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Festival Tempero Bahia 2026 chega à 9ª edição com os sabores da Mata Atlântica

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De 17 a 27 de setembro, circuito reúne restaurantes e hotéis em Salvador, nas ilhas, em Feira de Santana e na Chapada Diamantina

O Festival Tempero Bahia 2026 acontece de 17 a 27 de setembro, em sua 9ª edição, com curadoria da chef Tereza Paim e o tema “Biomas da Bahia: Mata Atlântica”.

Durante 11 dias, restaurantes e hotéis de Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Itaparica, Vera Cruz e Vale do Capão, na Chapada Diamantina, criam pratos e cardápios autorais a partir dos ingredientes que nascem, crescem e são colhidos no território da floresta atlântica baiana. É o segundo capítulo de uma série temática que, em 2025, havia se debruçado sobre a Caatinga.

A escolha do bioma não é decorativa. A Mata Atlântica baiana é o corredor que sustenta o cacau do sul do estado, os manguezais da Baía de Todos os Santos e as matas de altitude da Chapada. Colocar esse território no centro de um festival gastronômico significa pedir a chefs e cozinheiros que olhem para o que está mais perto, e nem sempre é o que está mais valorizado no cardápio.

Ingredientes que contam história

A curadoria propõe um repertório amplo, organizado por origem dentro do bioma. Do mar da costa baiana vêm pescados e frutos do mar. Dos manguezais, o time que define boa parte da memória afetiva soteropolitana: sururu, ostra, siri, aratu, caranguejo e lambreta.

As frutas trazem cacau, jaca, pitanga, araçá e jabuticaba. As ervas entram por taioba, alfavaca, capim-santo e hortelã, além do repertório aromático que cada casa costuma guardar como assinatura. Os temperos de autenticidade estão todos ali: dendê, pimentas, urucum e gengibre. Completam a lista as raízes e tubérculos, mandioca, inhame e cará, e os produtos da floresta, com destaque para o mel de abelhas nativas e o palmito pupunha.

Vale um registro de precisão editorial: nem todos esses ingredientes são espécies nativas da Mata Atlântica. Jaca tem origem asiática, cacau e pupunha vieram da Amazônia. O que os une é o território. Todos são cultivados, extraídos ou consumidos dentro do domínio da floresta atlântica baiana, o que faz deles ingredientes daquele lugar mesmo quando não nasceram nele. O caso mais eloquente é o cacau, plantado sob a sombra da mata no sistema cabruca, arranjo que transformou o sul da Bahia e ajudou a preservar remanescentes florestais que provavelmente já teriam caído.

Festival Tempero Bahia 2026
Imagem: Divulgação

Do mangue para a mesa

Se há um grupo que sintetiza o tema, é o dos moluscos e crustáceos de manguezal. Sururu, aratu e lambreta são ingredientes de marisqueira, de cozina de terreiro, de bar de esquina. Chegam à alta gastronomia com frequência menor do que mereceriam. Uma edição inteira dedicada à Mata Atlântica cria a desculpa perfeita para que apareçam em menu degustação, em entrada de restaurante contemporâneo, em drinque autoral.

Festival Tempero Bahia 2026: Um circuito que atravessa seis destinos

O Festival Tempero Bahia 2026 deixou de ser um evento exclusivamente soteropolitano. O circuito deste ano conecta a capital a Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, a Feira de Santana, no principal entroncamento rodoviário do estado, a Itaparica e Vera Cruz, na maior ilha marítima do Brasil, e ao Vale do Capão, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Na prática, isso cria roteiros muito distintos sob a mesma assinatura. Um jantar de frutos do mar em Salvador, um almoço de raízes e ervas no Capão, uma travessia de ferry para comer aratu em Vera Cruz. Para o trade turístico, é a chance de emplacar setembro, mês tradicionalmente mais discreto que o verão baiano, como período de viagem gastronômica pelo estado.

“O evento é um verdadeiro convite para criação de uma experiência gastronômica única, inspirada na riqueza da Mata Atlântica Baiana, valorizando ingredientes, produtores, tradições e a biodiversidade do nosso Estado”, afirma Djanira Dias, da 2D Projetos Culturais e Eventos, realizadora do festival.

O que o festival move além do prato

Festivais de bioma funcionam como política cultural disfarçada de calendário gastronômico. Ao pedir que uma casa crie um prato com lambreta ou mel de abelha nativa, o Tempero Bahia empurra restaurante para fornecedor pequeno, marisqueira, meliponicultor, agricultor familiar. A cadeia se movimenta antes do primeiro cliente sentar.

É também um exercício de identidade. A gastronomia baiana costuma ser reduzida, de fora para dentro, a um punhado de pratos icônicos. Organizar edições por bioma revela o óbvio que ainda precisa ser dito: a Bahia tem várias cozinhas, e elas mudam conforme o solo, a chuva e a distância do mar.

festival tempero bahia 2025
Festival Tempero Bahia 2025 – Foto: Divulgação

O Muito Gourmet acompanha o Tempero Bahia desde as primeiras edições em Salvador, quando o festival ainda se concentrava na capital.

Serviço

Evento: Festival Tempero Bahia, 9ª edição
Tema: Biomas da Bahia: Mata Atlântica
Data: de 17 a 27 de setembro de 2026
Cidades do circuito: Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Itaparica, Vera Cruz e Vale do Capão (Chapada Diamantina)
Curadoria: chef Tereza Paim
Realização: 2D Projetos Culturais e Eventos
Informações e programação: @temperooficial_ no Instagram.


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Silva Cozinha recebe produtor espanhol em jantar harmonizado na Rua Chile

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Pablo Miranda Roger conduz cinco etapas com rótulos ibéricos no dia 10 de agosto, no Centro Histórico de Salvador

O jantar harmonizado que o Silva Cozinha promove em Salvador no dia 10 de agosto, segunda-feira, às 19h30, tem uma particularidade que o separa da maioria das degustações da cidade: quem vai conduzir a noite não é apenas um especialista convidado, é o próprio produtor de dois dos cinco rótulos servidos. Pablo Miranda Roger, consultor de projetos vitivinícolas, especialista em enomarketing e sócio-fundador da Bodega Requiem Hispania, em Ribera del Duero, comanda um percurso de cinco etapas na Rua Chile, no Centro Histórico. O investimento é de R$420 por pessoa.

Quem senta à cabeceira da mesa

A distinção importa mais do que parece. Jantares harmonizados costumam ser conduzidos por sommeliers ou representantes comerciais que apresentam rótulos de terceiros. Aqui, a lógica se inverte em pelo menos dois momentos da noite.

Pablo Miranda Roger toca, ao lado de Adolfo González, a Requiem Hispania, projeto nascido em Peñafiel sob o conceito de “vinho de garagem”, com tempranillo (tinto fino) colhido em vinhedos que passam dos 80 anos e fermentações espontâneas, sem leveduras adicionadas. Da casa saem justamente o Requiem e o Re Minor, dois dos rótulos que estarão nas taças. Espanhol, ele construiu carreira na fronteira entre a enologia e a comunicação, defendendo o enomarketing como disciplina própria, algo entre a estratégia de marca e a leitura cultural do vinho. É esse repertório duplo, de quem faz e de quem interpreta, que ele traz para a mesa baiana.

Cinco etapas, quatro espanhóis e um final português

O menu, elaborado pelo chef Ricardo Silva, foi desenhado em cinco etapas, uma para cada taça, com rótulos representados no Brasil pela importadora Del Maipo. O percurso desenha um arco reconhecível: abre leve, ganha corpo, fecha doce.

O ponto de partida é o Aradon Rioja branco, da Bodegas Aradón, cooperativa de Alcanadre, na Rioja Oriental, tocada por cerca de 60 famílias de viticultores. É um branco de viura e garnacha branca, floral e cítrico, do tipo que abre apetite sem disputar espaço com o prato.

Vem então o Charlatán Rosé, da Bodega César Príncipe, em Fuensaldaña. Feito de garnacha tinta com prensagem direta e fermentação a baixa temperatura, é um rosado pálido que a própria bodega define como um rosé com alma de branco, deliberadamente afastado dos claretes tradicionais da DO Cigales.

Os tintos chegam com o Re Minor Cosecha e o Requiem Cosecha, ambos da Requiem Hispania. São Ribera del Duero de baixa intervenção, com o Re Minor funcionando como o irmão mais jovem e imediato do Requiem, e a etapa em que Pablo deixa de falar de vinho alheio para falar do próprio.

O fecho cruza a fronteira. O Porto Valriz, da família Coimbra de Mattos, vem do Douro, em Portugal, produzido em Galafura, no concelho de Peso da Régua, com estágio em tonéis de castanho. É um tawny de avelã, amêndoa e especiaria, e é ele que acompanha a sobremesa. Ou seja: a noite é espanhola de ponta a ponta e termina em português, o que é menos uma inconsistência do que uma escolha de curadoria. Nenhum país da Península resolveu o vinho de sobremesa como Portugal.

chef ricardo silva
Chef Ricardo Silva – Foto: Nivaldo Filho

A Rua Chile virou eixo enogastronômico

O endereço não é detalhe. O Silva Cozinha deixou o Rio Vermelho em maio, depois de quase três anos na Rua da Paciência, e se instalou no número 7 da Rua Chile, primeira rua do Brasil, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. A mudança colocou a casa dentro de um movimento mais amplo de reocupação do Centro Histórico, que nos últimos anos passou a concentrar operações gastronômicas de ambição, e não apenas de conveniência turística.

À frente da cozinha segue o chef Ricardo Silva, com a sub-chef Ianca Nascimento e a confeiteira Anana Campos. A carta de vinhos da casa leva a assinatura da sommelière Carol Souzah, colunista do Muito Gourmet, com rótulos exclusivos da Del Maipo, o que ajuda a explicar por que o jantar de 10 de agosto não é um evento avulso, e sim a extensão natural de uma carta já construída sobre esse eixo ibérico.

Trazer um produtor espanhol para conduzir uma degustação numa segunda-feira à noite, no Centro Histórico de Salvador, com cinco etapas e taça a taça, é um gesto que diz algo sobre o momento da cidade. Há dez anos, esse tipo de encontro acontecia em capitais do Sudeste e chegava aqui por reflexo. Agora chega direto.

silva cozinha rua chile
Silva Cozinha – Foto: Gabriel Brawne

Serviço

Jantar harmonizado Silva Cozinha com Pablo Miranda Roger
Data: 10 de agosto de 2026, segunda-feira
Horário: 19h30
Local: Silva Cozinha, Rua Chile, 7, Centro Histórico, Salvador (BA)
Formato: cinco etapas, com cinco harmonizações
Investimento: R$ 420 por pessoa
Reservas: WhatsApp (71) 99688-5535


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O baiano tem o malte: onde beber cerveja artesanal na Bahia no Mês da Cerveja

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Do Rio Vermelho a Itacaré, Dan Morais mapeia doze nomes que sustentam a cena cervejeira baiana

A cerveja artesanal na Bahia deixou de ser promessa e virou rota. De Salvador ao sul do estado, passando por Feira de Santana e pelas praias de Itacaré e Morro de São Paulo, cervejarias independentes, brewpubs e tap bars construíram uma cena com identidade própria, prêmios no currículo e um espírito colaborativo que é marca registrada da produção local. Nesta coluna, Dan Morais, gastrônomo, mixologista e sommelier de cervejas, apresenta doze endereços para celebrar o Mês da Cerveja, cujo marco é o Dia Internacional da Cerveja, comemorado em 2026 no dia 7 de agosto. Transparência editorial: Dan assina, ao lado da Moreno Coffee Co., a receita da Morena Coffee Lager, citada ao longo do texto.

Agosto é o mês da cerveja. Celebrado na primeira sexta-feira do mês, o Dia Internacional da Cerveja tornou-se uma data para reunir amigos, conhecer novos estilos e, principalmente, valorizar quem produz. E se antes era preciso recorrer a somente cervejarias de outros estados para encontrar bons rótulos artesanais, a Bahia mostra que também tem sua história cervejeira.

De Salvador ao interior, passando pelo litoral, cervejarias independentes, brewpubs e tap bars vêm mostrando que o estado já possui identidade própria quando o assunto é cerveja artesanal.

Onde beber boa cerveja artesanal em Salvador e na Região Metropolitana

Vitrine da Cerveja (Parque Júlio César)

Pioneira da cena cervejeira artesanal de Salvador, a Vitrine da Cerveja é parada obrigatória para quem gosta de explorar novos rótulos. A casa reúne cervejas baianas, nacionais e importadas, mantendo torneiras em constante renovação.

Para os apaixonados por IPA, é um dos melhores endereços da cidade, frequentemente trazendo cervejas de grandes nomes nacionais, como Dogma e Everbrew. Além disso, promove degustações, eventos e ações solidárias que fortalecem a cultura cervejeira local.

Feyh Bier (Rio Vermelho)

Na Rua do Meio, um dos endereços mais tradicionais da boemia soteropolitana, a Feyh Bier une cerveja artesanal e a cena alternativa do Rio Vermelho.

Além das cervejas produzidas pela própria casa, o espaço recebe rótulos convidados e novidades constantes nas torneiras. Entre elas, destaca-se a Kolsch, cerveja leve, refrescante e considerada o carro-chefe da marca. Com atmosfera descontraída e público fiel, tornou-se um espaço onde cerveja, música e a cena alternativa de Salvador se encontram de forma natural.

Proa Cervejaria (Lauro de Freitas e Pituba)

Com duas unidades (o Proa Bar da Fábrica, em Lauro de Freitas, e o Proa Gastrobar, na Pituba) a Proa se consolidou como uma das principais referências da cerveja artesanal baiana.

O mês de agosto ganha um significado especial. No dia 15, a unidade de Lauro de Freitas celebra o aniversário da cervejaria com uma programação especial, reunindo suas 12 torneiras de chope e um show da Boca, Centro de Artes, em uma celebração marcada pela música e pela cultura baiana.

Na Pituba, o destaque fica para o festival Entre Tapas e Brejas, que harmoniza cervejas artesanais com as criações do chef Ricardo Villar, mostrando como gastronomia e cerveja caminham lado a lado.

Bahia Malte (Rio Vermelho)

Muito mais do que um brewpub, a Bahia Malte é um verdadeiro centro da cultura cervejeira baiana.

Além de manter oito torneiras de chope com rótulos baianos e convidados, abriga a mais tradicional loja de equipamentos e insumos cervejeiros de Salvador. Frequentemente, as torneiras recebem cervejas produzidas pelos próprios alunos dos cursos promovidos pela Bahia Malte e pela Acerva Baiana.

Para quem deseja começar a produzir cerveja em casa, entender melhor o universo da brassagem ou simplesmente conhecer novos estilos, dificilmente existe endereço mais indicado.

Bardo

Inspirada pelo universo geek, RPG e cultura pop, a Bardo construiu uma identidade própria dentro da cena cervejeira baiana. Seus rótulos costumam trazer referências bem-humoradas e receitas autorais que passeiam por diferentes estilos, sempre com personalidade.

Nos últimos meses, a cervejaria realizou colaborações com nomes como Três Barcaças e Híbrida, reforçando o espírito colaborativo que marca a produção artesanal baiana. Recentemente, participou também de ações como os Tap Attacks da Proa Gastrobar e Bazar Rosé.

Quem quiser encontrar a Bardo com frequência pode visitar a Só Shape, no Rio Vermelho, onde uma chopeira fixa alterna entre dois estilos da cervejaria, além de adquirir seus rótulos pelo marketplace da marca.

Híbrida

Uma das cervejarias mais consolidadas de Salvador, a Híbrida alia produção própria ao trabalho de fabricação para outras marcas, oferecendo o serviço conhecido como white label, bastante utilizado por cervejarias ciganas (inclusive algumas citadas nesta coluna).

Seus rótulos estão presentes em diversos bares especializados da capital, mas existe um endereço praticamente obrigatório para quem quer experimentá-los: o Jota Gastronomia, no Rio Vermelho. Ali, a chopeira fixa da Híbrida divide espaço com a cozinha do chef Jota Moraes, criando uma combinação entre gastronomia contemporânea e cervejas artesanais baianas.

Os rótulos também podem ser adquiridos diretamente pelo marketplace da cervejaria, facilitando o acesso para quem deseja levar a experiência para casa.

MinduBier

Pioneira da cerveja artesanal baiana, a MinduBier é um dos nomes mais importantes da história da produção independente no estado. Muito além de produzir bons rótulos, a cervejaria ajudou a formar consumidores, abriu caminho para novas marcas e colocou a Bahia no mapa da cerveja artesanal brasileira.

Mesmo vivendo uma nova fase, sem uma planta própria em Salvador, a MinduBier continua conquistando reconhecimento. Recentemente, voltou a subir ao pódio ao conquistar mais uma medalha no Concurso Brasileiro de Cervejas, reafirmando a qualidade que a acompanha desde os primeiros anos da marca.

Hoje, suas cervejas são produzidas em um modelo distribuído, permitindo que os rótulos continuem chegando a diferentes estados brasileiros sem perder a identidade que consagrou a cervejaria.

Em Salvador, é possível encontrar os rótulos da MinduBier em estabelecimentos como o Almacen Pepe, Pizza da Chapada e também por meio do marketplace da Híbrida Cervejaria.

Mais do que uma cervejaria premiada, a MinduBier representa um marco na história da cerveja artesanal baiana. Fez história, continua fazendo e permanece como uma das grandes referências para quem deseja conhecer a evolução da produção cervejeira no estado.

Moreno Coffee Co.

Já conhecida entre os apreciadores de café especial, a Moreno Coffee Co. vem conquistando espaço ao valorizar cafés orgânicos produzidos pela agricultura familiar e torrados com foco na qualidade sensorial. Entre seus principais produtos está o Rarefeito, café que já se tornou referência entre os consumidores de cafés especiais.

Agora, a marca amplia sua atuação ao entrar também no universo da cerveja artesanal. Em parceria com o cervejeiro Dan Morais, nasceu a Morena Coffee Lager, produzida com o café Rarefeito e desenvolvida para unir o aroma intenso de um café especial à leveza e à refrescância de uma lager clara.

Pelo segundo ano consecutivo, a Morena Coffee Lager foi escolhida como a cerveja oficial do Festival Baiano de Cafés, que acontece nos dias 15 e 16 de agosto, no Trapiche Barnabé, em Salvador.

A edição de 2026 marca também um novo capítulo para o projeto: além de seu lançamento oficial durante o festival, a cerveja passa a ser comercializada em latas, ampliando sua distribuição e consolidando o encontro entre duas das bebidas que mais evoluem em qualidade na gastronomia baiana.

Do litoral ao sul da Bahia

Barbato Speakeasy (Itacaré)

Se existe um lugar onde praia, coquetelaria e cerveja artesanal convivem em perfeita harmonia, esse lugar é Itacaré. E o Barbato Speakeasy, localizado na Rua da Pituba, traduz bem esse espírito.

Com uma proposta intimista inspirada nos grandes pubs, a casa foge do óbvio ao oferecer um refúgio para quem deseja apreciar boa cerveja artesanal mesmo em um dos destinos de praia mais famosos da Bahia. São quatro torneiras rotativas, frequentemente abastecidas por cervejarias baianas, com destaque para os rótulos da Três Barcaças, permitindo ao visitante conhecer um pouco da produção artesanal do sul do estado.

Como cerveja e alguns uísques compartilham a mesma matéria-prima, o malte, o proprietário Daniel Barbato decidiu ampliar a experiência da casa. Além dos chopes, o Barbato Speakeasy reúne uma carta com mais de 40 rótulos de uísque, tornando-se um dos endereços mais interessantes da Bahia para quem aprecia ambas as bebidas.

Três Barcaças

Diretamente do sul da Bahia, a Três Barcaças tornou-se uma das cervejarias mais premiadas do estado, acumulando medalhas em concursos regionais, nacionais e internacionais. A consistência dos seus rótulos e o cuidado técnico na produção fizeram da cervejaria uma das grandes referências da nova geração da cerveja artesanal baiana.

Conhecida especialmente por suas Juicy IPAs, a cervejaria conduzida por Calebe destaca-se pelo excelente trabalho com diferentes variedades de lúpulo, entregando cervejas aromáticas, refrescantes e extremamente equilibradas.

Nos últimos meses, reforçou o espírito colaborativo da cena cervejeira ao lançar collabs com a Híbrida e a Bardo, mostrando que o fortalecimento da cerveja artesanal baiana também passa pela união entre seus produtores.

Osíris (Morro de São Paulo)

A cerveja artesanal também encontrou espaço em um dos destinos turísticos mais famosos da Bahia. Localizado em Morro de São Paulo, o Osíris Tap Bar reúne 12 torneiras de chope e tem como proposta apresentar ao público o melhor da produção cervejeira baiana.

O espaço trabalha prioritariamente com cervejas produzidas no estado, funcionando como uma vitrine da produção independente em pleno litoral baiano.

O Pub também lançou uma linha de cervejas em colaboração com a Bardo Cervejaria (Horus, Toth e Ísis), unindo referências da cultura egípcia à irreverência baiana e reforçando o caráter criativo da nova cena cervejeira do estado.

Interior: a cerveja artesanal além da capital

Dragornia (Feira de Santana)

Já imaginou visitar uma cervejaria instalada em um castelo? E se esse castelo estivesse na Princesinha do Sertão?

É exatamente essa a proposta da Dragornia, em Feira de Santana. Instalada em um espaço inspirado na arquitetura medieval, a cervejaria chama atenção não apenas pela construção, mas também pela qualidade de seus rótulos.

Com cervejas já premiadas e um portfólio que vai de sours refrescantes a estilos mais intensos e complexos, a Dragornia ajuda a consolidar Feira de Santana como um importante polo da cerveja artesanal baiana.

Além da produção própria, a cervejaria promove festivais, encontros e experiências que movimentam a cultura cervejeira no interior do estado, mostrando que a força da cerveja artesanal baiana vai muito além da capital.

Celebrar o Mês da Cerveja é conhecer quem produz

No fim das contas, celebrar o Mês da Cerveja vai muito além de escolher entre uma IPA ou uma Pilsen. É uma oportunidade para conhecer produtores locais, descobrir histórias por trás dos rótulos e perceber que a Bahia já não é apenas terra de grandes destinos gastronômicos: também é um estado que produz, serve e respira cerveja artesanal com personalidade e o molho baiano.

por dan morais
O baiano tem o malte: onde beber cerveja artesanal na Bahia no Mês da Cerveja

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Como Começar a Gostar de Vinho: por Onde Realmente Se Começa

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A nossa colunista Carol Souzah mostra que a paixão pelo vinho nasce de gente, não de manual.

Como começar a gostar de vinho? Essa é a pergunta que atravessa qualquer paixão: por onde ela realmente começa?

Para a sommelière Carol Souzah, colunista de vinhos do Muito Gourmet, a resposta não está em taças de cristal nem em manuais de enologia. Está nas pessoas que cruzaram seu caminho ao longo de mais de duas décadas: amigas, professores, produtores. Nesta edição da coluna, Carol revisita sua própria trajetória para responder a essa dúvida comum de quem se sente intimidado pela formalidade do tema. O relato é generoso, pessoal e cheio de nomes que, juntos, contam a história de como o vinho se tornou profissão, prazer e emoção constante.

O começo: Mônica, Letícia e a curiosidade sem regras

Outro dia, li uma frase que me fez parar por alguns minutos:
“Quase ninguém se apaixona por vinho lendo livro ou fazendo curso. Se apaixona observando alguém que já é apaixonado.”
Assim que terminei de ler, pensei em Mônica e Letícia. Se elas não tivessem cruzado o meu caminho, talvez a minha história com o vinho nem tivesse começado.

Durante muito tempo, o universo do vinho foi cercado por uma formalidade desnecessária. Parecia que, para beber uma taça, era preciso conhecer uvas, regiões, métodos de produção e uma infinidade de regras. Para quem está começando, isso costuma afastar muito mais do que aproximar.

Quando penso na minha própria história, percebo que aconteceu exatamente o contrário.

Foi bebendo vinho com minhas amigas Mônica e Letícia, há mais de vinte anos, que esse interesse começou a nascer. Elas já eram apaixonadas pela bebida. Eu não entendia absolutamente nada de vinho. Não sabia identificar uma uva, uma região ou um estilo. Mas foi ali que a curiosidade apareceu.

Os cursos, os mestres e a paixão por trás da técnica

Os cursos vieram anos depois. Vieram as degustações, as certificações e incontáveis horas de estudo. Ao longo desse caminho encontrei profissionais extremamente técnicos, com um conhecimento admirável. Mas encontrei, principalmente, pessoas que falavam de vinho com paixão.

O professor Alexandre Takei foi um deles. A técnica sempre esteve presente nas aulas, mas nunca veio desacompanhada de entusiasmo e paixão. Mais tarde, já trabalhando com vinho, continuei encontrando pessoas que reforçaram essa paixão. Paula Teothonio, cuja escrita sensível e atuação como sommelière nas vinícolas do Vale do Rio São Francisco sempre admirei, e as sommelières Patrícia Brentzel e Gabi Frizon também fizeram parte dessa construção. Tive o prazer de receber Patrícia e Gabi na Terroir para eventos de degustação, experiências que ampliaram ainda mais o meu olhar sobre o vinho e sobre as inúmeras formas de comunicá-lo.

Conhecer quem faz o vinho

Mas existiu um momento em que essa paixão ganhou outra dimensão. Foi quando deixei de conhecer apenas o vinho e passei a conhecer quem o faz.

Tive a sorte de viver isso algumas vezes. Conversar com Henrique Zanini, da Vinícola Era dos Ventos, com Boroto, da Família Boroto, com Sara e Vivi, da Casa Viccas e com Ivan Tisatto, da Dom Dionysius foi uma dessas experiências que transformam a gente. O que mais me marcou nunca foi uma ficha técnica. Foi a paixão com que cada um falava da própria história. A dedicação. A entrega. A generosidade em compartilhar conhecimento. Existe uma poesia muito bonita em quem faz vinho, e ela só aparece quando nos permitimos ouvir.

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Como Começar a Gostar de Vinho: por Onde Realmente Se Começa

Rostos, não rótulos

Se hoje faço uma retrospectiva da minha caminhada no vinho, encontro muito mais rostos do que rótulos.

Eu me considero uma pessoa de muita sorte.

Pouca gente tem o privilégio de transformar uma paixão em profissão. Eu vivo do vinho. Escrevo sobre vinho. Ensino vinho. Viajo por causa do vinho. E, mesmo depois de tantos anos, continuo me emocionando. Me emociono quando encontro alguém que fala da bebida com brilho nos olhos. Me emociono quando percebo que uma pessoa acabou de descobrir um novo rótulo ou um novo estilo. E, principalmente, me emociono porque, todas as vezes que falo sobre vinho, sinto o mesmo encantamento que despertaram em mim lá no começo.

Fiquei pensando que talvez cada leitor também tenha uma história parecida. Talvez não seja com o vinho. Pode ser com a música, com a gastronomia, com a literatura ou com qualquer outra paixão que faça sentido na sua vida.

E quando olho para trás, o que mais me chama a atenção é que quase todas as lembranças importantes que tenho do vinho têm uma pessoa nelas.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


ConfraDelas: Silva Cozinha retoma degustação de vinhos para mulheres na Rua Chile

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Primeira edição no Centro Histórico acontece em 29 de julho, com curadoria da sommelière Carol Souzah

A ConfraDelas volta à agenda do Silva Cozinha no dia 29 de julho, quarta-feira, às 19h30, e desta vez em endereço novo: a Rua Chile, no Centro Histórico de Salvador. Voltada exclusivamente ao público feminino, a experiência reúne degustação guiada, um menu harmonizado assinado pelo chef Ricardo Silva e uma seleção de rótulos escolhida pela sommelière Carol Souzah. O investimento é de R$ 320 por pessoa, com vagas limitadas e reserva antecipada pelo WhatsApp.

Um projeto que mudou de bairro sem mudar de proposta

A conta é redonda e diz bastante sobre o momento da casa. A ConfraDelas estreou há exatamente um ano, quando o Silva Cozinha ainda ocupava a Rua da Paciência, no Rio Vermelho. Em fevereiro, depois da tradicional homenagem a Iemanjá, o restaurante encerrou ali quase três anos de operação. Em maio, reabriu no número 7 da Rua Chile, com a Baía de Todos-os-Santos inteira na janela. O projeto é da casa e acompanhou a casa: se a ConfraDelas volta agora em endereço novo, é porque o Silva Cozinha inteiro mudou de lugar.

E o lugar tem peso. A Rua Chile, conhecida como a primeira rua do Brasil, foi durante décadas o centro comercial e social de Salvador, o endereço onde a cidade se vestia para ser vista. Perdeu esse posto ao longo da segunda metade do século XX e vem sendo reocupada nos últimos anos, com a gastronomia à frente do movimento. A aposta do Silva Cozinha nesse trecho do Centro Histórico é cultural tanto quanto comercial, e a ConfraDelas chega junto, como parte do repertório que a casa leva consigo.

silva cozinha
Silva Cozinha – Foto: Nivaldo Filho

A curadoria de Carol Souzah

Os rótulos da noite foram selecionados pela sommelière Carol Souzah, colunista do Muito Gourmet, que também assina a carta de vinhos do Silva Cozinha desde a reabertura no Centro Histórico. A seleção vem da curadoria da Meus Vinhos e da Del Maipo, e o traçado geográfico é generoso: um rosé de Garnacha da Rioja, um Sauvignon Blanc uruguaio de Canelones, um Bordeaux Supérieur francês, um Malbec do Vale do Uco e um espumante Moscato argentino para fechar.

Nenhum deles chega sozinho. Cada taça foi pensada a partir de um prato, e é aí que a noite fica interessante.

Umbu, licuri e o que acontece na taça

O momento mais ambicioso do menu é o segundo. Um gaspacho de tomate assado e umbu, com camarões, compota de umbu e azeite de licuri, encontra o Sauvignon Blanc da uruguaia Toscanini. É o sertão baiano diante de um branco de Canelones, região de influência marítima às margens do Rio da Prata. A acidez cortante do umbu e a gordura perfumada do licuri pedem exatamente aquilo que um Sauvignon Blanc entrega: nervo cítrico, toque herbáceo, nenhum peso. É o tipo de encontro que justifica a noite inteira.

O restante do percurso é mais clássico e nem por isso menos preciso. O mix de folhas verdes com vagem, figo, queijo feta e castanhas caramelizadas abre com o Aradón rosé, Garnacha espanhol de fruta vermelha e boca fresca. O rigatoni com cogumelos e trufas recebe o Pavillon La Tourelle Bordeaux Supérieur, corte bordalês cujo nome faz referência às torres de defesa erguidas no Médoc contra invasores vindos do mar. A picanha na brasa vai com o Malacara Malbec, de Mendoza. E a sobremesa, uma pera au vin com queijo azul e baunilha, fecha com o espumante Toso Moscato, aposta doce e aromática para segurar o contraste do queijo.

A mesa como lugar de aprendizado

As participantes da ConfraDelas são recebidas pela empresária Luciana Mastique, anfitriã do projeto desde a primeira edição. A proposta que ela defende é simples e menos comum do que parece: tirar do vinho a carga de solenidade.

A ConfraDelas não é aula, é conversa. Degusta-se, pergunta-se, erra-se o nome da uva sem constrangimento, e no fim da mesa alguém sai sabendo melhor o que gosta de beber.

Para um público que por muito tempo foi tratado como convidado e não como interlocutor no universo do vinho, isso não é pouco.

Serviço

ConfraDelas no Silva Cozinha
Data: 29 de julho de 2026, quarta-feira
Horário: 19h30
Local: Silva Cozinha, Rua Chile, 7, Centro Histórico, Salvador (BA)
Investimento: R$ 320 por pessoa
Reservas: antecipadas pelo WhatsApp, vagas limitadas

Perguntas Frequentes

Quando e onde acontece a ConfraDelas no Silva Cozinha?

A ConfraDelas acontece no dia 29 de julho de 2026, quarta-feira, às 19h30, no Silva Cozinha, na Rua Chile, 7, Centro Histórico de Salvador. É a primeira edição do projeto no novo endereço da casa.

Quanto custa e como fazer a reserva?

O investimento é de R$320 por pessoa e as vagas são limitadas. As reservas devem ser feitas antecipadamente pelo WhatsApp do restaurante, com mais informações no perfil @silva_cozinha.

Quais vinhos serão servidos na degustação?

A seleção é assinada pela sommelière Carol Souzah e reúne o Aradón rosé (Rioja, Espanha), o Toscanini Sauvignon Blanc (Uruguai), o Pavillon La Tourelle Bordeaux Supérieur (França), o Malacara Malbec (Mendoza, Argentina) e o espumante Toso Moscato, cada um harmonizado com um prato do menu do chef Ricardo Silva.

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Antes do primeiro gole: como ler cardápio de drinks e escolher com mais consciência

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Cordial, shrub, fat wash e clarificado: o guia do colunista Dan Morais para decifrar o cardápio de drinks.

Ler um cardápio de drinks é menos sobre decorar técnicas e mais sobre reconhecer pistas. Os ingredientes, a estrutura da receita, o formato do copo e palavras como cítrico, herbal ou seco já indicam se a bebida vai chegar leve ou intensa, doce ou ácida, refrescante ou concentrada. Com a coquetelaria brasileira incorporando fermentados, infusões e preparações autorais em ritmo acelerado, de Salvador a São Paulo, termos técnicos passaram a ocupar os menus sem que ninguém tenha explicado o que significam para quem está do outro lado do balcão. Nesta coluna, o gastrônomo, mixologista e sommelier de cervejas Dan Morais destrincha o que cada pista entrega no copo e fecha com um glossário de 20 verbetes.

Entender alguns conceitos básicos ajuda a identificar sabores, perfis sensoriais e intensidades antes mesmo de o drink chegar à mesa. Por isso escrevi um guia para lhe ajudar a “decifrar” o menu e aproveitar ainda mais a experiência do bar.

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Antes do primeiro gole: como ler cardápio de drinks e escolher com mais consciência

Por que os cardápios de drinks ficaram mais difíceis de ler

Abrir um cardápio de drinks pode ser uma experiência muito interessante, mas nem sempre é simples entender exatamente o que cada escolha vai entregar. A coquetelaria ampliou seu repertório nos últimos anos, incorporando novas técnicas, ingredientes brasileiros, fermentados, infusões e preparações autorais dos bares. Com isso, palavras como cordial, shrub, bitter, clarificado e fat wash passaram a aparecer com mais frequência nos menus.

Para quem trabalha na área, esses termos fazem parte do cotidiano, mas para o cliente, podem dificultar um pouco a escolha. A boa notícia é que ninguém precisa conhecer todas as técnicas da coquetelaria para pedir bem: observar alguns elementos do cardápio já ajuda a entender se a bebida será mais leve ou intensa, doce ou seca, cítrica, amarga, frutada ou refrescante.

Não se prenda ao nome: olhe os ingredientes

O primeiro passo é não se prender apenas ao nome do drink: em menus autorais, os nomes podem trazer referências afetivas, culturais ou relacionadas ao conceito do bar, mas nem sempre indicam como será a bebida. Por isso, vale prestar mais atenção nos ingredientes e na estrutura da receita.

Quando aparecem um destilado, algum elemento ácido e uma fonte de dulçor, é provável que o drink siga a lógica de um sour (dependendo da estrutura, você pode encontrar referências a um Gold Rush, Daiquiri, Margarita ou até releituras menos óbvias feitas pela própria casa). Isso não significa que todos terão o mesmo sabor, mas já indica uma bebida com presença cítrica e uma relação mais clara entre doce e ácido.

O que gaseificados, amargos e envelhecidos entregam no copo

Quando a descrição apresenta tônica, soda, água com gás, ginger ale, espumante ou outro componente gaseificado, normalmente estamos diante de um drink mais longo e refrescante. Highballs e Spritzes costumam seguir essa proposta: com maior volume, bastante gelo e uma sensação mais leve no paladar. São escolhas que funcionam bem para começar a noite, acompanhar comidas ou para quem prefere bebidas com menor potência alcoólica.

Já receitas com vermute, bitter, amaro, Campari, destilados envelhecidos, café ou cacau tendem a apresentar sabores mais intensos, amargos, vínicos ou alcoólicos. Não necessariamente são drinks mais fortes, mas costumam exigir um pouco mais de atenção ao beber.

O formato do copo é uma pista, mas não é tudo

O formato em que a bebida é servida também pode oferecer pistas: drinks curtos, apresentados em taças pequenas ou copos baixos, costumam ser mais concentrados e ter maior presença do destilado. Já os drinks longos normalmente levam mais gelo e algum ingrediente que amplia o volume da receita, deixando o conjunto mais leve e refrescante. O tamanho do copo, no entanto, não indica sozinho a quantidade de álcool (que, inclusive, pode ser nenhuma). Um drink grande e chamativo pode ter menos teor alcoólico do que um coquetel pequeno, límpido e aparentemente simples.

Cordial, shrub e fat wash: o que os termos técnicos descrevem

Outro ponto importante é compreender que os termos técnicos descrevem processos ou ingredientes, e não necessariamente o sabor final da bebida. Um cordial é uma preparação que normalmente reúne dulçor, acidez e elementos aromáticos (podendo ser feito com frutas, ervas, especiarias ou cascas). Um shrub geralmente combina fruta, açúcar e vinagre, trazendo uma acidez diferente daquela obtida com limão. O fat wash (ou, em alguns casos, lavagem em gordura) é uma técnica utilizada para transferir aromas e texturas de uma gordura para um destilado, enquanto a clarificação remove partículas da bebida e pode deixá-la visualmente límpida, com textura mais delicada. Conhecer essas definições ajuda, mas o mais essencial ainda é observar como o cardápio descreve o perfil do drink.

Cítrico, herbal, seco: as palavras que revelam o perfil do drink

Palavras como cítrico, herbal, frutado, seco, doce, amargo, cremoso e refrescante são algumas das melhores referências para quem está escolhendo: um drink cítrico terá maior presença de acidez; um perfil herbal pode trazer ervas, folhas, raízes ou bebidas aromáticas; os frutados tendem a evidenciar frutas frescas, polpas, licores ou fermentados; e os secos apresentam menor percepção de açúcar. Já os drinks amargos podem utilizar bitter, vermute, amaro, café, cacau, tônica ou outros ingredientes com esse perfil. Nenhuma dessas características determina se a bebida é melhor ou pior. Elas apenas ajudam o cliente a encontrar algo mais próximo do seu gosto.

Cada momento pede um tipo de drink

Também vale pensar no momento em que o drink será consumido! Para começar, muitas pessoas preferem opções leves, cítricas, gaseificadas ou com menor teor alcoólico. Para acompanhar pratos, é interessante observar se os sabores da bebida conversam com a comida, levando em conta acidez, dulçor, amargor e intensidade. Já no fim da experiência, drinks mais curtos, alcoólicos ou amargos podem ser escolhas interessantes para quem gosta desse perfil. O principal é entender o que se deseja naquele momento, em vez de escolher apenas pelo ingrediente mais diferente ou pelo nome mais chamativo.

Converse com o bartender antes de decidir

Mesmo quando o cardápio oferece informações suficientes, conversar com o bartender é sempre uma boa alternativa: mais do que preparar a bebida, é o profissional que pode ajudar a interpretar o menu e transformar preferências pessoais em uma escolha mais segura.

Dizer que costuma gostar de drinks cítricos, pouco doces, amargos, leves ou com sabor mais presente de destilado já oferece um bom ponto de partida. Também é interessante mencionar um clássico de que gosta, como Negroni, Margarita, Mojito ou Gin Tônica, para que o bartender sugira algo com características semelhantes.

Ler o cardápio é reconhecer pistas, não decorar técnicas

Ler um cardápio de drinks não é um exercício de conhecimento técnico: é uma forma de reconhecer pistas, entender melhor o próprio gosto e escolher com mais segurança. Quanto mais clara for a relação entre ingredientes, estrutura e perfil de sabor, mais fácil será imaginar o que chegará ao copo. No fim, a melhor escolha não é necessariamente o drink mais elaborado ou o mais conhecido, mas aquele que combina com o paladar, o momento e a experiência que cada pessoa deseja ter.

Glossário: 20 termos de coquetelaria para entender qualquer carta de drinks

Sour

Família de drinks baseada no equilíbrio entre destilado, acidez e dulçor. Daiquiri, Margarita e Whiskey Sour são alguns exemplos.

Highball

Drink longo, geralmente preparado com destilado, bastante gelo e algum componente gaseificado, como soda ou água com gás.

Spritz

Coquetel leve e borbulhante, normalmente preparado com vinho, espumante, bitter ou licor e algum ingrediente gaseificado.

Cordial

Preparação que combina açúcar, acidez e ingredientes aromáticos, utilizada para concentrar sabores e trazer equilíbrio ao drink.

Shrub

Preparação feita geralmente com fruta, açúcar e vinagre, responsável por trazer acidez e complexidade.

Bitter

Ingrediente concentrado, aromático e amargo, utilizado em pequenas quantidades para equilibrar e aprofundar os sabores do coquetel.

Amaro

Bebida elaborada com ervas, raízes, cascas e especiarias, com perfil predominantemente amargo.

Vermute

Vinho fortificado e aromatizado com ervas, especiarias, flores, raízes e outros botânicos.

Fat wash (lavagem em gordura)

Técnica em que uma gordura (manteiga, azeite, bacon, etc) é utilizada para aromatizar um destilado e, depois, retirada por resfriamento e filtragem.

Clarificado

Drink ou ingrediente submetido a um processo de retirada de partículas mais sólidas, resultando em uma bebida mais límpida e, muitas vezes, com textura mais delicada.

Milk Punch

Técnica de clarificação em que o leite é utilizado para remover partículas da bebida, deixando o coquetel mais límpido, com textura sedosa e sabores mais integrados. Apesar do nome, o resultado normalmente não tem gosto de leite.

Infusão

Processo de extração de aromas e sabores utilizando calor, em que ervas, frutas, cascas, especiarias ou botânicos permanecem em contato com um líquido aquecido.

Maceração

Processo de extração realizado a frio, em que ingredientes permanecem em contato com um líquido por determinado período para transferir aromas, sabores, cor e outros compostos.

Seco

Perfil com menor percepção de açúcar.

Cítrico

Perfil em que a acidez de frutas cítricas ou outros ingredientes ácidos aparece com maior destaque.

Herbal

Perfil marcado por ervas, folhas, raízes ou bebidas aromatizadas com botânicos.

Frutado

Drink em que os aromas e sabores de frutas aparecem de forma mais evidente.

Amargo

Perfil associado a ingredientes como bitter, amaro, Campari, vermute, café, cacau e água tônica.

Low alcohol / Low ABV

Drink com teor alcoólico mais baixo.

No alcohol / No ABV

Drink preparado sem ingredientes alcoólicos.

Dan Morais
Antes do primeiro gole: como ler cardápio de drinks e escolher com mais consciência

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Perguntas Frequentes

Como escolher um drink no cardápio sem conhecer os termos técnicos?

Observe os ingredientes e a estrutura da receita em vez do nome. Destilado, acidez e dulçor indicam um sour, com presença cítrica. Componentes gaseificados como tônica, soda ou espumante apontam para bebidas mais longas e leves. Vermute, bitter, amaro ou destilados envelhecidos sinalizam perfis mais intensos e amargos.

O que é fat wash em um drink?

Fat wash, ou lavagem em gordura, é a técnica em que uma gordura como manteiga, azeite ou bacon é usada para aromatizar um destilado e depois retirada por resfriamento e filtragem. O resultado é um drink com aroma e textura diferenciados, sem gordura aparente no copo.

Qual a diferença entre cordial e shrub?

O cordial reúne dulçor, acidez e elementos aromáticos, e pode ser feito com frutas, ervas, especiarias ou cascas. O shrub combina fruta, açúcar e vinagre, o que traz uma acidez diferente daquela obtida com limão. Os dois concentram sabor, mas por caminhos distintos.

O que é um drink clarificado?

É a bebida submetida a um processo de retirada das partículas mais sólidas, o que a deixa visualmente límpida e com textura mais delicada. Uma das técnicas mais usadas é o milk punch, em que o leite remove as partículas sem deixar gosto de leite no resultado final.

Drink grande tem mais álcool do que drink pequeno?

Não necessariamente. O tamanho do copo indica volume, não teor alcoólico. Um drink longo e chamativo pode ter menos álcool do que um coquetel curto e límpido, porque as receitas longas costumam levar mais gelo e ingredientes que ampliam o volume da bebida.

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Festival Baiano de Cafés 2026: o Estado financia o grão, mas abandonou a vitrine

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Governo pode até apoiar a produção de café com crédito e pesquisa, mas deixou o maior festival do setor sem fomento justamente na sua maior edição

POR: FELIPE HAVOK

Nos dias 15 e 16 de agosto, o Trapiche Barnabé recebe o Festival Baiano de Cafés 2026, quarta edição do maior evento do segmento no estado: mais de 70 expositores, expectativa de dois mil visitantes por dia e mais de R$ 500 mil em negócios movimentados em um fim de semana.

Tudo isso sustentado quase inteiramente por iniciativa privada: o apoio público que existiu nas edições anteriores, via CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado), SETUR e Artesanato da Bahia, não foi anunciado até o momento para a edição de 2026, justamente quando o evento atinge sua maior escala.

E que fique claro desde já: este texto não diz que o Estado ignora o café. Diz algo mais incômodo. O Estado apoia o café baiano pela metade: financia o grão e abandona a vitrine.

O estado que colhe 4,4 milhões de sacas

Vamos aos números, porque opinião sem lastro é achismo, e achismo o poder público já produz em escala industrial.

A Bahia deve colher 265.920 toneladas de café em 2025, o equivalente a cerca de 4,4 milhões de sacas, ou 8,2% de toda a produção nacional, segundo dados da Seagri e do IBGE. Somos a maior potência cafeeira do Nordeste, com folga: no Nordeste inteiro, apenas a Bahia exporta café. São 133 mil hectares plantados entre cerrado, planalto e atlântico, do conilon de Itabela ao arábica de altitude da Chapada Diamantina que coleciona prêmios nacionais.

E o café baiano não é promessa, é caixa. Em 2024, o estado exportou cerca de 81,6 mil toneladas do grão e colocou US$ 294,9 milhões na economia estadual. Apenas entre janeiro e abril de 2025, foram mais US$ 199,7 milhões. Divisa estrangeira, saldo comercial, riqueza real saindo do chão baiano.

Da porteira para dentro, o Estado aparece. Da porteira para fora, some

Sejamos justos, porque justiça é o que dá autoridade à crítica. Da porteira para dentro, o poder público existe na cafeicultura baiana. Há crédito rural ao setor, há parceria da Seagri com a Embrapa em pesquisa aplicada, há estações experimentais implantadas em Itabela, para o conilon, e em Barra do Choça, para o arábica, há acompanhamento técnico voltado à agricultura familiar. Ninguém honesto pode dizer que o Estado nunca pisou na lavoura.

O problema é que café especial não termina na lavoura. O valor do café especial se constrói da porteira para fora: na marca, na experiência, na degustação, no encontro entre quem produz e quem compra, no turismo que ele atrai, na cultura que ele carrega. É ali que uma saca deixa de valer commodity e passa a valer história. E é exatamente ali, na etapa que multiplica o valor de tudo o que o crédito financiou, que o Estado desaparece. Financiar a produção e ignorar a promoção é plantar e desistir na hora da colheita simbólica. É tratar o café como grão, quando o mundo inteiro já o trata como cultura.

O Festival Baiano de Cafés 2026 é a maior vitrine dessa etapa no estado. E está, até o momento, sem um centavo público.

Quem sustenta esse café tem nome, rosto e CPF

Porque aqui mora o detalhe que transforma a lacuna em desrespeito. O café baiano não é uma commodity anônima operada por meia dúzia de produtores. A Bahia tem, segundo o próprio secretário estadual de agricultura, o maior contingente de agricultores familiares do Brasil: 665 mil famílias. E são justamente os cafés de pequena propriedade, da Chapada Diamantina e do Sudoeste baiano, que vêm se destacando em concursos nacionais e atraindo compradores do mundo inteiro.

O Café Oficial desta do Festival Baiano de Cafés 2026 resume o argumento melhor que qualquer tese: produzido por Ana Cristina, da Fazenda Ouro Verde, em Barra do Choça, torrado pela Eufrásio Cafés, avaliado com 84,5 pontos, com notas de frutas secas, caramelo, doce de leite e nozes. Uma mulher, uma fazenda, um município do interior, um grão de excelência. O crédito ajudou esse café a nascer. Quem o apresenta ao mundo, porém, é um festival que se financia vendendo ingresso no Sympla.

E há um agravante de calendário que beira o constrangimento: 2026 é o Ano Internacional da Mulher Agricultora, declarado pela Assembleia Geral da ONU, com coordenação da FAO.

A resolução convida expressamente os governos a transformarem reconhecimento em política pública e investimento. O Festival Baiano de Cafés 2026 abraçou a pauta e colocou as mulheres agricultoras no centro da programação. Os entes públicos, que raramente perdem uma foto com bandeira de causa, até agora perderam essa.

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Foto: Arivaldo Publio

R$146 milhões para o São João. A vitrine do café na fila de espera

Que ninguém venha com o argumento do cofre vazio, porque o mesmo estado sabe muito bem financiar evento e celebração quando decide que vale a pena.

O Governo da Bahia destinou R$146 milhões ao São João de 2026, apoiando festejos em 282 municípios. E colheu o que plantou: mais de 2 milhões de visitantes e cerca de R$2,5 bilhões movimentados na economia estadual. Eu não critico um centavo desse investimento. O São João é patrimônio, identidade e máquina econômica, e o retorno prova que fomento público a evento funciona.

É exatamente por isso que a comparação condena. O poder público baiano sabe transformar cultura em economia. Ele simplesmente escolheu não fazer isso pelo café.

E que ninguém confunda gesto com política. O Governo do Estado, por meio da CAR e SETUR, apoiou a segunda e a terceira edições do festival, e o Artesanato da Bahia somou forças na segunda edição. Ou seja: o Estado sabia do evento, reconheceu seu valor, esteve lá por duas edições seguidas, e até o momento não voltou justamente para a maior de todas, no ano em que a ONU pede o contrário. Apoio que comparece duas vezes e some na hora decisiva não é fomento, é fotografia. Política pública se mede pela continuidade, e continuidade é exatamente o que a vitrine do café baiano nunca recebeu. Vale registrar: nessa etapa da cadeia, prefeitura e governo federal não aparecem no histórico nem de passagem.

Um festival que conecta 665 mil famílias produtoras a consumidores, compradores e turistas, coroando uma cadeia que gera centenas de milhões de dólares em exportação, segue operando por conta própria. Se o critério fosse retorno econômico, a vitrine do café já teria fila de secretarias na porta. Se o critério fosse justiça social, idem. Qual é o critério, então?

Transparência: eu jogo nesse time

Antes do arremate, o registro que a honestidade editorial exige. A organizadora do Festival Baiano de Cafés 2026, Brenda Matos, especialista em cafés de qualidade, é colunista deste Muito Gourmet. Conhecemos esse universo por dentro, acompanhamos essa cena de perto e é precisamente por isso que temos autoridade para afirmar: o que falta ao café baiano não é qualidade, não é público, não é competência de quem organiza, e não é nem mesmo crédito para produzir. O que falta é o Estado na hora de celebrar, promover e vender. Esta não é uma defesa de um evento. É a cobrança de uma política completa.

O manifesto

A Bahia não precisa que o poder público invente o seu café. O café já existe, já premia, já exporta, já sustenta famílias e já lota o Trapiche Barbané. A Bahia precisa que o poder público termine o trabalho que ele mesmo começou na lavoura: se há crédito para plantar, que haja fomento para mostrar. Apoio renovado ao festival é o mínimo. Política estruturada de promoção do café baiano, com marca territorial, presença permanente no calendário oficial de eventos e a vitrine tratada com a mesma seriedade que a produção, é a obrigação. Enquanto isso não vem, que fique registrado: quem está construindo a vitrine do café baiano é a iniciativa de quem produz, torra, serve e acredita. E ela não deveria estar sozinha.

Festival Baiano de Cafés 2026
Foto: Arivaldo Publio

Fontes:

Produção de café na Bahia (265.920 toneladas, 4,4 milhões de sacas, 8,2% nacional, 133 mil hectares, Seagri/IBGE):

Exportações baianas (81,6 mil toneladas e US$ 294,9 milhões em 2024; US$ 199,7 milhões jan-abr 2025, Seagri):

Bahia como única exportadora de café do Nordeste (2,8% do volume nacional em 2024, Banco do Nordeste/BNB):

665 mil agricultores familiares na Bahia, maior contingente do Brasil (declaração do secretário estadual de agricultura, via Embrapa):

Destaque dos cafés da agricultura familiar baiana (Chapada Diamantina e Sudoeste, FAO):

Investimento estadual no São João 2026 (R$ 146 milhões, 282 municípios):

Movimentação econômica do São João 2026 (R$ 2,5 bilhões, mais de 2 milhões de visitantes, Setur-BA):

Ano Internacional da Mulher Agricultora 2026 (resolução ONU A/RES/78/279, coordenação FAO):

Festival Baiano de Cafés 2026 (programação, expositores, números, Café Oficial, promotores):


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Entre Tapas e Brejas: o Proa Gastrôbar transforma a Pituba em balcão espanhol com tapas a R$ 10

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A primeira edição do festival reúne petiscos autorais, referências de três continentes e as cervejas artesanais produzidas na própria casa.

De 17 de julho a 15 de agosto, o Proa Gastrôbar, na Pituba, inaugura o Entre Tapas e Brejas, festival que reúne tapas autorais a R$ 10 e as cervejas artesanais produzidas na própria casa.

A proposta do chef Ricardo Vallari é simples e certeira: transformar a mesa em território de compartilhamento, onde se prova um pouco de tudo sem pesar no bolso e cada porção encontra o chope certo para chamar de par. É gastronomia de balcão espanhol com sotaque baiano, servida ao longo de quase um mês na Pituba.

Tapas a R$ 10: a lógica do compartilhamento

A ideia nasce de uma tradição antiga e generosa. Na Espanha, a tapa é o oposto do prato solene: são porções pequenas, feitas para picar em pé, conversar e pedir mais uma. Vallari pegou esse espírito e ajustou ao ritmo da casa, onde a cerveja sempre foi protagonista. “Quis criar um conceito de tapas com bom custo-benefício para que o cliente possa vir tomar nossas cervejas e experimentar um pouco de tudo”, resume o chef.

O preço único é parte da provocação. Quando toda porção custa o mesmo, o cliente para de calcular e começa a experimentar, montando a própria sequência de sabores. É uma forma de comer que combina com a Pituba movimentada e com a informalidade baiana de dividir a mesa. Vale menos como refeição fechada e mais como percurso, cada rodada abrindo espaço pra próxima.

Entre Tapas e Brejas: Um cardápio que cruza três continentes

O que chega à mesa não fica preso a uma só cozinha. O cardápio transita entre Espanha, Ásia e Brasil, e é justamente nesse cruzamento que mora a assinatura de Vallari. O tempurá de camarão vem crocante e leve, contrastado pelo dulçor apimentado do sweet chili, ao lado da Sour de Caju, cuja acidez frutada corta a fritura com precisão.

A Gilda é um capítulo à parte. Clássico dos balcões bascos, o espetinho foi batizado em homenagem à personagem de Rita Hayworth por ser, como manda a lenda de San Sebastián, salgado, verde e um tanto picante.

Aqui ele ganha alcachofra e pimentão confit ao lado da azeitona e do aliche, harmonizado com a CNTP German Pilsen. Na sequência asiática, o taco de coração com molho thai encontra a Barril Dobrado Double IPA, e o bão de língua com sunomono e coentro se equilibra na Vienna Lager. O ponto alto do encontro entre Bahia e Oriente é a guioza de vatapá com camarão e gochujang, um pastel japonês recheado com o mais baiano dos cremes, servido com a Carrie Nation IPA. Fecha a lista a berinjela à parmegiana, conforto italiano ao lado da Baiana Lager.

Cerveja da fonte: a assinatura do Proa

Aqui está o detalhe que muda tudo. As brejas do festival não são convidadas de fora: são as cervejas artesanais da Proa Cervejaria, produzidas na casa e servidas direto da fonte, marca registrada do endereço desde sempre. Isso faz do Entre Tapas e Brejas um exercício raro, o de uma cozinha harmonizando a própria produção líquida, prato e chope pensados sob o mesmo teto.

Há ainda um humor discreto nos rótulos que premia quem repara. A Carrie Nation IPA empresta o nome da ativista americana que saía quebrando bares a machadadas em nome da temperança, ironia etílica que diz muito sobre o espírito da casa. A CNTP, por sua vez, brinca com as condições normais de temperatura e pressão da aula de química. São cervejas com biografia, não apenas com estilo.

Tap Attacks: as torneiras abrem para a cena cervejeira

O Entre Tapas e Brejas não se fecha em si mesmo. Ao longo das semanas, o Proa promove uma série de Tap Attacks, movimento que entrega as torneiras da casa a cervejarias artesanais convidadas, que ocupam os chopes por um período com seus próprios rótulos. É um gesto de comunidade dentro de um mercado que cresce na Bahia e ainda luta por visibilidade.

“A ideia é promover a cena da bebida local, abrindo espaço para que diferentes cervejarias apresentem seus rótulos ao nosso público e criem uma conexão direta com os consumidores”, explica Vallari. Mais do que ampliar o cardápio, a iniciativa reforça a ideia de que a cerveja independente se fortalece coletivamente, uma casa cedendo o próprio palco para as outras.

chef ricardo vallari comanda o entre tapas e brejas na proa cervejaria
Chef Ricardo Vallari – Foto: Guiga Motta

Serviço

Festival Entre Tapas e Brejas, Proa Gastrôbar
Período: 17 de julho a 15 de agosto de 2026
Endereço: Rua das Hortênsias, 288, Pituba, Salvador (Bahia)
Tapas: R$ 10 cada
Instagram: @proa.gastrobar

Perguntas Frequentes

O que é o festival Entre Tapas e Brejas do Proa Gastrôbar?

É um festival gastronômico que serve tapas autorais a R$ 10, harmonizadas com as cervejas artesanais produzidas pela própria casa. A primeira edição acontece de 17 de julho a 15 de agosto de 2026, no Proa Gastrôbar, na Pituba, em Salvador.

Quanto custam as tapas do festival?

Todas as tapas custam R$ 10 durante todo o período do festival. O preço único permite que o cliente experimente várias porções e monte a própria sequência de sabores.

O que são os Tap Attacks do Proa Gastrôbar?

São ações dentro do festival em que cervejarias artesanais convidadas assumem as torneiras da casa por um período, apresentando os próprios rótulos ao público. A proposta é dar visibilidade a produtores independentes da cena cervejeira baiana.

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Amado 20 Anos: Tradição e Futuro na Mesma Mesa

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Fui ao jantar que apresentou o novo cardápio e reencontrei um restaurante que envelhece sem parar de navegar.

Aos 20, o Amado poderia ter virado monumento. Preferiu cozinhar pra frente.

Há restaurantes que chegam aos 20 anos e se transformam em relicário. Passam a viver do que já foram, blindam o cardápio como quem protege uma peça de museu e servem memória no lugar de comida. O Amado, que há duas décadas leva no nome exatamente aquilo em que se tornou, um restaurante amado por Salvador, escolheu o caminho mais difícil e mais honesto. Em vez de repetir a própria lenda, resolveu reescrevê-la.

A prova chegou à mesa nesta semana. Na noite de quinta (09), a casa apresentou à imprensa a renovação do cardápio, e eu tive a sorte de acompanhar de perto, garfo em punho, o que essa nova fase tem a dizer. Saí de lá com uma certeza: aos 20, o Amado não está comemorando o passado. Está declarando quem é agora.

Um cardápio que é, no fundo, uma conversa entre gerações

O novo menu nasce de quatro mãos que enxergam a cozinha de lugares diferentes, e é justamente aí que mora a graça. De um lado, Edinho Engel, o chef que fundou a casa e carrega a memória mediterrânea, a técnica clássica, o repertório de quem já viu muita moda passar. Do outro, Danilo Fernandes, jovem, inquieto, sintonizado na contemporaneidade que hoje atravessa as melhores cozinhas do país. O cardápio é o ponto de encontro dos dois. Tradição e futuro sentados na mesma mesa, sem que nenhum precise gritar mais alto que o outro.

Essa conversa aparece logo nas entradas. O Siri em curry verde e farofa d’água, o tiradito de pato ao molho katsu, com champignon e purê de maçã, e o crudo de vieiras em leche de tigre, com chuchu, pimenta-rosa e coentro, foram, para mim, o ponto alto da noite. São pratos que ousam: pato num tiradito, o humilde chuchu dividindo o prato com vieiras, a acidez peruana temperando a brasa. É a contemporaneidade de Danilo falando alto, e falando bonito.

Houve uma ressalva, e faço questão de registrá-la, porque crítica sincera é a forma mais alta de respeito. No tiradito, o molho katsu pedia um pouco mais de presença para ser percebido em boca como merecia. Antes, porém, que a observação virasse comentário à mesa, o serviço já a havia corrigido, como se lesse o que passava pela nossa cabeça. É o tipo de gentileza que não se ensina em treinamento, só nasce onde a casa amadureceu.

Nos pratos principais, é a mão firme da tradição que ancora tudo. O bacalhau confitado à portuguesa e a costela braseada com canjiquinha de milho crioulo, cebola ao balsâmico e couve refogada, são o Brasil e o Mediterrâneo de mãos dadas, o DNA que o Amado carrega desde 2006 e que segue fazendo sentido.

Mas foi na sobremesa que as duas gerações se abraçaram de vez. A Fantasia de Cottage com goiabas vermelhas é, no fundo, um romeu e julieta que fez faculdade: aquela memória de queijo com goiabada que todo brasileiro guarda, desmontada e remontada com técnica e leveza. Foi a que mais me encantou. Já a Torta de Nozes com baba de moça foi unanimidade na mesa, e quando todo mundo faz silêncio ao mesmo tempo, não há crítica que precise ser escrita. Descobri, entre uma colherada e outra, quando Edinho veio conversar sobre os pratos, que dividimos o mesmo vício inofensivo: a convicção de que nenhuma refeição termina de verdade sem um docinho no fim.

Vinte anos não se comemora com nostalgia. Se comemora com identidade.

Aqui está o ponto que me interessa de verdade. A renovação do cardápio não é um gesto isolado, e é isso que a torna forte. Ela conversa diretamente com a série de jantares comemorativos que a casa vem promovendo, e os dois movimentos contam a mesma história.

Repare no desenho da programação. Um jantar dedicado à “cozinha de produto”. Outro batizado de “Brasil Mediterrâneo”. São exatamente os pilares do novo menu: ingrediente brasileiro levado a sério, influência mediterrânea, técnica contemporânea. Não é um aniversário decorativo. É uma tese sobre identidade servida em vários pratos. O Amado não chamou nomes grandes para brilhar por associação. Chamou quem ajudou a construir a cozinha brasileira contemporânea para dizer, com todas as letras, de que lado da história ele quer estar.

A programação dos 20 anos: uma sequência de encontros

A temporada de jantares do “Amado 20 anos” começou em maio, com Filipe Rizzato, ex-Tangará. Em 14 de julho, o Amado recebe Rafael Costa e Silva, do Lasai, que cozinha ao lado de Fabrício Lemos e Lisiane Arouca, do Origem, num jantar dedicado à cozinha de produto. Em 4 de agosto, é a vez do jantar “Brasil Mediterrâneo”, reunindo Emmanuel Bassoleil e Oscar Bosch.

Até o encerramento das comemorações, a casa ainda receberá convidados do peso de Alex Atala, Mara Salles, Roberta Sudbrack e Rodrigo Oliveira. É, sem exagero, uma das mais generosas reuniões de talento que a gastronomia baiana viu sob um mesmo teto em muito tempo.

O que faz um restaurante ser amado por 20 anos

No fim, a resposta é simples, e o Amado acaba de reafirmá-la. Uma casa não é amada pelo que ela foi. É amada por nunca ter parado de se mover. Inaugurado em 2006, de frente para a Baía de Todos-os-Santos, o Amado chega aos 20 anos fazendo o que sempre fez de melhor: olhar o mar e seguir navegando. A cozinha mudou. A vista, graças a Deus, é a mesma. E o afeto, esse, só aumentou.

Perguntas Frequentes

O que muda no novo cardápio do Amado?

O restaurante renovou entradas, pratos principais e sobremesas sob a direção dos chefs Edinho Engel e Danilo Fernandes. Entre as novidades estão o tiradito de pato ao molho katsu, o crudo de vieiras em leche de tigre, a costela braseada com canjiquinha de milho crioulo e sobremesas como a Torta de Nozes com baba de moça, ao lado de clássicos consagrados da casa.

Quais chefs participam dos jantares de 20 anos do Amado?

A programação reúne nomes como Filipe Rizzato, Rafael Costa e Silva (Lasai), Fabrício Lemos e Lisiane Arouca (Origem), Emmanuel Bassoleil, Oscar Bosch, Alex Atala, Mara Salles, Roberta Sudbrack e Rodrigo Oliveira, em uma série de encontros ao longo de 2026.

Onde fica o restaurante Amado?

O Amado fica em Salvador, na Bahia, com vista para a Baía de Todos-os-Santos. Inaugurado em 2006, é um dos endereços mais celebrados da gastronomia contemporânea baiana. E a segunda unidade, inaugurada em outubro de 2025, no Shopping Salvador.

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Gero Salvador recebe Purgatório Bar em noite especial de Guest Bartender

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O bar do Fasano se une a uma das casas mais premiadas da coquetelaria baiana para uma noite de jazz, drinques autorais e alta gastronomia

No dia 16 de julho, a partir das 20h, o Gero Salvador recebe o Purgatório Bar para uma edição de Guest Bartender que une duas referências da cena gastronômica da cidade em uma só experiência: coquetéis autorais, jazz ao vivo e o serviço impecável que já é assinatura do restaurante italiano no térreo do Hotel Fasano Salvador.

O encontro não é só uma parceria pontual. É a confirmação de algo que quem acompanha a coquetelaria de Salvador já vinha percebendo: a cidade tem, hoje, talento suficiente para ocupar o centro do palco, não apenas a coadjuvância. Ao abrir suas portas para o Purgatório, o Gero reafirma esse movimento e aposta em uma noite pensada para quem gosta de prolongar a experiência entre uma taça e outra, sem pressa.

bar do gero salvador
Bar do Gero Salvador – Foto: Divulgação

Uma noite inspirada nos grandes bares de hotel

A proposta evoca o imaginário dos bares de hotel espalhados pelo mundo, aqueles endereços que se tornam ponto de encontro por si só, com atmosfera cosmopolita e uma mistura constante de gente local e visitante. No Gero, essa inspiração ganha contornos leves: jazz ao vivo, boa conversa e uma seleção de drinques que vai do clássico ao experimental, convidando tanto turistas quanto moradores da cidade a ficarem um pouco mais.

Purgatório Bar: a casa que colocou o Nordeste no mapa da coquetelaria

Inaugurado em outubro de 2022, o Purgatório Bar resgatou em Salvador a linguagem dos speakeasies, bares de atmosfera reservada e identidade autoral forte. Criado por Pedro Magalhães, Edno Alves e Jonatan Albuquerque, o projeto ganhou projeção rápida: em menos de um ano de existência, já havia recebido o prêmio de Melhor Carta de Bebidas do Brasil pela revista Prazeres da Mesa, título que repetiu no ano seguinte. A casa também entrou para a lista internacional Top 500 Bars, sendo o primeiro bar do Norte e Nordeste a figurar no ranking, com retorno confirmado em 2025.

Para a noite no Gero, a equipe leva uma seleção que traduz seu olhar sobre técnica e território. O Terrazza Fasano, com Tanqueray Nº Ten, divide espaço com o Cajíves, que combina vodka Ketel One, vermouth de caju, redução de caju com especiarias, limão-taiti e clarificação em leite de castanha de caju, e o Capoeira, que leva cachaça Ypióca envelhecida em amburana lavada em licuri, cupuaçu, mel de cacau, limão-taiti e carbonatação. Ingredientes baianos tratados com precisão de bar internacional.

Os drinques exclusivos do Gero Salvador

A casa também apresenta rótulos autorais criados especialmente para a unidade baiana. O Jorge Amado une Black Label infusionado na manteiga de garrafa, limão siciliano e baunilha. O Lampone Spritz aposta em Aperol infusionado em framboesa, espumante e água com gás. Já o Dona Flor combina Tanqueray, cordial de framboesa e hibisco e tônica, uma homenagem clara ao imaginário literário baiano.

O cenário: um prédio histórico na Rua Chile

Localizado no térreo do Hotel Fasano Salvador, em um prédio histórico na Rua Chile, no Centro Histórico, o Gero Salvador combina arquitetura preservada com atmosfera contemporânea. É nesse cenário que a coquetelaria ganha protagonismo, como extensão natural da experiência gastronômica da casa, em sintonia com o espírito dos bares de hotel ao redor do mundo: elegantes, sem pretensão, sempre abertos a uma nova história.

Serviço

Evento: Guest Bartender: Gero Salvador & Purgatório Bar
Data: 16 de julho de 2026, das 20h às 23h30
Local: Gero Salvador, Praça Castro Alves, 05, Salvador, Bahia
Informações e reservas: 71 2201-6332 | 71 9 9946-4088 | eventos.ssa@fasano.com.br | @fasanosalvador

Perguntas Frequentes

O que é o Guest Bartender do Gero Salvador com o Purgatório Bar?

É uma edição especial em que o Purgatório Bar assina uma seleção de coquetéis autorais dentro do Gero Salvador, unida a jazz ao vivo e à gastronomia italiana da casa, no dia 16 de julho de 2026.

Quando e onde acontece o evento?

O evento acontece no dia 16 de julho de 2026, das 20h às 23h30, no Gero Salvador, localizado na Praça Castro Alves, 05, no térreo do Hotel Fasano Salvador, em Salvador.

É preciso reservar para participar?

As reservas podem ser feitas pelos telefones 71 2201-6332 e 71 9 9946-4088, ou pelo e-mail eventos.ssa@fasano.com.br.

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