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Proa Cervejaria, de Débora Lehnen, é eleita a melhor da Bahia na semana do Dia da Mulher

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Proa Cervejaria conquista título estadual e ouro com Sour de Caju na semana do Dia da Mulher

Débora Lehnen, mestre cervejeira da Proa Cervejaria, conquistou um dos maiores reconhecimentos da cena artesanal brasileira na semana do Dia Internacional da Mulher. A marca foi eleita a melhor cervejaria da Bahia no 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em Blumenau (SC).

O resultado foi divulgado nesta terça-feira (3), em Blumenau (SC), cidade considerada referência nacional na produção cervejeira artesanal e sede de um dos eventos mais respeitados da indústria no Brasil.

À frente da marca está a mestre cervejeira Débora Lehnen, responsável pela criação e desenvolvimento dos rótulos da casa. Além de comandar a produção da Proa, ela também integrou o corpo de jurados da competição em outras categorias, reforçando seu reconhecimento técnico dentro do mercado cervejeiro nacional.

A conquista ganha ainda mais significado por ocorrer na semana em que se celebra a presença e a atuação feminina em diferentes áreas profissionais, inclusive em um setor historicamente dominado por homens.

Debora Lehnen
Débora Lehnen (Divulgação)

Ouro para a Sour de Caju: técnica e identidade brasileira no copo

Entre os destaques da premiação está a medalha de ouro conquistada pela Sour de Caju, rótulo produzido no estilo Berliner-Style Weisse.

A cerveja chamou atenção dos jurados por unir técnica cervejeira e identidade regional, explorando o caju, fruta profundamente ligada à cultura e aos sabores do Nordeste, como protagonista da receita.

O resultado é uma cerveja leve, refrescante e marcada pela acidez equilibrada, características típicas do estilo, mas com um toque tropical que reforça a personalidade brasileira do rótulo.

Concurso reuniu quase 3 mil rótulos de todo o Brasil

A edição 2024 do Concurso Brasileiro de Cervejas reuniu cerca de 2,7 mil rótulos inscritos, com cervejarias de 15 estados brasileiros premiadas ao longo da competição.

Além das medalhas por estilo, o evento também elegeu as melhores cervejarias de cada unidade da federação, oferecendo um panorama atualizado da produção artesanal no país.

Nesse cenário altamente competitivo, o título conquistado pela Proa reforça a qualidade da produção baiana e o crescimento da cena cervejeira do estado.

A força da nova cena cervejeira baiana

Nos últimos anos, a cultura da cerveja artesanal na Bahia vem ganhando projeção nacional ao apostar em inovação, qualidade técnica e no uso criativo de ingredientes locais.

Frutas tropicais, especiarias e insumos regionais têm inspirado receitas que dialogam com o território e ajudam a construir uma identidade própria para a produção cervejeira do estado.

Para a Proa Cervejaria e sua mestre cervejeira, Débora Lehnen, o reconhecimento no Concurso Brasileiro de Cervejas simboliza mais do que uma premiação: representa o amadurecimento de um mercado que cresce em diversidade, criatividade e protagonismo, agora também marcado pela liderança feminina.

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Do Coado ao Espresso inaugura cafeteria na Pituba e coloca Salvador no mapa da melhor torrefação do Brasil

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Campeã nacional na Semana Internacional do Café abre primeira loja física e aposta em formação, experiência sensorial e valorização do café baiano

Salvador ganha, oficialmente, um novo endereço para os apaixonados por café especial. A Do Coado ao Espresso (DCAE), eleita Torrefação do Ano do Brasil, inaugura no próximo dia 3 de março sua primeira cafeteria física, na Rua das Hortênsias, nº 776, na Pituba.

O espaço já operava em fase de testes, quase em silêncio, como quem prepara o palco antes do grande espetáculo. Agora, abre as portas com a chancela que consolidou a marca no cenário nacional: o título conquistado na Semana Internacional do Café (SIC), realizada em Belo Horizonte, maior feira do setor no país. A competição reuniu 137 torrefações de todo o Brasil, com avaliação conduzida por júri técnico especializado.

A partir dessa conquista, Salvador passa a figurar de forma definitiva no mapa brasileiro dos cafés especiais.

Da advocacia à torra perfeita: a virada que mudou o rumo

À frente da DCAE está Flávio Camargos, mestre de torras, Q-Grader — certificação internacional de classificação e avaliação de cafés e Barista SCA. Mas o caminho até aqui não começou entre grãos e curvas de torra.

Foi durante uma reunião profissional, ainda na época em que atuava como advogado, que o café mudou de figura. “Foi amor ao primeiro gole”, relembra. O que encontrou na xícara não era o líquido amargo e excessivamente açucarado do cotidiano apressado, mas uma bebida com acidez equilibrada, doçura natural e camadas de sabor.

Durante a pandemia, a torra começou como hobby em casa, ao lado do sócio Matheus Maciel. Pequenos lotes vendidos a amigos rapidamente se transformaram em demanda crescente. No fim de 2020, o que era experimento virou negócio estruturado, com formação técnica, cursos de barismo, degustação, educação sensorial e visitas a produtores para compreender cada elo da cadeia.

Hoje, Flávio é responsável pela curadoria dos grãos e pelo desenvolvimento dos perfis de torra, tanto para a marca própria quanto para produtores e marcas terceirizadas.

Do Coado ao Espresso: Uma cafeteria que também é escola

O Do Coado ao Espresso nasce com propósito duplo: ser ponto de encontro para quem busca cafés de altíssima qualidade e funcionar como ambiente de formação e conscientização.

A proposta inclui cursos, degustações guiadas e explicações detalhadas sobre métodos de preparo, origens, processos e características sensoriais. Mais do que servir café, a casa quer ensinar a beber café.

Com projeto arquitetônico assinado por Kaline Macêdo e engenharia de Rafael Lordelo, o ambiente traduz a identidade da marca: técnica, acolhimento e foco na experiência.

Bahia no centro da xícara

Cerca de 90% do portfólio da torrefação é composto por cafés baianos, vindos de regiões como Chapada Diamantina, Planalto da Conquista e Serra dos Morgados. A marca mantém parceria com pequenos produtores, alguns operando em escala próxima à agricultura de subsistência.

A escolha é estratégica e afetiva. Valorizar a produção local significa gerar impacto direto na cadeia produtiva. “Sempre busco cafés que reflitam meu estudo, minha qualificação e a excelência que nossos clientes já reconhecem”, reforça Flávio.

Confeitaria autoral e harmonizações com café

Na área gastronômica, quem assume é Nayara Chaves, responsável pelo cardápio de sobremesas e acompanhamentos. Especializada em confeitaria e formada com nomes reconhecidos do mercado nacional, ela cria harmonizações pensadas para dialogar com os perfis sensoriais dos cafés.

Entre os destaques doces estão bolo de limão com cream cheese, Devil’s Cake, cheesecake com geleia de morango, banoffee e bolo de nozes com geleia de damasco e brigadeiro de especiarias.

Nas opções salgadas, assinadas pelo chef consultor Calvin Coelho, o menu traz propostas como steak tartare e sanduíche de porco com barbecue de café — combinação que reforça a versatilidade do grão além da xícara.

Operação com hospitalidade e precisão

Matheus Maciel lidera a operação diária, cuidando da logística, do sistema integrado e da gestão financeira. Presente no lobby, acompanha a rotina da casa de perto, recepcionando clientes e garantindo que cada etapa funcione com organização e hospitalidade.

Para o trio, a abertura da cafeteria representa mais que expansão: simboliza um novo capítulo.

“É uma sensação mista de orgulho e desafio. Orgulho pela consolidação da marca e desafio porque ainda temos muito a ensinar. É apenas o começo”, afirma Flávio.

Mais do que negócio, o café é visto como instrumento de transformação. “O café representa esperança. Esperança de mudar a vida de produtores, apanhadores, torrefações e cafeterias. O café transforma.”

E agora, transforma também a cena gastronômica da Pituba.

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Agricultura Regenerativa: o vinho que nasce para devolver vida

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Regenerativa não é apenas um termo técnico que começa a circular no mundo do vinho. É uma mudança de consciência. Uma inversão de lógica. Uma pergunta que antecede o aroma, a pontuação e até o prazer: o que aconteceu com a terra antes de esse vinho chegar à taça?

Na nova coluna, Carol Souzah desloca o centro da conversa. Em vez de madeira, textura ou notas de fruta, ela fala de solo vivo, biodiversidade e impacto climático. Fala de vinhedos que respiram, e de outros que se tornam desertos silenciosos. Mostra que o vinho não nasce na adega, mas na relação entre raiz e terra.

Entre o cultivo orgânico, a biodinâmica e a agricultura regenerativa, o debate deixa de ser tendência e passa a ser responsabilidade. Porque, no fim das contas, não se trata apenas de qualidade sensorial. Trata-se de futuro.

E talvez essa seja a grande virada do vinho contemporâneo: entender que levantar uma taça também é escolher que tipo de paisagem queremos sustentar.

O futuro do vinho nasce do solo: do cultivo orgânico à regeneração, o impacto no que bebemos

Existe uma parte do vinho que a gente não vê na taça. Ela está debaixo dos nossos pés.

Durante muito tempo, quando se analisava um vinho, as respostas vinham em sensações organolépticas, menções à madeira, comentários sobre textura, pontuações, era assim que se media qualidade. Hoje, pelo menos pra mim, antes de pensar em aroma ou estrutura, a pergunta que me atravessa é outra: em que tipo de solo essa videira cresceu, como esse vinho nasceu?

Porque o solo não é um detalhe agrícola, principalmente quando se fala de vinho.

Ele é uma escolha técnica, ética, sensorial e ambiental. E solo vivo não é metáfora, insisto.

É um organismo cheio de microrganismos, fungos, raízes profundas, matéria orgânica, água circulando, ar entrando. É um sistema que se alimenta e se equilibra. Quando a videira cresce ali, ela precisa cavar fundo, explorar camadas, reagir ao clima, criar defesas naturais. O vinho que nasce desse processo tem tensão, tem vibração, tem identidade.

Solo morto é outra história.

O uso contínuo de herbicidas e fertilizantes sintéticos compacta a terra, elimina a vida microbiana e transforma a planta em dependente de insumos. A raiz fica superficial, a videira para de buscar o lugar. E quando a uva perde essa relação com o ambiente, quem precisa construir o vinho depois é a técnica, a técnica da maquiagem.

Ajusta a acidez, corrige a cor, entra com levedura aromática, com madeira para dar estrutura e corrigir alguns defeitos.

Fica tudo certo.
E fica tudo igual.

Existem vinhedos onde o cheiro já não é de terra, mas de produto químico. É impossível não pensar no que isso significa quando a gente fala de prazer e de natureza dentro de uma taça.

Por outro lado, existem vinhas onde quem faz a poda da vegetação são animais soltos entre as fileiras. Ovelhas, galinhas, às vezes até cavalos. Eles comem, adubam, circulam, compactam o solo na medida certa. Não é uma cena montada para foto, é um ecossistema funcionando.

E é aqui que entra uma palavra que ainda vai aparecer muito no mundo do vinho: Agricultura regenerativa.

Ontem estive em uma degustação e provei alguns rótulos da Miguel Torres, do Chile, cultivados sob os princípios da agricultura regenerativa. Foi bonito ver o representante falar desses vinhos e do trabalho no vinhedo com tanta paixão e convicção. E a taça confirmava o discurso: vinhos vivos, de acidez vibrante, aromas precisos e cheios de frescor, tudo em equilíbrio, sem excessos.

Vou explicar um pouco, ainda que de passagem, porque muita gente confunde e é bonito perceber as diferenças. O orgânico parte da exclusão dos químicos de síntese. O biodinâmico vai além, entende o vinhedo como um organismo vivo, trabalha com preparados naturais e observa os ciclos da lua e o ritmo do cosmos para definir o momento de plantar, podar, colher, trasfegar. Pode soar poético, tem quem ache um exagero ou chame de “haribô” essa mistura de agricultura com astrologia, mas vale lembrar que o nosso calendário é lunar há milênios, que a lua move os mares e regula ciclos biológicos. Por que não influenciaria a agricultura?

E se você ainda torce o nariz para a biodinâmica, eu sinto dizer: talvez seja melhor riscar da sua lista o sonho de um dia provar um Romanée-Conti. O Domaine de la Romanée-Conti começou a conversão dos vinhedos nos anos 1990 e hoje é integralmente certificado. Sim, um dos vinhos mais desejados do planeta nasce sob os princípios que muita gente ainda insiste em chamar de “exagero”. Eu sempre penso que, no vinho como na vida, o preconceito não protege ninguém, só empobrece o repertório. Quem bebe impondo barreiras ideológicas à forma de cultivo não está defendendo qualidade, está apenas limitando a própria experiência.

Continuando pelas diferenças, chegamos ao vinho natural, que está mais ligado à intervenção mínima na adega do que propriamente a um protocolo agrícola específico, embora quase sempre venha de vinhas cultivadas com esse mesmo cuidado.

A regenerativa compartilha vários desses princípios, mas tem um foco muito claro: devolver vida ao solo, capturar carbono da atmosfera, ampliar a biodiversidade e, principalmente, recuperar paisagens empobrecidas pela agricultura convencional. No fundo, é sobre curar.

É por isso que ela se parece com a biodinâmica em alguns pontos, as duas entendem a terra como um organismo, trabalham com cobertura vegetal, respeitam ciclos naturais. Mas a regenerativa mede impacto ambiental de forma direta, fala de clima, de água, de futuro do planeta com uma objetividade que dialoga com o mundo de hoje. E isso muda tudo.

Porque a gente começa a perceber que existem vinhos que nascem de solos que estão se tornando desertos, e outros que nascem de solos que estão voltando a respirar. Os dois chegam à mesa. Mas só um devolve vida à paisagem.

Essa conversa não é técnica, ela é sensorial. E talvez essa seja uma das grandes mudanças no mundo do vinho hoje. A gente não deveria pensar apenas se o vinho é bom, mas buscar entender o que ele causou até chegar à taça. Beber sempre foi um ato cultural e, cada vez mais, se revela também um gesto ambiental.

No fim das contas, não é sobre agricultura, é sobre relação, com a terra, com o tempo e com aquilo que a gente escolhe sustentar quando levanta uma taça.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


iFood Move+ Salvador reúne líderes da gastronomia no Trapiche Barnabé

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O iFood Move+ Salvador chega à capital baiana no dia 29 de abril como um dos encontros mais estratégicos do ano para o setor de restaurantes do Nordeste. A primeira edição regional do maior evento de foodservice da América Latina ocupará o Trapiche Barnabé, reunindo empreendedores, gestores e líderes do mercado para discutir inovação, gestão e crescimento em um cenário cada vez mais competitivo.

O cenário escolhido não poderia ser mais simbólico: o histórico Trapiche Barnabé, no bairro do Comércio, será o ponto de encontro de somente 650 empreendedores, gestores e proprietários de restaurantes interessados em discutir o futuro da gastronomia regional, com foco em inovação, gestão e crescimento sustentável.

Um olhar estratégico para o Nordeste

O iFood Move+ nasce como uma experiência regionalizada, pensada para dialogar com as particularidades do mercado nordestino. Mais do que palestras, o evento propõe quase 12 horas de conteúdo voltado para empreendedorismo, marketing, operação, tecnologia e estratégia, que são pilares fundamentais para quem quer fortalecer o negócio em um cenário cada vez mais competitivo.

Segundo Beatriz Pentagna, diretora de marketing B2B do iFood, a escolha de Salvador para sediar a estreia do formato regional não é aleatória. A capital baiana une tradição gastronômica, cultura vibrante e um empreendedorismo resiliente que traduz a força do setor na região.

A proposta é clara: gerar conexões reais, compartilhar dados locais e oferecer insights aplicáveis à rotina dos restaurantes soteropolitanos.

Palestrantes confirmados: nomes que moldam o foodservice brasileiro

Se a gastronomia é feita de ingredientes de qualidade, o iFood Move+ aposta em um elenco de peso para temperar o debate.

Entre os palestrantes do IFood Move Salvador, confirmados estão:

  • Diego Barreto, CEO do iFood
  • Bruno Henriques, CEO do iFood Pago
  • João Branco, ex-CMO do McDonald’s Brasil (Méqui) e professor de marketing
  • Ivo Lira, CEO e fundador do HubFood
  • Marcelo Politi, fundador da Politi Academy e mentor de negócios de gastronomia
  • João Barcelos, especialista em operação de foodservice

A programação promete debates sobre eficiência operacional, rentabilidade, posicionamento de marca, inovação tecnológica e tendências que impactam diretamente o dia a dia dos restaurantes.

Do nacional ao regional: a força do iFood Move

O iFood Move+ é desdobramento do já consolidado iFood Move, que chega à sua terceira edição nacional em 2026. Realizado anteriormente no São Paulo Expo, o evento reúne milhares de empreendedores, dezenas de palestrantes e uma ampla área de negócios com produtos e soluções voltadas ao foodservice.

Ao criar a versão regional, o iFood reforça a estratégia de aproximação com mercados locais, reconhecendo que cada região brasileira carrega desafios próprios e oportunidades igualmente únicas.

Serviço

iFood Move+ Salvador
📅 29 de abril de 2026
📍 Trapiche Barnabé – Av. Jequitaia, 5 – Comércio, Salvador – BA
🎟 Ingressos disponíveis na plataforma Sympla

Para empresários da gastronomia baiana, o encontro surge como uma oportunidade estratégica de atualização, networking qualificado e visão de futuro. Esses são ingredientes essenciais para quem quer continuar fazendo a comida brasileira acontecer todos os dias.

ifood move salvador Ifood move+ salvador
Ifood Move+ Salvador acontece no dia 29 de Abril no Trapiche Barbané

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BEMVINVANT inaugura wine bar na Pituba e marca nova fase da EA Escritório Wine

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Espaço funciona no showroom da Romanzza Bahia e aposta na conexão entre vinho, cultura e negócios

A noite da última terça-feira (24) movimentou a Pituba com a inauguração do BEMVINVANT, novo wine bar idealizado pelo advogado e empresário Elivam Assunção. O espaço marca a primeira operação física da EA Escritório Wine – Experiência & Cultura Enogastronômica e passa a funcionar no showroom da Romanzza Bahia, em Salvador.

A abertura reuniu convidados, imprensa e parceiros comerciais para apresentar a proposta do empreendimento, que pretende ampliar o diálogo entre vinho, gastronomia e outros segmentos criativos da cidade.

Vinho, moda e economia criativa

Além da experiência enogastronômica, a noite apresentou uma proposta de diálogo com a moda. Looks de marcas como Mônica Anjos e Meninos Rei foram exibidos por modelos e convidados, sinalizando a intenção do espaço de funcionar como ponto de encontro entre diferentes expressões da economia criativa.

Com a abertura oficial, o BEMVINVANT já anuncia uma agenda de eventos que inclui encontros culturais, experiências gastronômicas e ativações ligadas a arquitetura, decoração e moda. A proposta é posicionar o vinho como elemento transversal, capaz de dialogar com múltiplos setores e fomentar conexões profissionais e comerciais em Salvador.

Instalado na Pituba, bairro que concentra restaurantes, lojas e serviços voltados ao público urbano da capital baiana, o wine bar passa a integrar o circuito de novos espaços dedicados à cultura do vinho na cidade.

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Deville Prime Salvador ganha prêmio internacional da Booking.com

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Reconhecimento global destaca excelência da hospitalidade baiana

O cenário é Itapuã, com seus coqueiros recortando o horizonte e a brisa que sopra do mar anunciando dias de descanso. É nesse endereço privilegiado que o Deville Prime Salvador celebra um reconhecimento internacional: a unidade foi premiada na 14ª edição do Traveller Review Awards 2026, promovido pela Booking.com.

A premiação é concedida com base em avaliações reais de hóspedes e, nesta edição, considerou mais de 372 milhões de reviews verificados na plataforma. As notas refletem a média das avaliações publicadas entre 1º de dezembro de 2022 e 30 de novembro de 2025, com cálculo final realizado em 1º de dezembro de 2025 — um recorte que reforça a consistência do serviço ao longo dos anos.

Itapuã como destino estratégico em Salvador

Instalado a cerca de 15 minutos do Aeroporto Internacional de Salvador, o hotel combina tranquilidade, contato com a natureza e localização estratégica. A partir dali, é possível chegar com facilidade tanto ao Centro Histórico quanto aos polos industriais de Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho — um diferencial que atrai turistas e viajantes corporativos.

Mas é no clima de resort urbano que o Deville Prime Salvador encontra sua assinatura. Ao longo do ano, o hotel reforça sua vocação para receber famílias em busca de conforto e lazer, com estrutura pensada para todas as idades.

Deville Prime: Estrutura completa para famílias e lazer premium

Para as crianças, o lazer tem sotaque de diversão garantida: lago com pedalinhos, Piscina Deville Kids com playground aquático, toboáguas, baldão e sprays, além de Espaço Kids com atividades monitoradas que estimulam a criatividade em ambiente seguro.

Já o público adulto encontra uma área de lazer revitalizada, onde a Piscina Praiada com hidromassagem convida ao descanso sob o sol baiano. Cinco bangalôs e uma piscina exclusiva com serviço VIP elevam a experiência a um patamar de sofisticação discreta.

O hotel ainda oferece quadras de tênis e beach tennis, trilha para caminhadas e corridas, academia equipada, além do restaurante Sabores de Itapuã — endereço que valoriza ingredientes e sabores que dialogam com a identidade gastronômica local. Uma loja de conveniência e agência de turismo com passeios pela cidade completam a experiência.

Bangalôs Deville Prime Salvador
Bangalôs – Deville Prime Salvador (Divulgação)

Tradição e consistência no setor hoteleiro

Com mais de cinco décadas de atuação, a Rede Deville reafirma, com o prêmio, a solidez de sua trajetória no setor. Presente em 10 destinos, com cerca de 1.700 acomodações e mais de 1.300 colaboradores, o grupo administra unidades próprias sob as marcas Deville Prime e Deville Express, além de franquias como o Marriott São Paulo Airport — primeira franqueada da Marriott International na América do Sul — e o The Westin São Paulo.

Segundo José Mário Espíndola, diretor de operações da Rede Deville, o reconhecimento confirma a consistência do trabalho desenvolvido ao longo dos anos e reforça o compromisso da companhia em evoluir continuamente a experiência oferecida aos hóspedes.

Em Salvador, onde hospitalidade é quase um traço cultural, o prêmio consolida o Deville Prime como uma das principais opções de hospedagem na capital baiana — seja para quem chega em busca de lazer à beira-mar, seja para quem desembarca a negócios e deseja conforto com padrão internacional.

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25 anos de La Pasta Gialla: tradição italiana ganha menu comemorativo em Salvador

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La Pasta Gialla homenageia sua trajetória com pratos emblemáticos e porcelana comemorativa exclusiva

Há sabores que atravessam décadas. Em Salvador, o aniversário de 25 anos do La Pasta Gialla ganha contornos afetivos: são 18 anos de presença na capital baiana, consolidando-se como um dos endereços mais queridos quando o assunto é cozinha italiana com sotaque autoral.

Para celebrar a data, a rede lança um menu especial por tempo indeterminado que revisita receitas emblemáticas de sua história, com pratos que ajudaram a construir a identidade da casa e que permanecem vivos na memória dos clientes.

Um símbolo à mesa: Tagliatelle ao Ragù de Pato

Entre os destaques da comemoração está o Tagliatelle ao Ragù de Pato, receita que acompanha a trajetória do chef Sergio Arno desde os tempos do lendário La Vecchia Cucina, em São Paulo.

Mais do que um prato, é um manifesto de cozinha: massa fresca, molho intenso e técnica apurada que traduzem a essência da tradição italiana reinterpretada com personalidade. Para marcar os 25 anos, a experiência ganha um detalhe especial — o prato é servido em uma porcelana comemorativa exclusiva, que o cliente leva para casa como presente. Um gesto que eterniza o momento e reforça o vínculo afetivo com a marca.

tagiatelle ao regu de pato
Tagliatelle ao Ragù de Pato (Divulgação)

Clássicos que voltam ao cardápio

O menu comemorativo também traz de volta receitas que já passaram pela casa e deixaram saudade. Entre elas:

  • Bruschetta de Berinjela à Milanesa
  • Risoto com Presunto Cru, Brie e Figo Caramelizado no Vinho do Porto
  • Ossobuco Bovino assado lentamente ao vinho tinto, servido com polenta italiana cremosa com mascarpone e parmesão

Pratos que evocam memória, técnica e aquele conforto típico das mesas italianas, onde cada ingrediente tem seu tempo e sua história.

Os eternos favoritos da casa

Se há receitas que retornam, há também aquelas que nunca saíram. Verdadeiros ícones do cardápio da La Pasta Gialla em Salvador seguem firmes, atravessando gerações de clientes:

  • Polpetone de Muçarela com Tagliolini na Manteiga e Sálvia
  • Medalhão de Filé Mignon com Cogumelos Mistos, Creme de Gorgonzola e Pistache, servido com Tagliolini na Manteiga e Sálvia
  • Risoto ao Funghi e Cogumelos Frescos com Ragu de Tomates e Queijo Brie Grelhado

São pratos que traduzem a proposta da casa: técnica italiana clássica, ingredientes de qualidade e uma cozinha que aposta na permanência, não na tendência.

La Pasta Gialla: Uma história que se entrelaça com Salvador

Ao longo de quase duas décadas na capital baiana, a La Pasta Gialla consolidou-se como destino certo para almoços em família, encontros de negócios e celebrações especiais. A comemoração dos 25 anos não é apenas um marco corporativo, mas uma celebração da relação construída com o público soteropolitano.

Entre massas frescas, molhos densos e risotos cremosos, a casa reafirma sua essência: tradição, memória e afeto servidos à mesa.

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Chez Bernard lança Festival du Filet Mignon e promove viagem gastronômica por seis países em Salvador

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Festival du Filet Mignon encontra sabores do mundo no Dois de Julho

Há restaurantes que servem refeições. Outros entregam experiências. Referência da gastronomia francesa em Salvador, o Chez Bernard escolheu o segundo caminho ao lançar o Festival du Filet Mignon, com um menu especial que transforma um dos cortes mais nobres da culinária internacional em passaporte para uma jornada por seis países.

De 02 a 07 de março de 2026, no almoço e no jantar, o restaurante comandado pelo chef Igor Almeida convida o público a embarcar em um roteiro gastronômico que atravessa França, Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Brasil, com menu completo em três tempos.

Um corte, seis identidades gastronômicas

Versátil, delicado e marcado pela maciez, o filé mignon ganha diferentes interpretações conforme as tradições culinárias que o inspiram. A proposta do festival é clara: respeitar a técnica clássica, valorizar o produto e explorar nuances culturais à mesa.

O percurso começa pelas entradas. Entre elas, a leve Salade Provençale, com folhas selecionadas, tomates cereja, nozes tostadas e pesto de manjericão, estragão e castanhas-do-pará. Já a Crème de Pommes de Terre entrega conforto em forma de creme de batata finalizado com azeite trufado e crocantes croutons.

Para quem deseja mergulhar diretamente no protagonista da semana, o clássico Steak Tartare — preparado à faca, com mostarda Dijon, alcaparras, cebola roxa e gema de ovo de codorna — reafirma o DNA francês da casa. Outra opção são os Cubos de Filé Mignon ao Molho Gorgonzola, selados e servidos com torradinhas.

França, Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Brasil no mesmo menu

No prato principal, o filé mignon assume o papel central, interpretado sob diferentes lentes culturais.

A França se apresenta no Filet Mignon à la Française, servido com molhos clássicos à escolha — Bordelaise, Béarnaise ou Poivre — acompanhado de batatas gratinadas ou sonhos de batata.

Da Argentina vem o Lomo à la Parrilla, com chimichurri vibrante e batatas rústicas. A Itália marca presença com o Ragù di Filet Mignon, cozido lentamente em vinho tinto e ervas, servido com polenta cremosa ao parmesão.

O Japão inspira o Teppan de Filet Mignon, com cubos salteados em shoyu, mirin e gengibre, acompanhados de legumes. Já os Estados Unidos aparecem no Filet Mignon Steakhouse, medalhão alto grelhado na manteiga de ervas, servido com purê de batata e creme de espinafre.

Representando o Brasil, o Filet Mignon à Baiana combina o corte grelhado com molho de queijo Reino e risoto de baião de dois, unindo feijão verde, queijo coalho e bacon em uma leitura que conversa diretamente com o paladar nordestino.

Final doce e assinatura autoral

Para encerrar a experiência do Festival du Filet Mignon, as sobremesas apostam na indulgência: Petit Gâteau au Chocolat ou Petit Gâteau au Dulce de Leche, ambos servidos quentes, acompanhados de sorvete de baunilha da casa.

“O Festival du Filet Mignon traduz a essência do Chez Bernard: respeito à técnica, valorização do produto e uma experiência que conecta culturas à mesa”, destaca o chef Igor Almeida.

Serviço

Festival du Filet Mignon
Data: 02 a 07 de março de 2026
Horários: Almoço e jantar
Local: Chez Bernard – Rua Gamboa de Cima, 11, Dois de Julho – Salvador, Bahia
Valor: R$ 146,90 por pessoa (entrada, prato principal e sobremesa)
Comodidade: Serviço de valet
Reservas: (71) 99911-1130 – telefone e WhatsApp

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A última impressão é a que fica: a incoerência do café na alta gastronomia

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O café na alta gastronomia também é excelência (ou pelo menos deveria ser)

Café na alta gastronomia deveria ser consequência natural de uma experiência construída com rigor, sensibilidade e narrativa. Em restaurantes onde cada ingrediente tem origem declarada, onde produtores são citados quase como coautores do prato e onde técnica, estética e hospitalidade caminham juntas, espera-se coerência absoluta do amuse-bouche ao último gole. Em Salvador, cidade onde tradição, identidade e criatividade atravessam a mesa com força cultural, essa conversa ganha ainda mais relevância e urgência.

O movimento contemporâneo da gastronomia fala de sazonalidade, de cadeia curta, de valorização do território e de responsabilidade socioambiental. O discurso é sofisticado, ético e necessário. Mas há um ponto da experiência que ainda escapa à mesma régua de exigência: a xícara servida após a sobremesa. Pequena no volume, mas gigantesca no impacto sensorial, ela é a última memória que acompanha o cliente até a porta (e muitas vezes é também a primeira incoerência percebida).

Na segunda coluna do Muito Gourmet, Brenda Matos provoca o setor com uma pergunta direta e incômoda: se a excelência é premissa e diferencial competitivo, por que o café ainda é tratado como detalhe operacional? Porque, no fim das contas, falar de coerência, hospitalidade e curadoria é também falar de café na alta gastronomia.

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Foto: Brenda Matos

A última impressão é a que fica: a incoerência do café na alta gastronomia

Você já viveu a experiência de um menu degustação impecável? Daqueles onde cada ingrediente tem nome, sobrenome e uma técnica de preparo que beira a poesia de tão gostoso? O serviço é coreografado, a harmonização com o vinho é precisa e a sobremesa é quase uma obra de arte. Mas aí, chega o ato final: o café.

É nesse momento que, frequentemente, a magia se quebra.

Para um setor que se orgulha da curadoria e da rastreabilidade, servir um café de qualidade inferior, ou oculto sob a lógica de uma cápsula industrial, é uma incoerência estética e ética gigantesca. Se o restaurante investe no frescor do peixe e na origem do queijo, por que aceita que o desfecho da experiência seja um grão sem rastreabilidade, excessivamente torrado e sem qualquer complexidade sensorial?

A ponta solta da curadoria

Na alta gastronomia, falamos de “terroir” para o vinho e de “sazonalidade” para tantos outros insumos. No café especial, esses conceitos são igualmente fundamentais. Como expliquei na coluna anterior, a qualidade também está ligada ao quando–como–de onde o insumo veio.

Quando um restaurante negligencia o café, ele ignora uma cadeia produtiva que, tal qual a cozinha de vanguarda, também honra saberes ancestrais e o fazer manual. É um contrassenso valorizar a comunidade pesqueira local e, logo em seguida, oferecer um café que invisibiliza quem o plantou.

O café como ingrediente da hospitalidade

O café não é apenas um digestivo; ele é a última memória sensorial que o cliente leva para casa. Servir um café “de baixa qualidade” (ou meramente mediano) após uma refeição extraordinária é como encerrar um concerto de luxo com uma nota desafinada.

A pergunta que deixo para os chefs e restaurateurs é provocativa, mas necessária: a sua régua de qualidade termina antes da xícara, ou quando o cliente sai pela porta do restaurante?

Um café verdadeiramente especial, como já vimos, só se sustenta quando é “bom pra todo mundo, desde o início”. E isso inclui o cliente, que merece que o rigor técnico da cozinha se estenda pelo salão e dure até o último gole.

Afinal, a alta gastronomia não deveria ter pontos cegos. Principalmente um tão aromático e potente quanto o café.

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O que fazer em Manaus em 5 dias: roteiro completo com gastronomia, rios e cultura amazônica

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O que fazer em Manaus em 5 dias? Veja o roteiro ideal

Fugir do Carnaval de Salvador para mergulhar no coração da Amazônia pode soar como heresia para alguns. Mas entre os dias 13 e 17 de fevereiro, enquanto muitos decidiam o circuito do trio, eu me perguntava o que fazer em Manaus em 5 dias — e troquei o som das caixas de som pelo canto dos pássaros, o sal do mar pela doçura ácida do cupuaçu e o dendê pelo tucupi.

Manaus não é apenas um destino. É um choque cultural. É floresta que invade a cidade. É rio que impõe respeito. É uma gastronomia que desafia qualquer paladar acostumado ao óbvio.

E aqui está o roteiro de 5 dias que abriu meus olhos, e pode abrir os seus também.

Dia 1 – Primeiros goles de Amazônia: tambaqui, tucupi e ousadia

Chegamos a Manaus por volta das 11h30, após conexão em Recife. Cansados, mas curiosos. Deixamos as malas no hotel e seguimos direto para a primeira imersão: o restaurante Choupana.

O primeiro mergulho no sabor

  • Caldinho de tambaqui
  • Caldinho de tucupi com jambú
  • Tambaqui à Choupana (costela e lombo, legumes sautée, farofa de peixe seco, banana frita e arroz)
  • Creme de cupuaçu com geleia

Os caldos funcionam como uma espécie de “iniciação amazônica”. O tucupi (caldo amarelo extraído da mandioca brava e fermentado por dias) é ácido, profundo, quase elétrico. O jambú provoca um leve formigamento que confunde a mente e diverte a boca.

O tambaqui impressiona: carne branca, macia, saborosa, pele crocante. A farofa lembra nossa paçoca nordestina, mas no lugar da carne seca entra um pirarucu delicadamente salgado. Do lado da nossa mesa nadavam dentro do aquário alguns tambaquis e eu só pensava na delícia da sua carne.

E o creme de cupuaçu? Equilíbrio perfeito entre o azedinho pulsante e a doçura na medida exata.

Jantar no Banzeiro: ousadia amazônica contemporânea

À noite, fomos ao Banzeiro, referência nacional da cozinha amazônica e com unidade em São Paulo reconhecida pelo Guia Michelin na categoria Bib Gourmand.

Provamos:

  • Formiga saúva com creme de mandioquinha
  • Bao de camarão
  • Pipoca de feijão manteiguinha com melado de tucupi e pimenta baniwa
  • Pirarucu empanado com farinha de tapioca, fonduta de queijop e arroz negro.

A formiga é mais impacto mental do que gustativo. O bao não impressionou. A pipoca de feijão manteiguinha com melaço de tucupi, por outro lado, é simplesmente sensacional. Doce, salgado, ácido e picante na mesma colherada.

O pirarucu empanado com farinha de tapioca, escoltado por fonduta de queijo e arroz negro, é aquele tipo de prato que poderia existir em qualquer metrópole cosmopolita, se não fosse o fato de que aqui o protagonista vem dos rios amazônicos. É cozinha internacional com sotaque forte, onde a técnica é global, mas o território é inegociável.

Manaus deixa claro desde o primeiro dia: aqui não se come apenas para saciar. Come-se para entender.

Dia 2 – Rio Negro, etnoturismo e o encontro que define o Brasil

Acordamos cedo para um tour fluvial pelo Rio Negro com a Iguana Tour, um operação organizada, pontual e com guias preparados. Os guias Kellen e Josué conduziram o passeio, enquanto Sandro Bala, piloto experiente, driblava os famosos “banzeiros”, as ondas fortes que se formam nos rios amazônicos.

Subimos o Rio Negro por cerca de 45 minutos até a Aldeia Cipiá, cujo nome significa “povo alegre” em tucano. Uma experiência de etnoturismo respeitosa e educativa.

Passamos pela Comunidade do Lago do Catalão, o curioso bairro flutuante de Manaus, observamos vitórias-régias imensas e finalizamos no monumental Encontro das Águas, fenômeno onde o Rio Negro (escuro e quente) corre lado a lado com o Rio Solimões (barrento e frio) sem se misturar por quilômetros. Coloquei a mão na água no exato local do encontro e pude sentir e perceber a diferença entre as águas que parecem não se misturar, algo a nunca se esquecer.

Ali, entendemos geografia, física e poesia de uma só vez.

Jantar amazônico-japonês

À noite, fomos ao Shin Suzuran, um dos restaurantes japoneses mais tradicionais de Manaus, em funcionamento desde a década de 1970. Mais do que um restaurante, é um capítulo da história da imigração japonesa na Amazônia. A região abriga uma das comunidades nipônicas mais importantes do país fora do eixo Sudeste.

O que poderia ser apenas uma casa clássica de sushi revela algo muito maior: um trabalho contínuo de pesquisa sobre ingredientes amazônicos e suas possibilidades dentro da técnica japonesa.

Provamos:

  • Sashimi de tucunaré, fresco e delicado
  • Niguiri de tucunaré
  • Sushi Vitória Régia: tucunaré à milanesa com lâminas de vitória-régia caramelizada 
  • Tempurá de urtiga – a temida cansanção de minha infância 
  • Preparações que transitavam com naturalidade entre o rigor técnico oriental e a potência amazônica

Foi, sem exagero, uma das maiores surpresas gastronômicas da viagem.

Ali, o Japão não está deslocado da floresta, ele conversa com ela. O resultado é uma cozinha que respeita tradição, mas olha para o território onde está inserida. Um tipo de sofisticação silenciosa que não precisa gritar para ser memorável.

O que fazer em manaus
Tempurá de Urtiga – Foto: Reprodução

Dia 3 – Presidente Figueiredo: cachoeiras, cavernas e floresta em estado bruto

A cerca de 2 horas de Manaus está Presidente Figueiredo, conhecida como a “Terra das Cachoeiras”. Não é força de expressão: a região abriga mais de 100 quedas d’água catalogadas, espalhadas entre cavernas, grutas e rios de coloração surpreendente.

O passeio foi conduzido pela Iguana Tour, que já havia nos acompanhado no tour fluvial. Aqui, mais uma vez, confirmou-se como sinônimo de organização, segurança e curadoria cuidadosa, algo essencial quando se está prestes a entrar mata adentro.

Visitamos:

  • Caverna do Maroaga
  • Gruta da Judéia
  • Lagoa Cristalina
  • Cachoeira de Iracema

A trilha de aproximadamente 3 km até as duas grutas é uma aula viva de floresta. O guia local Daniel transforma o percurso em experiência imersiva: fala sobre árvores medicinais, técnicas de sobrevivência, ciclos naturais e histórias da região com carisma raro. Não é apenas caminhada, é interpretação ambiental com profundidade.

O almoço regional na propriedade da Lagoa Cristalina trouxe um tambaqui na brasa memorável. Conselho honesto: não ouse pedir outra coisa.

E então vem a Lagoa Cristalina, talvez o momento mais inesperado do dia. Uma paisagem de areia branca no fundo, água deliciosamente límpida, cercada por floresta densa por todos os lados. Parece cenário montado. Não é. É a Amazônia pura e simplesmente.

Curiosidade que faz toda diferença: ali praticamente não há mosquitos. A água, com alta acidez natural, impede a reprodução dos insetos. Um detalhe técnico que transforma completamente a experiência. Você relaxa sem interrupções.

O pacote inclui transporte, entradas nos atrativos, água mineral, almoço regional e guia bilíngue. Em regiões de difícil acesso, essa estrutura faz diferença real. Você pode se concentrar na experiência, não na logística.

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Gruta da Judéia – Foto: Felipe Havok

Caxiri – Onde o ingrediente amazônico é protagonista absoluto

De volta a Manaus, fomos jantar no Caxiri, um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade quando o assunto é cozinha amazônica contemporânea. Se o Banzeiro provoca, o Caxiri consolida, trabalhando com ingredientes regionais com respeito, técnica e uma elegância que não precisa ser espalhafatosa.

Começamos com o “Curas da Floresta”, um conjunto de pequenas criações que traduzem bem a proposta da casa: carpaccio selado na brasa com lascas de parmesão e barbecue de açaí; gravlax de lombo de pirarucu curado na brasa; tostada de focaccia; coalhada de puxuri; picles de maxixe e PANCs. Um passeio por texturas, acidez e defumações sutis, onde o açaí aparece longe do estereótipo doce e o pirarucu assume papel nobre.

De principal, a “Amazônia Encantada”: lombo de pirarucu fresco grelhado na chapa a carvão, legumes tostados, feijão manteiguinha no tucupi, creme ácido e farofinha de castanha com especiarias da casa. Um prato que equilibra rusticidade e refinamento — profundo, aromático e absolutamente territorial.

Encerramos com a “Surpresa de Tucupi!”: sorvete de castanha, compota da estação, garrapinhada e tucupi preto do povo Wapichana. Sobremesa que desafia qualquer lógica óbvia. Ácida, doce, intensa e memorável.

Se o dia foi sobre natureza em estado bruto, a noite foi sobre tradução culinária. O Caxiri transforma floresta em linguagem gastronômica sofisticada sem perder a alma.

Amazônia Encantada (Caxiri) – Foto: Reprodução

Dia 4 – Belle Époque amazônica, mercado popular e vista infinita

Teatro Amazonas: o delírio europeu no meio da selva

Às 9h da manhã estávamos no icônico Teatro Amazonas. Inaugurado em 1896 durante o Ciclo da Borracha, simboliza a opulência de uma época em que Manaus era uma das cidades mais ricas do mundo.

Construído com materiais importados da Europa, entre mármore italiano, colunas de ferro fundido, lustres de murano e com a cúpula revestida por 36 mil escamas cerâmicas nas cores da bandeira brasileira, o teatro é um delírio arquitetônico no meio da floresta. Com uma sala de espetáculo lindamente pintada por artistas franceses e um salão para festas com uma pintura que te coloca no meio da floresta, a visita é imperdível e fascinante.

O governador Eduardo Ribeiro foi peça-chave nesse projeto de modernização urbana. Negro, nordestino, nascido no Maranhão, assumiu o governo do Amazonas no auge do Ciclo da Borracha e conduziu uma das transformações urbanas mais ousadas do Brasil no fim do século XIX.

Sob sua gestão, Manaus ganhou energia elétrica, algo raríssimo no país naquela época, sistema de bondes elétricos, obras de saneamento, pavimentação, iluminação pública e uma reorganização arquitetônica que projetava a cidade como vitrine da modernidade tropical. O Teatro Amazonas era apenas o símbolo mais exuberante de um projeto muito maior.

É impossível dissociar a identidade da cidade da sua visão urbanística. Manaus não seria a mesma sem Eduardo Ribeiro.

O contraste era quase surreal: no meio da floresta, uma elite enriquecida pela borracha importava mármore europeu, cristais franceses e mandava lavar roupas em Paris, um processo que podia levar cerca de cinco meses entre ida e volta. A Belle Époque amazônica não era metáfora. Era literal.

E tivemos a sorte de ser guiados pelo Sr. Milton, um jornalista peruano, cuja narrativa apaixonada transformou a visita em espetáculo. Ele não apenas apresentou o teatro; ele nos fez compreender o contexto social, político e humano por trás daquelas paredes revestidas de luxo.

teatro amazonas
Teatro Amazonas – Foto: Felipe Havok

Mercado Adolpho Lisboa

Inspirado no mercado Les Halles de Paris, o Mercado Adolpho Lisboa é um mergulho na cultura local. A semelhança se dá especialmente quando temos em perspectiva que o seu projetor foi o mesmo senhor Eiffel, sim, aquele da torre parisiense. No restaurante Coreto dos Manaós, provamos matrinxã recheada com farofa e banana frita e o clássico Guaraná Baré, um patrimônio afetivo amazonense.

MUSA: onde a cidade encontra a floresta

O MUSA (Museu da Amazônia) fica na zona de transição entre o urbano e o intocado. Localizado dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke,  uma área de aproximadamente 10 mil hectares de floresta preservada, o museu ocupa cerca de 1% dessa imensidão verde. Parece pouco no mapa. É gigantesco na experiência.

Criado para aproximar ciência e sociedade, o MUSA funciona como um centro de pesquisa e educação ambiental em plena floresta primária. Ali, a Amazônia não é conceito abstrato: é organismo vivo.

Durante a visita, passamos por viveiros que abrigam serpentes amazônicas, onde jiboias, cobras-cipós, jararacas — apresentadas com contextualização científica, desmistificando medos e explicando seu papel ecológico fundamental. Há também exposições sobre insetos, fungos, árvores centenárias e ciclos da biodiversidade.

A trilha em si já é uma aula. O cheiro da mata úmida, o som constante da vida invisível e a densidade do ar lembram que estamos num dos biomas mais complexos do planeta.

A experiência culmina na torre de observação de aproximadamente 50 metros de altura. Do alto, a vista é quase desconcertante: de um lado, o verde contínuo da Reserva Ducke; do outro, o concreto de Manaus avançando até onde o horizonte permite.

É o tipo de imagem que reconfigura prioridades. Você entende, sem didatismo, o que está em jogo quando se fala em Amazônia.

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MUSA – Foto: Felipe Havok

Intervalo carnívoro

Depois de tantos peixes, fomos à praia fluvial da Ponta Negra, onde fica o Burgers & Burgers, hamburgueria premiada da cidade. Smash duplo bem executado, fritas corretas e uma banoffee honesta. Nada revolucionário, mas confortável e bem saboroso.

Dia 5 – Sabores finais e cultura popular

Com alerta de chuvas fortes, optamos por uma programação mais leve no Shopping Manauara, cujo patio interno tem um buritizal imenso em altura.

Ali encontramos o café e restaurante Waku Sese e provamos um excelente pato no tucupi, prato clássico da culinária amazônica, intenso e profundo.

À noite, encerramos no Tambaqui de Banda, ao lado do Teatro Amazonas. Pedimos a moqueca caboca: cubos de pirarucu, óleo de urucum no lugar do dendê, leite de castanha-do-pará e vegetais locais braseados.

Drinks homenageando os bois Garantido e Caprichoso embalaram a noite, enquanto bailarinos apresentaram toadas do Festival de Parintins.

Manaus é festa, mas é também identidade.

moqueca caboca
Moqueca Caboca (Tambaqui de Banda) – Foto: Felipe Havok

Muito além da floresta

Se o futuro climático do planeta depende da Amazônia (e depende), essa não é sua única riqueza.

O que mais me surpreendeu foi o povo. A hospitalidade genuína, a educação no trato, a disposição em ensinar, explicar e compartilhar.

Para nós, soteropolitanos, acostumados à potência cultural da Bahia, visitar Manaus é reconhecer outra força igualmente vibrante do Brasil.

Se alguém me perguntar hoje o que fazer em Manaus em 5 dias, eu não responderei apenas com uma lista de atrações. Direi para ouvir as histórias, provar os sabores, sentir o rio, subir na torre do MUSA e entender que ali existe um Brasil que poucos conhecem de verdade.

A Amazônia não é distante. É essencial.

E precisa ser vivida.

Como reservar os passeios?

A Iguana Tour oferece roteiros fluviais e terrestres em Manaus e Presidente Figueiredo (e muitos outros). Contato comercial via WhatsApp. Este roteiro contou com apoio da operadora.

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