Início Blog Page 3

Festival do Porco leva porco inteiro assado e “Rolão” para a Pituba no dia 12 de setembro

0

Open food e open bar das 12h às 17h no O Porco Steak House, sob comando do chef assador Sandro Borges

O Festival do Porco acontece no sábado, 12 de setembro, das 12h às 17h, nas áreas interna e externa do O Porco Steak House, na Pituba. O evento funciona em formato open food e open bar, tem como prato central um porco inteiro assado e desossado e traz como novidade desta edição o “Rolão”, uma Porchetta crocante por fora e suculenta por dentro. Os ingressos custam R$ 180 no primeiro lote, até 8 de setembro.

Quem comanda a operação é Sandro Borges, chef assador e proprietário da casa, nome que também assina o Varanda Gourmet, no Rio Vermelho. O convite dele é direto. “Chame os amigos e venha viver a experiência de ver de perto a assadura do porco inteiro”, diz.

sandro borges
Chef Sandro Borges – Foto: Divulgação

O espetáculo é a assadura, não só o prato

O que diferencia o Festival do Porco de um almoço farto é o fato de a cozinha acontecer à vista. O animal inteiro, desossado, assa lentamente diante do público, e o corte é feito na frente de quem está à mesa. É ali que a proposta se revela: cada parte do porco tem textura, gordura e sabor próprios, e servir tudo na mesma refeição é uma forma de mostrar isso sem discurso.

Pernil, paleta, panceta, costela, lombo e copa lombo chegam ao prato com comportamentos diferentes. O lombo é mais seco e discreto. A panceta entrega gordura e crocância. A costela desmancha. Comer o porco inteiro em uma sentada é menos sobre quantidade e mais sobre perceber que se trata de várias carnes dentro de um mesmo animal, ideia que Borges vem defendendo desde a primeira edição do festival, em 2024.

A assadura lenta é o que sustenta esse resultado. O tempo prolongado em temperatura baixa derrete a gordura interna, mantém a umidade da carne e cria a casca crocante que é a assinatura visual do prato.

O “Rolão”, a Porchetta que estreia nesta edição

A novidade desta edição atende pelo apelido de Rolão e é uma leitura da Porchetta, preparo de origem italiana que consiste em enrolar a carne suína com sua própria pele e assar até que a superfície fique vidrada.

A lógica é a mesma do porco inteiro, mas concentrada. Ao enrolar, o corte cria camadas, e a gordura que derrete no interior tempera a carne de dentro para fora enquanto a pele externa desidrata e estala. É um prato que depende inteiramente de controle de forno e de paciência, o tipo de preparo que expõe qualquer pressa.

Servir a Porchetta ao lado do porco inteiro dá ao público duas técnicas para comparar na mesma tarde, o que reforça o caráter quase didático do festival.

rolao o porco
O “Rolão” do O Porco Steak House – Foto: Divulgação

Os acompanhamentos e o open bar

A mesa de acompanhamentos foi montada para dialogar com a gordura da carne. Entram batata bolinha, farofa crocante, arroz alhado, arroz caldoso, tutu de feijão preto e chimichurri de banana da terra, molho que virou marca registrada das edições anteriores e resolve o papel de acidez e frescor no prato.

O open bar inclui chopp gelado à vontade, além de refrigerante e água.

Uma casa que nasceu do porco e cresceu a partir dele

O Porco abriu na Pituba em novembro de 2021 como a casa de Salvador dedicada a cortes suínos, proposta que era rara na cidade naquele momento. Em 2024, o restaurante ampliou o conceito e passou a operar como steakhouse, incorporando carne bovina, galinha, bode, peixe e carneiro ao cardápio regular, sem abandonar a origem.

O festival é justamente o momento em que a casa volta ao ponto de partida. Uma vez por temporada, o porco reassume o protagonismo integral, e o restaurante opera como se ainda fosse apenas o que era no começo.

Há também um mini açougue no endereço, com cortes que o cliente leva para preparar em casa, extensão natural de uma cozinha que sempre tratou o suíno como matéria-prima de estudo.

Por que a carne suína ganhou espaço na cena de Salvador

Durante décadas o porco carregou no Brasil a fama de carne pesada e de segunda linha, herança de um tempo em que a criação era outra e o preparo, também. Isso mudou. A suinocultura profissionalizou-se, os cortes ganharam padronização e a alta gastronomia brasileira passou a tratar o animal como ingrediente nobre.

Salvador acompanhou esse movimento com atraso e agora corre atrás. Festivais como este cumprem um papel específico nessa virada: colocam o público diante do animal inteiro, sem embalagem e sem intermediação, e desfazem o preconceito pela experiência direta, que costuma ser mais eficiente do que qualquer argumento.

Serviço Festival do Porco

O que: Festival do Porco, com open food (porco inteiro assado e desossado, Porchetta “Rolão” e acompanhamentos) e open bar (chopp, refrigerante e água)
Onde: O Porco Steak House, Rua Território do Acre, 101, Pituba, Salvador
Quando: sábado, 12 de setembro, das 12h às 17h
Valores: 1º lote, R$ 180, até 08/09; 2º lote, R$ 200, de 09/09 a 11/09; no dia do evento, R$ 220
Crianças: até 6 anos não pagam; de 7 a 12 anos, meia
Ingressos: WhatsApp (71) 98125-2520

Perguntas Frequentes

Quando é o Festival do Porco em Salvador?

O festival acontece no sábado, 12 de setembro, das 12h às 17h, no O Porco Steak House, na Rua Território do Acre, 101, na Pituba.

Quanto custa o ingresso do Festival do Porco?

O primeiro lote custa R$ 180 até 8 de setembro. O segundo lote sai por R$ 200, de 9 a 11 de setembro, e no dia do evento o ingresso custa R$ 220. Crianças de até 6 anos não pagam e de 7 a 12 anos pagam meia entrada.

O que está incluso no ingresso?

O valor dá direito a open food, com porco inteiro assado e desossado, a Porchetta “Rolão” e acompanhamentos como batata bolinha, farofa crocante, arroz alhado, arroz caldoso, tutu de feijão preto e chimichurri de banana da terra, além de open bar com chopp, refrigerante e água.

Como comprar ingresso para o Festival do Porco?

Os ingressos são vendidos pelo WhatsApp (71) 98125-2520, diretamente com o restaurante.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Di Vino by Allê retoma em setembro com degustação livre de vinhos no Santo Antônio Além do Carmo

0

Projeto volta em quatro quintas-feiras, com quatro rótulos por noite, música ao vivo e vista para a Baía de Todos os Santos

O Di Vino by Allê está de volta. A partir desta quinta-feira, 3 de setembro, o projeto dedicado a quem gosta de vinho retorna à programação do Allê Varanda Bar, no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, com quatro edições ao longo do mês, sempre às quintas. Em cada noite, quatro rótulos escolhidos para a ocasião ficam disponíveis para degustação livre das 19h às 22h, ao som de música ao vivo. A experiência custa R$ 120 por pessoa.

O calendário alterna dois parceiros do mercado de vinhos. Nos dias 3 e 17 de setembro, o serviço fica por conta da Vinífera. Nos dias 10 e 24, a vez é da parceria Del Maipo/Meus Vinhos. A cada edição, portanto, muda a curadoria, mudam os rótulos e muda o percurso proposto na taça, o que dá ao projeto um formato de temporada em vez de evento isolado.

Vinho com endereço no bairro mais histórico de Salvador

O detalhe que costuma escapar de quem lê só a agenda é onde essa taça é servida. O Allê Varanda Bar fica no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, debruçado sobre a Baía de Todos os Santos, num dos trechos mais antigos da cidade. É o mesmo largo do Forte de Santo Antônio Além do Carmo, erguido no século 17 para defender o limite norte de Salvador, transformado em presídio no século 19 e hoje conhecido como Forte da Capoeira.

O bairro passou as últimas duas décadas se reinventando. Casarões viraram pousadas, ateliês e restaurantes, e o que era rota de passagem entre o Pelourinho e a Ribeira virou destino. O pôr do sol sobre a baía é o argumento visual mais óbvio dessa transformação, e é justamente o que o Allê explora desde que abriu, com uma varanda voltada para a água e um cardápio de inspiração mediterrânea.

Colocar uma degustação de vinhos nesse cenário não é um detalhe operacional. É uma escolha de posicionamento. Salvador concentra a maior parte da sua programação de vinho na orla e nos bairros da Pituba, Horto e Rio Vermelho. Levar o assunto para o Carmo, com a cidade histórica ao redor e a baía na frente, muda a natureza da experiência: o vinho deixa de ser o único acontecimento da noite e passa a dividir a cena com a paisagem.

di vino by alle 2
Di Vino by Allê – Foto: Divulgação

Um formato pensado para quem ainda está entrando no assunto

A lógica do Di Vino by Allê é de porta de entrada. Em vez de vender garrafa ou taça avulsa, a casa cobra um valor fixo e libera a degustação de quatro rótulos dentro de uma janela de três horas. Quem chega sabendo pouco sobre vinho pode provar os quatro em sequência, comparar, errar sem constrangimento e descobrir o que gosta. Quem já tem repertório usa a noite para conhecer trabalhos de curadoria diferentes a cada quinzena.

Comidas e demais bebidas consumidas na casa não estão incluídas no valor e são cobradas à parte. Na prática, isso deixa a montagem da noite nas mãos do cliente: ele escolhe o que come do menu do Allê e combina com os vinhos da rodada, sem menu de harmonização fechado. É um modelo mais solto do que o de um jantar harmonizado tradicional, e mais barato do que abrir quatro garrafas para provar quatro rótulos.

A música ao vivo completa o desenho. O projeto já passou pela programação da casa em outras ocasiões, sempre com a proposta de apresentar rótulos diferentes em formato leve, sem a solenidade que costuma afastar o público iniciante do universo do vinho.

Serviço

Di Vino by Allê

Quintas-feiras 3, 10, 17 e 24 de setembro de 2026, das 19h às 22h
Allê Varanda Bar, Largo de Santo Antônio Além do Carmo, 01, Santo Antônio Além do Carmo, Salvador
R$ 120 por pessoa, degustação livre de quatro rótulos
Comidas e demais bebidas não inclusas
Serviço de vinhos: Vinífera (3 e 17) e Del Maipo/Meus Vinhos (10 e 24)
Música ao vivo
Informações: @allevarandabar

Perguntas Frequentes

O que é o Di Vino by Allê?

É o projeto de degustação de vinhos do Allê Varanda Bar, no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador. Em cada edição, quatro rótulos selecionados ficam disponíveis para degustação livre, com música ao vivo, por um valor fixo por pessoa.

Quando acontecem as edições de setembro de 2026?

Nas quintas-feiras 3, 10, 17 e 24 de setembro, sempre das 19h às 22h.

Quanto custa a degustação?

R$ 120 por pessoa. O valor cobre apenas os quatro rótulos da noite. Comidas e demais bebidas consumidas na casa são pagas à parte.

Quem assina a seleção de vinhos?

A Vinífera responde pelas edições dos dias 3 e 17 de setembro. A parceria Del Maipo/Meus Vinhos assina as edições dos dias 10 e 24.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Onde fica o Allê Varanda Bar?

No Largo de Santo Antônio Além do Carmo, 01, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, com vista para a Baía de Todos os Santos.

Siga o Muito Gourmet no Instagram para mais sabores, cultura e turismo em Salvador!

Entre uma taça e outra, as masterclasses do Wine Brasil Music

0

Entre o estande e as salas de degustação, nossa colunista conseguiu fazer quatro das nove masterclasses do festival. Um espumante da Casa Pedrucci, uma Rebo 2022 e o universo de Jerez ficaram na memória.

A coluna de hoje chega um dia depois do Dia Nacional do Sommelier, celebrado em 29 de agosto, e a coincidência não poderia ser melhor. Sommelier é quem dá palavra ao vinho, essa coisa que carrega safra, região, decisão humana e memória, mas não fala sozinha. Alguém precisa traduzir. Na Bahia, onde o sol é forte e a cerveja é gelada, esse trabalho tem sido feito com uma teimosia bonita, por profissionais que formam paladar, ajustam temperatura de serviço, montam cartas autorais e despertam paixões novas pelo líquido dionisíaco em quem só conhecia o vinho do churrasco de domingo. A todos eles, o nosso brinde.

E à Carol Souzah, que faz as duas coisas ao mesmo tempo: serve e escreve. No Wine Brasil Music, ela esteve em duas funções, jornalista especializada em vinhos e sommelière em serviço no estande, com nove masterclasses acontecendo ao redor e um dia inteiro que ainda era o do próprio aniversário. Conseguiu participar de quatro. É sobre elas, e sobre as taças que ficaram na memória, que ela escreve agora.

Entre uma taça e outra, as masterclasses do Wine Brasil Music

O Wine Brasil Music teve uma programação que, para quem trabalha com vinho, era daquelas difíceis de administrar. Nove masterclasses, três dias de evento, grandes nomes do vinho brasileiro e internacional e uma seleção de rótulos que passava por diferentes regiões, estilos e momentos da história do vinho.

Eu estava ali em duas funções: como jornalista especializada em vinhos e como gerente comercial e sommelier da Meus Vinhos, distribuidora que atua na Bahia com os vinhos da importadora Del Maipo. O estande da Del Maipo também fazia parte da feira e, entre receber pessoas, apresentar vinhos e trabalhar, eu tentava escapar para as salas de degustação sempre que conseguia.

Não deu para fazer todas as nove disponíveis durante o evento. A masterclass de “Vinho de garagem, 35 anos depois”, que estava entre as que eu mais queria, acabou ficando de fora. E o dia 21 ainda tinha um pequeno detalhe: era meu aniversário. Precisei me dividir entre celebrar, trabalhar e tentar acompanhar a programação. Foi o dia em que menos consegui sair do estande, e Bordeaux e a tão esperada aula de vinhos de garagem ficaram para outra oportunidade.

Ainda assim, consegui participar de quatro masterclasses. E algumas taças ficaram especialmente na memória.

Espumantes do Brasil, com Gilberto Pedrucci

Tenho Gilberto Pedrucci como um dos grandes nomes da história dos espumantes brasileiros, então essa era uma aula que eu queria muito fazer.

Sua trajetória passa por casas importantes da nossa vitivinicultura. Foi presidente da Associação Brasileira de Enologia, trabalhou por mais de 20 anos na Peterlongo, passou pela Cavigase, foi Enólogo do Ano em 2005 e hoje está à frente da Casa Pedrucci.

Ouvi-lo falar de espumantes é ouvir alguém cuja própria trajetória se mistura à evolução dessa categoria no Brasil.

A degustação passou por Peterlongo Privilege Rosé Brut 18 meses, Vaccaro Nature Sur Lie, Casa Pedrucci Millésime Brut, Courmayeur Moscatel Brut, Ponto Nero Celebration Prosecco, Garibaldi VG Nature Blanc de Blanc e Chandon Blanc de Noir Extra Brut.

E havia uma bela diversidade de estilos, métodos e uvas. Inclusive um Charmat longo tão bem feito que, na degustação, houve quem pensasse que fosse um espumante de método tradicional. Um bom lembrete de que o método, sozinho, não determina a qualidade.

Garibaldi também não poderia ficar de fora dessa conversa. A região é fundamental para a história dos espumantes brasileiros e ajudou a construir a identidade que hoje associamos à Serra Gaúcha.

Mas o vinho que mais me marcou foi o Casa Pedrucci Millésime Brut.

Foi um dos melhores espumantes brasileiros que já bebi. Complexo, preciso e, principalmente, muito persistente. Você toma o gole e o vinho continua. O retrogosto volta, permanece, insiste. É aquele final longo que faz a gente demorar um pouco antes de pensar na próxima taça.

Foi uma das grandes surpresas do festival para mim.

Vinhos de altitude de Santa Catarina

A masterclass com Everson Fernando Suzin e Sergio Bruxo foi uma das surpresas do festival. E também foi um prazer especial conhecer Sérgio Bruxo mais de perto e ouvi-lo falar sobre vinhos e sobre a região.

A degustação passou por Montepulciano 2022, Rebo 2022, Petit Verdot 2021, Malbec 2021, Cabernet Sauvignon 2021, Rosé Suzin 2022 e Sauvignon Blanc Suzin 2023.

O que me interessa nos vinhos de altitude é justamente a possibilidade de construir vinhos com boa acidez, frescor e identidade, explorando variedades que nem sempre associamos ao Brasil.

E aqui preciso falar da Rebo. É uma uva com a qual tenho uma história de muitas degustações e que sempre me desperta curiosidade. Quem frequentou o Terroir provavelmente já bebeu alguns vinhos dessa uva comigo, porque sempre gostei muito de trabalhar com ela e colocá-la na taça de quem passava por lá.

Por isso, encontrar a Rebo 2022 nessa seleção foi uma surpresa especialmente boa. Gostei muito do vinho, da maneira como a safra se apresentou e da personalidade que mostrou na taça. Foi, para mim, um dos preferidos dessa masterclass.

Montepulciano também chamou atenção pela personalidade, enquanto Cabernet Sauvignon e Malbec mostraram como castas internacionais podem ganhar outra leitura em altitude.

Foi uma degustação surpreendente, daquelas que deixam vontade de continuar acompanhando o que essas regiões ainda têm para mostrar.

Uruguai, Canelones e Castillo Viejo

Também fiz questão de participar da masterclass com Alejandro Etcheverry porque gosto muito dos vinhos uruguaios e, especialmente, do que Canelones tem mostrado.

A seleção foi de Blanc de Blanc 2025, Sauvignon Blanc 2025, Tannat Varietal 2024, Vieja Parcela 2023, Cabernet Sauvignon Reserva 2024, Reserva da Família 2023, Gran Tannat 2020 e El Preciado 2022.

Canelones me interessa pela combinação de frescor, acidez e expressão de terroir. E por mostrar que o Uruguai não começa e termina no Tannat.

Nos brancos, especialmente, aparece esse lado mais vibrante e fresco. Nos tintos, o Tannat pode ganhar elegância e equilíbrio sem perder sua identidade.

É um Uruguai que vale a pena beber com mais atenção.

Jerez, um vinho com 3.000 anos de história

Essa era a masterclass que eu mais aguardava.

Sou apaixonada por Jerez e a aula com Arthur Azevedo foi exatamente o que eu esperava: conhecimento, história e muita paixão pelo assunto.

Arthur é um showman. Fala de Jerez com domínio técnico, mas também com humor e entusiasmo, o que faz toda a diferença quando se entra em um universo tão particular. Em um dos momentos da aula, ele lembrou uma famosa passagem de Shakespeare sobre o Jerez, e aquilo me pareceu fazer todo sentido.

Na taça, Barbadillo Pale Cream Sherry, Oloroso, Manzanilla de Sanlúcar de Barrameda, Fino, Pedro Ximénez, Solear Manzanilla e Eva Cream.

Foi uma pequena viagem pelos diferentes estilos de Jerez. A crianza biológica, a flor, a salinidade da Manzanilla, a amplitude do Oloroso, a delicadeza do Fino e, depois, os vinhos doces, com a concentração impressionante do Pedro Ximénez.

E aqui faço uma confissão: meus favoritos continuam sendo a Manzanilla e o Oloroso. São estilos muito diferentes entre si, mas que me encantam justamente por aquilo que Jerez tem de mais particular. A Manzanilla pela delicadeza, pelo frescor e aquela sensação quase salgada que parece trazer Sanlúcar para dentro da taça. O Oloroso pelo outro extremo, mais amplo, profundo e cheio de camadas.

Mas o que mais ficou comigo foi a maneira como Arthur contou essa história.

Jerez é daqueles vinhos que ficam ainda mais interessantes quanto mais a gente entende sobre eles. E, depois dessa aula, fiquei com ainda mais vontade de continuar bebendo, estudando e descobrindo esse universo.

Para quem gosta de vinho, fica a dica: na próxima edição, vale olhar com atenção a programação das masterclasses antes de chegar ao festival. O Wine Brasil Music não acontece apenas na feira, na música e na gastronomia. Durante os dias do evento, essas degustações técnicas trazem conteúdo, histórias e a oportunidade de ouvir profissionais que dificilmente estariam reunidos em uma mesma programação.

Para mim, foram uma das partes mais enriquecedoras do festival.

E, entre tudo o que consegui provar, algumas taças ficaram especialmente na memória.

O Millésime da Casa Pedrucci foi uma delas.

A Rebo 2022 foi outra.

E Jerez, claro, ficou em uma categoria própria.

Durante a masterclass, Arthur Azevedo lembrou um dos muitos momentos em que o vinho de Jerez atravessou a história e chegou até a literatura. Shakespeare, pela voz de Falstaff, dizia que o Jerez “aquece o sangue e ilumina o espírito”.

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Bella Napoli lança o Facile, linha de pratos congelados artesanais

0

No ano em que chega aos 64, a casa italiana mais tradicional de Salvador coloca seus clássicos dentro do freezer do cliente

O Bella Napoli passou a vender seus clássicos congelados. A linha se chama Bella Napoli Facile, é produzida artesanalmente na cozinha da própria casa, sai do freezer direto para o forno e custa entre R$ 60 e R$ 71. Por enquanto, os produtos estão disponíveis apenas na unidade do Caminho das Árvores, e chegam ao mercado justamente no ano em que o restaurante alcança 64 anos de história em Salvador.

A lista de estreia é uma espécie de resumo do cardápio que sustentou a casa por seis décadas. Estão lá o filé mignon e o frango à parmegiana, as polpetas, as lasanhas de carne e de frango e as massas. Entra também o limoncello produzido pela casa, o que dá à linha um contorno menos de refeição pronta e mais de despensa italiana montada por quem já conhece a cozinha do restaurante.

Não é delivery, e a diferença importa

O ponto que o chef e proprietário Gian Francesco Angelino faz questão de marcar é que o Facile não concorre com o serviço de entrega que a casa já mantém. São produtos com lógicas opostas.

“No delivery, o cliente recebe o prato pronto e quente, exatamente como sairia da nossa cozinha para o salão. O Facile tem outra proposta: é produzido artesanalmente, congelado e pode ficar no freezer até o momento de ser consumido. Basta retirar e levar ao forno”, explica.

A distinção é o que organiza o uso. O delivery resolve a noite de hoje. O Facile resolve a noite que ainda não tem data, aquela que depende de o cansaço bater, de a visita aparecer sem avisar ou de a geladeira da casa de praia estar vazia num sábado de manhã.

“Queremos facilitar a vida das pessoas e permitir que elas possam levar a nossa cozinha para casa, para a praia ou para o campo e preparar o prato no momento em que desejarem”, diz Angelino.

Um clássico que nunca parou de mudar de formato

O Bella Napoli foi fundado em 1962 por uma família de imigrantes italianos, os Sciarretta Angelino, e é hoje conduzido pela terceira geração da casa. Gian Francesco Angelino, gastrônomo e membro da Federazione Italiana Cuochi, comanda a operação com a mãe, a chef Ana Angelino, ainda como referência diária da cozinha.

Sobreviver 64 anos em Salvador, num setor em que a média de vida dos negócios se mede em meses, não é obra de imobilidade. A casa saiu do Centro, atravessou reformas, ampliou o delivery na pandemia, incorporou pizzas e sanduíches ao cardápio e abriu um vino bar. O filé à parmegiana continuou onde sempre esteve, no centro do cardápio, enquanto tudo em volta era reorganizado.

O Facile segue essa lógica. Não é um cardápio novo nem uma virada de proposta. É o mesmo repertório embalado num formato diferente, com o freezer assumindo o papel que antes era exclusivo do salão.

O congelado como categoria editorial

Vale registrar o movimento maior, porque ele não é só do Bella Napoli. A comida congelada artesanal deixou de ser sinônimo de marmita industrial e virou linha de extensão de marca para restaurantes que já têm nome consolidado. É produto de alta margem, ocupa espaço na casa do cliente e cria recorrência sem exigir mesa disponível.

Para casas tradicionais, há um ganho adicional e mais difícil de medir. Quem cresceu comendo a parmegiana do Bella Napoli em almoço de domingo com a família passa a poder repetir o gesto em casa, no dia que quiser. A memória afetiva, que é o ativo mais valioso de um restaurante de seis décadas, ganha um novo canal de circulação.

Serviço

Bella Napoli Facile
Linha de pratos congelados artesanais
Filé mignon e frango à parmegiana, polpetas, lasanhas de carne e de frango, massas e limoncello da casa
Valores: de R$ 60 a R$ 71
Onde comprar: Bella Napoli, Alameda das Espatódeas, 491, Caminho das Árvores, Salvador
Telefone: (71) 3354-1962


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Salvador tem 6 pizzarias no Top 100 do Brasil e o Alfredo’Ro é o vice-líder nacional

0

Ranking internacional Best Pizza World coloca a capital baiana como a 4ª cidade mais representada do país em 2026

Salvador colocou seis pizzarias entre as cem melhores do Brasil no Top 100 Brazil 2026 do Best Pizza World, ranking internacional independente atualizado em 23 de agosto. A melhor colocada é o Alfredo’Ro, em Ondina, que fecha em segundo lugar geral com 944,40 pontos no Best Pizza Index e fica atrás apenas da La Braceria, de São Paulo. Completam a lista baiana o Almacen Pepe Horto Florestal (15º), o Mamma Jamma do Shopping da Bahia (35º), o Isola Cucina Italiana (42º), o Casa Nero (60º) e o Lutty Pizzeria Napoletana (85º).

O número tem peso. Com seis casas, Salvador é a quarta cidade mais representada do ranking, atrás somente de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, e à frente de Brasília e Curitiba. Sozinha, a capital baiana responde por metade das doze pizzarias nordestinas presentes na lista. As outras seis estão divididas entre Recife, Maceió, Fortaleza, João Pessoa e Natal.

Vale entender o que o ranking mede. O Best Pizza World não é um guia de júri fechado. O índice monta uma nota de até 1.000 pontos a partir de satisfação real de quem comeu, volume e consistência de avaliações verificadas ao longo do tempo, regularidade de qualidade entre visitas, reputação internacional, detecção de anomalias em reviews e uma camada de revisão editorial que pesa 100 dos 1.000 pontos. Traduzindo: é um retrato de reputação construída no balcão, não de badalação. E o que ele diz sobre Salvador é que a cidade parou de ser coadjuvante na conversa nacional sobre pizza.

Abaixo, as seis casas soteropolitanas na ordem em que aparecem no ranking.

1. Alfredo’Ro, 2º lugar no Brasil, 944,40 pontos

A melhor pizza do Brasil fora de São Paulo está em Ondina. O Alfredo’Ro é o único representante do Norte, Nordeste e Centro-Oeste no pelotão de frente do ranking, e chega a 944,40 pontos, a 10,80 do primeiro colocado nacional. A casa é um ristorante italiano de trajetória longa na cidade, e a pizza vem da Forneria Alfredo’Ro, braço da operação que trabalha com massa artesanal de farinha italiana tipo 00 e fermentação natural de 48 horas, o que explica a leveza e a digestibilidade que aparecem repetidas nas avaliações.

Desde novembro de 2025, o grupo reúne pela primeira vez os dois pilares em um mesmo endereço: o Alfredo’Ro Trattoria & Forneria, no terceiro piso do Salvador Shopping, com 400 metros quadrados, projeto do arquiteto Pedro Chezzi, brinquedoteca e acústica independente. Ali as pizzas saem em tamanho grande e individual. Em Ondina, o formato é individual. A cozinha é comandada pelos chefs Júnior e William, com a chef pâtissière Débora na confeitaria.

Onde: Ondina e Salvador Shopping (3º piso). Delivery pelo iFood e 99. Instagram: @forneriaalfredoro

2. Almacen Pepe Horto Florestal, 15º lugar, 911,50 pontos

O Almacen Pepe é a prova de que casa generalista também faz pizza séria. A operação do Horto Florestal opera com uma carta que passeia da cozinha japonesa à espanhola, e ainda assim coloca a pizza entre as quinze melhores do país segundo o índice. É a segunda melhor colocada de Salvador e uma das casas com avaliação mais consistente da lista baiana.

O ambiente ajuda a explicar a nota. O Almacen Pepe construiu público fiel no Horto Florestal com uma proposta de restaurante de bairro grande, familiar, de rotina, aquele lugar onde se volta na quarta-feira sem ocasião especial. É exatamente esse tipo de frequência repetida que o Best Pizza Index premia, porque o critério de consistência avalia se a qualidade se mantém entre visitas, e não se a casa acertou uma noite. A casa também é conhecida pelo seu Festival da Pizza.

Onde: Horto Florestal, Salvador. Instagram: @almacenpepe

3. Mamma Jamma Shopping da Bahia, 35º lugar, 895,00 pontos

A rede tem cinco unidades no Top 100 nacional, e a de Salvador é a terceira melhor colocada entre elas, atrás apenas do Jardim Botânico e da Barra da Tijuca, ambas no Rio. Isso diz algo sobre a operação baiana: dentro de uma marca com padrão nacional rígido, a casa do Shopping da Bahia entrega acima da média do próprio grupo.

O Mamma Jamma trabalha com massa de fermentação longa e forno a lenha, em um modelo de pizzaria de rede que raramente sobrevive bem a rankings de reputação. Sobreviveu. A localização em shopping, que costuma penalizar casas no imaginário gastronômico, aqui não atrapalhou a nota, e a unidade se firmou como uma das opções mais estáveis da cidade para quem quer previsibilidade sem abrir mão de massa bem feita.

Onde: Shopping da Bahia, Caminho das Árvores. Instagram: @mammajamma

4. Isola Cucina Italiana, 42º lugar, 889,30 pontos

O Rio Vermelho entra na lista pelas mãos de um sardo. À frente do Isola Cucina Italiana está o chef Marco Caria, nascido na Sardenha e radicado em Salvador, hoje um dos nomes mais respeitados da pizza na cidade. Em fevereiro deste ano, ele foi entrevistado pelo canal da Pizza Italiana Academy, escola internacional que reúne mais de 230 mestres pizzaiolos, para contar a trajetória que o levou da ilha italiana ao Nordeste brasileiro.

Caria trabalha na chave da pizza contemporânea, estilo que já levou a duas masterclasses em Salvador, em março e outubro de 2025. É uma linha diferente da napoletana clássica: hidratação mais alta, borda mais aérea, liberdade maior na cobertura. O Isola tampouco é uma pizzaria pura, é uma cucina italiana completa, e a pizza divide a carta com massas e pratos de forno. Chegar ao Top 100 nacional fazendo isso no bairro mais competitivo de Salvador diz bastante sobre a consistência da casa.

Onde: Rio Vermelho, Salvador. Instagram: @isolacucinaitaliana

5. Casa Nero, 60º lugar, 878,80 pontos

Grafada como “Casanero” no ranking, a Casa Nero Pizzahouse é a segunda casa do Horto Florestal na lista, o que transforma o bairro no polo de pizza mais bem avaliado de Salvador em 2026, com duas das seis representantes soteropolitanas.

A Casa Nero é uma pizzaria de vocação assumida, sem carta paralela de cozinha italiana, sem trattoria anexa. Faz pizza, e é por ela que é avaliada. O posicionamento mais jovem e o forte investimento em delivery colocam a casa em uma faixa de público diferente das outras cinco da lista, e a nota de 878,80 pontos mostra que o modelo de pizzaria contemporânea, focada em massa e em entrega, também consegue construir reputação de longo prazo em Salvador.

Onde: Horto Florestal, Salvador. Instagram: @casaneropizza

6. Lutty Pizzeria Napoletana, 85º lugar, 866,00 pontos

A caçula da lista baiana é também a mais especializada e a mais premiada em competição. O Lutty é comandado por um pizzaiolo gaúcho de ascendência italiana que dá nome à casa, e opera dentro do protocolo da Associazione Verace Pizza Napoletana, a AVPN, que dita as regras da napoletana verdadeira. Na prática: massa de fermentação natural de 18 horas, forno de alta performance homologado pela associação, cocção em poucos segundos e foco nas duas variedades oficiais, Margherita e Marinara.

É a operação mais recente das seis no ranking e já carrega currículo de competição que muita casa antiga não tem: 15º lugar na ANUGA 24, 9º no Mondiale della Pizza durante a FIPAN 2025 e 5º melhor pizza napoletana do Brasil na ANUGA 2026. Em agosto, o próprio Best Pizza World a reconheceu entre as pizzarias emergentes brasileiras do ano. Entrar no Top 100 fazendo apenas napoletana, em uma cidade acostumada a outros formatos, é feito de convencimento de público, não só de técnica.

Onde: Barra, Salvador. Instagram: @lutty_pizzeria_napoletana

O que a lista diz sobre Salvador

Seis casas, quatro bairros, cinco propostas distintas. O ranking mostra uma cidade que não tem um único modelo dominante de pizza, e sim uma cena repartida entre ristorante italiano tradicional, casa de bairro generalista, rede nacional, cucina de polo boêmio, pizzaria contemporânea de delivery e napoletana purista. É diversidade, e diversidade costuma ser o primeiro sintoma de maturidade em qualquer cena gastronômica.

O Alfredo’Ro em segundo lugar nacional é a manchete. A cena inteira em quarto lugar entre as cidades brasileiras é a notícia.

Perguntas Frequentes

Qual é a melhor pizzaria de Salvador em 2026?

Segundo o ranking Top 100 Brazil 2026 do Best Pizza World, a melhor pizzaria de Salvador é o Alfredo’Ro, com 944,40 pontos no Best Pizza Index. A casa também é a segunda melhor colocada do Brasil inteiro, atrás apenas da La Braceria, de São Paulo.

Quantas pizzarias de Salvador estão no Top 100 do Brasil?

Salvador tem seis pizzarias no Top 100 Brazil 2026: Alfredo’Ro (2º), Almacen Pepe Horto Florestal (15º), Mamma Jamma Shopping da Bahia (35º), Isola Cucina Italiana (42º), Casa Nero (60º) e Lutty Pizzeria Napoletana (85º).

Salvador é a cidade com mais pizzarias no ranking nacional?

Não. Salvador é a quarta cidade mais representada, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ainda assim, é a cidade mais representada de todo o Norte e Nordeste, com metade das doze pizzarias nordestinas presentes na lista.

O que é o Best Pizza Index?

É o sistema de pontuação do Best Pizza World, que atribui até 1.000 pontos a cada pizzaria com base em satisfação real do cliente, confiabilidade e volume de avaliações, consistência de qualidade entre visitas, reputação internacional, controle de anomalias em reviews e uma revisão editorial que vale 100 pontos.

Em que bairros de Salvador ficam as pizzarias do ranking?

As seis casas estão distribuídas em quatro regiões: Ondina (Alfredo’Ro e Lutty), Horto Florestal (Almacen Pepe e Casa Nero), Rio Vermelho (Isola) e Caminho das Árvores, no Shopping da Bahia (Mamma Jamma).

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Salvador Burger Gourmet 2026 começa dia 27 com 46 endereços e menus a partir de R$ 49,90

0

Quarta edição do Salvador Burger Gourmet 2026 vai até 27 de setembro, estreia o formato delivery e concentra mais de um terço das casas em shoppings

A 4ª Salvador Burger Gourmet by Restaurant Week acontece de 27 de agosto a 27 de setembro de 2026, em 46 endereços de 28 casas da capital baiana e do entorno metropolitano. São dois menus de valor fixo, ambos com hambúrguer mais acompanhamento: o Tradicional, a R$ 49,90, e o Plus, a R$ 59,90. Cada participante monta a própria carta com três opções de burger e duas de acompanhamento. Os menus, horários e condições de cada casa ficam no site restaurantweek.com.br, a mesma plataforma da Salvador Restaurant Week.

A novidade desta edição é o delivery. Pela primeira vez, parte dos estabelecimentos oferece o menu do festival para entrega, e duas casas entram exclusivamente nesse formato: a Ó véi Hambúrgueria e a Zevo Burger. Quem quiser saber quem entrega e quem só atende no salão precisa checar a ficha de cada restaurante no site, porque a lista oficial não separa os dois grupos.

Mais de 40, ou 46 endereços de 28 casas

O material oficial fala em “mais de 40 hamburguerias e restaurantes”. A conta fecha, mas merece uma leitura mais precisa: são 46 endereços operados por 28 marcas distintas. A diferença importa para quem vai planejar o mês, porque várias casas entram com o menu replicado em múltiplas unidades.

A Brutus Burger é a mais capilarizada, com seis endereços (Pituba, Salvador Shopping, Shopping Bela Vista, Jardim Apipema, Alphaville e Vilas). A Red aparece em cinco (Apipema, Barra, Jaguaribe, Rio Vermelho e Pituba). A Bravo entra com quatro (Shopping da Bahia, Alphaville, Barra e Pituba). Cazolla e Baby Beef Express somam três cada. Almacen Pepe e Healthy, duas.

Na prática, isso significa que o festival cobre mais território do que variedade. Vinte e uma das 28 marcas participam com um único endereço.

O mapa: onde Salvador come hambúrguer

Espalhados pela lista, os endereços desenham uma geografia bastante clara da cidade.

Dezessete dos 46 pontos, mais de um terço do festival, estão dentro de shopping centers. O Salvador Shopping lidera com oito casas inscritas e é apoiador oficial da edição, reunindo Amado, Brutus, Cazolla, Di Liana, Baby Beef, Healthy, Azougue e Yaya. Vale a nota para quem conhece a marca pelo Contorno: a operação do Amado no festival é a do shopping, não a casa-mãe à beira-mar. Shopping da Bahia e Shopping Paralela vêm com três endereços cada, Shopping Barra com dois e Shopping Bela Vista com um.

Fora dos shoppings, a Pituba é o bairro mais forte, com quatro endereços de rua (Bravo, Brutus, Cazolla e Red). Apipema e Jardim Apipema somam três, incluindo a Forneria Apipema. Rio Vermelho aparece com dois, Red e Une Cozinha. Barra, Horto, Jaguaribe e Vitória entram com um cada. Alphaville tem dois, e há ainda um endereço em Vilas do Atlântico, já em Lauro de Freitas, o que estica o festival um pouco para além do limite municipal.

Uma ressalva honesta: dez casas aparecem na lista oficial sem endereço ou bairro informado. Estão no festival, mas a localização precisa ser conferida diretamente no site.

Os dois menus, e o que o material não explica

O Menu Tradicional custa R$ 49,90 e traz três opções de hambúrguer com duas de acompanhamento. O Menu Plus custa R$ 59,90 e é descrito com a mesma estrutura, três sugestões de burger e duas de acompanhamento. O material oficial não detalha o que separa uma faixa da outra, então a diferença de dez reais se define casa a casa, provavelmente em corte de carne, técnica ou insumo. A consulta ao menu de cada participante no site é o único caminho seguro antes de escolher.

A organização do Burger Gourmet 2026 informa que há opções veganas na edição e que as receitas foram criadas especificamente para o festival. Segundo Fernando Reis, idealizador da Burger Gourmet, a proposta é convidar os chefs a criar novos sabores e texturas e a tratar com mais elaboração uma experiência que já virou rotina. A leitura faz sentido no cenário atual: o hambúrguer deixou de ser categoria de lanchonete e virou espaço legítimo de autoria, o que explica a presença de casas como Amado, Di Liana Cucina, James Steakhouse, Une Cozinha e Carvão numa lista que, há dez anos, seria só de hamburguerias.

Burger Gourmet 2026 – Guia completo: todas as casas por região

Salvador Shopping (Caminho das Árvores)
Amado, Azougue, Baby Beef Express, Brutus Burger, Cazolla, Di Liana Cucina, Healthy, Yaya.

Shopping da Bahia (Iguatemi)
Baby Beef Express, Bravo, Pereira.

Shopping Paralela
Baby Beef Express, Cazolla, James Steakhouse.

Shopping Barra
Almacen Pepe, Healthy.

Shopping Bela Vista
Brutus Burger.

Pituba
Bravo, Brutus Burger, Cazolla, Red.

Barra
Bravo, Red.

Apipema e Jardim Apipema
Brutus Burger (Jardim Apipema), Forneria Apipema, Red.

Rio Vermelho
Red, Une Cozinha.

Horto Florestal
Almacen Pepe.

Jaguaribe
Red.

Vitória
Paseo da Vitória.

Alphaville
Bravo, Brutus Burger.

Vilas do Atlântico (Lauro de Freitas)
Brutus Burger.

Somente delivery
Ó véi Hambúrgueria, Zevo Burger.

Sem endereço informado no material oficial
Black Bull Burger, Buddha Bistro Asiático, Carvão Cozinha de Fogo, Maud Burger, MiniBar Gem, Proa Bar, Sandubaria, Torre (antigo Torre de Pizza), Vini Mar, Zepp Smash. Localização e horários devem ser confirmados em restaurantweek.com.br.

A doação de R$ 2,00, e como ela funciona

O Burger Gourmet 2026 mantém a tradição social da Restaurant Week: a cada menu vendido, é estimulada a doação de R$ 2,00 para as Obras Sociais Irmã Dulce. A formulação importa. Não se trata de repasse automático embutido no preço do menu, e sim de uma contribuição incentivada no momento do pedido. Vale perguntar no atendimento como a casa está operacionalizando.

Quem faz e quem apoia

A realização do Burger Gourmet 2026 é da Licia Fabio Produções em parceria com a Brasil Restaurant Week, festival presente em mais de vinte cidades brasileiras. As harmonizações têm assinatura da McCain e da SOST, a ativação é da Getnet, a promoção é do jornal Correio e o Salvador Shopping figura como apoiador, com as oito casas já citadas.

SERVIÇO

4ª Salvador Burger Gourmet 2026
Quando: de 27 de agosto a 27 de setembro de 2026
Onde: 46 endereços em Salvador e região metropolitana
Preços: Menu Tradicional R$ 49,90 (burger + acompanhamento) e Menu Plus R$ 59,90 (burger + acompanhamento)
Formatos: presencial e delivery, conforme a casa
Menus, horários e lista atualizada: restaurantweek.com.br e burgergourmet.com.br
Ação social: doação estimulada de R$ 2,00 por menu para as Obras Sociais Irmã Dulce


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Fiz 49 pontos de 300 numa degustação às cegas. E voltaria amanhã

0

Doze vinhos sem rótulo no Palacete Tira-Chapéu provaram que, sem sobrenome, o vinho não deixa ninguém mentir

Salvador sediou no dia 20 de agosto de 2026 a segunda edição do Campeonato Brasileiro de Degustação, no Palacete Tira-Chapéu, no Centro Histórico. Foram 30 degustadores, 12 vinhos servidos às cegas entre tranquilos, espumantes e fortificados, e 10 minutos por amostra para responder quatro perguntas: qual a uva predominante, qual o país, qual a região e qual a safra. Cada amostra vale 25 pontos, o total possível é 300. Eu fiz 49. E é exatamente sobre esses 49 pontos que eu preciso escrever.

campeonato brasileiro de degustacoes as cegas
Campeonato Brasileiro de Degustação – Foto: Reprodução @winebrasilmusic.

Eu fui o corredor de domingo que se inscreveu numa meia maratona

O convite veio de Fred Poli, da Cork Wine Lab, um dos apoiadores que viabilizaram a chegada do campeonato a Salvador. Aceitei sabendo com precisão o tamanho do buraco em que estava entrando.

Amo vinho, leio sobre vinho, escrevo sobre vinho, vou a eventos e bebo com atenção. Mas amar não é treinar. Identificar uva, país, região e safra de doze rótulos desconhecidos exige estudo sistemático, biblioteca sensorial construída com método e horas de prova cega repetida até virar reflexo. Eu não tinha nada disso. Tinha curiosidade e um caderno de memórias afetivas, que é uma coisa linda de se ter e uma coisa péssima de se levar para uma competição.

É mais ou menos como o sujeito que corre cinco quilômetros no fim de semana e se inscreve numa prova de Maratona. Ele não vai pelo pódio. Vai para descobrir em que quilômetro o corpo trava, em que momento a cabeça começa a negociar e o que sobra dele depois da linha de chegada. Fui por motivo: queria saber o que acontece quando você tenta entender o vinho sem a muleta do rótulo.

O silêncio de um salão cheio de gente concentrada

Foi tudo montado num espaço de eventos na Rua Chile, no Centro Histórico. Trinta pessoas sentadas, fileiras de taças idênticas, fichas em branco. E um silêncio que eu não esperava encontrar num evento sobre vinho, que é justamente a bebida que existe para produzir barulho de conversa.

O que mais me marcou foi a coreografia. Cada um tem a sua. Tem quem gire a taça devagar, quase em liturgia, e demore uma eternidade antes de escrever a primeira palavra. Tem quem cheire, prove, anote e feche a ficha com uma rapidez quase insolente, como quem já reconheceu um velho conhecido na rua. Tem as caras e bocas, que denunciam a dúvida antes de qualquer resposta oficial: a testa que enruga, o olhar que sobe procurando um arquivo mental, o balanço de cabeça de quem acabou de descartar uma hipótese. Ninguém falava e mesmo assim dava para ler a sala inteira.

E existe um detalhe de desenho da prova que transforma tudo em esporte: o resultado aparece a cada rodada. Você erra o vinho três e carrega o erro para o quatro sabendo exatamente onde está o seu nome. É um tipo de pressão que não tem nada a ver com paladar e tudo a ver com temperamento. Vi gente experiente respirar fundo antes de encarar a taça seguinte.

Nos intervalos, o salão virava outra coisa. A conversa explodia, o comentário divertido sobre a amostra impossível, a troca honesta de raciocínio entre pessoas que segundos antes competiam entre si. Ninguém guardava segredo, ninguém fazia charme. Aquela mistura de seriedade absoluta durante a prova e camaradagem imediata fora dela foi, para mim, o retrato mais fiel do dia.

A memória tem sotaque

Quase todos os vinhos que pontuei eram italianos.

Não foi mérito, foi biografia. Morei um ano e meio na Toscana, e existem coisas que entram pelo nariz e simplesmente não saem mais. O que meu cérebro fez ali não foi análise, foi reconhecimento. Antes de eu formular qualquer raciocínio técnico, alguma parte de mim já tinha dito “isso aqui eu conheço”, do mesmo jeito que a gente reconhece a voz de alguém no telefone sem que a pessoa diga o nome.

Foi a constatação mais bonita do dia, e vale para muito além do vinho: papila e olfato guardam endereço. O paladar é um arquivo de geografia afetiva. Você não decora um território, você o incorpora.

O reverso disso também apareceu, e sem piedade. Um neozelandês ou um australiano, para mim, é território estrangeiro. Nunca morei lá, nunca bebi com frequência, não tenho pasta aberta no arquivo. E o que não está no arquivo não se recupera na hora da prova.

Confundi um Piper-Heidsieck com um Casa Valduga

Aconteceu, e eu conto sem constrangimento nenhum. Provei, pensei em espumante da Serra Gaúcha, cheguei a formular mentalmente um produtor, a Casa Valduga e escrevi. Era Piper-Heidsieck. Champagne, casa fundada em 1785.

O reflexo esperado aqui seria a vergonha. Não sinto. Não porque eu subestime um champagne, isso seria burrice de iniciante, mas porque o espumante brasileiro chegou a um patamar em que a hipótese era plausível. Nossa altitude, nossa acidade natural, nosso método tradicional maduro: existe hoje espumante nacional que compete de igual para igual em cegueira total, que é o único tribunal que não aceita suborno.

E aqui está o que a prova às cegas faz de mais interessante e mais incômodo. Ela arranca o sobrenome do vinho. Sem rótulo não existe denominação de origem impressa, não existe preço na prateleira, não existe selo de importadora, não existe a história bonita que o produtor conta sobre o avô que plantou a primeira parreira. Sobra o líquido, respondendo sozinho.

Uma parte considerável do que se vende como vinho no Brasil é, na verdade, narrativa. Eu vivo de narrativa, construo marca com narrativa, acredito profundamente em storytelling. Por isso mesmo posso dizer sem hipocrisia: narrativa é o que envolve o produto, não o que o substitui. Na taça anônima, o marketing não entra. É um exercício de humildade obrigatória, e o mercado inteiro deveria fazê-lo com mais frequência.

O campeão fez 176. De 300.

Alexandre Takei, sommelier profissional e educador, venceu com 176 pontos. Guarde o número. Cento e setenta e seis de trezentos. Menos de 60% do total possível, feito pelo melhor degustador da sala.

Em segundo, Tiago Sousa de Araujo, WSET nível 3, com 158. Em terceiro, Marcelo de Carvalho Monteiro, WSET 3 e French Wine Scholar, com 157. Em quarto, Renato Lyra, educador com WSET 1, 2 e 3, com 154. Em quinto, Gabriel Tarsitano Ribeiro, com 153.

Sobre Marcelo, uma nota necessária e sem comoção. Ele tem deficiência visual. A prova era às cegas para todo mundo, e ele terminou em terceiro. Não é caso de inspiração fácil, é caso de competência técnica: onde a maioria usa o olho como atalho, ele treinou nariz e boca até não precisar do atalho. Se alguém ainda duvidava de que a análise visual é a etapa mais superestimada da degustação, a resposta estava sentada ali, com 157 pontos.

E se o topo deixou 124 pontos na mesa, a mensagem fica clara. O vinho é maior do que qualquer um de nós. Meus 49 pontos, nesse contexto, param de ser vexame e viram o que de fato são: uma linha de base. Um ponto de partida com data e local registrados.

O que Salvador ganhou nisso

A primeira edição foi em São Paulo, em setembro de 2025. A segunda veio para cá. Salvador é reconhecida pelo dendê, pelo mar e pelo axé, e faz muito bem em ser. Mas há uma cena de vinho crescendo aqui, com gente estudando a sério, e sediar um campeonato nacional é o tipo de sinal que não se compra com verba publicitária.

Vou me esforçar para ir na edição do próximo ano. Dessa vez com treino, com caderno, com prova cega semanal e alguma vergonha na cara. E se ainda assim eu não souber separar um Marlborough de um Barossa, tudo bem. Porque o que eu trouxe do Palacete Tira-Chapéu não foi pontuação. Foi a certeza de que o vinho só é completamente honesto quando ninguém sabe o nome dele. Todo o resto é embalagem.

Minha gratidão ao Fred Poli e ao Cork Wine Lab pelo convite. Me senti um atleta. Um atleta ruim, mas um atleta.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Do Barolo ao Icewine: Cork Wine Lab faz duas degustações raras em Salvador

0

Wine bar da Pituba serve sete rótulos italianos nesta quarta e dez vinhos do Novo Mundo em 1º de setembro

Quem quer provar um Barolo, um Brunello di Montalcino ou um Icewine canadense em Salvador tem duas datas marcadas nos próximos dias. O Cork Wine Lab, na Pituba, promove a Degustação Itália nesta quarta-feira, 26 de agosto, às 19h30, com sete rótulos, e a Degustação Novo Mundo na terça-feira, 1º de setembro, também às 19h30, com dez rótulos de dez origens diferentes. Os valores são de R$ 389 e R$ 539 para o público geral, com desconto para assinantes do Clube Cork. As duas experiências acontecem na Rua das Hortênsias, 478.

São rótulos que raramente aparecem servidos em taça na cidade. É justamente esse o ponto das duas noites.

A Itália em sete taças, do Piemonte ao Etna

A seleção italiana foi montada como um percurso geográfico, e não como uma vitrine de uma região só. Abre com o espumante Ferrari Perlé, do Trentino, feito pelo método clássico, o mesmo da Champagne, com segunda fermentação na própria garrafa.

Na sequência vêm os dois pesos-pesados. O Barolo Pio Cesare 2018 representa o Piemonte e a Nebbiolo, uva de taninos firmes e aromas que costumam evoluir para alcatrão, rosa seca e cereja madura. O Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2019 vem da propriedade da Antinori em Montalcino e trabalha com Sangiovese Grosso, expressão mais estruturada e longeva da uva mais plantada da Itália.

A Toscana volta em outro registro com o Sassoalloro 2022, o Sangiovese de Jacopo Biondi Santi, herdeiro de uma das famílias que praticamente inventaram o Brunello moderno. O Taurasi 2018 desloca a degustação para o sul, na Campânia, onde a Aglianico produz tintos tão estruturados que o rótulo ganhou o apelido de Barolo do Sul.

Os dois brancos fecham o roteiro e são, talvez, os mais interessantes para quem já cansou de Chardonnay. O Etna Bianco Alta Mora nasce de vinhedos plantados nas encostas vulcânicas do Etna, na Sicília, com a uva Carricante, de acidez cortante e salinidade mineral. E o Soave Classico, do Vêneto, traz a Garganega, branco de perfil floral e amendoado que passou décadas subestimado e hoje vive uma reabilitação crítica.

A Degustação Itália custa R$ 389 para o público geral e R$ 349 para assinantes do Clube Cork.

Dez origens numa noite só na Degustação Novo Mundo

A segunda experiência é mais ambiciosa em extensão. São nove países na seleção principal, mais a Bolívia como bônus, o que dá dez origens e dez rótulos numa mesma noite. Fora do eixo europeu tradicional, é uma amostragem difícil de reunir em Salvador.

Da Argentina vem o Montchenot 10 anos, clássico de guarda longa que se tornou referência afetiva no país. A Austrália aparece com o Grand Barossa, do Barossa Valley, região que praticamente define o estilo australiano de tintos densos e maduros. A África do Sul entra com o Barista, Pinotage conhecido justamente pelas notas torradas de café que dão nome ao rótulo.

O Chile manda o Almaviva, de Puente Alto, projeto nascido da união entre a Baron Philippe de Rothschild e a Concha y Toro e hoje um dos ícones sul-americanos. Os Estados Unidos entram por um caminho pouco óbvio: em vez da Califórnia, um Riesling de Finger Lakes, região fria do estado de Nova York que virou o endereço americano da uva alemã.

O Uruguai comparece com o Deicas Albariño, branco atlântico de acidez firme que tem crescido em reputação, e o Canadá fecha com o Icewine Riesling, vinho de sobremesa feito com uvas colhidas congeladas no pé, técnica que concentra açúcar e acidez em doses extremas e explica o preço alto do estilo mundo afora. Brasil e Nova Zelândia completam a seleção, e a Bolívia entra de bônus com um Tannat, produzido em alguns dos vinhedos mais altos do planeta.

A Degustação Novo Mundo custa R$ 539 para o público geral e R$ 499 para assinantes do Clube Cork.

Uma praça de vinho em formação

As duas noites dizem algo sobre o momento de Salvador. O Cork Wine Lab abriu em dezembro de 2025, idealizado pelo empresário Fred Poli, com capacidade para 60 pessoas, menu assinado pela chef Patrícia Veiga e uma operação que junta wine bar, loja especializada e escola no mesmo endereço.

Em julho, a casa fez suas primeiras degustações temáticas, dedicadas aos Estados Unidos e a Portugal, ao preço de R$ 329. Em menos de dois meses, o ticket subiu e o nível dos rótulos acompanhou. É um indicador direto de que existe público disposto a pagar por vinho como conteúdo, e não apenas como consumo.

Fred Poli da Cork Wine Lab
Fred Poli – Foto: Divulgação

Serviço

Degustação Itália
Quarta-feira, 26 de agosto, às 19h30
R$ 389 (público geral) e R$ 349 (assinantes Clube Cork)

Degustação Novo Mundo
Terça-feira, 1º de setembro, às 19h30
R$ 539 (público geral) e R$ 499 (assinantes Clube Cork)

Onde: Cork Wine Lab, Rua das Hortênsias, 478, Pituba, Salvador
Funcionamento da casa: de terça a sábado, das 18h às 23h
Reservas e informações: Instagram @corkwinelab
Vagas limitadas

Perguntas Frequentes

Onde fazer degustação de vinhos em Salvador?

O Cork Wine Lab, na Rua das Hortênsias, 478, na Pituba, promove degustações guiadas com regularidade, além de funcionar como wine bar, loja especializada e escola de vinhos. As próximas experiências são a Degustação Itália, em 26 de agosto, e a Degustação Novo Mundo, em 1º de setembro, ambas às 19h30.

Quanto custa a degustação de vinhos no Cork Wine Lab?

A Degustação Itália custa R$ 389 para o público geral e R$ 349 para assinantes do Clube Cork. A Degustação Novo Mundo custa R$ 539 para o público geral e R$ 499 para assinantes do Clube Cork.

Quais vinhos serão servidos na Degustação Itália?

São sete rótulos: o espumante Ferrari Perlé, o Barolo Pio Cesare 2018, o Brunello di Montalcino Pian delle Vigne 2019, o Sassoalloro 2022, o Taurasi 2018, o Etna Bianco Alta Mora e o Soave Classico.

O que é um vinho do Novo Mundo?

É o vinho produzido fora dos países europeus de tradição vitivinícola secular, em regiões como Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá e Bolívia. O termo descreve a origem geográfica e histórica, não a qualidade da bebida.

O que é Icewine?

É um vinho de sobremesa elaborado com uvas colhidas já congeladas no próprio pé, geralmente em países de inverno rigoroso como o Canadá. O congelamento concentra açúcares e acidez, resultando num vinho doce, intenso e de produção limitada.

Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Mel de abelha sem ferrão produzido no Recôncavo é eleito melhor do Brasil

0

Meliponário Meldoyá, de Jaguaripe, venceu o Código das Abelhas 2026 e soma o segundo título nacional em dois anos

O melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil em 2026 saiu de Jaguaripe, no Recôncavo Baiano. O meliponário Meldoyá, tocado pelos irmãos Caio e Luisa Vieira, conquistou o primeiro lugar no Concurso de Méis Código das Abelhas, realizado em 15 de agosto em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com uma amostra de mel de uruçu nordestina colhida em março deste ano. Não foi a estreia da casa em pódio nacional: em novembro de 2024, a mesma Meldoyá já havia vencido o Concurso Nacional de Méis de Abelhas Sem Ferrão da AME-RIO, o mais antigo do país.

O resultado de agora tem um detalhe que costuma passar despercebido. A Meldoyá inscreveu duas amostras e as duas terminaram entre as dez melhores. A vencedora, colhida em março de 2026, ficou em primeiro. A outra, de dezembro de 2025, em nono. Foram 18 amostras de três estados, avaliadas por seis jurados.

caio e luisa vieira
Caio e Luisa Vieira – Acervo Pessoal

Um concurso que julga mel como se julga vinho

A realização técnica do Código das Abelhas é do Instituto Brasileiro de Sommeliers de Mel, o IBSMEL, com apoio institucional da ACANP, Associação dos Criadores de Abelhas Nativas Paulista. O protocolo é o mesmo aplicado a café, azeite e vinho, e a preocupação central é eliminar viés.

“Colheres e potes pretos para tornar todo mundo igual e o mais justo possível”, explica Felipe Meireles, organizador do concurso. A cor do mel, que em outros contextos atesta a florada, aqui atrapalharia: como não há categorias monoflorais definidas para abelhas nativas, julgar aparência seria injusto.

Duas outras travas técnicas sustentam o método. As amostras recebem numeração aleatória de três dígitos, para evitar que o jurado associe o número um à excelência e o dezoito à irrelevância. E cada mel é provado duas vezes, em ordem invertida, porque o paladar cansa. “Os méis que ficam por último recebem notas mais baixas do que os que são provados no início, porque o cara não está cansado”, diz Meireles.

A pontuação usa escala hedônica de nove pontos em três critérios: aroma, sabor e impressão global. Cada jurado pode dar no máximo 27 pontos. Com seis jurados, o teto era 270. O mel da Meldoyá fez 230, com folga larga sobre o segundo colocado.

Impressão global, no vocabulário do IBSMEL, é complexidade. É como o mel evolui na boca ao longo dos segundos, entregando camadas diferentes. Meireles usa o mel de borá como exemplo clássico: começa com aroma lácteo, de poeira, de madeira e terra molhada, abre em acidez proeminente, atravessa um umami que engana o paladar e faz o mel parecer salgado, e termina puxando para o queijo, para o provolone, para o gorgonzola.

Dois biomédicos, um sítio de família e a pandemia

A Meldoyá começou como saudade. Caio e Luisa são biomédicos, e a ideia nasceu em 2018, depois que Caio passou treze meses fora do Brasil. “No meu retorno, senti essa necessidade do contato com a nossa origem”, conta. A origem eram os sítios da família em Jaguaripe, primeiro município de relevância econômica do Recôncavo, muito antes de Santo Amaro e Cachoeira.

Em 2019 vieram as primeiras colmeias, compradas depois de cursos de manejo com amigos criadores. Em 2020, o isolamento da pandemia transformou hobby em estudo, e estudo em plano de negócio. A empresa nasceu em 2021, a primeira safra saiu em 2022 e a comercialização começou em 2023.

Hoje a casa cria quatro espécies da Mata Atlântica: uruçu nordestina, jataí, moça branca e mirim droryana. E compra mel de sete famílias produtoras espalhadas por Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, incluindo produtores do Pará. “A gente faz esse trabalho de auxiliar o acesso ao mercado”, diz Caio. “O produtor que está lá na ponta da cadeia, no interior, precisa escoar o mel dele.”

É por isso que ele desloca o mérito do prêmio. “É um reconhecimento do potencial da Bahia como estado produtor de mel de abelha sem ferrão.” O mapa da AME-RIO dá razão a ele: em 2024, entre doze estados concorrentes, o primeiro e o terceiro lugares foram baianos.

urucu nordestina
Uruçu Nordestina – Foto: Luisa Vieira

A fermentação é o segredo, não o defeito

O que o consumidor brasileiro aprendeu a enxergar como falha é exatamente o que coloca esse mel na alta gastronomia.

Enquanto o mel da abelha com ferrão tem 16% ou 17% de água, o das abelhas nativas varia entre 23% e 45%. Mais água significa mel líquido, e mel líquido fermenta. “É essa a grande diferença, é a fermentação”, resume Caio. Leveduras e bactérias presentes em cada colmeia atuam sobre o néctar ainda dentro dos potes de cerume, e é dessa atividade microbiológica que nascem a acidez, o aroma e a complexidade que os jurados premiaram.

Daí a analogia com o vinho não ser retórica. Caio trabalha com maturações de quatro a dez meses e avalia o sensorial de cada lote mês a mês, decidindo quando liberar conforme o perfil que quer entregar.

A cristalização segue o mesmo raciocínio. Méis com mais glicose podem empedrar, o que muita gente confunde com falsificação. “Não tem nada a ver. Inclusive, é um índice de qualidade”, diz. E o resultado é diferente do mel comum: em vez de endurecer, o mel nativo vira uma pasta, que pode ser consumida assim ou devolvida ao estado líquido em banho-maria de até 40 graus. Em casa, pode ficar na geladeira ou em temperatura ambiente. Só não pode ficar exposto ao sol.

Do Recôncavo para os menus de Salvador, do Rio e de São Paulo

Em Salvador, os méis da Meldoyá aparecem no menu degustação de primavera do Manga, dos chefs Kafe Bassi e Dante Bassi, em uma pré-sobremesa de iogurte fermentado com samburá, o pólen fermentado. A acidez do mel entra ali como ferramenta técnica, para limpar o paladar entre o salgado e a sobremesa. Na cafeteria da casa, o Garimpo do Barista, Sara Carvalho usa o mel num toast de presunto de Parma, queijo de cabra, tomate confit e pesto, e criou a melpirinha, caipirinha feita com mel de abelha nativa.

meldoya leonardo freire
Meldoyá presente no menu degustação de primavera do Manga – Foto: Leonardo Freire

A lista segue. O Origem, dos chefs Fabrício e Lisiane, serve o mel de uruçu nordestina logo na abertura do menu degustação, sobre iogurte da casa. O Boia, do chef Kaywa Hilton, já montou um sorvete de queijo de cabra com favo de uruçu, azeite, mousse de iogurte e manjericão. A Andina Cozinha Latina harmoniza os méis com um prato de milho crioulo e queijo de cabra.

Na Chapada Diamantina, a chef Flávia, do Deguste o Brasil, no Vale do Capão, criou para o festival Tempero Bahia 2026 o prato Transição dos Biomas, da Mata Atlântica ao Sertão: polvo grelhado com palmito pupunha, boursin de cabra ao limão, páprica, molho de ostra e mel de uruçu de Jaguaripe, acompanhado de um drink com cachaça de Ilhéus, mel de cacau e jataí e espuma de gengibre.

E há o caso mais improvável de todos. Em São Paulo, o gelatiere Guilherme Geraldini, da Biju Mani, usou o mel de uruçu nordestina da Meldoyá na receita que lhe rendeu o título de melhor gelato do Brasil e a décima colocação em competição mundial de gelato, disputada este ano em Las Vegas. Um mel do Recôncavo dentro do top 10 do mundo.

Mel e café especial, a próxima fronteira

A conexão com a cafeteria de especialidade é o trabalho mais recente da casa, testado em oficina de harmonização no Festival Baiano de Cafés.

“Quando a gente adiciona o mel, a gente adiciona mais acidez também, é um doce que é mais defumado, mais sabor e mais aroma para o café”, explica Caio. Conforme o mel escolhido, dá para acentuar doçura ou acidez na xícara, e para cortar a percepção de gordura quando o café vem acompanhado de queijos. “A gente testou e ficou um espetáculo, principalmente com os cafés especiais aqui da Bahia.”

O que ameaça as abelhas sem ferrão

Todas as espécies de abelha sem ferrão estão em algum grau de ameaça, e algumas constam da lista vermelha do ICMBio. Para Caio, o inimigo principal tem nome. “Os maiores inimigos das abelhas sem ferrão hoje em dia é o próprio homem”, diz, citando desmatamento, especulação imobiliária e uso irregular de veneno na agricultura.

Ele reserva a crítica mais dura ao fumacê urbano, aplicado sob a justificativa de combater o Aedes aegypti. “Você mata o inseto, e as larvas e os ovos estão lá no lixo acumulado, nos terrenos baldios.” O efeito colateral, argumenta, é dizimar enxames de criadores urbanos e ninhos naturais que existem em várias cidades brasileiras.

Somam-se as mudanças climáticas. Sob influência do El Niño, ele projeta produção reduzida em várias regiões na safra 26/27. E as floradas já mudaram de calendário. “A meliponicultura é muito de observação. Todo criador de abelha tem que ser um observador nato.” Em períodos de baixa florada, as colônias reduzem o próprio desenvolvimento, porque mais abelhas significariam mais bocas para alimentar. As colmeias, no fim das contas, contam o que está acontecendo lá fora.

Onde encontrar os méis da Meldoyá

A base logística é Salvador, com entrega na cidade, e os méis estão à venda em oito parceiros: Garimpo do Barista, no Rio Vermelho; Oxe, É de Minas!, na Ceasinha; Jeanne Garcia Confeitaria, na Pituba; Andina Cozinha Latina, na Graça; DCAE, a Do Coado ao Expresso, na Pituba; Casa Opera e na Da Talli, também na Pituba; Miri, padaria artesanal em Jaguaribe; e Casa Castanho, no Porto da Barra.

Na Chapada Diamantina, dentro da rota do café especial

Há uma segunda geografia, e ela fecha o círculo que a matéria vem desenhando. Em Piatã, um dos principais polos produtores de café da Bahia, a Meldoyá trabalha com três famílias que apresentam e vendem os méis a quem sobe a Chapada Diamantina.

Na Fazenda Taperinha, Camila e Téo recebem os visitantes entre os cafezais. Na Pousada Museu de Piatã, Jéssica e Pingo servem os méis no café da manhã. E no capril Alto da Chapada, Laisa e Murilo criam cabras, produzem queijos e montam harmonizações que juntam queijo de cabra e mel de abelha nativa. Nos três endereços é possível comprar.

“Estamos nessa rota turística do café especial da Bahia em Piatã”, diz Caio. Café, queijo e mel no mesmo roteiro, a poucos quilômetros dos pés que produzem a xícara.

Perguntas Frequentes

O que é mel de abelha sem ferrão?

É o mel produzido por abelhas nativas brasileiras, como a uruçu nordestina e a jataí, que não possuem ferrão funcional. Diferente do mel convencional, ele é mais líquido, mais ácido e fermenta naturalmente dentro da colmeia, o que lhe dá aroma e complexidade sensorial maiores.

Por que o mel de abelha sem ferrão é mais líquido e mais ácido?

Porque tem muito mais água: entre 23% e 45%, contra 16% a 17% do mel de abelha com ferrão. Essa umidade permite que leveduras e bactérias fermentem o néctar ainda dentro da colmeia, e é a fermentação que produz a acidez e os aromas característicos.

Mel de abelha sem ferrão cristalizado está estragado?

Não. A cristalização depende da proporção entre glicose e frutose e é considerada indicador de qualidade, não de falsificação. No mel de abelha nativa ele fica pastoso e pode ser consumido assim ou voltar ao estado líquido em banho-maria de até 40 graus.

Como guardar o mel de abelha sem ferrão em casa?

Pode ser mantido na geladeira ou em temperatura ambiente, desde que nunca fique exposto ao sol. Na geladeira, alguns méis podem cristalizar, o que não compromete a qualidade.

Onde comprar mel de abelha sem ferrão em Salvador?

Os méis da Meldoyá estão disponíveis no Garimpo do Barista (Rio Vermelho), Casa Opera (Pituba), Oxe, É de Minas! (Ceasinha), Jeanne Garcia Confeitaria (Pituba), Andina Cozinha Latina (Graça), DCAE, Do Coado ao Expresso (Pituba), Da Talli (Pituba), Miri (Jaguaribe) e Casa Castanho (Porto da Barra).


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Claude Troisgros assina jantar harmonizado no Pala7 e abre o Wine Brasil Music 2026

0

Menu em cinco etapas cruza cozinha brasileira e vinhos portugueses nesta quarta (19), no rooftop do Palacete Tirachapéu

O chef Claude Troisgros comanda nesta quarta-feira, 19 de agosto, um jantar harmonizado no Pala7 Rooftop, no terceiro andar do Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, Centro Histórico de Salvador. São cinco etapas, cada uma servida com um vinho português escolhido para o prato, apresentadas por Camila Xavier, Senior Brand Lead da Sogrape Portugal. O couvert é de R$ 380 por pessoa, com reservas pelo (71) 99219-7540. A noite abre a programação gastronômica do Wine Brasil Music, festival que ocupa o Centro Histórico de quinta a domingo, de 20 a 23 de agosto.

Claude Troisgros Pala7
Claude Troisgros – Divulgação

Cinco pratos, cinco rótulos, um mapa de Portugal

A lógica do menu fica mais clara quando se olha para o que está na taça. A sequência de vinhos não é aleatória: ela desenha um percurso pelo território português, do extremo norte úmido até o Douro.

Abre com atum, polvo e copioba ao lado do Azevedo, um Vinho Verde DOC, da faixa mais fresca e mais atlântica de Portugal. A escolha faz sentido óbvio para quem conhece o produto: acidez alta e leveza para segurar um crudo de peixe e a textura seca da farinha do Recôncavo, que aqui entra como elemento de crocância e de identidade baiana dentro de uma cozinha de técnica francesa.

O segundo tempo, peixe com castanhas de caju e batata-doce, vem com o Trinca Bolotas Branco, e o terceiro, filé mignon com cogumelos e trufa, com o Trinca Bolotas Tinto. Os dois vêm da Herdade do Peso, no Alentejo, e o nome é uma piada de campo: bolota é a semente do sobreiro, e trinca bolotas é o porco que come essa semente no montado alentejano. É a etapa em que o jantar troca frescor por peso e por fruta madura.

O cordeiro na brasa com carbonara e guanciale segue com o Revelado, tinto que a Sogrape também assina no Alentejo, antes do fechamento em gâteau de chocolate com requeijão e pistache ao lado do Porto Sandeman 10 Anos, tawny do Douro. Sandeman é casa de 1790, do icônico Don de capa e chapéu, e um tawny de dez anos entrega justamente o que um chocolate com pistache pede: nozes, caramelo, oxidação controlada.

Vale reparar no que Troisgros faz no vocabulário do menu. Copioba, castanha de caju, batata-doce e requeijão convivem com trufa, guanciale e carbonara sem hierarquia. É a marca de um chef francês que construiu 45 anos de carreira no Brasil e nunca tratou ingrediente nacional como exotismo decorativo.

O Pala7 e a virada da Rua Chile

O Pala7 abriu em 2024 como o primeiro empreendimento de Claude Troisgros no Nordeste. São 300 metros quadrados de rooftop no Palacete Tirachapéu, com projeto da designer de interiores Nathália Velame em parceria com o arquiteto Marcus Barbosa, unindo o terraço do palacete ao Casarão Amarelo e ao edifício Art Nouveau, de frente para a Baía de Todos-os-Santos.

O nome nasceu de um acidente afetuoso: Troisgros pronuncia Palacete com o sotaque francês intacto, e o apelido pegou.

A casa é peça central de um movimento maior. A Rua Chile, primeira via calçada do Brasil, passou décadas como sinônimo de esvaziamento do Centro. A reconversão do Palacete Tirachapéu, conduzida pela ELYSIUM Sociedade Cultural, e a chegada de operações de gastronomia e cultura ao endereço reposicionaram a rua como circuito de destino, não de passagem.

O que esperar do Wine Brasil Music 2026

Depois de reunir mais de 8 mil pessoas na estreia, o festival volta em segunda edição de 20 a 23 de agosto e, pela primeira vez, extrapola as portas do Palacete. A programação se distribui por três endereços do Centro Histórico: o próprio Palacete Tirachapéu, o Chile 27 e um trecho da Rua Chile.

A mostra de vinhos ocupa oito espaços do primeiro e do segundo andares do palacete, com vinícolas de sete estados brasileiros e rótulos de cinco países, entre expositores como Uvva, Vaz, Buffon, Garbo Enologia Criativa, Baobá Vino, Primeira Estrada e a uruguaia Mataojo, além de importadoras como Zahil, Porto a Porto, Del Maipo e Berkmann. Há aulas-degustação, palestras e o Campeonato Brasileiro de Degustação.

Na rua, a trilha é gratuita, com jazz, blues, chorinho, pop-rock e DJs distribuídos entre o palco principal e a sacada do Palacete. Estão confirmados os shows de Us Beatles e Herbert & Richard, além de May Sol Jazz, Felipe Evans, o DJ Deco Sodré e o cantor Lutte, que encerra a edição no domingo.

O festival é realizado pelo Palacete Tirachapéu e pela ZUM Brazil, com apoio da Prefeitura de Salvador por meio da Saltur. À frente estão Marcelo Magalhães, chairman do Palacete, Tuca Zamaroni, CEO da ZUM Brazil, e Isaac Edington, presidente da Saltur. A promoter Licia Fabio e o jornalista Ronaldo Jacobina assinam como embaixadores. Os ingressos para a feira começam em R$ 60, e as degustações técnicas variam de R$ 200 a R$ 1.400.

Serviço

Jantar harmonizado com Claude Troisgros
Quando: nesta quarta-feira, 19 de agosto
Onde: Pala7 Rooftop, terceiro andar do Palacete Tirachapéu
Endereço: Rua Chile, nº 1, Centro Histórico, Salvador
Valor: R$ 380 por pessoa, mais 13% de taxa de serviço
Reservas: (71) 99219-7540

Wine Brasil Music 2026
Quando: de 20 a 23 de agosto
Onde: Palacete Tirachapéu, Chile 27 e Rua Chile, Centro Histórico, Salvador
Ingressos: a partir de R$ 60, mais taxas. Degustações técnicas de R$ 200 a R$ 1.400

Perguntas Frequentes

Quando é o jantar de Claude Troisgros em Salvador?

Nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, no Pala7 Rooftop, no terceiro andar do Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador. O jantar custa R$ 380 por pessoa, mais 13% de taxa de serviço, e as reservas são feitas pelo (71) 99219-7540.

Quais vinhos serão servidos no jantar harmonizado do Pala7?

Cinco rótulos portugueses da Sogrape: Azevedo (Vinho Verde), Trinca Bolotas Branco e Trinca Bolotas Tinto (Alentejo), Revelado Tinto e Porto Sandeman 10 Anos. A apresentação é de Camila Xavier, Senior Brand Lead da Sogrape Portugal.

O que é o Wine Brasil Music 2026 e quando acontece?

É um festival de vinho, gastronomia e música realizado de 20 a 23 de agosto no Centro Histórico de Salvador, em sua segunda edição. Ocupa o Palacete Tirachapéu, o Chile 27 e a Rua Chile, com mostra de vinícolas nacionais e internacionais, aulas-degustação e shows gratuitos na rua.

Onde fica o Pala7, restaurante de Claude Troisgros em Salvador?

No rooftop do Palacete Tirachapéu, na Rua Chile, nº 1, Centro Histórico de Salvador. Aberto em 2024, é o primeiro restaurante do chef no Nordeste, com 300 metros quadrados e vista para a Baía de Todos-os-Santos.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!