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O vinho em pausa: o que o Mounjaro faz com o desejo de beber

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Quando o medicamento que esvazia o apetite também esvazia a taça

Há um fenômeno silencioso atravessando o mundo do vinho, e ele não vem das vinícolas, dos críticos ou das tendências de consumo das novas gerações. Vem da farmácia.

Os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e GLP-1/GIP, como o Mounjaro (princípio ativo tirzepatida), originalmente desenvolvidos para diabetes tipo 2 e perda de peso, têm produzido um efeito colateral inesperado: a redução abrupta do desejo de beber.

Estudo publicado na revista Scientific Reports demonstrou que tanto a média de doses consumidas quanto as chances de binge drinking foram significativamente menores em grupos que usavam Semaglutida e Tirzepatida em comparação ao grupo controle Nature.

Uma pesquisa mais recente, publicada na eBioMedicine em 2026, foi além: tirzepatida atenuou as propriedades recompensadoras do álcool em modelos animais, com queda de mais de 50% no consumo voluntário Neuroscience News.

A Carol Souzah, sommelière e colunista do Muito Gourmet, viveu esse fenômeno na própria experiência profissional, e nesta coluna ela divide o que aconteceu com seu paladar, sua relação com o vinho e a pergunta que ainda não tem resposta: o que sobra da experiência sensorial quando o desejo se desliga?

O vinho em pausa: o que o Mounjaro faz com o desejo de beber

Tem uma coisa curiosa acontecendo no mundo do vinho, e eu senti isso antes mesmo de ler qualquer estudo.

Quando comecei o tratamento com Mounjaro, não pensei no impacto que isso teria no meu trabalho. Como sommelière, eu provo vinhos o tempo inteiro, em eventos, treinamentos, degustações. O vinho, pra mim, não é só consumo, é linguagem, é ferramenta, é conexão. Mas, de repente, algo mudou.

Eu não queria beber.

Não era esforço, disciplina ou escolha consciente. Era ausência de vontade mesmo. E, mais estranho ainda, quando eu bebia, não era a mesma coisa. O prazer não vinha. A curiosidade diminuía. Meu paladar parecia… desligado. Como se a experiência perdesse um pouco da sua força, como se faltasse aquele impulso invisível que transforma uma taça em descoberta.

Eu comecei a brincar que estava vivendo uma espécie de “apagão sensorial etílico”. Uma interferência silenciosa entre o vinho e o cérebro.

Por sorte e por azar, precisei interromper o tratamento. Azar porque eu também queria os efeitos do emagrecimento, que acabei não tendo; por sorte porque, algum tempo depois, tudo voltou. O interesse, o prazer, a leitura do vinho, como se alguém tivesse religado um circuito.

Conversando com amigos, ouvi relatos muito parecidos. Gente dizendo que perdeu o interesse por beber, que abriu uma garrafa e simplesmente esqueceu, que o vinho deixou de chamar. Comecei a chamar isso de “greve das papilas”.

Mas será que foi só impressão minha?

A ciência por trás do silêncio do paladar

Um estudo publicado na revista científica Scientific Reports já aponta que medicamentos dessa classe, como a tirzepatida, podem reduzir significativamente o consumo de álcool. E os dados mais recentes ajudam a entender a dimensão disso: pesquisas indicam que esses medicamentos podem levar a uma redução de cerca de 30% a 40% no consumo de álcool, e que até 45% das pessoas relatam beber menos durante o uso.

O motivo vai além da saciedade. Esses fármacos atuam diretamente no sistema de recompensa do cérebro, reduzindo o desejo, o impulso, aquela vontade meio automática que muitas vezes guia o consumo, seja de comida ou de bebida.

E aí vem a pergunta que mais me interessa: e o vinho nisso tudo?

O vinho não escapa dessa lógica

Por mais que a gente goste de pensar o vinho como cultura, ritual, memória, ele também atravessa o cérebro, o prazer, a dopamina. Quando essa vontade muda de intensidade, o vinho muda junto, e foi aí que eu percebi, na prática, o quanto ele vai além da bebida. O vinho é experiência sensorial. E, quando essa conexão enfraquece, a experiência perde força. Não é apenas beber menos, é sentir menos. É como se o vinho falasse mais baixo, e eu, que sempre gostei de ouvi-lo em alto e bom som, passei a perceber esse silêncio.

Eu ainda tenho mais perguntas do que respostas. É tudo muito recente, e está longe de mim escrever isso como quem tem certezas. O que posso fazer é compartilhar o que vivi na pele, ou melhor, na cabeça e na língua.

Ainda não existem dados globais que comprovem que o consumo de vinho caiu por causa do Mounjaro. O que existe é um cenário mais amplo: novas gerações bebendo menos, mudanças de comportamento e, agora, um novo fator silencioso entrando em cena.

Mas talvez a pergunta mais interessante não seja sobre mercado. Talvez seja sobre percepção.

O que acontece com o vinho quando a vontade deixa de surgir com naturalidade?

E mais, me pergunto se isso já aconteceu com você?

Se sim, me conta. Acho que essa conversa está só começando.


Perguntas Frequentes

O Mounjaro reduz mesmo a vontade de beber álcool?

Sim. Estudos publicados em revistas científicas como Scientific Reports e eBioMedicine apontam que medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e GLP-1/GIP, como a tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), reduzem significativamente o consumo de álcool e o impulso de beber. O efeito atua no sistema de recompensa do cérebro, não apenas na saciedade física.

Por que o paladar para vinhos parece “desligar” durante o tratamento com Mounjaro?

Porque o vinho não é apenas uma bebida, é uma experiência sensorial mediada pela dopamina e pelo sistema de recompensa cerebral. Quando o medicamento reduz a resposta dopaminérgica ao álcool, a percepção de prazer, a curiosidade sensorial e o desejo de explorar o vinho diminuem em conjunto. Não é só beber menos, é sentir menos.

O efeito sobre o paladar volta ao normal após interromper o Mounjaro?

Segundo relatos e a experiência da própria colunista Carol Souzah, sim. Após a interrupção do tratamento, o interesse pelo vinho, o prazer da degustação e a leitura sensorial retornaram gradualmente, como se o circuito de recompensa fosse religado. Não há, no entanto, estudos longitudinais que mensurem esse retorno com precisão.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Dia das Mães em Salvador: Deville Prime promove almoço com buffet e música ao vivo em Itapuã

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Hotel abre as portas para hóspedes e não hóspedes em 10 de maio, com cardápio de cozinha contemporânea e show de Giovane Nascimento

No próximo dia 10 de maio, das 12h30 às 15h30, o Deville Prime Salvador recebe famílias soteropolitanas para um almoço de Dia das Mães no Restaurante Sabores de Itapuã, com buffet completo, música ao vivo e a proposta de transformar a celebração em programa de bairro. O evento é aberto ao público, com reservas pela plataforma Sympla, e reúne em um só lugar o que muita família busca na data: comida farta, ambiente confortável e tempo de qualidade sem o trânsito que costuma marcar fins de semana de feriado em Salvador.

A escolha pelo formato responde a um movimento que vem se consolidando entre os soteropolitanos: celebrar datas especiais sem precisar atravessar a cidade. Itapuã, com sua atmosfera de bairro praiano e infraestrutura hoteleira consolidada, virou destino para quem quer programa de almoço com algo a mais, longe do circuito tradicional do corredor da orla.

Um buffet pensado para a celebração

O cardápio assinado pela equipe do Sabores de Itapuã aposta em variedade e em pratos que dialogam com a ocasião. As entradas frias trazem ceviche de peixe, grão-de-bico com polvo picante e vinagrete de abacaxi, ao lado de mix de folhas e pães artesanais — uma abertura que equilibra leveza e personalidade.

No prato principal, a aposta é grande. A feijoada de frutos do mar dialoga com a tradição baiana de reinventar clássicos brasileiros com produtos do mar; a paella valenciana entra para quem busca referências mediterrâneas; e a moqueca de peixe com banana ancora o cardápio na cozinha local. Completam o buffet o escondidinho de camarão, o risoto de funghi, o salmão assado com ervas, o estrogonofe de mignon e o filé de frango com mostarda. Entre os acompanhamentos, destaque para o purê de batatas com gorgonzola, a couve-flor gratinada, o pirão de moqueca e o dadinho de tapioca.

A mesa de sobremesas reúne clássicos e contemporâneos: pudim de leite, pavê de doce de leite com café, cheesecake red velvet, torta mousse de maracujá, quindim e torta trufada de ouro branco com frutas vermelhas, além de frutas da estação. O valor inclui água, refrigerante e suco.

buffet almoco dia das maes em salvador
Buffer de Almoço de Dia das Mães do Deville Prime – Foto: Divulgação

Música ao vivo com Giovane Nascimento

A trilha sonora do almoço fica por conta do cantor Giovane Nascimento, que apresenta um repertório pensado para acompanhar o tempo da refeição sem competir com a conversa de mesa. A escolha por música ao vivo, e não playlist ambiente, é parte da proposta de tratar o almoço como evento, não como refeição comum.

Itapuã como destino de Dia das Mães

A localização do Deville Prime é um dos trunfos do programa. Instalado em Itapuã, o hotel fica a cerca de 15 minutos do Aeroporto Internacional de Salvador e oferece acesso rápido tanto ao Centro Histórico quanto aos polos de Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho. Para quem mora em bairros como Pituba, Itapuã, Stella Maris, Piatã ou na própria Lauro de Freitas, o deslocamento é curto e descomplicado.

A estrutura do hotel também conversa com a celebração em família. O Deville Prime conta com lago com pedalinhos, Piscina Deville Kids com playground aquático e toboáguas, além de Espaço Kids com atividades monitoradas. Para os adultos, a área de lazer recém-revitalizada inclui a Piscina Praiada com hidromassagem, bangalôs e piscina exclusiva com serviço VIP. Quadras de tênis e beach tennis, trilha para caminhadas, academia e loja de conveniência completam o cenário — o que permite estender o programa para além do almoço, transformando o domingo em uma pequena escapada sem sair da cidade.

Serviço

Almoço de Dia das Mães — Deville Prime Salvador Data: 10 de maio (sábado) Horário: 12h30 às 15h30 Local: Restaurante Sabores de Itapuã — Deville Prime Salvador, Itapuã Atração musical: Giovane Nascimento Valores: Adultos: R$ 195 + 10% por pessoa Crianças de 6 a 11 anos: R$ 97,50 + 10% Crianças de até 5 anos: gratuidade Reservas: Sympla

Perguntas Frequentes

Onde almoçar no Dia das Mães em Salvador?

O Deville Prime Salvador, em Itapuã, oferece almoço especial de Dia das Mães em 10 de maio, das 12h30 às 15h30, no Restaurante Sabores de Itapuã, com buffet completo e música ao vivo. As reservas devem ser feitas antecipadamente pela plataforma Sympla.

Quanto custa o almoço de Dia das Mães no Deville Prime Salvador?

O valor é de R$ 195 + 10% por pessoa para adultos e R$ 97,50 + 10% para crianças de 6 a 11 anos. Crianças de até 5 anos têm gratuidade. O preço inclui buffet completo, água, refrigerante e suco.

O almoço do Deville Prime no Dia das Mães é aberto ao público?

Sim. O almoço é aberto a hóspedes e não hóspedes do hotel. As reservas podem ser feitas pela plataforma Sympla até o limite da capacidade do restaurante.

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Dia do Churrasco: Restaurante Carvão lança Menu Experiência em sete etapas

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O percurso assinado pelo chef Guto Lago coloca a cozinha de fogo no centro da mesa e propõe uma leitura contemporânea do ritual da brasa

No Dia do Churrasco, o Restaurante Carvão propõe uma conversa diferente com a brasa. A casa estreia nesta quinta-feira, 24 de abril, o Menu Experiência, um jantar em sete etapas assinado pelo chef Guto Lago que reúne cortes nobres, técnicas apuradas e um desenho narrativo pensado para quem quer ir além do churrasco tradicional. A proposta parte do mesmo fogo que define a identidade do restaurante, mas o traduz em um percurso autoral, servido apenas no jantar, por R$ 399.

A data não é acidental. Se o 24 de abril celebra o churrasco como patrimônio afetivo do brasileiro, o Menu Experiência reposiciona a brasa como matéria-prima de alta cozinha. Não é sobre substituir o ritual do fim de semana em família. É sobre mostrar o que acontece quando a mesma lenha encontra técnica de restaurante, curadoria de cortes e construção de menu degustação em Salvador.

A filosofia da cozinha de fogo

O conceito que organiza o Carvão desde a abertura ganha, no Menu Experiência, sua formulação mais explícita. A cozinha de fogo, no vocabulário de Guto Lago, não é sinônimo de carne grelhada. É um método que respeita o tempo de cada corte, a distância correta da brasa, a umidade que se perde e a que se preserva, o ponto exato em que a crosta se forma sem comprometer o interior. O menu foi desenhado para que cada etapa ilumine uma faceta dessa técnica.

A escolha de apresentar o jantar em sete tempos tem lógica dramatúrgica. Há uma abertura que desperta o paladar, um desenvolvimento que explora cortes e contrastes, um clímax centrado nos pratos de maior intensidade e um encerramento que costura acidez, dulçor e frescor. O comensal não come sete pratos soltos: atravessa uma curva de intensidade pensada do começo ao fim.

As sete etapas, prato a prato

A jornada começa com cogumelo portobelo servido com ragu de rabada, combinação que abre o apetite pela via da profundidade. O ragu, denso e longamente cozido, encontra no portobelo uma base vegetal que absorve o caldo sem perder textura. É uma entrada que já avisa: não se trata de um menu tímido.

Em seguida, a casa apresenta o steak tartare de black angus levemente defumado, finalizado com pimenta gochujang e chips crocantes. A defumação discreta reforça a presença do fogo mesmo em um preparo cru, e a gochujang coreana traz uma camada picante e fermentada que redesenha o clássico francês. Na sequência, o carpaccio de rosbife com mostarda trufada, crispy de cebola e brotos de rúcula oferece leveza e aromática, preparando o paladar para a primeira investida de fogo aberto.

É quando chega o ribeye cap selado na brasa com manteiga de ervas, assinatura da casa e síntese do que a cozinha de fogo pode entregar. O corte, também conhecido como capa do ancho, concentra marmoreio, maciez e sabor. A manteiga de ervas funde-se ao calor residual e completa o prato sem disputar protagonismo com a carne.

Na etapa seguinte, o mil folhas de cupim aparece servido com tartar de manga e castanhas brasileiras. Aqui mora um dos gestos mais brasileiros do menu: o cupim, corte historicamente associado ao churrasco popular, é trabalhado em camadas, encontra a acidez tropical da manga e ganha textura com as castanhas. Intensidade e frescor em diálogo.

O percurso principal se encerra com o denver steak acompanhado de cenoura defumada, aspargos e molho holandês. A holandesa, emulsão clássica da cozinha francesa, dá um acabamento técnico sofisticado ao corte, enquanto a cenoura defumada devolve à mesa o eco da brasa. É uma etapa de síntese: técnica europeia e fogo brasileiro no mesmo prato.

A sobremesa fecha a experiência com uma composição declaradamente tropical: chocolate 70%, cupuaçu, caramelo de laranja e nibs de cacau. A acidez do cupuaçu corta a gordura acumulada ao longo do jantar, o caramelo de laranja acrescenta perfume cítrico e os nibs entregam crocância e amargor controlado. Um final que pertence ao Brasil sem recorrer a clichês.

Para quem é o Menu Experiência

O menu se desenha para três perfis de comensal. O casal que quer um programa de data especial e busca um jantar longo, bem construído, sem precisar pedir à la carte. O grupo de amigos que quer viver uma experiência gastronômica mais densa do que o jantar convencional. E o visitante de Salvador que procura um roteiro autoral capaz de traduzir a cena gastronômica contemporânea da cidade, que há anos deixou de ser apenas sinônimo de moqueca e acarajé.

É, também, uma resposta editorial ao próprio Dia do Churrasco. A data, muitas vezes celebrada no registro do excesso e da informalidade, ganha no Carvão uma leitura de mesa posta, serviço atento e construção de sabor. Dois registros legítimos do mesmo ingrediente.

Serviço

Restaurante Carvão Rua Prof. Sabino Silva, 5, Chame-Chame, Salvador, Bahia Menu Experiência servido apenas no jantar, por R$ 399 por pessoa Reservas recomendadas

Perguntas Frequentes

O que é o Menu Experiência do Restaurante Carvão?

É um jantar degustação em sete etapas assinado pelo chef Guto Lago, servido apenas no jantar por R$ 399 por pessoa. O percurso reúne entradas, cortes nobres preparados na brasa e sobremesa autoral, traduzindo a filosofia de cozinha de fogo da casa.

Onde fica o Restaurante Carvão em Salvador?

O Restaurante Carvão fica na Rua Prof. Sabino Silva, 5, bairro Chame-Chame, em Salvador. O Menu Experiência é servido apenas no período do jantar.

Quem é o chef responsável pelo Menu Experiência?

O menu é assinado pelo chef Guto Lago, responsável pela cozinha do Restaurante Carvão. Sua proposta parte do conceito de cozinha de fogo, que valoriza a brasa como técnica central de preparo de carnes.


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Fasano Salvador Convida reúne Alberto Pitta e Ernesto Bitencourt em cartografia afetiva da arte baiana

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Curadoria conjunta abre a edição 2026 do projeto com obras de Carybé, Tatti Moreno, Mario Cravo Junior e outros nomes centrais da arte produzida em Salvador

O Hotel Fasano Salvador inaugurou no dia 23 de abril a nova edição do Fasano Salvador Convida, projeto de difusão da arte baiana contemporânea que, em 2026, chega com assinatura dupla: o artista plástico e carnavalesco Alberto Pitta e o galerista Ernesto Bitencourt dividem a curadoria de uma mostra que reúne nomes como Aurelino dos Santos, Carybé, Eliana Kertész, Tatti Moreno, Mario Cravo Junior, Deisi Rocha, Jayme Fygura, José Adário dos Santos e Josilton Tonm. A visitação é gratuita e segue até 30 de junho, distribuída pelos ambientes do hotel no Centro Histórico.

Uma curadoria que começa no território

Não é coincidência que Pitta e Bitencourt tenham sido convidados juntos. Os dois operam, de lugares distintos, um mesmo gesto: o de tratar a arte como memória, pertencimento e invenção dentro do contexto baiano, especialmente soteropolitano.

Alberto Pitta é figura central da produção visual afro-baiana. Artista plástico, designer têxtil, serígrafo e carnavalesco à frente do Cortejo Afro, construiu uma linguagem em que estampa, cultura popular e arte contemporânea deixam de ser compartimentos separados. Sua trajetória inclui passagens pela Bienal de São Paulo e pelo Palais de Tokyo, em Paris, e teve marco recente na mostra Alafiou, no MAM Bahia, que reuniu 45 anos de produção. Atua ainda como arte-educador pelo Instituto Oyá de Arte e Educação.

Ernesto Bitencourt, à frente da galeria que leva seu nome, no Centro Histórico de Salvador, opera uma articulação entre acervo, território e narrativa. Sua curadoria tem se destacado por construir diálogos entre diferentes temporalidades e linguagens da arte baiana, tratando a obra como dispositivo de memória, não como objeto isolado.

Juntos, os dois curadores transformam o Fasano Convida 2026 em uma cartografia afetiva de Salvador.

O que está exposto: um mapa simbólico da Bahia

A seleção reúne artistas que, apesar de trajetórias e materialidades distintas, compartilham um território simbólico ancorado na Bahia. Estão ali tanto nomes de circulação internacional quanto artistas cuja potência se constrói fora dos cânones acadêmicos tradicionais.

Há a presença fundacional de Carybé e Mario Cravo Junior, pilares da modernidade baiana. Há a escultura de Eliana Kertész e Tatti Moreno, que inscreveram a mitologia afro-baiana no vocabulário tridimensional. Há a força visionária de Aurelino dos Santos e Jayme Fygura, artistas cuja obra opera fora dos circuitos formais, afirmando a arte como ritualística e expressão identitária. José Adário dos Santos, ferreiro de orixás, traz a dimensão sagrada do fazer artesanal. E Deisi Rocha e Josilton Tonm completam o conjunto com leituras contemporâneas do território.

O que costura nomes tão distintos é um modo de criar que trata a Bahia como fundação, não como cenário. A arte emerge, na leitura curatorial de Pitta e Bitencourt, como memória, cultura popular e invenção.

O Fasano como plataforma cultural

Desde 2020, o Fasano Salvador Convida funciona como projeto contínuo de difusão da arte e da cultura baiana dentro do hotel instalado na Praça Castro Alves. Já passaram pelo projeto nomes como Chico Flores, Akira Cravo, Preta, Fernando Torquatto, Glauber Bassi e a Galeria Tempo Arte Popular.

A escolha de distribuir as obras pelos ambientes do hotel, em vez de confiná-las a uma sala de exposição, reforça uma proposta curatorial específica: a de tratar a hospitalidade como espaço vivo de encontro com a arte. Hóspedes e público externo circulam pelos mesmos corredores, lounges e áreas sociais, e a obra não espera ser procurada, ela aparece.

Em um ano em que Salvador intensifica sua conversa com o turismo cultural, o gesto ganha peso adicional. A mostra 2026 amplia a leitura do hotel como equipamento cultural da cidade, não apenas como endereço de hospitalidade.

Serviço

Fasano Salvador Convida | Edição 2026 Curadoria: Alberto Pitta e Ernesto Bitencourt Visitação: 23 de abril a 30 de junho de 2026 Entrada: gratuita e aberta ao público Local: Hotel Fasano Salvador — Praça Castro Alves, 5, Centro Histórico, Salvador (BA) Site: www.fasano.com.br Instagram: @fasanosalvador

Perguntas Frequentes

O que é o Fasano Salvador Convida?

É um projeto de difusão da arte e da cultura baiana contemporânea promovido pelo Hotel Fasano Salvador desde 2020. A cada edição, convida curadores para reunir obras de artistas baianos distribuídas pelos ambientes do hotel, no Centro Histórico.

Quando posso visitar a edição 2026 do Fasano Salvador Convida?

A exposição está em cartaz de 23 de abril a 30 de junho de 2026, com visitação gratuita e aberta ao público diariamente, no Hotel Fasano Salvador, na Praça Castro Alves.

Quem assina a curadoria da edição 2026?

A curadoria é assinada pelo artista plástico e carnavalesco Alberto Pitta e pelo galerista Ernesto Bitencourt, à frente da Galeria Ernesto Bitencourt, no Centro Histórico de Salvador.


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O café merece mais do que um dia no calendário

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Em sua nova coluna para o Muito Gourmet, Brenda Matos provoca: celebrar o produto sem nomear quem o produz é apenas marketing.

O Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, movimentou redes sociais, marcas e cafeterias, mas deixou no ar uma pergunta que a colunista Brenda Matos decidiu enfrentar de frente. Especialista em café especial e voz quinzenal do Muito Gourmet, Brenda usa esta edição para questionar o que fica quando a janela da data se fecha e o calendário vira a página. Em um setor que se orgulha da rastreabilidade, ela cutuca uma contradição incômoda: celebramos o grão, a fazenda, o terroir, mas raramente o produtor. A coluna a seguir é um convite ao desconforto necessário.


O café merece mais do que um dia no calendário

No dia 14 de abril, celebramos o Dia Mundial do Café. E junto com ele, as redes sociais se encheram de xícaras, as marcas ativaram suas comunicações, e o café ocupou, por algumas horas, o centro de conversas que ele raramente protagoniza fora das cafeterias e dos eventos especializados.

E então chegou o dia seguinte. E o café continuou o mesmo.

Não estou aqui para questionar a utilidade das datas comemorativas… longe de mim! Elas cumprem um papel de visibilidade para uma pauta que quem trabalha no setor cafeeiro defende o ano inteiro.

O problema está no que fazemos com essa atenção quando a janela se fecha. No mercado, de maneira geral, há uma contradição que me incomoda há algum tempo e que datas como essa tornam ainda mais visível: celebramos o produto com grande entusiasmo, mas raramente nomeamos quem o fez.

O café ganhou um dia no calendário. O produtor, na maior parte das vezes, não ganha nem uma linha de crédito na embalagem.

O nome que falta

Em uma indústria que se orgulha da rastreabilidade, ainda é surpreendente a frequência com que o produtor aparece como dado técnico: altitude, variedade, processo de fermentação, e não como protagonista.

Nomeamos o grão, a fazenda, o terroir. Mas a pessoa que acordou antes do sol para colher aquela cereja no ponto exato de maturação ainda é, com muita frequência, uma presença implícita na narrativa que construímos em torno do café.

Há uma diferença fundamental entre rastrear e nomear. Rastrear é um exercício de controle de qualidade, enquanto nomear é um ato de reconhecimento. O primeiro serve à certificação; o segundo, à valorização e à dignidade do produtor e de toda a cadeia produtiva.

Quando a alta gastronomia finalmente incorporou a lógica do “de onde vem”, ela foi capaz de transformar fornecedores em personagens: o pescador, o pequeno produtor de queijo artesanal, a família que cultiva o tomate há três gerações. O café especial tem todo o contexto histórico e cultural para fazer o mesmo, mas ainda patina entre o técnico e o afetivo sem consolidar uma narrativa que coloque o produtor no centro.

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Foto: Brenda Matos

Celebrar não é suficiente

Uma data comemorativa que não provoca nenhuma mudança de comportamento é apenas marketing. E o café merece mais do que marketing: ele carrega uma cadeia produtiva longa, complexa e profundamente humana que só existe porque há pessoas dispostas a cultivá-lo com dedicação, técnica e afeto.

A pergunta que o Dia Mundial do Café deveria nos fazer não é “você tomou seu café hoje?”. É uma pergunta mais incômoda e mais necessária: você sabe o nome de quem cultivou o que está na sua xícara?

Enquanto essa pergunta não tiver resposta para a maioria dos consumidores, as datas comemorativas seguirão sendo celebrações de um produto sem rosto. E o café, tão plural, tão potente, tão cheio de histórias, merece muito mais do que isso.

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O café merece mais do que um dia no calendário

Perguntas Frequentes

Quando é comemorado o Dia Mundial do Café?

O Dia Mundial do Café é celebrado em 14 de abril. A data mobiliza marcas, cafeterias e consumidores, mas, como aponta a colunista Brenda Matos, raramente se traduz em reconhecimento direto aos produtores que sustentam a cadeia.

Qual a diferença entre rastreabilidade e reconhecimento do produtor de café?

Rastrear é um exercício de controle de qualidade, que identifica origem, variedade e processo. Nomear o produtor é um ato de reconhecimento e valorização humana. Segundo Brenda Matos, a indústria do café especial ainda confunde as duas coisas, tratando o produtor como dado técnico em vez de protagonista.

Por que é importante conhecer o produtor do café que consumimos?

Conhecer o nome de quem cultiva o café transforma o consumo em relação, dá dignidade à cadeia produtiva e permite que o consumidor valorize o trabalho humano por trás do produto. Em um mercado que se orgulha da rastreabilidade, nomear o produtor é o próximo passo natural para uma cultura de café especial mais madura.


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Une Cozinha Rio Vermelho abre segunda temporada com Katsu Sando no cardápio e exposição de Maria Correia nas paredes

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A casa de Cris Une renova menu e mostra de arte nesta quinta-feira (16), em Salvador, e reafirma o diálogo entre cozinha autoral e artistas visuais como marca do projeto

O Une Cozinha, no Rio Vermelho, inaugura sua segunda temporada nesta quinta-feira (16) com dois movimentos simultâneos: um cardápio renovado, que traz o Katsu Sando como principal novidade, e uma nova exposição nas paredes, assinada pela artista visual Maria Correia. A proposta da casa, aberta em dezembro por Cris Une, continua a mesma desde o primeiro dia: tratar gastronomia e arte como linguagens que se atravessam, e oferecer ao cliente não apenas uma refeição, mas um espaço de pausa e presença no coração de um dos bairros mais culturais de Salvador.

Une Cozinha: um projeto organizado em temporadas

A lógica do Une é menos a de um restaurante convencional e mais a de uma curadoria em movimento. O cardápio é estruturado em três momentos, café da manhã, almoço e jantar, e a cada nova temporada passa por uma renovação quase integral. Dois pratos de cada período, porém, permanecem, escolhidos por votação dos próprios clientes. A prática transforma o menu em algo coletivo, quase editorial, onde a memória afetiva da casa é coescrita por quem frequenta.

“Cada temporada é um novo capítulo. A participação dos clientes na escolha dos pratos que permanecem torna o cardápio mais afetivo e fortalece essa construção coletiva”, afirma Cris Une, empresária e cozinheira à frente do projeto.

O Katsu Sando entra em cena

A estrela da segunda temporada é o Katsu Sando, sanduíche japonês que ganhou projeção mundial nos últimos anos e agora chega ao Rio Vermelho em versão autoral. O prato reúne lombo suíno empanado no panko, batizado de tonkatsu na tradição japonesa, entre duas fatias de shokupan, o pão de leite de miolo aveludado que se tornou símbolo da padaria japonesa contemporânea. O conjunto é finalizado com molho agridoce, maionese japonesa e repolho fatiado bem fino.

No Une, o detalhe que muda tudo é o pão. O shokupan é produzido artesanalmente na casa, o que aprofunda o caráter autoral da receita e coloca o sanduíche em outro patamar de execução. É o tipo de decisão que distingue um restaurante que serve katsu sando de um restaurante que faz katsu sando.

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Katsu Sando do Une Cozinha Rio Vermelho – Foto: Brenda Matos

Arte como parte do cardápio

Nesta temporada, quem ocupa o espaço expositivo é a artista visual Maria Correia, graduada em Artes Visuais pela UFBA, com a mostra Terrenos Áridos. A exposição reúne obras em telas e tecidos que investigam deslocamento, pertencimento e memória, quase sempre a partir de figuras femininas situadas em paisagens abertas e simbólicas.

“Na minha arte, as mulheres aparecem em espaços amplos, quase infinitos, carregando objetos que representam peso. É uma forma de materializar o deslocamento, porque a gente nunca leva só o corpo, leva também o passado e as expectativas de futuro”, explica Maria.

Para a artista, o ambiente do restaurante não é um suporte qualquer. Comer, sentar-se à mesa, desacelerar: tudo isso cria uma condição de escuta diferente. “Existe um convite natural à pausa. O restaurante é um lugar de encontro, e minha intenção é provocar esse olhar mais atento, mais presente.” Inspirada pelo outono, a mostra atravessa a ideia de transição, de deixar ir o que já cumpriu seu ciclo para abrir espaço ao novo.

Uma casa que pensa como plataforma

A decisão de transformar o Une em vitrine para artistas não é decoração de parede. É parte do projeto desde a origem. “Desde o início, pensamos o Une como uma vitrine para novos artistas. A ideia é criar conexões entre diferentes formas de expressão e ampliar repertórios”, reforça Cris.

Inaugurado em dezembro, o Une Cozinha vem se consolidando como um dos endereços mais autorais da cena gastronômica soteropolitana justamente por recusar a separação entre experiência à mesa e experiência estética. Nesta segunda temporada, o encontro entre o Katsu Sando e os Terrenos Áridos de Maria Correia sintetiza o gesto: comer é também observar, sentir e se deixar atravessar pelo que está em volta.

Une Cozinha Rio Vermelho
Une Cozinha Rio Vermelho – Foto: Brenda Matos

Serviço Une Cozinha Rio Vermelho

Une Cozinha Endereço: a R. Alexandre de Gusmão, 57, Rio Vermelho, Salvador, Bahia Horário de funcionamento:

  • Segunda, quarta, quinta, sexta e sábado: das 8h às 12h e das 12h30 às 23h
  • Domingo: das 8h às 12h e das 12h30 às 16h
  • Terça-feira: fechado

Exposição Terrenos Áridos, de Maria Correia, em cartaz a partir de quinta-feira (16).

Perguntas Frequentes

Onde fica o Une Cozinha em Salvador?

O Une Cozinha está localizado no Rio Vermelho, um dos principais polos gastronômicos e culturais de Salvador. A casa funciona de segunda a domingo, com pausa apenas nas terças-feiras.

O que é o Katsu Sando servido no Une Cozinha?

O Katsu Sando é um sanduíche japonês feito com lombo suíno empanado no panko (tonkatsu), pão de leite japonês (shokupan) produzido artesanalmente na casa, molho agridoce, maionese japonesa e repolho fatiado. É a principal novidade da segunda temporada do restaurante.

Quem é a artista em exposição no Une Cozinha?

A artista visual Maria Correia, graduada em Artes Visuais pela UFBA, apresenta a mostra Terrenos Áridos no Une Cozinha a partir de 16 de abril. As obras, em telas e tecidos, trabalham temas como deslocamento, pertencimento e memória a partir de figuras femininas em paisagens simbólicas.


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O melhor lugar do mundo é a Bahia: origem, cadeia produtiva e território como base da coquetelaria

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Como a nova geração de bares está reescrevendo o ponto de partida da coquetelaria baiana a partir do ingrediente local

A coquetelaria baiana vive um momento de virada: ingredientes como licuri, mel de abelhas nativas, café de Piatã, PANCs e maracujá do mato estão deixando de ser ornamento regional para se tornarem estrutura técnica de drinks autorais. Em sua segunda coluna no Muito Gourmet, Dan Morais, gastrônomo, mixologista e sommelier de cerveja, defende que o movimento mais relevante hoje nos bares da Bahia não é de técnica, mas de origem, e mostra por que isso muda tudo dentro do copo.

O melhor lugar do mundo é a Bahia: origem, cadeia produtiva e território como base da coquetelaria

No meu último texto aqui no Muito Gourmet, falei sobre processo criativo na coquetelaria, como um drink pode nascer de uma ideia, de uma atmosfera, antes mesmo da escolha dos ingredientes. Mas existe um ponto anterior a isso que começa a ganhar cada vez mais relevância: a origem! E não como discurso, mas como prática.

A coquetelaria sempre foi muito influenciada por referências externas: técnicas estrangeiras, ingredientes importados, clássicos internacionais. E não vejo isso como um problema… O complicado é quando isso vira padrão único, e o território onde o bar está inserido passa a ser secundário.

Hoje, felizmente, esse movimento começa a mudar aos poucos.

Existe uma geração de bares e profissionais que está começando a olhar para o ingrediente não apenas pelo sabor, mas pelo contexto: quem produz, onde produz, em que escala, em que realidade.

Licuri, mel, café: o mapa dos ingredientes que estão mudando o copo

O licuri talvez seja um dos exemplos mais claros dessa mudança de olhar. Ele está concentrado no semiárido baiano, como o da COOPERSABOR, em Monte Santo. É um ingrediente que nasce de uma lógica de extrativismo e agricultura familiar e, no bar, entrega gordura, textura e um perfil próprio: não substitui o coco, cria outra linguagem.

O mel também revela uma diversidade que pouca gente percebe. A MELDOYÁ trabalha com diferentes floradas dentro do estado, o que faz com que o produto varie de acordo com o ambiente. Assim como o meliponário Pólen Dourado, na região de Malhadas, em Praia do Forte, que, com abelhas nativas sem ferrão, produz meles mais delicados e menos previsíveis. No copo, isso transforma o mel em ingrediente técnico, e não apenas em dulçor.

No café, a Bahia também mudou de patamar. Regiões como Piatã, na Chapada Diamantina, já se consolidaram como polo de produção de café especial. A Moreno Coffee e os Cafés Copiatã, ligados à produção de cafeicultores locais, mostram como o café deixa de ser apenas amargo e passa a atuar como estrutura aromática dentro de um coquetel.

As PANCs, como explica a nossa “rainha” Maria Bento, entram em outra lógica: “produção em pequena escala, circuito curto e frescor real. São ingredientes que chegam vivos, são cultura e potencial para infusões, macerações e garnishes”.

Já o maracujá do mato, trabalhado pela Coopercuc no sertão baiano, traz um perfil mais ácido, menos doce e mais rústico. No bar, isso resolve uma questão técnica importante: acidez natural com identidade de bioma.

Quando o ponto de partida muda, o drink muda

Quando trocamos açúcar por mel de abelha nativa, o dulçor deixa de ser neutro. Quando se usa licuri, a textura muda. Quando entra café baiano, o aroma deixa de ser genérico. Mas existe uma mudança mais importante: o processo criativo fica mais honesto.

Porque receita e técnica, hoje, todo mundo tem acesso. Mas origem não se replica. Cadeia produtiva não se copia. Território não se importa. É justamente por isso que esse movimento é importante. Não se trata de “valorizar o local” como tendência, mas de entender que a Bahia já oferece complexidade suficiente para sustentar uma coquetelaria de alto nível.

Quando um bar decide trabalhar com produtores, cooperativas e cadeias reais, ele não está só mudando o ingrediente: está mudando o ponto de partida, impactando diretamente o resultado no copo.

No fim, a leitura é direta: a Bahia já tem produto, cadeia e qualidade! O que começa a mudar agora é o olhar. E, quando esse olhar muda, o drink deixa de ser só técnica e passa a ser origem.

Andança: a receita para levar a Bahia para o copo em casa

E agora, caro leitor, para não ficarmos eu e você com água na boca nesse feriado, vou passar uma receita, onde comprar os ingredientes e um local para curtir a coquetelaria baiana.

ANDANÇA

  • 40mL de Cachaça
  • 30mL de xarope de maracujá do mato
  • 10mL de sumo limão
  • Água com gás
  • Borda de Licuri
  • Ramo de capim santo

Num copo baixo, passe um pouco de geleia de maracujá do mato com um pincel e polvilhe o licuri triturado. Encha com gelo até a boca, coloque a cachaça, o xarope e o sumo de limão e mexa bem com uma colher para misturar. Complete com água com gás e mexa 2x de baixo pra cima. Finalize com um ramo de capim santo. Perfil ácido, estruturado e com textura.

Xarope de maracujá do mato e capim santo
Misture 1 folha de capim santo, 100g da geleia e 100mL de água morna até dissolver.

Onde comprar: Empório da Agricultura Familiar, na Ceasinha.

Onde beber: Purgatório — inclusive, vale ler a matéria do Muito Gourmet sobre a nova carta Confia na Bahia, do Purgatório Bar.

coquetelaria baiana, drink andança
Andança por Dan Morais – Foto: Dan Morais

Perguntas Frequentes

O que é coquetelaria de origem ou coquetelaria territorial?

É uma abordagem da coquetelaria que parte do ingrediente local como ponto de partida criativo e técnico, considerando quem produz, onde produz e em que escala. Em vez de adaptar clássicos internacionais, o bar constrói sua linguagem a partir da cadeia produtiva do território onde está inserido.

Quais ingredientes baianos estão sendo mais usados na nova coquetelaria autoral?

Licuri, mel de abelhas nativas sem ferrão, café especial da Chapada Diamantina, PANCs (plantas alimentícias não convencionais) e frutos do sertão como o maracujá do mato estão entre os ingredientes mais presentes nos bares autorais da Bahia. Cada um entrega uma função técnica específica no drink: textura, dulçor, acidez, aroma ou estrutura.

Onde comprar ingredientes baianos para fazer drinks autorais em casa?

O Empório da Agricultura Familiar, na Ceasinha, em Salvador, é um dos principais pontos de acesso a produtos de cooperativas e produtores locais, como geleias, méis, licuri e derivados. Cooperativas como COOPERSABOR e Coopercuc também comercializam diretamente em canais próprios.

por dan morais
O melhor lugar do mundo é a Bahia: origem, cadeia produtiva e território como base da coquetelaria

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Confia na Bahia: nova carta do Purgatório Bar transforma o território baiano em experiência líquida

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O premiado speakeasy da Pituba apresenta 12 coquetéis inéditos que traduzem a Bahia em linguagem técnica e estética contemporânea, com ambição global e identidade profundamente local.

O Purgatório Bar, eleito um dos 500 melhores bares do mundo pelo Top 500 Bars e bicampeão de Melhor Carta de Drinks do Brasil pela Prazeres da Mesa, acaba de lançar sua nova carta de drinques. Batizada de “Confia na Bahia”, a coleção é mais do que um tema de temporada: é um manifesto criativo sobre o que a Bahia tem de mais potente para oferecer ao cenário da alta mixologia nacional e internacional.

Purgatório Bar no Top 500 Bars 2025
Purgatório Bar – Foto: Divulgação

Um manifesto em forma de drinque

A nova carta nasce de uma convicção que o Purgatório carrega desde sua fundação: a Bahia é potência criativa, estética e sensorial. E se há um lugar onde essa afirmação encontra forma concreta, é dentro de um copo.

A ideia foi traduzir a Bahia em forma de experiência líquida, trazendo ingredientes, referências culturais e sensoriais do nosso território, mas com a linguagem técnica e estética do Purgatório”, explica Jonatan Albuquerque, sócio e Diretor Criativo da casa. “No fim, é sobre equilíbrio entre história, sabor e provocação, sempre com um pé muito firme na Bahia, mas conversando com o mundo.”

São 12 coquetéis autorais inéditos, organizados em três atos narrativos que percorrem diferentes camadas de interpretação do território baiano.

jonatan albuquerque
Jonatan Albuquerque – Foto: Divulgação

Três atos, doze histórias

Sagrado abre a carta com rituais, ancestralidade e respeito ao ingrediente. Os drinques desse capítulo são mais técnicos, delicados e de construção refinada, evocando simbologia e contemplação. É o espaço do silêncio antes da festa.

Profano rompe com o equilíbrio e propõe o caos criativo. Inspirado na energia do Carnaval e da rua, os coquetéis desse ato são diretos, provocativos e divertidos. Aqui, o excesso é intenção, não acidente.

Baiano encerra a narrativa com o encontro dessas duas forças. Sabores do cotidiano, ingredientes locais e forte carga afetiva definem este capítulo, que traduz a identidade mais pura do território, sem filtro e sem afetação.

Além das 12 criações inéditas, a carta mantém seções já consolidadas da casa: uma curadoria dos clássicos mais consumidos no mundo em 2025, os chamados “clássicos esquecidos”, o espaço dedicado aos amantes de Negroni e os “clássicos do Purgatório”, drinques que marcaram as cartas anteriores e se tornaram favoritos do público.

Cadeia local como filosofia

Um dos pilares mais significativos desta nova fase é o aprofundamento do compromisso com a produção local. O Purgatório intensifica parcerias com fornecedores, artistas, artesãos e produtores da agricultura familiar da Bahia, incorporando não apenas insumos, mas histórias, técnicas e saberes que atravessam cada detalhe da experiência dentro do bar.

Não se trata de gastronomia regional como pano de fundo decorativo. É sobre posicionamento: a coquetelaria baiana tem o que dizer, tem ingrediente, tem técnica, tem narrativa, e o Purgatório quer que o mundo saiba disso.

Uma trajetória de conceitos

Quem acompanha o Purgatório sabe que cada carta é um projeto editorial em si. Na estreia, nove coquetéis autorais inspirados nos Sete Pecados Capitais. Na segunda temporada, um mergulho nos 12 Arquétipos de Jung. Na terceira, a cosmologia medieval de Dante Alighieri serviu de mapa, com drinques que percorriam as nove esferas do Paraíso da Divina Comédia.

Com “Confia na Bahia”, o bar não abandona essa vocação narrativa. Pelo contrário, a aprofunda, desta vez virando o olhar para dentro, para o próprio território que o criou, e projetando esse olhar para o cenário global da alta mixologia.

O speakeasy fica na Pituba, em Salvador. Acompanhe a programação e saiba como chegar pelo Instagram ou pelo site.


Perguntas Frequentes

O que é o Purgatório Bar em Salvador?

O Purgatório Bar é um speakeasy localizado no bairro da Pituba, em Salvador, reconhecido entre os 500 melhores bares do mundo pelo Top 500 Bars e eleito por duas vezes como Melhor Carta de Drinks do Brasil pela revista Prazeres da Mesa.

O que é a carta “Confia na Bahia” do Purgatório Bar?

É a nova carta de drinques do Purgatório Bar, composta por 12 coquetéis autorais inéditos organizados em três atos narrativos: Sagrado, Profano e Baiano. A proposta é traduzir referências culturais, ingredientes e memórias do território baiano em experiências de alta mixologia.

Como chegar ao Purgatório Bar em Salvador?

O Purgatório Bar é um speakeasy e não divulga seu endereço completo publicamente. O caminho oficial é pelo Instagram @purgatorio.bar ou pelo site www.purgatoriobar.com.br, onde é possível obter as informações de acesso e reserva.


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Bistrô Casa Tua celebra primeiro ano com novo menu que une técnica francesa e alma baiana

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O restaurante do Caminho das Árvores, comandado pelos chefs Erika Peleteiro e Helder Dantas, completa um ano com cardápio renovado e uma história que passa pelo Institut Paul Bocuse e pelas cozinhas estreladas dos Alpes franceses.

O Bistrô Casa Tua chegou ao primeiro aniversário com o que toda boa cozinha precisa ter: uma história verdadeira e um prato para contar. Instalado na Alameda das Seringueiras, no Caminho das Árvores, o restaurante fundado pelos chefs Erika Peleteiro e Helder Dantas celebra o marco com um novo menu autoral que condensa anos de formação técnica na França, afeto pelo produto baiano e a cumplicidade de um casal que se conheceu, literalmente, dentro de uma cozinha.

Da Bahia para os Alpes franceses

A trajetória de Erika e Helder começa com uma improvável coincidência. Ela, advogada especializada em Direito do Trabalho, começou a preparar tortas para amigos quase como hobby. Ele, estudante de Gastronomia, era chef de partida no extinto restaurante Ferraz, em Salvador. Foi ali que os caminhos se cruzaram, quando Erika iniciou um estágio na casa e descobriu que a cozinha tinha mais a dizer do que o tribunal.

A virada definitiva veio em 2015. O casal decidiu se mudar para a França e estudar no Institut Paul Bocuse, em Lyon, uma das escolas de gastronomia mais respeitadas do mundo. Foram três anos de formação técnica e empresarial que incluíram passagens profissionais marcantes: Helder integrou a equipe do L’Auberge du Père Bise, restaurante com duas estrelas Michelin, enquanto Erika foi a única mulher na cozinha do Clos des Sens, casa com três estrelas. Entre serviços exigentes e as paisagens dos Alpes, nasceu a filha Sophie e a ideia que se tornaria o Casa Tua.

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Érika Peleteiro e Helder Dantas – Foto: Divulgação

Uma cozinha aberta no coração de um espaço de design

De volta à Bahia, os chefs encontraram no espaço de decoração Casa Tua, comandado por Chris Peleteiro, o ambiente certo para materializar o projeto. O bistrô funciona como uma extensão da loja, com peças de design disponíveis para compra e obras da Zeca Fernandes Galeria de Arte nas paredes. No centro de tudo, a cozinha aberta conecta quem cozinha a quem come, colocando o gesto culinário em evidência.

Não é um restaurante francês. É, nas palavras do próprio Helder Dantas, “uma cozinha de intuição, que respeita o produto e as escolhas que fazemos”. Essa síntese define bem o que o novo cardápio entrega.

O novo menu Bistrô Casa Tua: técnica francesa, ingredientes baianos

O cardápio renovado reúne pratos que conquistaram clientes ao longo do primeiro ano e novidades que traduzem o repertório trazido da França, sempre com atenção ao que a Bahia produz.

Nas entradas, a cozinha equilibra referências clássicas e identidade local. O tartare de boeuf convive com a coxinha de siri servida com ketchup de tamarindo, e o brie em massa folhada chega à mesa acompanhado de mel baiano Meldoyá. Há ainda croquete de cupim, burrata, bao de pulled pork e saladas frescas para compor a abertura da refeição.

Nos pratos principais, o diálogo entre técnica e terroir fica ainda mais evidente. O risoto de camarão é preparado com açafrão em base safranée e finalizado com crocante de alho-poró. O robalo aparece com nhoque grelhado, ratatouille e caldo de carne. A picanha é servida com beignet de batata, técnica francesa de massa frita leve, e o polvo grelhado chega à mesa com batata ao murro e piperade de pimentões.

As sobremesas fecham a refeição com o mesmo espírito: tiramisù, profiteroles, pavlova de morango e menta, banoffee, cheesecake, mousse de chocolate e um petit gâteau de pistache com framboesa. A carta de vinhos, pequena e precisa, foi elaborada com consultoria de Alexandre Takei e Carol Souzah, com rótulos selecionados para dialogar com a proposta da cozinha.

Para encerrar com sabor local, a casa serve café do ei, café?, produzido em Piatã, na Chapada Diamantina, e o licor artesanal de leite de cabra da Alto da Chapada.

Um ano construído com os clientes

Para Erika Peleteiro, o primeiro aniversário confirma que a proposta do bistrô encontrou o público certo. “O Casa Tua nasceu do desejo de cozinhar com verdade e proximidade. Esse novo menu reúne pratos que marcaram nossa história até aqui e outros que traduzem as referências que trouxemos da França, sempre com muito respeito ao que a Bahia produz”, afirma a chef.

O Bistrô Casa Tua é o tipo de lugar que Salvador precisava ter: uma cozinha com formação de alto nível, enraizada no que a Bahia tem de melhor, sem afetação e sem atalhos.


Perguntas Frequentes

O que é o Bistrô Casa Tua em Salvador?

O Bistrô Casa Tua é um restaurante de cozinha autoral localizado no Caminho das Árvores, em Salvador. Comandado pelos chefs Erika Peleteiro e Helder Dantas, formados no Institut Paul Bocuse, na França, o bistrô combina técnica francesa com ingredientes e referências baianas em um ambiente que integra design e arte.

Onde fica e qual o horário de funcionamento do Bistrô Casa Tua?

O Bistrô Casa Tua fica na Alameda das Seringueiras, nº 42, no Caminho das Árvores, Salvador. Funciona de terça a sábado, das 12h às 14h30 e das 19h às 21h30.

Quais são os chefs do Bistrô Casa Tua?

O bistrô é comandado pelos chefs Erika Peleteiro e Helder Dantas. O casal estudou no Institut Paul Bocuse, em Lyon, e passou por cozinhas com estrelas Michelin na França antes de retornar a Salvador para abrir o restaurante.


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3 Vinhos Brancos que Parecem Caros (e Muitas Vezes Não São)

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A sommelière Carol Souzah revela os estilos de vinhos brancos que entregam mais do que prometem, e por que a textura é o segredo que poucos percebem.

A sommelier Carol Souzah tem uma forma muito específica de escolher vinho branco: pela sensação que ele deixa na boca, não pelo rótulo. Nesta coluna, ela apresenta três uvas e estilos que, segundo sua experiência de taça, cruzam uma fronteira curiosa: chegam com uma elegância que faz as pessoas imaginarem um preço mais alto. E é justamente essa capacidade de surpreender que os torna indicações certas, sem medo e sem hesitação.

Vinhos brancos
Foto: Rinat Shakirov / Unsplash

3 Vinhos Brancos que Parecem Caros (e Muitas Vezes Não São)

Hoje eu quero falar de três vinhos brancos que parecem caros, mas nem sempre são.

Na verdade, três uvas e estilos que costumam entregar mais do que prometem. Aqueles vinhos que chegam na taça com uma certa elegância, despertam curiosidade, e fazem alguém perguntar o preço já imaginando algo mais alto.

Com o tempo, eu fui entendendo que essa sensação não está só na uva ou na origem. Está, principalmente, na textura. No jeito que o vinho se comporta na boca, na acidez, no equilíbrio, na forma como ele se sustenta depois do gole.

E é a partir disso que eu escolhi esses três caminhos.

Chardonnay: o estilo que faz minha alma vibrar (e não é o mais óbvio)

Existe um estilo muito conhecido, bastante buscado, que é o Chardonnay com passagem por barrica. A madeira traz notas de baunilha, manteiga, tostado, além de mais corpo e volume. É um perfil associado à elegância, justamente por essa construção mais intensa.

É um estilo com proposta mais estruturada, tem seu público e, aqui em Salvador, agrada bastante.

Quem me conhece e já dividiu algumas taças comigo sabe: não é o Chardonnay que faz minha alma vibrar.

Salvo raras exceções, quando a madeira aparece mais integrada e o vinho foge daquele padrão mais óbvio, especialmente o estilo clássico californiano, como os da Robert Mondavi Winery, que para mim acabam sendo um desprazer. Eu prefiro quando o Chardonnay segue por outro caminho.

Os que me encantam são mais frescos, com acidez vibrante, pouca ou nenhuma madeira e uma pegada mineral mais evidente. A textura aqui muda completamente. Fica mais crocante, mais tensa, quase elétrica. É um vinho que não pesa, não cansa, e justamente por isso transmite uma sofisticação mais sutil.

E muitas vezes é essa precisão que faz ele parecer mais caro.

Alvarinho: elegância que o tempo só melhora

A segunda indicação é a Alvarinho, especialmente em Portugal.

É uma uva que consegue ser aromática sem exagero. Tem fruta, tem frescor, às vezes um toque floral, mas sempre com uma acidez firme que sustenta tudo. Na boca, costuma ter uma textura muito elegante, ocupa espaço com delicadeza, sem pesar.

E tem um detalhe que eu gosto muito de trazer: o Alvarinho pode envelhecer, se forem feitos pra isso, é claro.

Enquanto muitos vinhos verdes são feitos para serem consumidos jovens, mais leves e imediatos, o Alvarinho, principalmente os de Monção e Melgaço, vai na direção oposta. Com o tempo, ganha corpo, complexidade, profundidade, sem perder totalmente a acidez que dá vida ao vinho.

Isso muda a percepção. Ele deixa de ser só fresco e passa a ser interessante.

Chenin Blanc sul-africano: a maior surpresa em custo-benefício

A terceira indicação é a Chenin Blanc da África do Sul.

Essa, para mim, é uma das maiores surpresas quando a gente fala em custo-benefício. A acidez é alta, vibrante, e isso define tudo.

Na boca, muitos têm aquela textura crocante, quase como morder uma maçã verde. Faz salivar, limpa o paladar, dá vontade de continuar bebendo. Ao mesmo tempo, alguns conseguem trazer um pouco mais de volume, sem perder essa energia.

Esse equilíbrio entre frescor e estrutura cria uma sensação de profundidade que engana fácil. Parece mais caro do que é.

O que conecta os três

No fim, o que conecta esses três estilos de vinho branco não é a uva ou o país.

É a sensação. A crocância da acidez, a salinidade da mineralidade, a precisão de um vinho que está no lugar certo. Nada sobra, nada pesa.

Só pra constar, vinho branco é minha preferência, eu bebo muito vinho branco, de diversas uvas. Essas que trouxe hoje como indicação são apenas 3 das escolhas que fazem parte da minha rotina, do que eu peço, do que eu indico e do que eu gosto de dividir à mesa.

São uvas mais fáceis de encontrar, de bom custo-benefício, e justamente por isso fazem tanto sentido. Nem sempre a gente precisa buscar o diferente, às vezes o que está mais perto já entrega tudo. Boas escolhas e bons brindes.

Carol Souzah sommèliere e jornalista

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e nova colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.