar somente nos vinhos conhecidos, os famosos “vinhos que se vendem sozinhos”. Se eles não estiverem na carta, o cliente não necessariamente vai procurar outro restaurante; muitas vezes, vai pedir uma sugestão. E é justamente aí que a carta passa a oferecer a possibilidade de descobrir novas uvas e estilos, ampliando o repertório de quem está à mesa. Penso muito nisso ao fazer uma carta.
Preço, ordem e linguagem também vendem
Mas variedade sozinha também não resolve.
Existe estratégia de preço. É preciso criar diferentes portas de entrada para o cliente, pensar no ticket médio da casa e permitir que alguém encontre tanto uma garrafa mais acessível quanto uma experiência especial. Até a ordem em que os vinhos aparecem e a forma como os preços são distribuídos dentro de cada seção influenciam a escolha. Isso também é venda.
Existe ainda o posicionamento. A estética. A organização das categorias. A linguagem. A facilidade para o cliente se localizar. Uma carta pode ter vinhos incríveis e ainda assim ser confusa, intimidadora ou simplesmente não vender.
A carta precisa ter uma razão para existir
E existe uma coisa que considero essencial: identidade.
Quando centenas de cartas chegam para serem analisadas pela Prazeres da Mesa, elas não são submetidas a voto popular. O trabalho é feito por especialistas, que avaliam as seleções com critérios técnicos e editoriais, observando aspectos como diversidade, coerência, profundidade, identidade, relação com a gastronomia e a capacidade de a carta traduzir a proposta daquela casa. Por isso, não adianta apenas reproduzir o que todo mundo já está fazendo. É preciso fugir um pouco do óbvio, pesquisar, encontrar produtores interessantes, descobrir regiões e trazer rótulos que façam sentido para aquele restaurante. Não se trata de rejeitar produtores conhecidos, mas de não construir uma carta inteira no automático, repetindo sempre as mesmas escolhas.
A carta precisa ter uma razão para existir ali.
Inclusive, quando um restaurante inscreve sua carta no Melhores da Taça, envia também o cardápio. Isso diz muito. Não faz sentido avaliar o vinho separado da comida. A pergunta é: essa seleção conversa com a gastronomia dessa casa?
Para mim, esse é um dos princípios mais importantes de uma boa curadoria.
Hospitalidade fecha a conta
No Silva, tive algo precioso para realizar esse trabalho: liberdade criativa e confiança. Ricardo Silva, Luciana Mastique, Daniel e Mariana Braga me motivam a pesquisar, experimentar e propor caminhos, enquanto a equipe do restaurante dá vida a essa carta no salão e contribui diariamente para que a experiência aconteça com cuidado e personalidade. E isso faz diferença. Não existe curadoria autoral se toda escolha precisa caber apenas no território do que já é conhecido e seguro.
Talvez por isso esse reconhecimento tenha mexido tanto comigo. Ele valoriza algo em que acredito profundamente: vinho dentro de restaurante precisa ser pensado com a mesma seriedade com que se pensa a cozinha, o salão, a louça, o serviço e a experiência. E, sobretudo, a hospitalidade. Uma carta bem construída só cumpre seu papel quando encontra uma equipe bem treinada, capaz de ouvir o cliente, compreender suas preferências, apresentar as opções com segurança e fazer sugestões sem impor escolhas. O conhecimento técnico precisa caminhar junto com a atenção, a generosidade e a sensibilidade de quem recebe. No fim, é a equipe que transforma a carta em conversa, orientação e prazer à mesa.
E Salvador brilhou nessa edição. Ver nossa cidade aparecendo entre os reconhecidos me deixa especialmente feliz.
Uma carta de vinhos começa muito antes da escolha das garrafas. Começa na compreensão da casa, da cozinha, do público e da experiência que o restaurante deseja oferecer. Quando esses elementos estão claros, cada vinho encontra seu lugar, não apenas na carta, mas também à mesa e na história daquele restaurante.
Perguntas Frequentes
O que é o Melhores da Taça?
É a premiação anual da revista Prazeres da Mesa que reconhece as melhores cartas de vinhos, cervejas, coquetéis e bebidas sem álcool do Brasil, além de profissionais do setor. A edição 2026 teve cerimônia em 14 de setembro, no Pavilhão da Bienal, em São Paulo, durante o Salão Abrasel.
O que faz uma carta de vinhos ser premiada?
Segundo Carol Souzah, não basta reunir bons rótulos. Uma carta premiada precisa ter coerência com a cozinha da casa, diversidade real de estilos e produtores, estratégia de preço, organização clara e identidade própria. No Melhores da Taça, os restaurantes enviam também o cardápio, porque o vinho é avaliado em diálogo com a comida.
Quais vinhos combinam com o clima de Salvador?
Brancos, espumantes, champanhes e rosés ganham destaque em Salvador por acompanharem bem o calor e a culinária local. Uma carta pensada para a cidade não deve seguir a lógica de regiões frias, onde os tintos naturalmente predominam.
Onde fica o Silva Cozinha?
O Silva Cozinha, do chef Ricardo Silva, fica na Rua Chile, 7, no Centro Histórico de Salvador.
A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.
Menu de sete tempos do chef Ricardo Silva e rótulos selecionados por Carol Souzah marcam o encontro de 30 de setembro
O Silva Cozinha realiza na quarta-feira, 30 de setembro, a segunda edição da ConfraDelas no endereço da Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador. A noite de degustação guiada de vinhos, voltada ao público feminino, reúne um menu de sete tempos assinado pelo chef Ricardo Silva e seis rótulos escolhidos pela sommelière Carol Souzah, que também conduz as harmonizações. O investimento é de R$ 320 por pessoa, com vagas limitadas e reserva antecipada pelo WhatsApp da casa.
Um projeto da casa que mudou de endereço junto com ela
A ConfraDelas nasceu no Silva Cozinha em julho de 2025, ainda no Rio Vermelho, como uma forma de aproximar mulheres do vinho sem a formalidade que costuma cercar a bebida. Quando o restaurante se mudou para a Rua Chile, o projeto foi junto. A primeira edição no novo endereço aconteceu em julho deste ano, exatamente um ano depois da estreia, e a de setembro dá sequência ao calendário.
À frente da recepção está a empresária Luciana Mastique, anfitriã do projeto desde o início. A curadoria dos vinhos fica com Carol Souzah, que assumiu a seleção na retomada e agora assina sua segunda carta para o encontro.
Carol Souzah e Luciana Mastique – Divulgação
O menu, tempo a tempo
A noite começa pela mesa de pão. O couvert traz pão de queijo frito, pão integral, azeite extravirgem e uma manteiga de mel de uruçu, o mel das abelhas nativas sem ferrão, mais ácido e mais aromático que o mel convencional. O primeiro vinho é o Impazzimento Branco, que segue no copo para o tempo seguinte: um carpaccio de queijo coalho com alcaparras fritas, tomate-cereja, agrião e castanha de caju caramelizada.
A escolha de manter o mesmo rótulo em dois pratos é das mais interessantes da sequência. O branco que abre com a gordura do pão frito e a doçura do mel reaparece diante do sal do coalho e do amargor do agrião, e a comparação entre os dois momentos vira parte da aula.
Depois vem o gaspacho de melão com mussarela de búfala e presunto cru, servido com o Laceira Branco. É a lógica clássica do melão com presunto, levada ao prato frio e ao copo leve.
O quarto tempo sobe a temperatura. O tartar de atum temperado chega com ovas de salmão, creme de abacate e crocante de folha de arroz, ao lado do Cava Ramiro Rosé. Espumante espanhol diante de peixe cru e especiarias é daquelas combinações em que a borbulha trabalha como faxina, limpando a boca entre uma garfada e outra.
O nhoque de aipim com tucupi, cogumelos e queijo de cabra é o prato mais baiano e amazônico da noite ao mesmo tempo, e encontra o Petit Maynne Pinot Noir. Na leitura do papel, faz sentido: a acidez do tucupi e o terroso dos cogumelos costumam conversar bem com um tinto de corpo leve, que não atropela a delicadeza da massa.
Cordeiro, Carménère e uma pavlova que provoca
O prato principal é o carré francês de cordeiro com mandioquinha e Marsala, acompanhado do Leyenda Carménère. A uva, que se tornou emblema do Chile, costuma trazer notas herbáceas e de especiarias que dialogam com a carne de cordeiro e com o fundo adocicado do vinho fortificado no molho.
A sobremesa fecha a sequência com o prato mais inesperado do menu: pavlova com mousse de iogurte, ganache de coentro e um vinagrete de kiwi, tomate e baunilha. O coentro e o tomate levam para o doce ingredientes que o paladar associa ao salgado, e o Espumante Moscato entra para amarrar a noite com doçura e frescor.
A Rua Chile como cenário
Tida como a primeira rua do Brasil, a Rua Chile vive nos últimos anos um processo de ocupação gastronômica que tem atraído restaurantes e bares de assinatura para o Centro Histórico. A chegada do Silva Cozinha, que trocou o Rio Vermelho pelo novo endereço, faz parte desse movimento, e a ConfraDelas leva para lá um público que talvez não frequentasse o Centro à noite num dia de semana.
Silva Cozinha recebe a segunda edição da ConfraDelas na Rua Chile
Serviço ConfraDelas
ConfraDelas | 2ª edição na Rua Chile Quando: quarta-feira, 30 de setembro, às 19h30 Onde: Silva Cozinha, Rua Chile, 7, Centro Histórico, Salvador Com: chef Ricardo Silva (menu), sommelière Carol Souzah (vinhos e harmonização) e Luciana Mastique (anfitriã) Formato: menu de sete tempos harmonizado com seis rótulos Investimento: R$ 320 por pessoa Reservas: antecipadas, pelo WhatsApp da casa Informações: @silva_cozinha
Perguntas Frequentes
O que é a ConfraDelas?
É uma experiência de degustação guiada de vinhos voltada ao público feminino, criada pelo restaurante Silva Cozinha em 2025. Cada edição reúne rótulos selecionados por uma sommelière e pratos criados pelo chef Ricardo Silva para harmonizar com eles.
Quando e onde acontece a próxima ConfraDelas?
A segunda edição no novo endereço acontece em 30 de setembro de 2026, quarta-feira, no Silva Cozinha, na Rua Chile, Centro Histórico de Salvador.
Quanto custa e como reservar?
O investimento é de R$ 320 por pessoa. As vagas são limitadas e a reserva deve ser feita com antecedência pelo WhatsApp do restaurante, com informações no Instagram @silva_cozinha.
Quais vinhos serão servidos?
A carta de Carol Souzah tem seis rótulos: Impazzimento Branco, Laceira Branco, Cava Ramiro Rosé, Petit Maynne Pinot Noir, Leyenda Carménère e um Espumante Moscato para a sobremesa.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!
Do Coado ao Espresso ocupa a 14ª posição no ranking sul-americano e coloca o Nordeste no pódio nacional
A 3ª melhor cafeteria do Brasil está em Salvador. A Do Coado ao Espresso, a DCAE, na Pituba, ficou em 14º lugar no The South America’s 100 Best Coffee Shops 2026, ranking que elege as 100 melhores cafeterias da América do Sul, e aparece atrás de apenas duas casas brasileiras na lista. A classificação foi anunciada em 20 de setembro, em Quito, no Equador, e chega dez meses depois de a marca baiana ter conquistado o título de Torrefação do Ano Brasil 2025.
A 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na PitubaA 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na PitubaA 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na PitubaA 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na PitubaA 3ª melhor cafeteria do Brasil fica na PitubaDo Coado ao Espresso – Foto: Divulgação
O Nordeste no pódio brasileiro
Doze cafeterias brasileiras entraram no ranking. A mais bem colocada é a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba, em quarto lugar no continente. Logo em seguida vêm duas nordestinas: a RDV Roasters, de Maceió, em 13º, e a DCAE, em 14º.
É um dado que merece ser lido com atenção. Durante muito tempo, o mapa do café especial no Brasil foi desenhado a partir do Sul e do Sudeste, onde estão os grandes centros de consumo e boa parte das torrefações de referência. Ver duas casas do Nordeste ocupando o segundo e o terceiro lugares nacionais, à frente de endereços de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, diz muito sobre o amadurecimento da cena na região.
A lista brasileira inclui ainda representantes do Paraná, de Goiás, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Como funciona o ranking
O levantamento é produzido pela The World’s 100 Best Coffee Shops, organização que publica rankings globais e continentais de cafeterias. Na edição sul-americana, mais de 300 jurados visitaram cerca de 4.200 estabelecimentos ao longo de mais de um ano de avaliação.
A nota final combina duas frentes: o painel de especialistas responde por 70% da pontuação, e o voto do público, pelos 30% restantes. As casas entram na disputa por indicação do público ou dos próprios avaliadores e passam por uma triagem antes da definição final.
Os critérios vão além da xícara. Entram na conta a qualidade do café, a formação dos baristas, o atendimento, a inovação, o ambiente, as práticas de sustentabilidade, a oferta de comida e confeitaria e a relação da casa com a comunidade. Ou seja, o ranking avalia a cafeteria como experiência completa, não apenas o grão.
No topo da lista continental ficou a Eco Mapu Coffee, de Villarrica, no sul do Chile, seguida pela Fankør, de Quito, e pela Differente Coffee, da Colômbia.
O paradoxo brasileiro
Há um detalhe que o ranking expõe sem querer. O Brasil é o maior produtor de café do mundo, mas aparece com menos cafeterias na lista do que Peru, com 18, Equador, com 15, e Chile, com 13. Só supera a Argentina, que emplacou dez.
A explicação passa justamente pelos critérios. Produzir café de excelência e servi-lo com excelência são competências diferentes, e a segunda depende de cultura de consumo, formação de baristas e casas dispostas a transformar o balcão em lugar de descoberta. É nesse terreno que a DCAE se destaca.
Da torra para a xícara
A Do Coado ao Espresso foi fundada por Flávio Camargos, Matheus Maciel e Nayara Chaves e começou como torrefação. O trabalho da marca sempre esteve concentrado na seleção de grãos, no desenvolvimento de perfis de torra e na valorização do café produzido na Bahia.
Esse trabalho já tinha rendido um título nacional. Em novembro de 2025, a DCAE venceu o prêmio de Torrefação do Ano Brasil, na final disputada durante a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, considerada a principal feira do setor no país.
A cafeteria da Pituba veio depois, como extensão natural da torrefação. O espaço reúne café especial, gastronomia e experiências voltadas à educação do público, para quem quer entender por que dois cafés da mesma origem podem ter sabores tão diferentes.
É essa ponte entre o torrador e o balcão que Flávio aponta como o sentido do novo resultado. “Mostra que estamos conseguindo levar para a xícara, dentro da nossa cafeteria, todo o cuidado, a técnica e a dedicação que já fazem parte do nosso trabalho na torrefação”, afirma.
Para ele, o reconhecimento também ultrapassa a casa. “Estar entre as 100 melhores cafeterias da América do Sul e chegar à 14ª posição é uma conquista enorme. É especialmente significativo porque estamos falando de uma avaliação que reúne milhares de cafeterias e envolve diferentes países.”
Serviço
Do Coado ao Espresso (DCAE Cafeteria) Endereço: Rua das Hortênsias, 776, Pituba, Salvador Funcionamento: terça a sexta, das 9h às 19h; sábados e domingos, das 9h às 18h Instagram:@dcaecafeteria
Perguntas Frequentes
Qual é a melhor cafeteria de Salvador segundo o ranking sul-americano?
A Do Coado ao Espresso, na Pituba, é a cafeteria de Salvador mais bem colocada no The South America’s 100 Best Coffee Shops 2026. Ficou em 14º lugar no continente e é a terceira melhor do Brasil na lista.
Quais cafeterias brasileiras estão entre as melhores da América do Sul em 2026?
Doze cafeterias brasileiras entraram no ranking. As três mais bem colocadas são a Lucca Cafés Especiais, de Curitiba (4º lugar), a RDV Roasters, de Maceió (13º), e a Do Coado ao Espresso, de Salvador (14º).
Como é definido o ranking The South America’s 100 Best Coffee Shops?
A pontuação combina a avaliação de um painel de especialistas, com peso de 70%, e o voto do público, com 30%. São analisados critérios como qualidade do café, formação dos baristas, atendimento, ambiente, sustentabilidade, comida e relação com a comunidade.
Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!