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Festival Baiano de Cafés 2026: o Estado financia o grão, mas abandonou a vitrine

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Governo pode até apoiar a produção de café com crédito e pesquisa, mas deixou o maior festival do setor sem fomento justamente na sua maior edição

POR: FELIPE HAVOK

Nos dias 15 e 16 de agosto, o Trapiche Barnabé recebe o Festival Baiano de Cafés 2026, quarta edição do maior evento do segmento no estado: mais de 70 expositores, expectativa de dois mil visitantes por dia e mais de R$ 500 mil em negócios movimentados em um fim de semana.

Tudo isso sustentado quase inteiramente por iniciativa privada: o apoio público que existiu nas edições anteriores, via CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado), SETUR e Artesanato da Bahia, não foi anunciado até o momento para a edição de 2026, justamente quando o evento atinge sua maior escala.

E que fique claro desde já: este texto não diz que o Estado ignora o café. Diz algo mais incômodo. O Estado apoia o café baiano pela metade: financia o grão e abandona a vitrine.

O estado que colhe 4,4 milhões de sacas

Vamos aos números, porque opinião sem lastro é achismo, e achismo o poder público já produz em escala industrial.

A Bahia deve colher 265.920 toneladas de café em 2025, o equivalente a cerca de 4,4 milhões de sacas, ou 8,2% de toda a produção nacional, segundo dados da Seagri e do IBGE. Somos a maior potência cafeeira do Nordeste, com folga: no Nordeste inteiro, apenas a Bahia exporta café. São 133 mil hectares plantados entre cerrado, planalto e atlântico, do conilon de Itabela ao arábica de altitude da Chapada Diamantina que coleciona prêmios nacionais.

E o café baiano não é promessa, é caixa. Em 2024, o estado exportou cerca de 81,6 mil toneladas do grão e colocou US$ 294,9 milhões na economia estadual. Apenas entre janeiro e abril de 2025, foram mais US$ 199,7 milhões. Divisa estrangeira, saldo comercial, riqueza real saindo do chão baiano.

Da porteira para dentro, o Estado aparece. Da porteira para fora, some

Sejamos justos, porque justiça é o que dá autoridade à crítica. Da porteira para dentro, o poder público existe na cafeicultura baiana. Há crédito rural ao setor, há parceria da Seagri com a Embrapa em pesquisa aplicada, há estações experimentais implantadas em Itabela, para o conilon, e em Barra do Choça, para o arábica, há acompanhamento técnico voltado à agricultura familiar. Ninguém honesto pode dizer que o Estado nunca pisou na lavoura.

O problema é que café especial não termina na lavoura. O valor do café especial se constrói da porteira para fora: na marca, na experiência, na degustação, no encontro entre quem produz e quem compra, no turismo que ele atrai, na cultura que ele carrega. É ali que uma saca deixa de valer commodity e passa a valer história. E é exatamente ali, na etapa que multiplica o valor de tudo o que o crédito financiou, que o Estado desaparece. Financiar a produção e ignorar a promoção é plantar e desistir na hora da colheita simbólica. É tratar o café como grão, quando o mundo inteiro já o trata como cultura.

O Festival Baiano de Cafés 2026 é a maior vitrine dessa etapa no estado. E está, até o momento, sem um centavo público.

Quem sustenta esse café tem nome, rosto e CPF

Porque aqui mora o detalhe que transforma a lacuna em desrespeito. O café baiano não é uma commodity anônima operada por meia dúzia de produtores. A Bahia tem, segundo o próprio secretário estadual de agricultura, o maior contingente de agricultores familiares do Brasil: 665 mil famílias. E são justamente os cafés de pequena propriedade, da Chapada Diamantina e do Sudoeste baiano, que vêm se destacando em concursos nacionais e atraindo compradores do mundo inteiro.

O Café Oficial desta do Festival Baiano de Cafés 2026 resume o argumento melhor que qualquer tese: produzido por Ana Cristina, da Fazenda Ouro Verde, em Barra do Choça, torrado pela Eufrásio Cafés, avaliado com 84,5 pontos, com notas de frutas secas, caramelo, doce de leite e nozes. Uma mulher, uma fazenda, um município do interior, um grão de excelência. O crédito ajudou esse café a nascer. Quem o apresenta ao mundo, porém, é um festival que se financia vendendo ingresso no Sympla.

E há um agravante de calendário que beira o constrangimento: 2026 é o Ano Internacional da Mulher Agricultora, declarado pela Assembleia Geral da ONU, com coordenação da FAO.

A resolução convida expressamente os governos a transformarem reconhecimento em política pública e investimento. O Festival Baiano de Cafés 2026 abraçou a pauta e colocou as mulheres agricultoras no centro da programação. Os entes públicos, que raramente perdem uma foto com bandeira de causa, até agora perderam essa.

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Foto: Arivaldo Publio

R$146 milhões para o São João. A vitrine do café na fila de espera

Que ninguém venha com o argumento do cofre vazio, porque o mesmo estado sabe muito bem financiar evento e celebração quando decide que vale a pena.

O Governo da Bahia destinou R$146 milhões ao São João de 2026, apoiando festejos em 282 municípios. E colheu o que plantou: mais de 2 milhões de visitantes e cerca de R$2,5 bilhões movimentados na economia estadual. Eu não critico um centavo desse investimento. O São João é patrimônio, identidade e máquina econômica, e o retorno prova que fomento público a evento funciona.

É exatamente por isso que a comparação condena. O poder público baiano sabe transformar cultura em economia. Ele simplesmente escolheu não fazer isso pelo café.

E que ninguém confunda gesto com política. O Governo do Estado, por meio da CAR e SETUR, apoiou a segunda e a terceira edições do festival, e o Artesanato da Bahia somou forças na segunda edição. Ou seja: o Estado sabia do evento, reconheceu seu valor, esteve lá por duas edições seguidas, e até o momento não voltou justamente para a maior de todas, no ano em que a ONU pede o contrário. Apoio que comparece duas vezes e some na hora decisiva não é fomento, é fotografia. Política pública se mede pela continuidade, e continuidade é exatamente o que a vitrine do café baiano nunca recebeu. Vale registrar: nessa etapa da cadeia, prefeitura e governo federal não aparecem no histórico nem de passagem.

Um festival que conecta 665 mil famílias produtoras a consumidores, compradores e turistas, coroando uma cadeia que gera centenas de milhões de dólares em exportação, segue operando por conta própria. Se o critério fosse retorno econômico, a vitrine do café já teria fila de secretarias na porta. Se o critério fosse justiça social, idem. Qual é o critério, então?

Transparência: eu jogo nesse time

Antes do arremate, o registro que a honestidade editorial exige. A organizadora do Festival Baiano de Cafés 2026, Brenda Matos, especialista em cafés de qualidade, é colunista deste Muito Gourmet. Conhecemos esse universo por dentro, acompanhamos essa cena de perto e é precisamente por isso que temos autoridade para afirmar: o que falta ao café baiano não é qualidade, não é público, não é competência de quem organiza, e não é nem mesmo crédito para produzir. O que falta é o Estado na hora de celebrar, promover e vender. Esta não é uma defesa de um evento. É a cobrança de uma política completa.

O manifesto

A Bahia não precisa que o poder público invente o seu café. O café já existe, já premia, já exporta, já sustenta famílias e já lota o Trapiche Barbané. A Bahia precisa que o poder público termine o trabalho que ele mesmo começou na lavoura: se há crédito para plantar, que haja fomento para mostrar. Apoio renovado ao festival é o mínimo. Política estruturada de promoção do café baiano, com marca territorial, presença permanente no calendário oficial de eventos e a vitrine tratada com a mesma seriedade que a produção, é a obrigação. Enquanto isso não vem, que fique registrado: quem está construindo a vitrine do café baiano é a iniciativa de quem produz, torra, serve e acredita. E ela não deveria estar sozinha.

Festival Baiano de Cafés 2026
Foto: Arivaldo Publio

Fontes:

Produção de café na Bahia (265.920 toneladas, 4,4 milhões de sacas, 8,2% nacional, 133 mil hectares, Seagri/IBGE):

Exportações baianas (81,6 mil toneladas e US$ 294,9 milhões em 2024; US$ 199,7 milhões jan-abr 2025, Seagri):

Bahia como única exportadora de café do Nordeste (2,8% do volume nacional em 2024, Banco do Nordeste/BNB):

665 mil agricultores familiares na Bahia, maior contingente do Brasil (declaração do secretário estadual de agricultura, via Embrapa):

Destaque dos cafés da agricultura familiar baiana (Chapada Diamantina e Sudoeste, FAO):

Investimento estadual no São João 2026 (R$ 146 milhões, 282 municípios):

Movimentação econômica do São João 2026 (R$ 2,5 bilhões, mais de 2 milhões de visitantes, Setur-BA):

Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 (resolução ONU A/RES/78/279, coordenação FAO):

Festival Baiano de Cafés 2026 (programação, expositores, números, Café Oficial, promotores):


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Entre Tapas e Brejas: o Proa Gastrôbar transforma a Pituba em balcão espanhol com tapas a R$ 10

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A primeira edição do festival reúne petiscos autorais, referências de três continentes e as cervejas artesanais produzidas na própria casa.

De 17 de julho a 15 de agosto, o Proa Gastrôbar, na Pituba, inaugura o Entre Tapas e Brejas, festival que reúne tapas autorais a R$ 10 e as cervejas artesanais produzidas na própria casa.

A proposta do chef Ricardo Vallari é simples e certeira: transformar a mesa em território de compartilhamento, onde se prova um pouco de tudo sem pesar no bolso e cada porção encontra o chope certo para chamar de par. É gastronomia de balcão espanhol com sotaque baiano, servida ao longo de quase um mês na Pituba.

Tapas a R$ 10: a lógica do compartilhamento

A ideia nasce de uma tradição antiga e generosa. Na Espanha, a tapa é o oposto do prato solene: são porções pequenas, feitas para picar em pé, conversar e pedir mais uma. Vallari pegou esse espírito e ajustou ao ritmo da casa, onde a cerveja sempre foi protagonista. “Quis criar um conceito de tapas com bom custo-benefício para que o cliente possa vir tomar nossas cervejas e experimentar um pouco de tudo”, resume o chef.

O preço único é parte da provocação. Quando toda porção custa o mesmo, o cliente para de calcular e começa a experimentar, montando a própria sequência de sabores. É uma forma de comer que combina com a Pituba movimentada e com a informalidade baiana de dividir a mesa. Vale menos como refeição fechada e mais como percurso, cada rodada abrindo espaço pra próxima.

Entre Tapas e Brejas: Um cardápio que cruza três continentes

O que chega à mesa não fica preso a uma só cozinha. O cardápio transita entre Espanha, Ásia e Brasil, e é justamente nesse cruzamento que mora a assinatura de Vallari. O tempurá de camarão vem crocante e leve, contrastado pelo dulçor apimentado do sweet chili, ao lado da Sour de Caju, cuja acidez frutada corta a fritura com precisão.

A Gilda é um capítulo à parte. Clássico dos balcões bascos, o espetinho foi batizado em homenagem à personagem de Rita Hayworth por ser, como manda a lenda de San Sebastián, salgado, verde e um tanto picante.

Aqui ele ganha alcachofra e pimentão confit ao lado da azeitona e do aliche, harmonizado com a CNTP German Pilsen. Na sequência asiática, o taco de coração com molho thai encontra a Barril Dobrado Double IPA, e o bão de língua com sunomono e coentro se equilibra na Vienna Lager. O ponto alto do encontro entre Bahia e Oriente é a guioza de vatapá com camarão e gochujang, um pastel japonês recheado com o mais baiano dos cremes, servido com a Carrie Nation IPA. Fecha a lista a berinjela à parmegiana, conforto italiano ao lado da Baiana Lager.

Cerveja da fonte: a assinatura do Proa

Aqui está o detalhe que muda tudo. As brejas do festival não são convidadas de fora: são as cervejas artesanais da Proa Cervejaria, produzidas na casa e servidas direto da fonte, marca registrada do endereço desde sempre. Isso faz do Entre Tapas e Brejas um exercício raro, o de uma cozinha harmonizando a própria produção líquida, prato e chope pensados sob o mesmo teto.

Há ainda um humor discreto nos rótulos que premia quem repara. A Carrie Nation IPA empresta o nome da ativista americana que saía quebrando bares a machadadas em nome da temperança, ironia etílica que diz muito sobre o espírito da casa. A CNTP, por sua vez, brinca com as condições normais de temperatura e pressão da aula de química. São cervejas com biografia, não apenas com estilo.

Tap Attacks: as torneiras abrem para a cena cervejeira

O Entre Tapas e Brejas não se fecha em si mesmo. Ao longo das semanas, o Proa promove uma série de Tap Attacks, movimento que entrega as torneiras da casa a cervejarias artesanais convidadas, que ocupam os chopes por um período com seus próprios rótulos. É um gesto de comunidade dentro de um mercado que cresce na Bahia e ainda luta por visibilidade.

“A ideia é promover a cena da bebida local, abrindo espaço para que diferentes cervejarias apresentem seus rótulos ao nosso público e criem uma conexão direta com os consumidores”, explica Vallari. Mais do que ampliar o cardápio, a iniciativa reforça a ideia de que a cerveja independente se fortalece coletivamente, uma casa cedendo o próprio palco para as outras.

chef ricardo vallari comanda o entre tapas e brejas na proa cervejaria
Chef Ricardo Vallari – Foto: Guiga Motta

Serviço

Festival Entre Tapas e Brejas, Proa Gastrôbar
Período: 17 de julho a 15 de agosto de 2026
Endereço: Rua das Hortênsias, 288, Pituba, Salvador (Bahia)
Tapas: R$ 10 cada
Instagram: @proa.gastrobar

Perguntas Frequentes

O que é o festival Entre Tapas e Brejas do Proa Gastrôbar?

É um festival gastronômico que serve tapas autorais a R$ 10, harmonizadas com as cervejas artesanais produzidas pela própria casa. A primeira edição acontece de 17 de julho a 15 de agosto de 2026, no Proa Gastrôbar, na Pituba, em Salvador.

Quanto custam as tapas do festival?

Todas as tapas custam R$ 10 durante todo o período do festival. O preço único permite que o cliente experimente várias porções e monte a própria sequência de sabores.

O que são os Tap Attacks do Proa Gastrôbar?

São ações dentro do festival em que cervejarias artesanais convidadas assumem as torneiras da casa por um período, apresentando os próprios rótulos ao público. A proposta é dar visibilidade a produtores independentes da cena cervejeira baiana.

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Amado 20 Anos: Tradição e Futuro na Mesma Mesa

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Fui ao jantar que apresentou o novo cardápio e reencontrei um restaurante que envelhece sem parar de navegar.

Aos 20, o Amado poderia ter virado monumento. Preferiu cozinhar pra frente.

Há restaurantes que chegam aos 20 anos e se transformam em relicário. Passam a viver do que já foram, blindam o cardápio como quem protege uma peça de museu e servem memória no lugar de comida. O Amado, que há duas décadas leva no nome exatamente aquilo em que se tornou, um restaurante amado por Salvador, escolheu o caminho mais difícil e mais honesto. Em vez de repetir a própria lenda, resolveu reescrevê-la.

A prova chegou à mesa nesta semana. Na noite de quinta (09), a casa apresentou à imprensa a renovação do cardápio, e eu tive a sorte de acompanhar de perto, garfo em punho, o que essa nova fase tem a dizer. Saí de lá com uma certeza: aos 20, o Amado não está comemorando o passado. Está declarando quem é agora.

Um cardápio que é, no fundo, uma conversa entre gerações

O novo menu nasce de quatro mãos que enxergam a cozinha de lugares diferentes, e é justamente aí que mora a graça. De um lado, Edinho Engel, o chef que fundou a casa e carrega a memória mediterrânea, a técnica clássica, o repertório de quem já viu muita moda passar. Do outro, Danilo Fernandes, jovem, inquieto, sintonizado na contemporaneidade que hoje atravessa as melhores cozinhas do país. O cardápio é o ponto de encontro dos dois. Tradição e futuro sentados na mesma mesa, sem que nenhum precise gritar mais alto que o outro.

Essa conversa aparece logo nas entradas. O Siri em curry verde e farofa d’água, o tiradito de pato ao molho katsu, com champignon e purê de maçã, e o crudo de vieiras em leche de tigre, com chuchu, pimenta-rosa e coentro, foram, para mim, o ponto alto da noite. São pratos que ousam: pato num tiradito, o humilde chuchu dividindo o prato com vieiras, a acidez peruana temperando a brasa. É a contemporaneidade de Danilo falando alto, e falando bonito.

Houve uma ressalva, e faço questão de registrá-la, porque crítica sincera é a forma mais alta de respeito. No tiradito, o molho katsu pedia um pouco mais de presença para ser percebido em boca como merecia. Antes, porém, que a observação virasse comentário à mesa, o serviço já a havia corrigido, como se lesse o que passava pela nossa cabeça. É o tipo de gentileza que não se ensina em treinamento, só nasce onde a casa amadureceu.

Nos pratos principais, é a mão firme da tradição que ancora tudo. O bacalhau confitado à portuguesa e a costela braseada com canjiquinha de milho crioulo, cebola ao balsâmico e couve refogada, são o Brasil e o Mediterrâneo de mãos dadas, o DNA que o Amado carrega desde 2006 e que segue fazendo sentido.

Mas foi na sobremesa que as duas gerações se abraçaram de vez. A Fantasia de Cottage com goiabas vermelhas é, no fundo, um romeu e julieta que fez faculdade: aquela memória de queijo com goiabada que todo brasileiro guarda, desmontada e remontada com técnica e leveza. Foi a que mais me encantou. Já a Torta de Nozes com baba de moça foi unanimidade na mesa, e quando todo mundo faz silêncio ao mesmo tempo, não há crítica que precise ser escrita. Descobri, entre uma colherada e outra, quando Edinho veio conversar sobre os pratos, que dividimos o mesmo vício inofensivo: a convicção de que nenhuma refeição termina de verdade sem um docinho no fim.

Vinte anos não se comemora com nostalgia. Se comemora com identidade.

Aqui está o ponto que me interessa de verdade. A renovação do cardápio não é um gesto isolado, e é isso que a torna forte. Ela conversa diretamente com a série de jantares comemorativos que a casa vem promovendo, e os dois movimentos contam a mesma história.

Repare no desenho da programação. Um jantar dedicado à “cozinha de produto”. Outro batizado de “Brasil Mediterrâneo”. São exatamente os pilares do novo menu: ingrediente brasileiro levado a sério, influência mediterrânea, técnica contemporânea. Não é um aniversário decorativo. É uma tese sobre identidade servida em vários pratos. O Amado não chamou nomes grandes para brilhar por associação. Chamou quem ajudou a construir a cozinha brasileira contemporânea para dizer, com todas as letras, de que lado da história ele quer estar.

A programação dos 20 anos: uma sequência de encontros

A temporada de jantares do “Amado 20 anos” começou em maio, com Filipe Rizzato, ex-Tangará. Em 14 de julho, o Amado recebe Rafael Costa e Silva, do Lasai, que cozinha ao lado de Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Origem, num jantar dedicado à cozinha de produto. Em 4 de agosto, é a vez do jantar “Brasil Mediterrâneo”, reunindo Emmanuel Bassoleil e Oscar Bosch.

Até o encerramento das comemorações, a casa ainda receberá convidados do peso de Alex Atala, Mara Salles, Roberta Sudbrack e Rodrigo Oliveira. É, sem exagero, uma das mais generosas reuniões de talento que a gastronomia baiana viu sob um mesmo teto em muito tempo.

O que faz um restaurante ser amado por 20 anos

No fim, a resposta é simples, e o Amado acaba de reafirmá-la. Uma casa não é amada pelo que ela foi. É amada por nunca ter parado de se mover. Inaugurado em 2006, de frente para a Baía de Todos-os-Santos, o Amado chega aos 20 anos fazendo o que sempre fez de melhor: olhar o mar e seguir navegando. A cozinha mudou. A vista, graças a Deus, é a mesma. E o afeto, esse, só aumentou.

Perguntas Frequentes

O que muda no novo cardápio do Amado?

O restaurante renovou entradas, pratos principais e sobremesas sob a direção dos chefs Edinho Engel e Danilo Fernandes. Entre as novidades estão o tiradito de pato ao molho katsu, o crudo de vieiras em leche de tigre, a costela braseada com canjiquinha de milho crioulo e sobremesas como a Torta de Nozes com baba de moça, ao lado de clássicos consagrados da casa.

Quais chefs participam dos jantares de 20 anos do Amado?

A programação reúne nomes como Filipe Rizzato, Rafael Costa e Silva (Lasai), Fabrício Lemos e Lisiane Arouca (Origem), Emmanuel Bassoleil, Oscar Bosch, Alex Atala, Mara Salles, Roberta Sudbrack e Rodrigo Oliveira, em uma série de encontros ao longo de 2026.

Onde fica o restaurante Amado?

O Amado fica em Salvador, na Bahia, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. Inaugurado em 2006, é um dos endereços mais celebrados da gastronomia contemporânea baiana. E a segunda unidade, inaugurada em outubro de 2025, no Shopping Salvador.

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Gero Salvador recebe Purgatório Bar em noite especial de Guest Bartender

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O bar do Fasano se une a uma das casas mais premiadas da coquetelaria baiana para uma noite de jazz, drinques autorais e alta gastronomia

No dia 16 de julho, a partir das 20h, o Gero Salvador recebe o Purgatório Bar para uma edição de Guest Bartender que une duas referências da cena gastronômica da cidade em uma só experiência: coquetéis autorais, jazz ao vivo e o serviço impecável que já é assinatura do restaurante italiano no térreo do Hotel Fasano Salvador.

O encontro não é só uma parceria pontual. É a confirmação de algo que quem acompanha a coquetelaria de Salvador já vinha percebendo: a cidade tem, hoje, talento suficiente para ocupar o centro do palco, não apenas a coadjuvância. Ao abrir suas portas para o Purgatório, o Gero reafirma esse movimento e aposta em uma noite pensada para quem gosta de prolongar a experiência entre uma taça e outra, sem pressa.

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Bar do Gero Salvador – Foto: Divulgação

Uma noite inspirada nos grandes bares de hotel

A proposta evoca o imaginário dos bares de hotel espalhados pelo mundo, aqueles endereços que se tornam ponto de encontro por si só, com atmosfera cosmopolita e uma mistura constante de gente local e visitante. No Gero, essa inspiração ganha contornos leves: jazz ao vivo, boa conversa e uma seleção de drinques que vai do clássico ao experimental, convidando tanto turistas quanto moradores da cidade a ficarem um pouco mais.

Purgatório Bar: a casa que colocou o Nordeste no mapa da coquetelaria

Inaugurado em outubro de 2022, o Purgatório Bar resgatou em Salvador a linguagem dos speakeasies, bares de atmosfera reservada e identidade autoral forte. Criado por Pedro Magalhães, Edno Alves e Jonatan Albuquerque, o projeto ganhou projeção rápida: em menos de um ano de existência, já havia recebido o prêmio de Melhor Carta de Bebidas do Brasil pela revista Prazeres da Mesa, título que repetiu no ano seguinte. A casa também entrou para a lista internacional Top 500 Bars, sendo o primeiro bar do Norte e Nordeste a figurar no ranking, com retorno confirmado em 2025.

Para a noite no Gero, a equipe leva uma seleção que traduz seu olhar sobre técnica e território. O Terrazza Fasano, com Tanqueray Nº Ten, divide espaço com o Cajíves, que combina vodka Ketel One, vermouth de caju, redução de caju com especiarias, limão-taiti e clarificação em leite de castanha de caju, e o Capoeira, que leva cachaça Ypióca envelhecida em amburana lavada em licuri, cupuaçu, mel de cacau, limão-taiti e carbonatação. Ingredientes baianos tratados com precisão de bar internacional.

Os drinques exclusivos do Gero Salvador

A casa também apresenta rótulos autorais criados especialmente para a unidade baiana. O Jorge Amado une Black Label infusionado na manteiga de garrafa, limão siciliano e baunilha. O Lampone Spritz aposta em Aperol infusionado em framboesa, espumante e água com gás. Já o Dona Flor combina Tanqueray, cordial de framboesa e hibisco e tônica, uma homenagem clara ao imaginário literário baiano.

O cenário: um prédio histórico na Rua Chile

Localizado no térreo do Hotel Fasano Salvador, em um prédio histórico na Rua Chile, no Centro Histórico, o Gero Salvador combina arquitetura preservada com atmosfera contemporânea. É nesse cenário que a coquetelaria ganha protagonismo, como extensão natural da experiência gastronômica da casa, em sintonia com o espírito dos bares de hotel ao redor do mundo: elegantes, sem pretensão, sempre abertos a uma nova história.

Serviço

Evento: Guest Bartender: Gero Salvador & Purgatório Bar
Data: 16 de julho de 2026, das 20h às 23h30
Local: Gero Salvador, Praça Castro Alves, 05, Salvador, Bahia
Informações e reservas: 71 2201-6332 | 71 9 9946-4088 | eventos.ssa@fasano.com.br | @fasanosalvador

Perguntas Frequentes

O que é o Guest Bartender do Gero Salvador com o Purgatório Bar?

É uma edição especial em que o Purgatório Bar assina uma seleção de coquetéis autorais dentro do Gero Salvador, unida a jazz ao vivo e à gastronomia italiana da casa, no dia 16 de julho de 2026.

Quando e onde acontece o evento?

O evento acontece no dia 16 de julho de 2026, das 20h às 23h30, no Gero Salvador, localizado na Praça Castro Alves, 05, no térreo do Hotel Fasano Salvador, em Salvador.

É preciso reservar para participar?

As reservas podem ser feitas pelos telefones 71 2201-6332 e 71 9 9946-4088, ou pelo e-mail eventos.ssa@fasano.com.br.

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Amado 20 anos: Série de jantares celebra história em Salvador

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Restaurante de Edinho Engel reúne nomes de peso da gastronomia nacional no dia 14 de julho, no jantar “Cozinha de Produto”

O Amado, comandado pelo restaurateur Edinho Engel à beira da Baía de Todos os Santos, celebra duas décadas de história em 2026 com o projeto “20 ANOS sendo AMADO”, uma série de jantares comemorativos que segue até dezembro.

A próxima edição acontece no dia 14 de julho, às 20h, com o tema “Cozinha de Produto”, reunindo o chef Rafa Costa e Silva, do Lasai (Rio de Janeiro), os baianos Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Grupo Origem, e o sommelier Manoel Beato, do Fasano, ao lado de Edinho e do chef residente Danilo Fernandes.

Amado: Duas décadas à beira da Baía de Todos os Santos

Quando abriu as portas no Comércio, em 2006, o Amado chegava a uma Salvador que começava a expandir seus horizontes gastronômicos para além da culinária baiana tradicional. Vinte anos depois, o restaurante de Edinho Engel se consolidou como um dos endereços de referência da cidade, colecionando reconhecimentos como o de Melhor Restaurante pela Veja Salvador e destaque nacional no Prêmio Gula nos primeiros anos de operação.

Mais do que prêmios, o que define a casa é a vocação para o encontro. Ao longo de duas décadas, o salão com vista para a Baía de Todos os Santos reuniu chefs, artistas, personalidades e viajantes do mundo inteiro, sempre em torno de uma cozinha brasileira contemporânea construída sobre hospitalidade e produto.

A trajetória de Edinho ajuda a explicar essa identidade. Nascido em uma família rural mineira, formado em Ciências Sociais em São Paulo, ele deixou a carreira no Metrô para empreender na gastronomia. Antes do Amado, fundou o Manacá, em Camburi, casa pioneira na valorização de peixes, frutos do mar e ingredientes brasileiros no litoral paulista durante os anos 1990.

“Cozinha de Produto”: o encontro de 14 de julho

A edição de julho da série comemorativa coloca a matéria-prima no centro da mesa. O tema “Cozinha de Produto” propõe destacar ingredientes, produtores e a origem dos alimentos, filosofia que une os convidados da noite.

Rafa Costa e Silva chega a Salvador com credenciais raras: seu Lasai, no Rio de Janeiro, ostenta duas estrelas Michelin e presença constante nas listas do The World’s 50 Best Restaurants desde 2015. Formado pelo The Culinary Institute of America, em Nova York, o chef passou cinco anos no espanhol Mugaritz, de Andoni Luis Aduriz, período em que a casa figurou entre os melhores restaurantes do mundo.

Já Fabrício Lemos e Lisiane Arouca dispensam apresentações para o público baiano. O casal à frente do Grupo Origem, que inclui Origem, Ori, Minibar Gem, Segreto Ristorantino, Boteco Megiro e Orí Rooftop, viu seu restaurante principal conquistar o primeiro lugar no ranking dos 100 Melhores Restaurantes do Brasil da Revista Exame em 2025. Curiosamente, a história de Fabrício passa pelo próprio Amado, uma das casas em que trabalhou após retornar dos Estados Unidos, onde se formou pelo Le Cordon Bleu.

Completam a brigada o anfitrião Edinho Engel e Danilo Fernandes, chef residente do Amado, soteropolitano com passagens por Al Mare, Origem e Ori, que imprime à casa uma cozinha de base clássica francesa e italiana com traços contemporâneos de brasilidade.

O menu de sete tempos

O cardápio da noite distribui as assinaturas entre os convidados. Rafa Costa e Silva prepara o araruta com tartare de Wagyu, rabanete e agrião, além da lagosta com capim-limão, pupunha, maxixe e pimenta de cheiro. Fabrício Lemos assina o caldinho Kimure com pãozinho, vatapá e siri, e a carne de sol em demi-glace com agnolotti de milho, milho assado e agrião.

Edinho e Danilo respondem pelo crudo de ariocó com maçã verde, abacate, cream sour e ovas de salmão, e pelo porco preto da Canastra ao molho do assado, com tartare de banana da terra, coentros e quiabo. O encerramento fica com Lisiane Arouca: bombocado de fubá e queijo, sorvete de pamonha, tempurá de milho, coulis e tuile de amora.

Para acompanhar, duas opções de harmonização: a seleção assinada por Manoel Beato, sommelier há mais de 30 anos no Fasano e autor do Guia de Vinhos Larousse (R$ 430 por pessoa), ou a harmonização sugerida pela casa (R$ 270 por pessoa).

A série segue até dezembro

Iniciado em março com o chef Filipe Rizzato, do Palácio Tangará (SP), o projeto “20 ANOS sendo AMADO” tem calendário confirmado até o fim do ano: “Brasil Mediterrâneo” em agosto, “Laboratório de Cozinha Brasileira” em setembro, “Cozinha Afetiva” em outubro e “Novos e Velhos Baianos” em dezembro.

Serviço

“20 ANOS sendo AMADO” – Cozinha de Produto
Data: 14 de julho de 2026, às 20h
Local: Restaurante Amado, Rua Lafayete Coutinho, 660, Comércio, Salvador (BA)
Menu degustação: R$ 480 por pessoa
Harmonização Amado: R$ 270 por pessoa
Harmonização do sommelier Manoel Beato: R$ 430 por pessoa
Reservas e contato: (71) 99231-4660
Instagram: @restauranteamado
Funcionamento do restaurante: segunda a sábado, das 12h às 23h

Perguntas Frequentes

O que é o projeto “20 ANOS sendo AMADO”?

É a série de jantares comemorativos dos 20 anos do restaurante Amado, em Salvador. A cada edição, Edinho Engel e o chef residente Danilo Fernandes recebem chefs convidados de destaque nacional. O projeto começou em março de 2026 e segue até dezembro.

Quando acontece o jantar “Cozinha de Produto” e quanto custa?

O jantar acontece no dia 14 de julho de 2026, às 20h, no Amado, no bairro do Comércio, em Salvador. O menu degustação de sete pratos custa R$ 480 por pessoa, com harmonizações opcionais de R$ 270 (seleção da casa) ou R$ 430 (seleção do sommelier Manoel Beato).

Como fazer reserva para o jantar no Amado?

As reservas são feitas pelo telefone (71) 99231-4660, que também atende por WhatsApp. Pela quantidade limitada de lugares e pelo peso dos chefs convidados, a recomendação é reservar com antecedência.

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Feira Naturebas 2026: o crescimento do vinho natural no Brasil pelos olhos de Carol Souzah

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Sommelière e colunista do Muito Gourmet indica os produtores de vinho natural que valem a descoberta, mesmo sem sair de casa

Existe um termômetro para medir o momento do vinho natural no Brasil, e ele fica em São Paulo: a Feira Naturebas, que realizou sua edição 2026 nos dias 27 e 28 de junho e reuniu mais de 180 produtores de cerca de 14 países. Nesta coluna, a sommelière Carol Souzah, que acompanha o movimento de vinhos de mínima intervenção desde suas primeiras ondas no país, comenta o crescimento do evento criado por Lis Cereja e compartilha sua lista pessoal de produtores para conhecer. Um roteiro afetivo e preciso para quem quer entender por que esse estilo de vinho conquista cada vez mais taças pelo Brasil.

A feira que virou referência na América Latina

Quando o assunto é vinho de mínima intervenção, existe um evento que se tornou referência para quem quer entender para onde esse movimento está caminhando: a Feira Naturebas, que aconteceu nos dias 27 e 28 de junho, em São Paulo.

Criada por Lis Cereja, uma das precursoras do vinho natural no Brasil, a Naturebas nasceu pequena e ajudou a impulsionar esse movimento no país. Lis, que também esteve à frente da Enoteca Saint VinSaint, atualmente fechada, foi a principal responsável por aproximar produtores, profissionais e consumidores desse universo. Hoje, a feira é considerada o principal evento de vinhos naturais da América Latina e, mesmo sem ser a maior do Brasil em público ou volume de negócios, já figura entre os encontros mais relevantes do calendário nacional do vinho. Mais do que uma feira, tornou-se um ponto de encontro entre produtores, importadores, sommeliers, jornalistas e apaixonados por vinhos feitos com menos maquiagem e mais identidade.

Este ano não consegui estar em São Paulo, mas acompanhei tudo de longe, feliz em ver como o evento continua crescendo e reunindo produtores que admiro profundamente. Em um mercado onde ainda existe muito preconceito e desinformação sobre esse estilo de vinho, ver a Naturebas ocupar cada vez mais espaço é uma ótima notícia. Em apenas dois dias, a feira reuniu mais de 180 produtores de aproximadamente 14 países, representantes e cerca de 3 mil visitantes, que estiveram ali para degustar, conhecer e comprar diretamente de quem produz.

Os produtores que não podem faltar na sua lista

Todos os anos recebo mensagens perguntando: “Carol, quais produtores eu não posso deixar de visitar?”. A verdade é que responder isso nunca é fácil. A qualidade cresce a cada edição e a lista de gente fazendo um trabalho sério parece aumentar na mesma velocidade.

Mas alguns nomes sempre ocupam um lugar especial nas minhas indicações. Se você quer conhecer melhor esse universo, pode começar por eles. Aliás, já vale guardar essa lista para a próxima edição da Naturebas. E, enquanto ela não chega, a boa notícia é que todos esses produtores comercializam seus vinhos online, então dá para explorar esse mundo sem sair de casa.

Ivan Tissato continua sendo, há alguns anos, um dos meus produtores preferidos. Seus vinhos conseguem unir personalidade, precisão e delicadeza de uma forma rara. São garrafas que sempre me emocionam.

Também faço questão de indicar a Valparaíso Vinhos e Vinhedos, que produz vinhos extremamente equilibrados, respeitando o tempo da natureza e mostrando que intervenção mínima não significa falta de técnica, muito pelo contrário.

Era dos Ventos, Vanessa Medin, Casa Viccas, Domaine Comte Armand, de Geoffroy de la Croix, Bodegas Krontiras, Juanfa Suárez, Roca Madre, Traslapiedra, em Paraje Altamira, Montaneus, de Gabriela Suthoff, Famiglia Boroto e German Masera são outros produtores que considero paradas obrigatórias para quem deseja conhecer diferentes interpretações desse universo.

Gabriela Suthoff merece um carinho especial. Conheci seu trabalho no ano passado, apresentada pela minha amiga Guadalupe, e desde então virei uma grande admiradora da sensibilidade e equilíbrio presente em seus vinhos.

E, se existe um vinho laranja que até hoje ocupa o topo da minha lista de favoritos, ele vem da Escala Humana Wines. O Livverá da uva Malvasia é um daqueles rótulos que ficam na memória e que sempre volto a indicar quando alguém quer entender o potencial desse estilo.

Mais do que uma feira, um movimento

A lista poderia seguir por muitas linhas. Certamente deixei produtores incríveis de fora e já peço desculpas por isso. Felizmente, esse é um mercado que cresce todos os anos, revelando novos nomes e novas histórias.

No fim das contas, talvez seja justamente isso que torne a Naturebas tão importante. Ela não reúne apenas produtores. Reúne pessoas que acreditam que o vinho pode ser mais transparente, mais conectado ao lugar de onde vem e, principalmente, mais humano.

E é bonito ver esse movimento crescer e fazer da Feira Naturebas um evento cada vez mais importante. A cada edição, mais pessoas descobrem que existe um jeito diferente de fazer vinho. E, para mim, isso sempre vale um brinde.

Perguntas Frequentes

O que é a Feira Naturebas?

A Feira Naturebas é o principal evento de vinhos naturais da América Latina, criado por Lis Cereja em São Paulo. A edição 2026 aconteceu nos dias 27 e 28 de junho e reuniu mais de 180 produtores de cerca de 14 países, com degustação e venda direta ao público.

O que é vinho natural ou de mínima intervenção?

Vinho natural é aquele produzido com o mínimo de interferência química e tecnológica, do vinhedo à garrafa. A proposta é expressar a identidade da uva e do lugar de origem, com menos aditivos e mais transparência no processo.

Onde comprar vinhos naturais no Brasil?

Muitos produtores e importadores de vinho natural vendem diretamente online, o que permite explorar o estilo sem sair de casa. Nomes como Ivan Tissato, Valparaíso Vinhos e Vinhedos e Escala Humana Wines estão entre as indicações da sommelière Carol Souzah

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Purgatório Bar sobe 41 posições no Top 500 Bars e segue entre os melhores do mundo em 2026

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Speakeasy de Salvador alcança a 435ª colocação no ranking internacional e celebra o resultado com a carta autoral “Confia na Bahia”

O Purgatório Bar, speakeasy de Salvador, está entre no Top 500 Bars 2026 do mundo pelo terceiro ano consecutivo, segundo o ranking internacional Top 500 Bars. Na edição de 2026, a casa aparece na 435ª colocação, um salto de 41 posições em relação ao ano anterior, quando ocupou o 476º lugar. De acordo com a organização do prêmio, o Purgatório segue como o único bar das regiões Norte e Nordeste do Brasil presente na lista, condição que reforça o peso do resultado para a coquetelaria baiana.

O avanço chega em um momento simbólico para a casa: o de olhar para dentro. Com a recém-lançada carta “Confia na Bahia”, o bar aposta em traduzir ingredientes, memórias e referências culturais do território em coquetéis contemporâneos, uma proposta que conecta o reconhecimento global à identidade local que o sustenta.

Um ranking construído a partir de mais de duas mil fontes

Criado pela dupla de blogueiros do Le Cocktail Connoisseur, o Top 500 Bars é considerado uma das premiações mais abrangentes do setor de bares e coquetelaria. A metodologia analisa mais de duas mil fontes online, cruzando avaliações de especialistas, jornalistas e influenciadores de diversos países, publicadas em mais de 20 idiomas.

É justamente essa amplitude que dá densidade ao resultado: não se trata de um júri fechado, mas de uma leitura global do que se escreve, avalia e recomenda sobre bares ao redor do mundo. Até o momento, a edição de 2026 divulgou as posições entre o 430º e o 500º lugares, faixa em que o Purgatório figura com o avanço expressivo de 41 colocações.

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Purgatório Bar sobe 41 posições no Top 500 Bars e segue entre os melhores do mundo em 2026

Terceiro ano consecutivo entre os melhores do mundo

A permanência no ranking por três edições seguidas indica algo além de um bom momento: consistência. Em um cenário dominado por casas de eixos consolidados como Londres, Nova York, Cidade do México e São Paulo, sustentar presença internacional a partir de Salvador é um feito que projeta não apenas o bar, mas a cena baiana de coquetelaria como um todo.

“Estar entre os melhores bares do mundo pelo terceiro ano consecutivo e, ainda, conquistar um avanço tão significativo no ranking é motivo de muito orgulho para toda a equipe. Esse reconhecimento mostra que é possível produzir coquetelaria de excelência a partir de Salvador, valorizando nossa identidade, nossos ingredientes e nossa criatividade. Seguimos comprometidos em proporcionar experiências cada vez mais marcantes e em levar o nome da Bahia para o cenário internacional”, afirma Jonatan Albuquerque, bartender, sócio e diretor criativo do Purgatório Bar.

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Jonatan Albuquerque – Foto: Divulgação

“Confia na Bahia”: a identidade como projeto

O reconhecimento internacional acompanha uma nova fase do Purgatório, marcada por uma proposta ainda mais autoral. A carta “Confia na Bahia” parte de uma premissa clara: a de que o repertório baiano, seus ingredientes, suas memórias afetivas, seus códigos culturais, é matéria-prima de alta mixologia.

Na prática, isso significa um cardápio que privilegia produtores locais e transforma referências do território em experiências líquidas contemporâneas. Ao invés de buscar validação em fórmulas importadas, o bar escolheu o caminho inverso: traduzir a Bahia em linguagem de coquetel e projetá-la para o circuito global. O resultado no Top 500 Bars sugere que a aposta está certa.

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Café Elétrico da Carta Confia na Bahia – Foto: Bruna Leite

Salvador no mapa da coquetelaria mundial

Para a cidade, o desempenho do Purgatório tem valor que ultrapassa as paredes do speakeasy. A presença contínua de um bar soteropolitano em um ranking internacional dessa envergadura posiciona Salvador na conversa global sobre coquetelaria autoral, ao lado de destinos já consagrados, e fortalece o turismo gastronômico local.

Perguntas Frequentes

Qual a posição do Purgatório Bar no Top 500 Bars 2026?

O Purgatório Bar, de Salvador, ocupa a 435ª colocação no Top 500 Bars 2026, um avanço de 41 posições em relação a 2025, quando ficou em 476º lugar. É o terceiro ano consecutivo do bar no ranking.

O que é o Top 500 Bars?

O Top 500 Bars é um ranking internacional criado pelos blogueiros do Le Cocktail Connoisseur. A lista é elaborada a partir da análise de mais de duas mil fontes online, com avaliações de especialistas, jornalistas e influenciadores em mais de 20 idiomas.

O que é a carta “Confia na Bahia” do Purgatório Bar?

“Confia na Bahia” é a nova carta autoral do Purgatório Bar, que transforma ingredientes, memórias e referências culturais baianas em coquetéis contemporâneos, com valorização de produtores locais.

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Cork Wine Lab promove degustações de vinhos dos EUA e Portugal

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O wine bar recém-inaugurado na Pituba dedica julho a dois roteiros temáticos guiados

Recém-chegado à Pituba, o Cork Wine Lab reserva julho para duas degustações guiadas que atravessam continentes sem sair de Salvador. No dia 7, o roteiro percorre rótulos dos Estados Unidos, com vinhos da Califórnia e do Oregon. No dia 22, a vez é de Portugal, com garrafas que passam por Vinhos Verdes, Dão, Bairrada e Alentejo. Os dois encontros começam às 19h30 e custam R$ 329 para o público geral, com valor reduzido de R$ 289 para assinantes do Clube Cork.

Uma noite pelos vinhedos americanos

A primeira experiência reúne seis rótulos que sintetizam boa parte do que há de mais relevante na produção vinícola dos Estados Unidos. O roteiro passa pelo Cloudline Pinot Noir, do Willamette Valley, um dos nomes de referência do Oregon na variedade, e segue para Napa Valley com o Karia Chardonnay, da Stag’s Leap Wine Cellars.

Sonoma entra na taça com o Decoy Cabernet Sauvignon, de Alexander Valley, enquanto o Saldo Zinfandel representa o perfil intenso e concentrado que marca a uva nos Estados Unidos. O Caymus Vineyards Cabernet Sauvignon, um dos rótulos mais celebrados de Napa Valley, e o Belle Glos Pinot Noir, de Santa Lucia Highlands, região reconhecida pela elegância de seus tintos, fecham a seleção.

Portugal em seis taças, do Minho ao Alentejo

Duas semanas depois, no dia 22, o Cork Wine Lab muda de continente e propõe uma travessia por diferentes terroirs portugueses. A degustação abre com o Soalheiro Alvarinho, um dos grandes nomes de Monção e Melgaço, na região dos Vinhos Verdes, e segue para o Dão com o Quinta dos Carvalhais Encruzado.

A seleção passa ainda por um tinto de Antônio Madeira, com predominância da uva Alfrocheiro, e por dois rótulos da Bairrada elaborados com Baga: o Quinta do Moinho, de Luís Pato, e o Post-Quercus, de Filipa Pato. O Mouchão, do Alentejo, vinho reconhecido internacionalmente por seu trabalho com a uva Alicante Bouschet, encerra o roteiro.

A proposta por trás do copo

Para Fred Poli, sócio do Cork Wine Lab, a ideia das degustações vai além de provar rótulos importantes. “Mais do que provar grandes rótulos, essas experiências permitem entender a história, o terroir e o estilo de cada região produtora. Selecionamos vinhos que são referências em seus países e que ajudam a mostrar toda a diversidade e riqueza que o universo do vinho pode oferecer. É uma oportunidade de viajar pelo mundo através da taça”, destaca.

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Fred Poli – Divulgação

A casa, instalada na Rua das Hortênsias, 478, na Pituba, reúne wine bar, loja especializada e cursos em um espaço pensado para tornar a cultura do vinho mais acessível, seja para quem já tem repertório ou para quem está começando a explorar o tema.

Serviço

O quê: Degustações temáticas Estados Unidos e Portugal
Quando: 7 de julho (EUA) e 22 de julho (Portugal), às 19h30
Onde: Cork Wine Lab, Rua das Hortênsias, 478, Pituba, Salvador
Valores: R$ 329 (público geral) e R$ 289 (assinantes Clube Cork)
Vagas: Limitadas
Reservas e informações: @corkwinelab

Quando são as degustações do Cork Wine Lab em julho?

As degustações acontecem em duas datas: dia 7 de julho, dedicada a vinhos dos Estados Unidos, e dia 22 de julho, com vinhos de Portugal. Ambas começam às 19h30.

Quanto custa participar das degustações?

O valor é de R$ 329 para o público geral e R$ 289 para assinantes do Clube Cork. As vagas são limitadas.

Onde fica o Cork Wine Lab?

O espaço fica na Rua das Hortênsias, 478, no bairro da Pituba, em Salvador, e reúne wine bar, loja especializada e cursos sobre vinho.


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Três Tipos de Degustadores: Qual Deles É Você?

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Por que algumas pessoas sentem mais sabores que outras? Descubra que tipo de degustador você é.

Por que duas pessoas podem provar o mesmo vinho e discordar completamente sobre acidez, amargor ou taninos?

A resposta, segundo a ciência da percepção, pode estar menos no repertório e mais na biologia de cada língua. Em sua nova coluna, a sommelière Carol Souzah parte de uma distração durante a leitura do Wine Folly para chegar a uma classificação popularizada pela pesquisadora americana Linda Bartoshuk, que divide os degustadores em três grupos distintos.

Com leveza, bom humor e um teste caseiro que você pode fazer agora mesmo, Carol mostra por que, na hora de sentir um vinho, nem todo paladar nasce igual.

Três Tipos de Degustadores: Qual Deles É Você?

Outro dia, precisei consultar uma informação no livro Wine Folly e acabei me distraindo com um assunto que não tinha nada a ver com o que eu estava procurando. Acontece com frequência. Você abre um livro atrás de uma resposta e encontra uma pergunta muito mais interessante.

A pergunta era simples: por que algumas pessoas percebem tantos detalhes em um vinho e outras não?

Não estou falando de conhecimento, experiência ou treinamento. Estou falando de biologia. A resposta pode estar bem debaixo do seu nariz.

Ou melhor, dentro da sua boca.

A quantidade de papilas gustativas que cada pessoa possui influencia diretamente a forma como percebe sabores. E isso ajuda a explicar por que algumas pessoas acham um vinho extremamente tânico, enquanto outras o consideram macio. Por que um vinho pode parecer muito ácido para alguém e perfeitamente equilibrado para outra pessoa.

Os três grandes grupos de degustadores

Segundo os estudos, existem três grandes grupos de degustadores.

Os menos sensíveis, os degustadores médios e os superdegustadores.

Os menos sensíveis costumam perceber menos intensidade nos sabores. O amargor incomoda menos, a adstringência dos taninos parece mais suave e vinhos mais potentes geralmente são recebidos com facilidade.

Os degustadores médios representam a maior parte da população. Percebem diferenças e nuances, mas dentro de uma faixa considerada normal.

Já os superdegustadores vivem uma experiência sensorial em alta definição. Sentem com mais intensidade o amargor, a acidez, a picância e até algumas sensações táteis dos alimentos e bebidas.

Homens, mulheres e a sensibilidade ao sabor

E aqui entra uma curiosidade interessante para o universo do vinho.

As mulheres têm cerca de duas vezes mais chances de serem superdegustadoras do que os homens. Isso acontece porque, em média, apresentam uma maior concentração de papilas gustativas.

Antes que os homens reclamem da informação, vale lembrar que ter mais sensibilidade não significa necessariamente degustar melhor. Significa apenas receber mais estímulos. Transformar essas sensações em análise continua dependendo de prática, repertório e treinamento.

O teste das papilas que você pode fazer em casa

Mas agora vem a parte divertida.

Você pode fazer um teste simples em casa.

Pegue um furador de papel e faça um pequeno círculo em uma folha branca. Posicione esse círculo na ponta da língua e observe os pontinhos arredondados, levemente mais avermelhados. São as papilas fungiformes, uma das estruturas responsáveis pela percepção dos sabores.

Conte quantas aparecem dentro do círculo.

Menos de 15: você provavelmente está entre os menos sensíveis.
Entre 15 e 30: degustador médio.
Mais de 30: existe uma boa chance de você ser um superdegustador.

No meu caso, o resultado me coloca no quinto trecho da escala, com uma tendência maior a perceber amargor e salinidade. O que nem sempre é uma vantagem.

Dois paladares e o mesmo vinho

Não encare isso como um exame científico. Pense mais como uma brincadeira capaz de explicar algo que vejo frequentemente nas degustações.

Duas pessoas podem provar exatamente o mesmo vinho e ambas estarem certas em suas percepções.

Talvez uma delas esteja sentindo muito mais do que a outra.

Da próxima vez que alguém ao seu lado disser que está sentindo algo que você não percebeu, não pense imediatamente que a pessoa está exagerando. Talvez ela simplesmente tenha recebido uma língua diferente da sua.

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

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Festival Baiano de Cafés 2026 põe as mulheres agricultoras no centro do café da Bahia

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Maior evento de cafés especiais do estado acontece em agosto, no Trapiche Barnabé, com protagonismo feminino.

Salvador volta a ser o ponto de encontro da cafeicultura baiana nos dias 15 e 16 de agosto, quando o Trapiche Barnabé recebe o Festival Baiano de Cafés 2026, apontado pela organização como o maior evento do segmento no estado. Em 2026, além de reunir produtores, torrefações, cafeterias, baristas, compradores e curiosos em torno da xícara, o festival assume um recorte claro: colocar as mulheres agricultoras e as profissionais do setor no centro da programação e da conversa sobre o presente e o futuro do café.

A escolha não é aleatória. A Assembleia Geral da ONU declarou 2026 o Ano Internacional da Mulher Agricultora, e o Festival Baiano de Cafés veste essa pauta sem rodeios. O tema desta edição, “Compromisso, Tempo e Transformação”, funciona como fio condutor de dois dias dedicados a reconhecer quem sustenta a cadeia produtiva longe dos holofotes.

Um tema sobre quem constrói o café todo dia

À frente da organização está Brenda Matos, especialista em cafés de qualidade e colunista do Muito Gourmet, que resume o espírito da edição. “O tema deste ano, ‘Compromisso, Tempo e Transformação’, propõe uma reflexão sobre os profissionais e territórios que sustentam o desenvolvimento do setor. É uma homenagem a quem constrói o café diariamente: agricultores, cooperativas, baristas, torradores, empreendedores e todos os agentes que mantêm viva uma cadeia produtiva cada vez mais reconhecida pela qualidade, sustentabilidade e inovação”, explica.

Mais do que celebrar o produto pronto, a proposta é olhar para o percurso. “Compromisso é o que faz o café existir: na mão que planta todos os anos, no barista que pratica todos os dias, na cooperativa que resiste a cada safra. Nesta edição, queremos reconhecer quem permaneceu, quem acreditou e quem ajudou a transformar a cafeicultura baiana ao longo do tempo”, destaca a organizadora.

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Foto: Arivaldo Publio

2026, o ano em que o mundo olha para a mulher do campo

A decisão de centrar a programação nas agricultoras dialoga com um movimento internacional. Ao declarar o Ano Internacional da Mulher Agricultora pela resolução A/RES/78/279, a ONU convocou países e organizações a ampliar a visibilidade das mulheres que produzem alimentos e que, muitas vezes, seguem invisíveis nas estatísticas e nas decisões do setor. Dados da FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura encarregada de coordenar a agenda, ajudam a dimensionar esse peso: as mulheres representam cerca de 39,6% da força de trabalho agrícola global.

No café, a presença feminina atravessa toda a cadeia, da lavoura à xícara servida no balcão. Trazer essas profissionais para o palco principal do maior festival de cafés especiais da Bahia é, ao mesmo tempo, gesto simbólico e reconhecimento de uma realidade produtiva que já existe.

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Foto: Arivaldo Publio

Bahia, território de café especial

O festival também reforça um ponto que o mercado nacional vem descobrindo aos poucos: a Bahia é potência cafeeira. Maior produtor de café do Nordeste e um dos principais estados produtores do país, o território reúne origens, terroirs e modelos produtivos distintos, dos cafés de altitude da Chapada Diamantina aos plantios do oeste baiano. Essa diversidade tem conquistado espaço crescente no mercado nacional e internacional, e o Festival Baiano de Cafés funciona como vitrine dessa produção.

Ao aproximar campo e cidade, produtores e consumidores, tradição e inovação, o evento se firma menos como feira pontual e mais como plataforma de valorização da cultura cafeeira baiana.

Dois dias de café, conversa e música

A programação da IV edição combina negócio e experiência. Ao longo dos dois dias, o público encontra palestras, rodas de conversa, oficinas, degustações guiadas, experiências sensoriais e shows musicais, além de uma feira com produtores, cafeterias, torrefações, cooperativas e marcas especializadas. É espaço tanto para o profissional que vai fechar contrato quanto para o visitante que quer entender por que aquele café custa o que custa.

A expectativa da organização dá a medida da ambição: 70 expositores confirmados, projeção de mais de 2 mil visitantes por dia e a meta de movimentar mais de R$ 500 mil em negócios, números que, se confirmados, fazem desta a maior edição do festival até aqui. O Festival Baiano de Cafés 2026 é promovido pela Rede Amo e pela Xodó Cafés Especiais.

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Foto:Arivaldo Publio

Inscrições abertas para expositores

Quem quer expor no Festival Baiano de Cafés 2026 já pode se inscrever. As inscrições para expositores abriram em 16 de junho e seguem até 30 de junho, pelo formulário oficial disponibilizado pela organização (forms.gle/7DnvoaYufDBL1iU19).

Festival Baiano de Cafés 2026
Foto: Arivaldo Publio

Serviço Festival Baiano de Cafés 2026

Festival Baiano de Cafés 2026
Quando: 15 e 16 de agosto de 2026
Onde: Trapiche Barnabé, Salvador, Bahia
Tema: Compromisso, Tempo e Transformação
Programação: 70 expositores, palestras, oficinas, degustações e experiências sensoriais
Inscrições para expositores: até 30 de junho, em forms.gle/7DnvoaYufDBL1iU19
Realização: Rede Amo e Xodó Cafés Especiais


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