Início Blog Page 2

25 anos de La Pasta Gialla: tradição italiana ganha menu comemorativo em Salvador

0

La Pasta Gialla homenageia sua trajetória com pratos emblemáticos e porcelana comemorativa exclusiva

Há sabores que atravessam décadas. Em Salvador, o aniversário de 25 anos do La Pasta Gialla ganha contornos afetivos: são 18 anos de presença na capital baiana, consolidando-se como um dos endereços mais queridos quando o assunto é cozinha italiana com sotaque autoral.

Para celebrar a data, a rede lança um menu especial por tempo indeterminado que revisita receitas emblemáticas de sua história, com pratos que ajudaram a construir a identidade da casa e que permanecem vivos na memória dos clientes.

Um símbolo à mesa: Tagliatelle ao Ragù de Pato

Entre os destaques da comemoração está o Tagliatelle ao Ragù de Pato, receita que acompanha a trajetória do chef Sergio Arno desde os tempos do lendário La Vecchia Cucina, em São Paulo.

Mais do que um prato, é um manifesto de cozinha: massa fresca, molho intenso e técnica apurada que traduzem a essência da tradição italiana reinterpretada com personalidade. Para marcar os 25 anos, a experiência ganha um detalhe especial — o prato é servido em uma porcelana comemorativa exclusiva, que o cliente leva para casa como presente. Um gesto que eterniza o momento e reforça o vínculo afetivo com a marca.

tagiatelle ao regu de pato
Tagliatelle ao Ragù de Pato (Divulgação)

Clássicos que voltam ao cardápio

O menu comemorativo também traz de volta receitas que já passaram pela casa e deixaram saudade. Entre elas:

  • Bruschetta de Berinjela à Milanesa
  • Risoto com Presunto Cru, Brie e Figo Caramelizado no Vinho do Porto
  • Ossobuco Bovino assado lentamente ao vinho tinto, servido com polenta italiana cremosa com mascarpone e parmesão

Pratos que evocam memória, técnica e aquele conforto típico das mesas italianas, onde cada ingrediente tem seu tempo e sua história.

Os eternos favoritos da casa

Se há receitas que retornam, há também aquelas que nunca saíram. Verdadeiros ícones do cardápio da La Pasta Gialla em Salvador seguem firmes, atravessando gerações de clientes:

  • Polpetone de Muçarela com Tagliolini na Manteiga e Sálvia
  • Medalhão de Filé Mignon com Cogumelos Mistos, Creme de Gorgonzola e Pistache, servido com Tagliolini na Manteiga e Sálvia
  • Risoto ao Funghi e Cogumelos Frescos com Ragu de Tomates e Queijo Brie Grelhado

São pratos que traduzem a proposta da casa: técnica italiana clássica, ingredientes de qualidade e uma cozinha que aposta na permanência, não na tendência.

La Pasta Gialla: Uma história que se entrelaça com Salvador

Ao longo de quase duas décadas na capital baiana, a La Pasta Gialla consolidou-se como destino certo para almoços em família, encontros de negócios e celebrações especiais. A comemoração dos 25 anos não é apenas um marco corporativo, mas uma celebração da relação construída com o público soteropolitano.

Entre massas frescas, molhos densos e risotos cremosos, a casa reafirma sua essência: tradição, memória e afeto servidos à mesa.

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Chez Bernard lança Festival du Filet Mignon e promove viagem gastronômica por seis países em Salvador

0

Festival du Filet Mignon encontra sabores do mundo no Dois de Julho

Há restaurantes que servem refeições. Outros entregam experiências. Referência da gastronomia francesa em Salvador, o Chez Bernard escolheu o segundo caminho ao lançar o Festival du Filet Mignon, com um menu especial que transforma um dos cortes mais nobres da culinária internacional em passaporte para uma jornada por seis países.

De 02 a 07 de março de 2026, no almoço e no jantar, o restaurante comandado pelo chef Igor Almeida convida o público a embarcar em um roteiro gastronômico que atravessa França, Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Brasil, com menu completo em três tempos.

Um corte, seis identidades gastronômicas

Versátil, delicado e marcado pela maciez, o filé mignon ganha diferentes interpretações conforme as tradições culinárias que o inspiram. A proposta do festival é clara: respeitar a técnica clássica, valorizar o produto e explorar nuances culturais à mesa.

O percurso começa pelas entradas. Entre elas, a leve Salade Provençale, com folhas selecionadas, tomates cereja, nozes tostadas e pesto de manjericão, estragão e castanhas-do-pará. Já a Crème de Pommes de Terre entrega conforto em forma de creme de batata finalizado com azeite trufado e crocantes croutons.

Para quem deseja mergulhar diretamente no protagonista da semana, o clássico Steak Tartare — preparado à faca, com mostarda Dijon, alcaparras, cebola roxa e gema de ovo de codorna — reafirma o DNA francês da casa. Outra opção são os Cubos de Filé Mignon ao Molho Gorgonzola, selados e servidos com torradinhas.

França, Argentina, Itália, Japão, Estados Unidos e Brasil no mesmo menu

No prato principal, o filé mignon assume o papel central, interpretado sob diferentes lentes culturais.

A França se apresenta no Filet Mignon à la Française, servido com molhos clássicos à escolha — Bordelaise, Béarnaise ou Poivre — acompanhado de batatas gratinadas ou sonhos de batata.

Da Argentina vem o Lomo à la Parrilla, com chimichurri vibrante e batatas rústicas. A Itália marca presença com o Ragù di Filet Mignon, cozido lentamente em vinho tinto e ervas, servido com polenta cremosa ao parmesão.

O Japão inspira o Teppan de Filet Mignon, com cubos salteados em shoyu, mirin e gengibre, acompanhados de legumes. Já os Estados Unidos aparecem no Filet Mignon Steakhouse, medalhão alto grelhado na manteiga de ervas, servido com purê de batata e creme de espinafre.

Representando o Brasil, o Filet Mignon à Baiana combina o corte grelhado com molho de queijo Reino e risoto de baião de dois, unindo feijão verde, queijo coalho e bacon em uma leitura que conversa diretamente com o paladar nordestino.

Final doce e assinatura autoral

Para encerrar a experiência do Festival du Filet Mignon, as sobremesas apostam na indulgência: Petit Gâteau au Chocolat ou Petit Gâteau au Dulce de Leche, ambos servidos quentes, acompanhados de sorvete de baunilha da casa.

“O Festival du Filet Mignon traduz a essência do Chez Bernard: respeito à técnica, valorização do produto e uma experiência que conecta culturas à mesa”, destaca o chef Igor Almeida.

Serviço

Festival du Filet Mignon
Data: 02 a 07 de março de 2026
Horários: Almoço e jantar
Local: Chez Bernard – Rua Gamboa de Cima, 11, Dois de Julho – Salvador, Bahia
Valor: R$ 146,90 por pessoa (entrada, prato principal e sobremesa)
Comodidade: Serviço de valet
Reservas: (71) 99911-1130 – telefone e WhatsApp

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

A última impressão é a que fica: a incoerência do café na alta gastronomia

0

O café na alta gastronomia também é excelência (ou pelo menos deveria ser)

Café na alta gastronomia deveria ser consequência natural de uma experiência construída com rigor, sensibilidade e narrativa. Em restaurantes onde cada ingrediente tem origem declarada, onde produtores são citados quase como coautores do prato e onde técnica, estética e hospitalidade caminham juntas, espera-se coerência absoluta do amuse-bouche ao último gole. Em Salvador, cidade onde tradição, identidade e criatividade atravessam a mesa com força cultural, essa conversa ganha ainda mais relevância e urgência.

O movimento contemporâneo da gastronomia fala de sazonalidade, de cadeia curta, de valorização do território e de responsabilidade socioambiental. O discurso é sofisticado, ético e necessário. Mas há um ponto da experiência que ainda escapa à mesma régua de exigência: a xícara servida após a sobremesa. Pequena no volume, mas gigantesca no impacto sensorial, ela é a última memória que acompanha o cliente até a porta (e muitas vezes é também a primeira incoerência percebida).

Na segunda coluna do Muito Gourmet, Brenda Matos provoca o setor com uma pergunta direta e incômoda: se a excelência é premissa e diferencial competitivo, por que o café ainda é tratado como detalhe operacional? Porque, no fim das contas, falar de coerência, hospitalidade e curadoria é também falar de café na alta gastronomia.

cafe na alta gastronomia 2
Foto: Brenda Matos

A última impressão é a que fica: a incoerência do café na alta gastronomia

Você já viveu a experiência de um menu degustação impecável? Daqueles onde cada ingrediente tem nome, sobrenome e uma técnica de preparo que beira a poesia de tão gostoso? O serviço é coreografado, a harmonização com o vinho é precisa e a sobremesa é quase uma obra de arte. Mas aí, chega o ato final: o café.

É nesse momento que, frequentemente, a magia se quebra.

Para um setor que se orgulha da curadoria e da rastreabilidade, servir um café de qualidade inferior, ou oculto sob a lógica de uma cápsula industrial, é uma incoerência estética e ética gigantesca. Se o restaurante investe no frescor do peixe e na origem do queijo, por que aceita que o desfecho da experiência seja um grão sem rastreabilidade, excessivamente torrado e sem qualquer complexidade sensorial?

A ponta solta da curadoria

Na alta gastronomia, falamos de “terroir” para o vinho e de “sazonalidade” para tantos outros insumos. No café especial, esses conceitos são igualmente fundamentais. Como expliquei na coluna anterior, a qualidade também está ligada ao quando–como–de onde o insumo veio.

Quando um restaurante negligencia o café, ele ignora uma cadeia produtiva que, tal qual a cozinha de vanguarda, também honra saberes ancestrais e o fazer manual. É um contrassenso valorizar a comunidade pesqueira local e, logo em seguida, oferecer um café que invisibiliza quem o plantou.

O café como ingrediente da hospitalidade

O café não é apenas um digestivo; ele é a última memória sensorial que o cliente leva para casa. Servir um café “de baixa qualidade” (ou meramente mediano) após uma refeição extraordinária é como encerrar um concerto de luxo com uma nota desafinada.

A pergunta que deixo para os chefs e restaurateurs é provocativa, mas necessária: a sua régua de qualidade termina antes da xícara, ou quando o cliente sai pela porta do restaurante?

Um café verdadeiramente especial, como já vimos, só se sustenta quando é “bom pra todo mundo, desde o início”. E isso inclui o cliente, que merece que o rigor técnico da cozinha se estenda pelo salão e dure até o último gole.

Afinal, a alta gastronomia não deveria ter pontos cegos. Principalmente um tão aromático e potente quanto o café.

brenda site

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

O que fazer em Manaus em 5 dias: roteiro completo com gastronomia, rios e cultura amazônica

0

O que fazer em Manaus em 5 dias? Veja o roteiro ideal

Fugir do Carnaval de Salvador para mergulhar no coração da Amazônia pode soar como heresia para alguns. Mas entre os dias 13 e 17 de fevereiro, enquanto muitos decidiam o circuito do trio, eu me perguntava o que fazer em Manaus em 5 dias — e troquei o som das caixas de som pelo canto dos pássaros, o sal do mar pela doçura ácida do cupuaçu e o dendê pelo tucupi.

Manaus não é apenas um destino. É um choque cultural. É floresta que invade a cidade. É rio que impõe respeito. É uma gastronomia que desafia qualquer paladar acostumado ao óbvio.

E aqui está o roteiro de 5 dias que abriu meus olhos, e pode abrir os seus também.

Dia 1 – Primeiros goles de Amazônia: tambaqui, tucupi e ousadia

Chegamos a Manaus por volta das 11h30, após conexão em Recife. Cansados, mas curiosos. Deixamos as malas no hotel e seguimos direto para a primeira imersão: o restaurante Choupana.

O primeiro mergulho no sabor

  • Caldinho de tambaqui
  • Caldinho de tucupi com jambú
  • Tambaqui à Choupana (costela e lombo, legumes sautée, farofa de peixe seco, banana frita e arroz)
  • Creme de cupuaçu com geleia

Os caldos funcionam como uma espécie de “iniciação amazônica”. O tucupi (caldo amarelo extraído da mandioca brava e fermentado por dias) é ácido, profundo, quase elétrico. O jambú provoca um leve formigamento que confunde a mente e diverte a boca.

O tambaqui impressiona: carne branca, macia, saborosa, pele crocante. A farofa lembra nossa paçoca nordestina, mas no lugar da carne seca entra um pirarucu delicadamente salgado. Do lado da nossa mesa nadavam dentro do aquário alguns tambaquis e eu só pensava na delícia da sua carne.

E o creme de cupuaçu? Equilíbrio perfeito entre o azedinho pulsante e a doçura na medida exata.

Jantar no Banzeiro: ousadia amazônica contemporânea

À noite, fomos ao Banzeiro, referência nacional da cozinha amazônica e com unidade em São Paulo reconhecida pelo Guia Michelin na categoria Bib Gourmand.

Provamos:

  • Formiga saúva com creme de mandioquinha
  • Bao de camarão
  • Pipoca de feijão manteiguinha com melado de tucupi e pimenta baniwa
  • Pirarucu empanado com farinha de tapioca, fonduta de queijop e arroz negro.

A formiga é mais impacto mental do que gustativo. O bao não impressionou. A pipoca de feijão manteiguinha com melaço de tucupi, por outro lado, é simplesmente sensacional. Doce, salgado, ácido e picante na mesma colherada.

O pirarucu empanado com farinha de tapioca, escoltado por fonduta de queijo e arroz negro, é aquele tipo de prato que poderia existir em qualquer metrópole cosmopolita, se não fosse o fato de que aqui o protagonista vem dos rios amazônicos. É cozinha internacional com sotaque forte, onde a técnica é global, mas o território é inegociável.

Manaus deixa claro desde o primeiro dia: aqui não se come apenas para saciar. Come-se para entender.

Dia 2 – Rio Negro, etnoturismo e o encontro que define o Brasil

Acordamos cedo para um tour fluvial pelo Rio Negro com a Iguana Tour, um operação organizada, pontual e com guias preparados. Os guias Kellen e Josué conduziram o passeio, enquanto Sandro Bala, piloto experiente, driblava os famosos “banzeiros”, as ondas fortes que se formam nos rios amazônicos.

Subimos o Rio Negro por cerca de 45 minutos até a Aldeia Cipiá, cujo nome significa “povo alegre” em tucano. Uma experiência de etnoturismo respeitosa e educativa.

Passamos pela Comunidade do Lago do Catalão, o curioso bairro flutuante de Manaus, observamos vitórias-régias imensas e finalizamos no monumental Encontro das Águas, fenômeno onde o Rio Negro (escuro e quente) corre lado a lado com o Rio Solimões (barrento e frio) sem se misturar por quilômetros. Coloquei a mão na água no exato local do encontro e pude sentir e perceber a diferença entre as águas que parecem não se misturar, algo a nunca se esquecer.

Ali, entendemos geografia, física e poesia de uma só vez.

Jantar amazônico-japonês

À noite, fomos ao Shin Suzuran, um dos restaurantes japoneses mais tradicionais de Manaus, em funcionamento desde a década de 1970. Mais do que um restaurante, é um capítulo da história da imigração japonesa na Amazônia. A região abriga uma das comunidades nipônicas mais importantes do país fora do eixo Sudeste.

O que poderia ser apenas uma casa clássica de sushi revela algo muito maior: um trabalho contínuo de pesquisa sobre ingredientes amazônicos e suas possibilidades dentro da técnica japonesa.

Provamos:

  • Sashimi de tucunaré, fresco e delicado
  • Niguiri de tucunaré
  • Sushi Vitória Régia: tucunaré à milanesa com lâminas de vitória-régia caramelizada 
  • Tempurá de urtiga – a temida cansanção de minha infância 
  • Preparações que transitavam com naturalidade entre o rigor técnico oriental e a potência amazônica

Foi, sem exagero, uma das maiores surpresas gastronômicas da viagem.

Ali, o Japão não está deslocado da floresta, ele conversa com ela. O resultado é uma cozinha que respeita tradição, mas olha para o território onde está inserida. Um tipo de sofisticação silenciosa que não precisa gritar para ser memorável.

O que fazer em manaus
Tempurá de Urtiga – Foto: Reprodução

Dia 3 – Presidente Figueiredo: cachoeiras, cavernas e floresta em estado bruto

A cerca de 2 horas de Manaus está Presidente Figueiredo, conhecida como a “Terra das Cachoeiras”. Não é força de expressão: a região abriga mais de 100 quedas d’água catalogadas, espalhadas entre cavernas, grutas e rios de coloração surpreendente.

O passeio foi conduzido pela Iguana Tour, que já havia nos acompanhado no tour fluvial. Aqui, mais uma vez, confirmou-se como sinônimo de organização, segurança e curadoria cuidadosa, algo essencial quando se está prestes a entrar mata adentro.

Visitamos:

  • Caverna do Maroaga
  • Gruta da Judéia
  • Lagoa Cristalina
  • Cachoeira de Iracema

A trilha de aproximadamente 3 km até as duas grutas é uma aula viva de floresta. O guia local Daniel transforma o percurso em experiência imersiva: fala sobre árvores medicinais, técnicas de sobrevivência, ciclos naturais e histórias da região com carisma raro. Não é apenas caminhada, é interpretação ambiental com profundidade.

O almoço regional na propriedade da Lagoa Cristalina trouxe um tambaqui na brasa memorável. Conselho honesto: não ouse pedir outra coisa.

E então vem a Lagoa Cristalina, talvez o momento mais inesperado do dia. Uma paisagem de areia branca no fundo, água deliciosamente límpida, cercada por floresta densa por todos os lados. Parece cenário montado. Não é. É a Amazônia pura e simplesmente.

Curiosidade que faz toda diferença: ali praticamente não há mosquitos. A água, com alta acidez natural, impede a reprodução dos insetos. Um detalhe técnico que transforma completamente a experiência. Você relaxa sem interrupções.

O pacote inclui transporte, entradas nos atrativos, água mineral, almoço regional e guia bilíngue. Em regiões de difícil acesso, essa estrutura faz diferença real. Você pode se concentrar na experiência, não na logística.

judeia
Gruta da Judéia – Foto: Felipe Havok

Caxiri – Onde o ingrediente amazônico é protagonista absoluto

De volta a Manaus, fomos jantar no Caxiri, um dos restaurantes mais emblemáticos da cidade quando o assunto é cozinha amazônica contemporânea. Se o Banzeiro provoca, o Caxiri consolida, trabalhando com ingredientes regionais com respeito, técnica e uma elegância que não precisa ser espalhafatosa.

Começamos com o “Curas da Floresta”, um conjunto de pequenas criações que traduzem bem a proposta da casa: carpaccio selado na brasa com lascas de parmesão e barbecue de açaí; gravlax de lombo de pirarucu curado na brasa; tostada de focaccia; coalhada de puxuri; picles de maxixe e PANCs. Um passeio por texturas, acidez e defumações sutis, onde o açaí aparece longe do estereótipo doce e o pirarucu assume papel nobre.

De principal, a “Amazônia Encantada”: lombo de pirarucu fresco grelhado na chapa a carvão, legumes tostados, feijão manteiguinha no tucupi, creme ácido e farofinha de castanha com especiarias da casa. Um prato que equilibra rusticidade e refinamento — profundo, aromático e absolutamente territorial.

Encerramos com a “Surpresa de Tucupi!”: sorvete de castanha, compota da estação, garrapinhada e tucupi preto do povo Wapichana. Sobremesa que desafia qualquer lógica óbvia. Ácida, doce, intensa e memorável.

Se o dia foi sobre natureza em estado bruto, a noite foi sobre tradução culinária. O Caxiri transforma floresta em linguagem gastronômica sofisticada sem perder a alma.

Amazônia Encantada (Caxiri) – Foto: Reprodução

Dia 4 – Belle Époque amazônica, mercado popular e vista infinita

Teatro Amazonas: o delírio europeu no meio da selva

Às 9h da manhã estávamos no icônico Teatro Amazonas. Inaugurado em 1896 durante o Ciclo da Borracha, simboliza a opulência de uma época em que Manaus era uma das cidades mais ricas do mundo.

Construído com materiais importados da Europa, entre mármore italiano, colunas de ferro fundido, lustres de murano e com a cúpula revestida por 36 mil escamas cerâmicas nas cores da bandeira brasileira, o teatro é um delírio arquitetônico no meio da floresta. Com uma sala de espetáculo lindamente pintada por artistas franceses e um salão para festas com uma pintura que te coloca no meio da floresta, a visita é imperdível e fascinante.

O governador Eduardo Ribeiro foi peça-chave nesse projeto de modernização urbana. Negro, nordestino, nascido no Maranhão, assumiu o governo do Amazonas no auge do Ciclo da Borracha e conduziu uma das transformações urbanas mais ousadas do Brasil no fim do século XIX.

Sob sua gestão, Manaus ganhou energia elétrica, algo raríssimo no país naquela época, sistema de bondes elétricos, obras de saneamento, pavimentação, iluminação pública e uma reorganização arquitetônica que projetava a cidade como vitrine da modernidade tropical. O Teatro Amazonas era apenas o símbolo mais exuberante de um projeto muito maior.

É impossível dissociar a identidade da cidade da sua visão urbanística. Manaus não seria a mesma sem Eduardo Ribeiro.

O contraste era quase surreal: no meio da floresta, uma elite enriquecida pela borracha importava mármore europeu, cristais franceses e mandava lavar roupas em Paris, um processo que podia levar cerca de cinco meses entre ida e volta. A Belle Époque amazônica não era metáfora. Era literal.

E tivemos a sorte de ser guiados pelo Sr. Milton, um jornalista peruano, cuja narrativa apaixonada transformou a visita em espetáculo. Ele não apenas apresentou o teatro; ele nos fez compreender o contexto social, político e humano por trás daquelas paredes revestidas de luxo.

teatro amazonas
Teatro Amazonas – Foto: Felipe Havok

Mercado Adolpho Lisboa

Inspirado no mercado Les Halles de Paris, o Mercado Adolpho Lisboa é um mergulho na cultura local. A semelhança se dá especialmente quando temos em perspectiva que o seu projetor foi o mesmo senhor Eiffel, sim, aquele da torre parisiense. No restaurante Coreto dos Manaós, provamos matrinxã recheada com farofa e banana frita e o clássico Guaraná Baré, um patrimônio afetivo amazonense.

MUSA: onde a cidade encontra a floresta

O MUSA (Museu da Amazônia) fica na zona de transição entre o urbano e o intocado. Localizado dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke,  uma área de aproximadamente 10 mil hectares de floresta preservada, o museu ocupa cerca de 1% dessa imensidão verde. Parece pouco no mapa. É gigantesco na experiência.

Criado para aproximar ciência e sociedade, o MUSA funciona como um centro de pesquisa e educação ambiental em plena floresta primária. Ali, a Amazônia não é conceito abstrato: é organismo vivo.

Durante a visita, passamos por viveiros que abrigam serpentes amazônicas, onde jiboias, cobras-cipós, jararacas — apresentadas com contextualização científica, desmistificando medos e explicando seu papel ecológico fundamental. Há também exposições sobre insetos, fungos, árvores centenárias e ciclos da biodiversidade.

A trilha em si já é uma aula. O cheiro da mata úmida, o som constante da vida invisível e a densidade do ar lembram que estamos num dos biomas mais complexos do planeta.

A experiência culmina na torre de observação de aproximadamente 50 metros de altura. Do alto, a vista é quase desconcertante: de um lado, o verde contínuo da Reserva Ducke; do outro, o concreto de Manaus avançando até onde o horizonte permite.

É o tipo de imagem que reconfigura prioridades. Você entende, sem didatismo, o que está em jogo quando se fala em Amazônia.

musa
MUSA – Foto: Felipe Havok

Intervalo carnívoro

Depois de tantos peixes, fomos à praia fluvial da Ponta Negra, onde fica o Burgers & Burgers, hamburgueria premiada da cidade. Smash duplo bem executado, fritas corretas e uma banoffee honesta. Nada revolucionário, mas confortável e bem saboroso.

Dia 5 – Sabores finais e cultura popular

Com alerta de chuvas fortes, optamos por uma programação mais leve no Shopping Manauara, cujo patio interno tem um buritizal imenso em altura.

Ali encontramos o café e restaurante Waku Sese e provamos um excelente pato no tucupi, prato clássico da culinária amazônica, intenso e profundo.

À noite, encerramos no Tambaqui de Banda, ao lado do Teatro Amazonas. Pedimos a moqueca caboca: cubos de pirarucu, óleo de urucum no lugar do dendê, leite de castanha-do-pará e vegetais locais braseados.

Drinks homenageando os bois Garantido e Caprichoso embalaram a noite, enquanto bailarinos apresentaram toadas do Festival de Parintins.

Manaus é festa, mas é também identidade.

moqueca caboca
Moqueca Caboca (Tambaqui de Banda) – Foto: Felipe Havok

Muito além da floresta

Se o futuro climático do planeta depende da Amazônia (e depende), essa não é sua única riqueza.

O que mais me surpreendeu foi o povo. A hospitalidade genuína, a educação no trato, a disposição em ensinar, explicar e compartilhar.

Para nós, soteropolitanos, acostumados à potência cultural da Bahia, visitar Manaus é reconhecer outra força igualmente vibrante do Brasil.

Se alguém me perguntar hoje o que fazer em Manaus em 5 dias, eu não responderei apenas com uma lista de atrações. Direi para ouvir as histórias, provar os sabores, sentir o rio, subir na torre do MUSA e entender que ali existe um Brasil que poucos conhecem de verdade.

A Amazônia não é distante. É essencial.

E precisa ser vivida.

Como reservar os passeios?

A Iguana Tour oferece roteiros fluviais e terrestres em Manaus e Presidente Figueiredo (e muitos outros). Contato comercial via WhatsApp. Este roteiro contou com apoio da operadora.

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Quem escolhe o seu vinho: você ou IA?

0

Vivemos na era das respostas instantâneas. Avaliações por estrelas, rankings globais, algoritmos que prometem precisão milimétrica. Mas quando o assunto é vinho, essa bebida feita de clima, tempo, memória e interpretação, será que a melhor escolha cabe em um comando digitado?

Na nova coluna, Carol Souzah lança uma pergunta incômoda e necessária: estamos terceirizando o nosso próprio paladar? Entre a garrafa e a inteligência artificial, entre o sommelier e o aplicativo, ela reflete sobre confiança, presença e o que se perde quando a escolha deixa de ser conversa e vira clique.

Mais do que um debate sobre tecnologia, é um texto sobre humanidade.

Quem escolhe o seu vinho, você ou a máquina? A garrafa versus a IA

Antes a gente descobria vinho por indicação do sommelier, de um amigo, de uma revista ou de um site especializado. A escolha vinha da leitura, da recomendação de alguém de confiança, da troca de experiências. Havia repertório, referência, conversa. O vinho chegava até nós pelas pessoas, não por um comando.

Hoje, quase tudo passa por apps de avaliação, rankings e, mais recentemente, pela inteligência artificial. E não há problema em usar essas ferramentas, elas informam, ampliam a visão, ajudam a pesquisar. O risco começa quando a gente reduz toda a experiência de escolha a isso. Quando a decisão deixa de ser troca e vira comando, menos conversa, mais clique, menos escuta, mais resposta pronta.

E eu fico pensando no que se perde quando o vinho deixa de ser conversa e vira recomendação automática.

Quem me conhece sabe que sou muito observadora de ambientes. Antes de falar de uva, safra ou região, eu observo a mesa. O ritmo das pessoas, o jeito de folhear o cardápio, se é encontro de trabalho ou aniversário, se querem experimentar ou se querem segurança de rótulos conhecidos.

Outro dia, no salão, vi uma cena que sintetiza bem o nosso tempo.

O casal pediu uma indicação de vinho ao garçom. Ele chamou o sommelier, que, por sorte e investimento da casa, estava ali. O profissional apresentou os pratos, explicou o estilo da cozinha, perguntou sobre preferências e, depois da escolha da comida, sugeriu um vinho. Eles agradeceram com simpatia.

Logo depois, pegaram o celular, abriram o ChatGPT e deixaram que a inteligência artificial escolhesse o vinho.

Naquele momento, não senti raiva ou incômodo com a tecnologia. Foi uma tristeza miúda, dessas que o cotidiano provoca quase em silêncio. Porque não era sobre praticidade. Era sobre confiança.

A gente começou a terceirizar o próprio paladar. Só que vinho nunca foi exato. Harmonização não é equação.

A IA pode cruzar dados de acidez, tanino, teor alcoólico. Mas não provou o molho naquele dia, não sabe que o chef decidiu puxar o prato para o limão, nem percebe o toque defumado que entrou de última hora na receita. Mesmo os clássicos ganham releituras, mudam de tempero, de intenção. Numa situação assim, será que ela realmente sabe mais do que o profissional que conhece a cozinha da casa por dentro?

Porque o trabalho do sommelier não é só indicar rótulo. A gente precisa interpretar gente, transformar desejos ainda confusos em experiência.
É ajustar a escolha ao clima da noite, ao orçamento, à memória afetiva, ao prato real que chega à mesa.

Quando trocamos isso por uma resposta automática, a gente pode até acertar tecnicamente. Mas pode ir se perdendo humanamente.

Talvez a grande pergunta do nosso tempo não seja qual IA escolhe melhor.

Seja outra.
O que acontece quando a gente para de confiar nas pessoas que estão ali, presentes, que estudaram, investiram, foram treinadas, olhando nos nossos olhos?

E nenhuma inteligência artificial, por mais sofisticada que seja, substitui o gesto humano de escutar e servir.

vinho e ia 2
Quem escolhe seu vinho? Você ou a IA?
Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

O que é especial no café de qualidade?

0

Uma nova voz para falar de café no Muito Gourmet

Café especial é o ponto de partida da nova coluna que o Muito Gourmet estreia. Ela chega com aroma de café fresco, profundidade de origem e olhar crítico sobre consumo, cultura e cadeia produtiva. Brenda Matos, barista, empreendedora, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, passa a assinar textos que convidam o leitor a ir além da xícara: entender processos, histórias, pessoas e escolhas que definem o que chamamos de qualidade.

Para abrir a coluna, Brenda parte de uma pergunta que parece simples, mas carrega camadas de significado: o que, afinal, torna um café especial? Entre conceitos técnicos, sensibilidade e reflexão social, o texto abaixo inaugura uma conversa que promete ser tão rica quanto um bom café bem extraído.

A seguir, o texto de estreia da colunista:

O que é especial no café de qualidade?

Por Brenda Matos

Nos últimos anos, o termo “café especial” sofreu um boom e foi inserido no vocabulário do brasileiro com muita rapidez. Alguns atribuem à pandemia e suas novas formas de consumo, outros culpam fielmente o TikTok e suas bebidas aesthetic, mas o fato é: o termo tem marcado presença nos cardápios de cafeterias, nas embalagens em gôndolas de mercados e empórios gourmet e, principalmente, nos discursos de marcas que levantam essa bandeira.

Mas, afinal, o que é café especial?

Aos coffeelovers de plantão, eu posso soar repetitiva no conceito. Mas chego aqui no sapatinho e pedindo licença pra entrar no Muito Gourmet. (:

O que eu vou dizer agora é de conhecimento geral da Nação Cafezeira — ou está simplesmente a um Google de distância. Segundo a BSCA, um café ocupa a categoria de especial quando os grãos são isentos de defeitos e impurezas e possuem atributos sensoriais específicos.

O que buscamos sensorialmente em um café especial (ou de especialidade) é uma bebida limpa e doce, com corpo e acidez equilibrados e que atinjam uma nota acima dos 80 pontos na etapa de análise sensorial.

Além da qualidade do insumo, os cafés especiais precisam ter uma rastreabilidade certificada e, é claro, respeitar critérios de sustentabilidade ambiental, econômica e social em todas as etapas de produção.

Em outras palavras, a qualidade está diretamente ligada a sabermos quando–como–de onde veio esse café. Produtor, fazenda, local, altitude, variedade da planta e forma de processamento do café são informações essenciais que precisam vir na embalagem para que o consumidor consiga fazer esse “caminho de volta” até o início da cadeia de produção.

Durante muito tempo, o mercado tentou resumir qualidade a número. A pontuação é importante para averiguar a qualidade do produto, mas ela nunca foi responsável por traduzir a história inteira. Um café verdadeiramente especial não se sustenta única e exclusivamente pelo resultado sensorial; ele carrega uma cadeia longa, sensível e profundamente interdependente de decisões.

O café é uma mistura de terras, mãos, histórias e afetos. É como a nossa Bahia: plural, potente, criativa, mas também marcada por tensões, desigualdades e invisibilidades.

Ao olharmos para o mundo do café especial, estamos a todo momento revisitando o passado. Voltando ao início. Honrando os saberes ancestrais, o fazer manual e a presença de quem sustenta uma cadeia que é invisível para muitos, mas fundamental para todos.

Só assim a qualidade se sustenta. Quando o que é bom na xícara é bom pra todo mundo, desde o início.

cafe especial 2
Foto: Brenda Matos
brenda site

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Queijos e vinhos: o mito da harmonização perfeita (e o que funciona de verdade)

0

Harmonizar queijos e vinhos não é fórmula pronta — é escuta do sabor

Queijos e vinhos formam um par clássico no imaginário coletivo — mas nem sempre na prática. Que atire a primeira tábua quem nunca acreditou que vinho tinto era a melhor escolha. Com sua escrita precisa e provocadora, Carol Souzah nos mostra que muitas dessas ideias consagradas são mitos que o paladar desmente. E propõe outra lógica: menos tradição, mais equilíbrio, frescor e prazer à mesa.

Com sua escrita precisa e provocadora, Carol desmonta certezas e convida à experimentação. Afinal, espumantes e brancos vibrantes têm muito mais afinidade com a cremosidade dos queijos do que os tintos potentes que costumam protagonizar os brindes. E quando os sabores se intensificam? A lógica muda, mas sempre com equilíbrio entre frescor, textura e prazer.

Degustar e harmonizar, para Carol, é escutar o alimento, o corpo e o momento. Sem fórmulas engessadas. Sem regras absolutas. Uma coluna que ensina, provoca e inspira a montar a próxima tábua com mais intenção e menos tradição.

queijos e vinhos 2
Queijos e Vinhos: Mitos e Verdades

Queijos e vinhos: Mitos e verdades e como criar a harmonização perfeita

Tem uma cena clássica que mora no nosso imaginário: uma tábua de queijos lindos, uma taça generosa de vinho tinto e a sensação de que estamos fazendo a harmonização perfeita.

Romântico e elegante, só que, tecnicamente, muitas vezes… errado.

Sim, eu sei. Dói um pouquinho descobrir isso. É como quando você prova chocolate com vinho tinto seco e sente o amargor brigar na boca, até existem alguns estilos de tintos que harmonizam, mas não é uma tarefa simples. Ou quando você percebe que aquele espumante fresco funciona muito melhor à mesa do que muito vinho pesado. E, para mim, essa é a beleza: o vinho vive desafiando as nossas certezas.

Mas, voltando aos queijos, a verdade é que a maioria deles harmoniza melhor com vinhos brancos e espumantes do que com tintos. E, depois que a gente entende o porquê, nunca mais monta a tábua do mesmo jeito.

Vamos quebrar alguns mitos?

Mito número um: queijo pede vinho tinto.

Na prática, o sal, a gordura e a cremosidade dos queijos brigam com o tanino dos tintos. O resultado pode ser um gosto metálico, amargo, pesado na boca. Já os brancos, com mais acidez e frescor, limpam o paladar, cortam a gordura e deixam tudo mais leve. Espumantes então, são quase mágicos, as borbulhas funcionam como um reset entre uma mordida e outra.

Verdade: quanto mais cremoso o queijo, mais o vinho deve ser fresco.

Brie, camembert, burrata, chèvre, ricota temperada. Esses pedem brancos vibrantes, sauvignon blanc, chardonnay sem madeira, vinhos jovens, ou um bom espumante brut. A sensação é de equilíbrio, não de peso.

E quando a tábua começa a ganhar mais textura, entram os queijos semiduros e curados, como gouda, estepe, prato ou um gruyère jovem. Aqui dá para subir um degrau no vinho também. Alvarinho, chenin blanc ou um chardonnay mais estruturado seguram melhor a untuosidade e criam aquela sensação gostosa de equilíbrio entre corpo e frescor, nada sobra, nada pesa.

À medida que os sabores se intensificam, com lascas de parmesão, grana padano, manchego ou pecorino, a pedida é dar ainda mais estrutura ao branco. Brancos com textura, passagem por madeira, um chardonnay barricado, um viognier, até um vinhos laranja cabe aqui. É intensidade com intensidade, sem o amargor que o tanino do tinto pode trazer.

Mito número dois: tintos nunca combinam com queijo.

Também não é assim.

Tintos funcionam, sim, mas com o parceiro certo.

Queijos duros, curados e mais intensos têm estrutura para abraçar o tanino. A concentração de sabor acompanha vinhos mais encorpados, como cabernet sauvignon, tempranillo, syrah ou blends mais robustos. Aqui a lógica muda, é intensidade com intensidade.

Verdade: contraste é mais importante do que tradição.

Harmonização não é sobre regras antigas, é sobre textura, acidez, gordura e sal. Quando você pensa nesses elementos, começa a criar combinações mais inteligentes e prazerosas.

Eu, particularmente, quando recebo amigos, gosto de conduzir a noite em camadas: começo com um espumante, passo para um branco fresco, como um chardonnay chileno sem madeira, e termino com um Viognier aromático e equilibrado. A mesa fica leve, a conversa flui e o paladar não se cansa, a gente só percebe quando a garrafa já está no fim.

No fim das contas, harmonizar é isso: menos fórmula pronta, mais escuta do sabor.
Quando a combinação acerta, a conversa flui, a taça esvazia sem perceber e a tábua some da mesa. E, para mim, esse é o sinal de que deu certo.

Dicas de ouro da Somm

Para surpreender a mesa

Queijos azuis e picantes, como gorgonzola, roquefort e stilton, pedem contraste, não força. Vá de vinhos de sobremesa, como Sauternes ou Moscatel de Setúbal. A doçura abraça o sal, a acidez equilibra a gordura e, de repente, tudo se encaixa.
Esse é, sem dúvida, um dos momentos de harmonização com queijos de que eu mais gosto. A primeira mordida, o primeiro gole, e a mesa inteira faz aquela cara de surpresa. É quase um bug sensorial, tão improvável que fica perfeito. Pode apostar, você vai impressionar muita gente.

Para nunca errar

Se estiver na dúvida sobre como harmonizar queijos e vinhos, abra um espumante. Quase sempre é a harmonização mais democrática, versátil e certeira da mesa.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Pala Wine: novo bar de vinhos no Palacete Tirachapéu

0

Carta afinada com terroirs do mundo, vinhos de baixa intervenção e atmosfera elegante marcam o novo point enogastronômico do Centro Histórico

Salvador acaba de ganhar um novo endereço para os amantes do vinho — e não é qualquer bar. Localizado no imponente Palacete Tira Chapéu, no coração do Centro Histórico, o recém-inaugurado Pala Wine chega com a proposta de ser mais que um wine bar: um espaço de curadoria, identidade e descobertas sensoriais, onde o vinho é protagonista absoluto.

Aberto todos os dias, das 12h às 22h, o Pala Wine se desenha como um refúgio para iniciantes curiosos e enófilos experientes. Com uma carta que viaja por clássicos do Velho Mundo — como França, Portugal, Itália e Espanha — e explora tesouros da América do Sul, o espaço equilibra tradição e ousadia.

pala wine palacete tirachapeu 2
Palacete Tirachapéu, o lar da Pala Wine (Divulgação)

Bahia, Uruguai e vinhos de mínima intervenção

Entre os destaques da carta estão rótulos autorais, vinhos laranja e produções de mínima intervenção. A proposta é clara: valorizar pequenas vinícolas, práticas sustentáveis e terroirs autênticos. Entre os nomes de peso, figuram os vinhos da Riccitelli Wine, ícone argentino de baixa intervenção, e a exclusiva vinícola uruguaia Mataojo, cujos rótulos só podem ser encontrados no Pala Wine, em Salvador.

Do Brasil, brilham produções artesanais do Rio Grande do Sul e da vinícola UVVA, orgulho baiano instalado na Chapada Diamantina, que conquista paladares com vinhos de identidade forte e personalidade tropical.

Pala Wine, muito além da taça

Mas o Pala Wine não se limita ao consumo no local. O bar também funciona como empório, permitindo que os clientes levem para casa os vinhos selecionados com a mesma curadoria dedicada. Uma carta especial de destilados também foi pensada para harmonizar com os charutos Jamm, em uma experiência que une aroma, textura e prazer.

Com consultoria da sommelière Carol Souzah, o espaço promete ainda uma agenda de degustações guiadas e eventos temáticos, conectando o público a produtores e estilos pouco explorados, em uma atmosfera acolhedora e sofisticada.

carol souzah afrotinto
Carol Souzah – Foto: Divulgação

Uma nova cena enológica em Salvador

A chegada do Pala Wine reafirma a vocação do Palacete Tira Chapéu como polo criativo e gastronômico no Centro Histórico, resgatando o charme da cidade com uma proposta cosmopolita. Um brinde à Salvador, que se reinventa com elegância e sabor.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Onde celebrar Iemanjá 2026 com fé, arte e gastronomia

0

Um mergulho na força da Rainha do Mar e nas melhores experiências para celebrar o 2 de fevereiro no Rio Vermelho desse ano

Em Salvador, o dia 2 de fevereiro é mais do que uma tradição: é um fenômeno cultural, religioso e sensorial.

É quando a cidade inteira se curva diante do mar para homenagear Iemanjá, a mãe das águas, senhora das marés, da fertilidade e do acolhimento. No bairro do Rio Vermelho, epicentro dessa celebração, o sagrado e o profano se entrelaçam com naturalidade, entre cortejos, oferendas, moquecas fumegantes, festas premium e arte urbana.

Neste especial, o Muito Gourmet convida você a mergulhar nas origens da festa, entender seus rituais e conferir o melhor da programação para viver uma das datas mais emblemáticas da Bahia em 2026.

A rainha do mar e a maior festa pública do candomblé

Iemanjá é uma das divindades mais cultuadas nas religiões de matriz africana no Brasil. Senhora dos mares e mãe de muitos orixás, ela é sinônimo de proteção, fertilidade, acolhimento e força feminina. Seu culto se manifesta com intensidade em Salvador, especialmente no 2 de fevereiro, quando centenas de milhares de pessoas, vestidas de branco e azul, tomam o bairro do Rio Vermelho.

O momento mais simbólico da celebração é a entrega do presente oficial a Iemanjá: uma oferenda especial elaborada pelo Terreiro Olufanjá – Ilê Axê Iyà Olufandê, que sai em cortejo às primeiras horas do dia 2 de fevereiro rumo à Colônia de Pescadores Z-0, no Rio Vermelho.

Lá, o presente é exposto e depois levado ao mar pelos próprios pescadores — criadores da festa — acompanhados por dezenas de embarcações. O ritual, carregado de fé e ancestralidade, marca o ápice espiritual da festa.

Esse gesto ritual resume o espírito do dia: devoção coletiva, respeito às tradições afro-brasileiras e profunda conexão com a natureza.

Gastronomia e festas: onde viver o melhor do 2 de fevereiro em Salvador

A espiritualidade caminha de mãos dadas com a celebração. Bares, restaurantes e beach clubs criam programações especiais para quem deseja vivenciar o dia com música, sabores e vista para o mar.

Blue Praia Bar – Tradição e feijoada pé na areia

Na charmosa Praia do Buracão, o Blue Praia promove sua já tradicional festa de Iemanjá, das 10h às 19h. A experiência começa com banho de folhas, cortejo e rituais simbólicos, e segue com buffet de feijoada, drinks Corona, DJs e queima de fogos.

iemanja blue
Blue Praia Bar – Foto: Divulgação

Principote – Luxo mediterrâneo e show de Jau

No mesmo cenário paradisíaco, o Principote celebra com a festa Dos Mares em formato All Inclusive Premium, das 12h às 20h. O buffet mediterrâneo inclui arroz de frutos do mar feito ao vivo pelo chef Raianderson Santos. No palco, Jau comanda o clima junto ao DJ Matheus Cê.

principote iemanja dos mares
Principote – Dos Mares – Foto: Divulgação

Casa de Tereza e Bar Da Tetê – Tradição e comida de terreiro com Tereza Paim

A chef Tereza Paim honra Iemanjá com sabor e ancestralidade. A famosa Barraca da Tetê funciona das 5h30 às 11h30 com mingaus, bolos, caldos e sarapatel. No almoço, moquecas, maniçoba e ensopados tomam conta do restaurante.

À tarde, o bar Da Tetê sedia a Varanda de Yemanjá, festa All Inclusive com shows de Arlesson Cruz e Aline Souza (ex-The Voice Brasil), petiscos e drinks à vontade.

Barraca da Tetê Iemanjá no 2 de fevereiro
Barraca da Tetê – Foto: Marcello Fontes

Exposição “Yemanjá: Mar, memória e devoção” – Arte para saudar as águas

Com curadoria de Tati Sampaio, a mostra “Yemanjá: Mar, memória e devoção” reúne 34 artistas na Confraria das Ostras. A exposição celebra a força simbólica da orixá com pinturas, instalações, cerâmicas e vídeos. Um dos destaques é Pedro Fróes, artista de apenas 13 anos.

paulo neves iemanja
Obra de Paulo Neves – Foto: Divulgação

Uma Salvador em estado de encantamento

No Dia de Iemanjá, Salvador transcende o tempo. A cidade pulsa em outra frequência — onde o tambor do candomblé embala o coração de fiéis, curiosos e turistas. As ruas do Rio Vermelho se tornam um território sagrado, onde se celebra o feminino, o mar, os ancestrais e os encontros.

Seja você devoto, turista ou curioso, o convite está feito: venha viver esse dia com respeito, beleza e entrega. Porque na Bahia, fé e festa caminham de mãos dadas — e com gosto de dendê e maresia.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Silva Cozinha deixa o Rio Vermelho e anuncia novo capítulo na Rua Chile

0

Mudança marca transição estratégica do restaurante autoral de Ricardo Silva, que se despede com homenagem a Iemanjá

Para o Silva Cozinha o mar continuará presente, mas o horizonte será outro. Depois de quase três anos servindo afetividade em forma de comida na Rua da Paciência, no coração do Rio Vermelho, o restaurante Silva Cozinha abre um novo ciclo e se prepara para uma mudança histórica: a casa comandada pelo chef Ricardo Silva vai se instalar na icônica Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador.

O novo endereço, vizinho da Baía de Todos-os-Santos e atualmente ocupado pela pop-up Casa Verão Hidden, representa mais do que uma troca de CEP. É um salto de maturidade, segundo o chef: “Nossa história foi construída e consolidada no Rio Vermelho, mas temos agora a oportunidade de aumentar nosso repertório em um ambiente que vai nos permitir ir além da cozinha, atendendo com mais conforto”.

Silva Cozinha vai para Rua Chile
Luciana Mastique e Ricardo Silva (Foto: Gabriel Brawne)

Uma cozinha com vista para o futuro (e para a Baía)

A nova sede traz não apenas mais espaço e infraestrutura, mas também uma vista privilegiada, que encantou os sócios à primeira visita. “Vimos aquela vista e nos apaixonamos”, conta Luciana Mastique, sócia do Silva. “Quando houve a oportunidade de expandir para atender nossos clientes em um espaço maior e de frente para a Baía de Todos-os-Santos, não houve dúvida da decisão”.

O Silva Cozinha, que se firmou como referência de gastronomia autoral em Salvador, segue com a proposta de uma cozinha afetiva e contemporânea, agora em cenário ainda mais especial, onde a arquitetura histórica da cidade se mistura ao frescor do mar e à efervescência cultural do Centro.

A despedida: uma última noite no Rio Vermelho com bênçãos de Iemanjá

Marcando essa transição com o respeito que sempre dedicou à cultura local, o Silva encerra sua operação no Rio Vermelho na madrugada do dia 2 de fevereiro, logo após a tradicional homenagem a Iemanjá. Como já virou costume, a casa receberá, da noite do dia 1º até a alvorada, amigos e clientes para um brinde coletivo, uma despedida simbólica, embalada pela fé e pelas boas energias que movem o mar e os sonhos.

Com essa virada de chave, o Silva Cozinha reafirma seu compromisso com Salvador, com a criação de experiências sensoriais que ultrapassam o prato, e com a valorização do território urbano como ingrediente essencial da boa mesa.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!