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Do grão ao festival: como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

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Café especial no Brasil: a força dos festivais que transformam consumo em cultura

O crescimento do café especial no Brasil não acontece por acaso. Ele é construído em rede, experiência e presença. À frente desse movimento está uma nova geração de profissionais que unem conhecimento técnico, curadoria e atuação prática no mercado. É nesse contexto que se destaca Brenda Matos, barista, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, que acompanha de perto a evolução desse cenário e suas transformações culturais.

Nesse cenário, os festivais independentes surgem como protagonistas silenciosos de uma revolução sensorial. São eles que aproximam o público do produtor, traduzem conceitos técnicos e transformam curiosidade em repertório. Em cidades como Salvador, onde identidade e território são centrais, esses encontros ganham ainda mais potência ao conectar o café às narrativas locais.

Na nova coluna do Muito Gourmet, Brenda Matos, que é barista, especialista em café e idealizadora do Festival Baiano de Cafés, mostra como esses eventos vêm moldando o paladar brasileiro, e por que eles são peças-chave na consolidação do café especial no Brasil como movimento cultural, econômico e educativo.

Do Grão ao Festival: Como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

O setor de cafés especiais no Brasil cresce, em média, 15% ao ano, ritmo esse que chega a ser cinco vezes superior ao do mercado tradicional. Mas esse crescimento não acontece como um fenômeno de “Geração Espontânea” — Louis Pasteur já refutou essa teoria há tempos, lembra?

Esse movimento ganha mais força ainda quando a cadeia inteira se encontra nos palcos dos festivais independentes de café. Eles são os grandes catalisadores da educação do consumidor e o ponto de virada para marcas que buscam visibilidade e novos negócios.

O fenômeno dos festivais independentes

Enquanto o consumo de café tradicional apresentou uma leve retração em volume, o faturamento da indústria saltou mais de 25%. Isso revela um consumidor que está trocando quantidade por qualidade. É nos festivais que esse público descobre o universo de possibilidades que existe no café de qualidade.

Apresento a vocês três eventos no Brasil que mostram, na prática, como esses encontros transformam a cultura regional:

O Caféstival (Porto Alegre – RS): Um gigante do Sul que, em sua edição recente, atraiu 20 mil visitantes. Com campeonatos de Latte Art e Espresso, o evento prova que o café é, acima de tudo, uma experiência de entretenimento e relações humanas.

O Café Fest (Goiânia – GO): Tornou-se um marco do Centro-Oeste brasileiro. Com um público de 12 mil pessoas, o festival integra gastronomia e cultura, consolidando-se como uma plataforma de grande importância para marcas regionais se posicionarem no radar nacional.

O Festival Baiano de Cafés (Salvador – BA): Projeto que tenho a honra de idealizar e organizar, cumpre um papel estratégico único: encurtar a distância entre o público urbano e o produtor de diferentes terroirs do estado, como a Chapada Diamantina, o Planalto Baiano e a Serra dos Morgados.

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Festival Baiano de Cafés – Foto: Arivaldo Publio

Números que movem a economia

No Festival Baiano de Cafés, os dados refletem a potência desse encontro. Com mais de 2.000 visitantes por dia e cerca de 50 expositores, movimentamos mais de R$ 300 mil em negócios diretos durante o evento. Mais do que estatística, esses dados são o reflexo do trabalho e da dedicação de famílias de agricultores, baristas e pequenos empreendedores sendo inseridos em um ecossistema de valor.

Com mais de 30 especialistas convidados e horas de programação educativa e cultural, o festival atua como uma “escola a céu aberto” sobre a cultura do café na Bahia. É ali que o consumidor entende que o café especial é uma mistura de terras, mãos e muitas histórias.

O café como experiência coletiva

Hoje, cerca de 18% dos consumidores brasileiros já apontam o café especial como seu estilo preferido. E os festivais se tornaram o ponto de encontro entre coffee lovers, instrutores, produtores, torrefações e marcas que, de fato, movimentam a cena dia após dia.

O café especial no Brasil não é apenas uma tendência, é um movimento econômico e, acima de tudo, cultural. Um movimento que ganha vida toda vez que pessoas se reúnem em torno de uma mesa com uma xícara na mão para celebrar o que há de melhor em nossa terra: viva o café baiano!

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Do grão ao festival: como os eventos independentes estão educando o paladar brasileiro

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Chef Tereza Paim recebe Prêmio Alice Bottas e reforça protagonismo feminino na gastronomia baiana

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Reconhecimento celebra empreendedorismo e impacto cultural da chef no cenário baiano

A força da gastronomia baiana ganhou mais um capítulo de reconhecimento. A chef Tereza Paim, um dos nomes mais emblemáticos da culinária contemporânea de Salvador, foi homenageada com o Prêmio Alice Bottas 2026, na categoria Empreendedorismo, em cerimônia realizada no tradicional Clube Espanhol.

À frente do Grupo Tereza Paim, que reúne operações como o Casa de Tereza, Mesa de Tereza, Da TeTê Bar, Loja Tereza Paim e o Tabuleiro da Chef, a empresária construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura baiana e pela expansão de sabores locais para o mundo.

“Feliz em ter recebido esse importante prêmio, que exalta o poder feminino de sermos o que quisermos. Viva todas as mulheres premiadas neste evento”, celebrou a chef durante a cerimônia.

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Chef Tereza Paim recebe Prêmio Alice Bottas 2026 – Foto: Marcello Fontes

Um prêmio que ecoa a luta histórica das mulheres

Criado em 2015 pelo Sindicato dos Bancários da Bahia, o Prêmio Alice Bottas é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e tem como missão reconhecer trajetórias femininas que contribuem para a redução das desigualdades e o enfrentamento da violência de gênero.

A honraria carrega o nome de uma pioneira: Alice Bottas, primeira mulher a integrar a diretoria do sindicato, ainda na década de 1930 — um marco em um período em que a presença feminina no mercado de trabalho formal era extremamente limitada.

A entrega do prêmio à chef Tereza Paim foi feita pelo deputado federal Daniel Almeida, nome historicamente ligado à defesa dos direitos dos bancários e das pautas trabalhistas, uma conexão que reforça o legado de luta e representatividade que a premiação simboliza.

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Daniel Almeida e Chef Tereza Paim – Foto: Marcello Fontes

Gastronomia, identidade e protagonismo feminino

Mais do que uma premiação individual, o reconhecimento a Tereza Paim evidencia o papel da gastronomia como ferramenta de transformação social e cultural. Sua cozinha vai além do prato: é narrativa, memória e resistência.

Com restaurantes que são verdadeiros pontos de encontro entre tradição e contemporaneidade, a chef consolidou um modelo de negócio que valoriza ingredientes locais, saberes ancestrais e a experiência sensorial da culinária baiana.

Mulheres que inspiram: as homenageadas de 2026

Além de Tereza Paim, outras mulheres de destaque também foram reconhecidas na edição 2026 do prêmio:

  • Andreia Reis (Artes), musicista da Banda Olodum
  • Camila Oliveira (Comunicação), da TV Bahia
  • Lívia Santana e S’Antana Vaz (Jurídico), atuantes no combate ao feminicídio
  • Amanda Amaral Lopes (Saúde e Inclusão), vinculada à Fiocruz
  • Lúcia Guedes (Setor Bancário)
  • Bárbara Karine (Educação)

Cada uma, em sua área, representa avanços concretos na construção de uma sociedade mais justa, diversa e igualitária.

Salvador celebra suas protagonistas

Em um cenário onde gastronomia, cultura e empreendedorismo caminham lado a lado, Tereza Paim reafirma seu lugar como uma das principais embaixadoras da Bahia. Seu trabalho transcende fronteiras e posiciona Salvador como destino essencial para quem busca experiências autênticas e sofisticadas.

A premiação não apenas celebra conquistas individuais, mas reforça uma narrativa coletiva: a de mulheres que transformam realidades, seja nos palcos, nas cozinhas, nas salas de aula ou nos espaços de decisão.


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Restaurantes com vinho ou restaurantes com experiência de vinho?

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Introdução editorial

Cada vez mais restaurantes em Salvador incluem vinhos no cardápio. Mas entre ter vinho e oferecer uma experiência de vinho, existe uma diferença enorme.

Na nova coluna, Carol Souzah observa algo que se repete em muitas casas da cidade: cartas estáticas, rótulos que não mudam, equipes sem preparo e uma bebida que poderia ser protagonista acabando relegada a um canto do cardápio. A partir de uma conversa sincera com um restaurateur, ela mostra que o vinho não é apenas mais um item da operação… é estratégia de negócio, ferramenta de hospitalidade e um dos motores mais poderosos da experiência à mesa.

Porque quando o vinho passa a ser pensado de verdade, algo muda no restaurante inteiro.

Restaurantes com vinho ou restaurantes com experiência de vinho?

Quando o vinho vira estratégia, o restaurante muda

Outro dia, almoçando em um restaurante da cidade, acabei conversando com o dono sobre a venda de vinhos da casa. Curiosa que sou, a conversa naturalmente chegou aos rótulos, às possibilidades da carta e ao espaço que o vinho ocupa naquele restaurante. Eu queria entender como essa bebida, cada vez mais presente nas mesas, estava sendo pensada ali.

A resposta dele foi honesta.

Ele me disse que trabalha com o mesmo fornecedor desde que abriu o restaurante. Que sabe que poderia vender mais vinho. Que sabe que o público da casa tem perfil para isso. Mas que, no meio de tantas tarefas que um restaurante exige, o vinho sempre acaba ficando para depois.

Não era preguiça. Era falta de tempo.

Quem já esteve perto da rotina de um restaurante sabe como é. O dono resolve problema de fornecedor, acompanha cozinha, cuida de equipe, de caixa, de cliente, de manutenção, de estoque, de tudo ao mesmo tempo. Em muitos casos, ele também tenta cuidar do vinho.

Mas vinho também é um trabalho.

Montar uma carta coerente, escolher rótulos que conversem com o cardápio, preparar a equipe para sugerir uma garrafa com segurança, cuidar da temperatura de serviço, acompanhar o atendimento no salão, observar o giro das vendas e reavaliar os rótulos e a estratégia da carta de tempos em tempos. Nada disso acontece sozinho.

E quando ninguém cuida de verdade, o vinho vira apenas um item esquecido no cardápio.

Muitos restaurantes acabam resolvendo essa questão da forma mais prática possível: trabalhando com um único fornecedor. Para o dono da casa isso pode trazer conforto. Simplifica o pedido, reduz o tempo de negociação, organiza o estoque. Mas para quem frequenta o restaurante com frequência, o efeito pode ser outro.

Quando a carta de vinhos não muda, os rótulos acabam se repetindo. O cliente que gosta de vinho percebe rápido. Volta algumas vezes e encontra sempre as mesmas opções.

E, aos poucos, algo curioso começa a acontecer: as pessoas continuam indo ao restaurante porque gostam da comida, do ambiente, do serviço, mas passam a levar suas próprias garrafas para beber o que realmente querem.

A taxa de rolha vira então uma espécie de solução informal para um problema que poderia ser resolvido na própria carta.

Uma seleção mais pensada, com diversidade de estilos, regiões e faixas de preço, muitas vezes diminui até a necessidade da rolha. O cliente encontra ali mesmo algo que desperta curiosidade, algo que ele quer provar.

E a garrafa passa a fazer parte da experiência da casa.

O curioso é que muitos restaurantes ainda não percebem o quanto o vinho pode ser um dos maiores aliados de um negócio gastronômico. Se existe uma bebida capaz de alavancar vendas dentro de um restaurante, provavelmente é o vinho.

Diferente de muitas outras bebidas, o vinho é profundamente gastronômico. Ele pede comida, conversa com os pratos, prolonga o tempo da mesa. Quando uma garrafa é aberta, a dinâmica muda: a mesa pede mais água, os clientes ficam mais tempo, novos pratos aparecem, a presença se estende.

Em mesas maiores isso fica ainda mais evidente. Uma garrafa termina e, muitas vezes, outra é pedida naturalmente. O vinho cria ritmo na refeição e aumenta o consumo ao redor dele.

Ou seja, ele não vende apenas a si mesmo. Ele puxa o resto da experiência.

Além disso, uma boa carta de vinhos também constrói imagem. Restaurantes que cuidam do vinho começam a ser lembrados não apenas pela comida, mas também pela experiência da taça.

E o público de Salvador tem mudado.

Hoje há mais curiosidade, mais gente interessada em provar rótulos diferentes, mais clientes que perguntam sobre uvas, regiões, estilos. É um público que valoriza quando encontra alguém no salão que sabe orientar.

Ao mesmo tempo, existe uma frase que escuto com frequência quando converso com donos de restaurantes: a dificuldade de vender vinho. E quase sempre essa queixa vem acompanhada de outra, que também se repete muito pela cidade: a dificuldade de encontrar profissionais que saibam trabalhar com o serviço de vinho.

Mas a verdade é que essa realidade dificilmente vai mudar se cada casa não investir na formação das suas próprias equipes.

Nem todo restaurante precisa ter um sommelier em tempo integral. Mas toda casa que decide oferecer uma carta de vinhos precisa de alguém que pense essa carta, que a organize e que acompanhe a equipe no aprendizado. Para muitos profissionais de salão, o universo do vinho ainda é um território novo, cheio de nomes, regiões, estilos e formas de serviço que não se aprendem de um dia para o outro. É um conhecimento que se constrói com prática, repetição e acompanhamento ao longo do tempo.

Porque quando o vinho recebe atenção, algo muda na mesa.
A experiência melhora, o cliente percebe o cuidado e o restaurante descobre que aquela garrafa, que antes parecia difícil de vender, na verdade só estava esperando alguém apresentá-la direito.

Talvez o vinho nunca tenha sido difícil de vender. Talvez ele apenas tenha sido pouco cuidado. Em uma cidade onde a gastronomia cresce e o público se torna cada vez mais curioso, o vinho deixou de ser detalhe. Para muitos restaurantes, pode ser exatamente a peça que ainda falta para transformar uma boa casa em um lugar memorável.

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.


Segunda virou dia de Megiro: boteco lança almoço executivo e happy hour com samba

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Boteco dos chefs Fabricio Lemos e Lisiane Arouca amplia funcionamento e lança menu executivo durante a semana

A semana começa diferente no Megiro Boteco, no Horto Florestal. O endereço comandado pelos chefs Fabricio Lemos e Lisiane Arouca agora abre também às segundas-feiras, das 12h às 23h, trazendo duas novidades que prometem movimentar o início da semana em Salvador: menu executivo no almoço e happy hour com samba ao vivo à noite.

A proposta reforça a essência do Megiro — um boteco contemporâneo que revisita a tradição dos bares baianos de décadas passadas, com pratos que celebram sabores afetivos e ingredientes locais.

megiro 08 fabricio lemos e lisiane arouca

Menu executivo valoriza clássicos da cozinha brasileira

Durante o almoço de segunda a sexta, o restaurante passa a oferecer menu executivo por R$ 79, composto por entrada e prato principal.

A experiência começa com opções como caldinho de mariscos ou salada da horta com queijo coalho, que abrem caminho para pratos principais com forte sotaque brasileiro. Entre eles estão o picadinho brasileiro, clássico de conforto, e o bobó de camarão com arroz de coco, receita que carrega a identidade da cozinha baiana.

A ideia é oferecer uma alternativa saborosa e rápida para quem trabalha ou circula pela região do Horto Florestal durante a semana, sem abrir mão da assinatura gastronômica da dupla de chefs.

Segunda também vira noite de samba no boteco

Quando a noite chega, o Megiro ganha clima de boteco animado. A segunda-feira passa a contar com happy hour com samba ao vivo, comandado pelo músico Dan Nascimento, das 19h às 22h.

Para acompanhar a música, Fabricio Lemos criou uma série de combos pensados para compartilhar, reforçando o espírito descontraído do bar.

Entre eles estão:

  • Começo Certo — pastel de bobó, pastel nordestino e dois chopps Brahma (R$ 39)
  • Nordestino — arrumadinho nordestino e dois chopps Brahma (R$ 89)
  • Raiz Megiro — moela da casa com duas caipirinhas (R$ 99)

A combinação de samba, petiscos e bebidas transforma o espaço em um ponto de encontro para quem quer esticar o dia com música e boa comida logo no começo da semana.

Um boteco contemporâneo com alma baiana

Instalado no Horto Florestal, um dos bairros mais charmosos de Salvador, o Megiro foi criado para resgatar o espírito dos bares baianos de cerca de 50 anos atrás, reinterpretando pratos tradicionais com técnica e criatividade.

O nome do bar — “Megiro”, que é “Origem” ao contrário — traduz bem a proposta da casa: olhar para o passado da culinária de boteco da Bahia e reinventá-lo com identidade contemporânea.

O reconhecimento veio rapidamente. Em 2025, o Megiro foi eleito o 5º melhor bar do Brasil no ranking 100 Melhores Bares da Casual Exame, consolidando-se como um dos endereços gastronômicos mais interessantes da capital baiana.

Funcionamento atualizado

Com a ampliação do horário, a casa passa a operar da seguinte forma:

Megiro Boteco

Endereço
Avenida Santa Luzia, 656, loja 12 – Horto Florestal, Salvador

Horários
Segunda-feira: 12h às 23h
Quarta a sábado: 12h às 23h
Domingo: 12h às 17h

A casa passa a fechar às terças-feiras, que serão dedicadas ao descanso da equipe.

Reservas: (71) 99644-9141


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Restaurante Amado inicia celebração de 20 anos com jantar especial em Salvador

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Um dos ícones da gastronomia da cidade prepara série de encontros com chefs convidados ao longo de 2026

Poucos endereços traduzem tão bem a elegância da gastronomia de Salvador quanto o Restaurante Amado. Instalado de frente para a imensidão azul da Baía de Todos-os-Santos, o restaurante inicia em 2026 a celebração de 20 anos de história, reunindo sabores, encontros e experiências que marcaram a cena gastronômica da cidade.

Para comemorar a data, o Restaurante Amado prepara uma série de jantares especiais ao longo do ano, convidando chefs de destaque do Brasil para criar menus inéditos ao lado da equipe do Amado. A proposta é transformar cada encontro em um momento único, celebrando a trajetória do restaurante e a riqueza da culinária contemporânea brasileira.

Flavio Bandeira Filipe Rizzato Edinho Engel
Flávio Bandeira, Filipe Rizzato e Edinho Engel – divulgação

Primeiro jantar da série acontece em 24 de março

O pontapé inicial das comemorações acontece no dia 24 de março, às 20h, com um jantar que reunirá três nomes da cozinha brasileira: Edinho Engel e Danilo Fernandes, chefs do Amado, e o convidado especial Filipe Rizzato, chef do renomado Palácio Tangará, em São Paulo.

Para a noite, os chefs desenvolveram um menu degustação exclusivo em seis etapas, pensado especialmente para o evento. A experiência gastronômica poderá ainda ser acompanhada por uma harmonização sugerida pela casa, ampliando os aromas e sabores de cada prato.

A proposta é conduzir os convidados por uma jornada sensorial que dialogue com a identidade do Amado, marcada pela cozinha contemporânea, ingredientes brasileiros e técnicas refinadas.

Restaurante Amado: Um clássico da alta gastronomia com vista para a Baía de Todos-os-Santos

Desde sua inauguração, o Amado consolidou-se como um dos restaurantes mais emblemáticos de Salvador. Além da localização privilegiada às margens da Baía de Todos-os-Santos, o espaço conquistou reconhecimento por unir criatividade culinária, excelência no serviço e uma atmosfera sofisticada.

Ao longo dessas duas décadas, o restaurante tornou-se parada obrigatória para amantes da alta gastronomia, chefs visitantes e viajantes que desejam experimentar a riqueza da cozinha brasileira reinterpretada com olhar contemporâneo.

A série de jantares comemorativos promete revisitar essa trajetória e, ao mesmo tempo, abrir novos capítulos para a história da casa.

Reservas

As reservas para o jantar especial do dia 24 de março podem ser feitas pelo telefone: (71) 99231-4660


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Branding Sensorial: O Café Carrega a Reputação da Sua Marca

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Café e branding sensorial: quando a experiência começa pelo aroma

Café e branding sensorial caminham cada vez mais próximos no universo da hospitalidade, do varejo e da alta gastronomia. Em um mercado onde experiência se tornou ativo estratégico, marcas entenderam que não basta comunicar valor, é preciso fazê-lo através dos sentidos.

Do design de interiores à trilha sonora, cada detalhe constrói a narrativa de posicionamento. E poucos elementos são tão poderosos quanto o aroma de um café recém-extraído. Ele prolonga a permanência, cria memória afetiva e transforma um simples momento de pausa em experiência de marca.

Na sua nova coluna do Muito Gourmet, Brenda Matos amplia o debate sobre café especial ao olhar para o papel da bebida na construção de identidade e reputação. Porque, no cenário contemporâneo, o café já não é apenas hospitalidade: ele também é estratégia.

Branding Sensorial: O Café Carrega a Reputação da Sua Marca

Se você ainda enxerga o café apenas como uma bebida para despertar de manhã, eu tenho um convite à reflexão: o café é, hoje, uma das ferramentas de branding mais poderosas do mundo.

Não é coincidência que marcas como Louis Vuitton, Dior, Prada e Tiffany & Co. tenham aberto cafés e restaurantes próprios em cidades como Paris, Tóquio, Milão e Seul. Elas entenderam que, para vender um estilo de vida, é preciso ocupar todos os sentidos do cliente. Nada é tão imersivo quanto o aroma de um café bem extraído em um ambiente onde assinatura e posicionamento de marca andam lado a lado.

Prada Caffè e seu branding sensorial
Prada Caffè (Reprodução)

O café como cor e estética

O impacto do café na cultura visual é tão latente que chegou ao topo da pirâmide do design. A Pantone elegeu o Mocha Mousse como a Cor do Ano de 2025: um tom marrom suave que remete ao conforto e à sofisticação de um café cremoso.

Para 2026, as paletas de tendência já apontam para tons como “Iced Coffee” e “Cocoa Crème”. Isso prova que o café foi além da xícara para se tornar um mood: ele comunica pausa, consciência e uma elegância despretensiosa que o consumidor contemporâneo busca.

Além da xícara: a estratégia do ponto de contato

Por que uma grife de alta costura investiria em uma máquina de espresso? A resposta está na comunicação de valor. No segmento de alto padrão, o café é o ponto de contato (touchpoint) que prolonga o tempo de permanência do cliente e constrói uma memória afetiva com a marca.

Toda essa movimentação global mostra que o café especial é, para empresas e empreendedores, a oportunidade de demonstrar rigor curatorial. Ele é o convite para o diálogo em um mundo hiperestimulado.

Entretanto, fica o alerta para o mercado local — para a nossa hotelaria e gastronomia: de nada adianta o design ser impecável se o conteúdo da xícara for medíocre. Em uma terra de grãos premiados como a nossa, negligenciar o café é deixar uma ponta solta na narrativa de excelência que você se esforça para construir.

No fim das contas, a pergunta não é mais se você deve servir café, mas sim: o que o café que você serve está dizendo sobre a sua marca?

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Branding Sensorial: O Café Carrega a Reputação da Sua Marca

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Proa Gastrôbar encerra Verão com 4ª edição do Festival de Ostras na Pituba

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Evento acontece de 11 a 13 de março e reúne criações especiais do chef Ricardo Vallari

O Festival de Ostras do Proa Gastrôbar chega à sua 4ª edição marcando a despedida da temporada de Verão 2026 em Salvador. O evento acontece entre 11 e 13 de março, sempre das 18h às 23h, na unidade da casa na Pituba, encerrando uma temporada marcada por encontros gastronômicos e pratos criativos.

Ao longo dos últimos meses, o festival se consolidou como um dos eventos gastronômicos mais comentados da estação em Salvador, reunindo chefs convidados e um público fiel interessado em experiências que exploram o potencial das ostras em diferentes interpretações culinárias.

Chef Ricardo Vallari assume a cozinha no encerramento da temporada

Para esta edição final do Festival de Ostras, o comando da cozinha fica exclusivamente com o chef Ricardo Vallari, que resgata algumas das criações que mais marcaram o festival ao longo da temporada.

A proposta é simples e ambiciosa ao mesmo tempo: colocar a ostra no centro da experiência, explorando técnicas e combinações que transitam entre referências asiáticas, brasileiras e contemporâneas.

Entre os pratos que retornam ao menu especial estão:

  • Guioza de Ostra com molho Thai
  • Ostra com Molho de Moqueca
  • Dupla de Ostras Empanadas com Teriyaki e Togarashi

As receitas, que conquistaram o público nas edições anteriores, reforçam a proposta autoral da casa, onde a cozinha criativa encontra ingredientes frescos e combinações inesperadas.

Festival de Ostras encerra verão no Proa Gastrôbar - chef Ricardo Vallari
Chef Ricardo Vallari – Foto: Guiga Motta

Festival reuniu chefs convidados durante o verão

Durante a temporada 2026, o festival também ganhou um caráter colaborativo. Vallari recebeu chefs convidados que trouxeram novas leituras para o ingrediente.

Entre os nomes que passaram pela cozinha do evento estão:

  • Edu Moraes, dos restaurantes Pirambeira e Purgatório
  • José Morchón, do La Taperia
  • Ricardo Silva, do Silva Cozinha

Para a edição de encerramento, a curadoria aposta na identidade própria do Proa, reunindo pratos que tiveram maior repercussão entre os clientes ao longo do festival.

Harmonização com vinhos e cervejas artesanais

Durante os três dias do evento, o menu regular do restaurante será servido em versão reduzida, priorizando a experiência focada nas ostras.

Um dos destaques desta temporada é a carta especial de vinhos assinada pela Meus Vinhos, com rótulos selecionados para harmonizar com os pratos do festival.

As sugestões se somam às cervejas artesanais da Proa Cervejaria, servidas diretamente da fonte e já conhecidas pelo público da casa.

Festival de Ostra 2025 em Salvador
Festival de Ostras Cia do Sertão e Proa – Foto Guiga Motta

Serviço

Local: Proa Gastrôbar – Rua das Hortênsias, 288 – Pituba, Salvador
O Que: Festival de Ostras – 4ª edição
Quando: 11 a 13 de março
Horário: Das 18h às 23h

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Proa Cervejaria, de Débora Lehnen, é eleita a melhor da Bahia na semana do Dia da Mulher

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Proa Cervejaria conquista título estadual e ouro com Sour de Caju na semana do Dia da Mulher

Débora Lehnen, mestre cervejeira da Proa Cervejaria, conquistou um dos maiores reconhecimentos da cena artesanal brasileira na semana do Dia Internacional da Mulher. A marca foi eleita a melhor cervejaria da Bahia no 14º Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em Blumenau (SC).

O resultado foi divulgado nesta terça-feira (3), em Blumenau (SC), cidade considerada referência nacional na produção cervejeira artesanal e sede de um dos eventos mais respeitados da indústria no Brasil.

À frente da marca está a mestre cervejeira Débora Lehnen, responsável pela criação e desenvolvimento dos rótulos da casa. Além de comandar a produção da Proa, ela também integrou o corpo de jurados da competição em outras categorias, reforçando seu reconhecimento técnico dentro do mercado cervejeiro nacional.

A conquista ganha ainda mais significado por ocorrer na semana em que se celebra a presença e a atuação feminina em diferentes áreas profissionais, inclusive em um setor historicamente dominado por homens.

Debora Lehnen
Débora Lehnen (Divulgação)

Ouro para a Sour de Caju: técnica e identidade brasileira no copo

Entre os destaques da premiação está a medalha de ouro conquistada pela Sour de Caju, rótulo produzido no estilo Berliner-Style Weisse.

A cerveja chamou atenção dos jurados por unir técnica cervejeira e identidade regional, explorando o caju, fruta profundamente ligada à cultura e aos sabores do Nordeste, como protagonista da receita.

O resultado é uma cerveja leve, refrescante e marcada pela acidez equilibrada, características típicas do estilo, mas com um toque tropical que reforça a personalidade brasileira do rótulo.

Concurso reuniu quase 3 mil rótulos de todo o Brasil

A edição 2024 do Concurso Brasileiro de Cervejas reuniu cerca de 2,7 mil rótulos inscritos, com cervejarias de 15 estados brasileiros premiadas ao longo da competição.

Além das medalhas por estilo, o evento também elegeu as melhores cervejarias de cada unidade da federação, oferecendo um panorama atualizado da produção artesanal no país.

Nesse cenário altamente competitivo, o título conquistado pela Proa reforça a qualidade da produção baiana e o crescimento da cena cervejeira do estado.

A força da nova cena cervejeira baiana

Nos últimos anos, a cultura da cerveja artesanal na Bahia vem ganhando projeção nacional ao apostar em inovação, qualidade técnica e no uso criativo de ingredientes locais.

Frutas tropicais, especiarias e insumos regionais têm inspirado receitas que dialogam com o território e ajudam a construir uma identidade própria para a produção cervejeira do estado.

Para a Proa Cervejaria e sua mestre cervejeira, Débora Lehnen, o reconhecimento no Concurso Brasileiro de Cervejas simboliza mais do que uma premiação: representa o amadurecimento de um mercado que cresce em diversidade, criatividade e protagonismo, agora também marcado pela liderança feminina.

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Do Coado ao Espresso inaugura cafeteria na Pituba e coloca Salvador no mapa da melhor torrefação do Brasil

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Campeã nacional na Semana Internacional do Café abre primeira loja física e aposta em formação, experiência sensorial e valorização do café baiano

Salvador ganha, oficialmente, um novo endereço para os apaixonados por café especial. A Do Coado ao Espresso (DCAE), eleita Torrefação do Ano do Brasil, inaugura no próximo dia 3 de março sua primeira cafeteria física, na Rua das Hortênsias, nº 776, na Pituba.

O espaço já operava em fase de testes, quase em silêncio, como quem prepara o palco antes do grande espetáculo. Agora, abre as portas com a chancela que consolidou a marca no cenário nacional: o título conquistado na Semana Internacional do Café (SIC), realizada em Belo Horizonte, maior feira do setor no país. A competição reuniu 137 torrefações de todo o Brasil, com avaliação conduzida por júri técnico especializado.

A partir dessa conquista, Salvador passa a figurar de forma definitiva no mapa brasileiro dos cafés especiais.

Da advocacia à torra perfeita: a virada que mudou o rumo

À frente da DCAE está Flávio Camargos, mestre de torras, Q-Grader — certificação internacional de classificação e avaliação de cafés e Barista SCA. Mas o caminho até aqui não começou entre grãos e curvas de torra.

Foi durante uma reunião profissional, ainda na época em que atuava como advogado, que o café mudou de figura. “Foi amor ao primeiro gole”, relembra. O que encontrou na xícara não era o líquido amargo e excessivamente açucarado do cotidiano apressado, mas uma bebida com acidez equilibrada, doçura natural e camadas de sabor.

Durante a pandemia, a torra começou como hobby em casa, ao lado do sócio Matheus Maciel. Pequenos lotes vendidos a amigos rapidamente se transformaram em demanda crescente. No fim de 2020, o que era experimento virou negócio estruturado, com formação técnica, cursos de barismo, degustação, educação sensorial e visitas a produtores para compreender cada elo da cadeia.

Hoje, Flávio é responsável pela curadoria dos grãos e pelo desenvolvimento dos perfis de torra, tanto para a marca própria quanto para produtores e marcas terceirizadas.

Do Coado ao Espresso: Uma cafeteria que também é escola

O Do Coado ao Espresso nasce com propósito duplo: ser ponto de encontro para quem busca cafés de altíssima qualidade e funcionar como ambiente de formação e conscientização.

A proposta inclui cursos, degustações guiadas e explicações detalhadas sobre métodos de preparo, origens, processos e características sensoriais. Mais do que servir café, a casa quer ensinar a beber café.

Com projeto arquitetônico assinado por Kaline Macêdo e engenharia de Rafael Lordelo, o ambiente traduz a identidade da marca: técnica, acolhimento e foco na experiência.

Bahia no centro da xícara

Cerca de 90% do portfólio da torrefação é composto por cafés baianos, vindos de regiões como Chapada Diamantina, Planalto da Conquista e Serra dos Morgados. A marca mantém parceria com pequenos produtores, alguns operando em escala próxima à agricultura de subsistência.

A escolha é estratégica e afetiva. Valorizar a produção local significa gerar impacto direto na cadeia produtiva. “Sempre busco cafés que reflitam meu estudo, minha qualificação e a excelência que nossos clientes já reconhecem”, reforça Flávio.

Confeitaria autoral e harmonizações com café

Na área gastronômica, quem assume é Nayara Chaves, responsável pelo cardápio de sobremesas e acompanhamentos. Especializada em confeitaria e formada com nomes reconhecidos do mercado nacional, ela cria harmonizações pensadas para dialogar com os perfis sensoriais dos cafés.

Entre os destaques doces estão bolo de limão com cream cheese, Devil’s Cake, cheesecake com geleia de morango, banoffee e bolo de nozes com geleia de damasco e brigadeiro de especiarias.

Nas opções salgadas, assinadas pelo chef consultor Calvin Coelho, o menu traz propostas como steak tartare e sanduíche de porco com barbecue de café — combinação que reforça a versatilidade do grão além da xícara.

Operação com hospitalidade e precisão

Matheus Maciel lidera a operação diária, cuidando da logística, do sistema integrado e da gestão financeira. Presente no lobby, acompanha a rotina da casa de perto, recepcionando clientes e garantindo que cada etapa funcione com organização e hospitalidade.

Para o trio, a abertura da cafeteria representa mais que expansão: simboliza um novo capítulo.

“É uma sensação mista de orgulho e desafio. Orgulho pela consolidação da marca e desafio porque ainda temos muito a ensinar. É apenas o começo”, afirma Flávio.

Mais do que negócio, o café é visto como instrumento de transformação. “O café representa esperança. Esperança de mudar a vida de produtores, apanhadores, torrefações e cafeterias. O café transforma.”

E agora, transforma também a cena gastronômica da Pituba.

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Agricultura Regenerativa: o vinho que nasce para devolver vida

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Regenerativa não é apenas um termo técnico que começa a circular no mundo do vinho. É uma mudança de consciência. Uma inversão de lógica. Uma pergunta que antecede o aroma, a pontuação e até o prazer: o que aconteceu com a terra antes de esse vinho chegar à taça?

Na nova coluna, Carol Souzah desloca o centro da conversa. Em vez de madeira, textura ou notas de fruta, ela fala de solo vivo, biodiversidade e impacto climático. Fala de vinhedos que respiram, e de outros que se tornam desertos silenciosos. Mostra que o vinho não nasce na adega, mas na relação entre raiz e terra.

Entre o cultivo orgânico, a biodinâmica e a agricultura regenerativa, o debate deixa de ser tendência e passa a ser responsabilidade. Porque, no fim das contas, não se trata apenas de qualidade sensorial. Trata-se de futuro.

E talvez essa seja a grande virada do vinho contemporâneo: entender que levantar uma taça também é escolher que tipo de paisagem queremos sustentar.

O futuro do vinho nasce do solo: do cultivo orgânico à regeneração, o impacto no que bebemos

Existe uma parte do vinho que a gente não vê na taça. Ela está debaixo dos nossos pés.

Durante muito tempo, quando se analisava um vinho, as respostas vinham em sensações organolépticas, menções à madeira, comentários sobre textura, pontuações, era assim que se media qualidade. Hoje, pelo menos pra mim, antes de pensar em aroma ou estrutura, a pergunta que me atravessa é outra: em que tipo de solo essa videira cresceu, como esse vinho nasceu?

Porque o solo não é um detalhe agrícola, principalmente quando se fala de vinho.

Ele é uma escolha técnica, ética, sensorial e ambiental. E solo vivo não é metáfora, insisto.

É um organismo cheio de microrganismos, fungos, raízes profundas, matéria orgânica, água circulando, ar entrando. É um sistema que se alimenta e se equilibra. Quando a videira cresce ali, ela precisa cavar fundo, explorar camadas, reagir ao clima, criar defesas naturais. O vinho que nasce desse processo tem tensão, tem vibração, tem identidade.

Solo morto é outra história.

O uso contínuo de herbicidas e fertilizantes sintéticos compacta a terra, elimina a vida microbiana e transforma a planta em dependente de insumos. A raiz fica superficial, a videira para de buscar o lugar. E quando a uva perde essa relação com o ambiente, quem precisa construir o vinho depois é a técnica, a técnica da maquiagem.

Ajusta a acidez, corrige a cor, entra com levedura aromática, com madeira para dar estrutura e corrigir alguns defeitos.

Fica tudo certo.
E fica tudo igual.

Existem vinhedos onde o cheiro já não é de terra, mas de produto químico. É impossível não pensar no que isso significa quando a gente fala de prazer e de natureza dentro de uma taça.

Por outro lado, existem vinhas onde quem faz a poda da vegetação são animais soltos entre as fileiras. Ovelhas, galinhas, às vezes até cavalos. Eles comem, adubam, circulam, compactam o solo na medida certa. Não é uma cena montada para foto, é um ecossistema funcionando.

E é aqui que entra uma palavra que ainda vai aparecer muito no mundo do vinho: Agricultura regenerativa.

Ontem estive em uma degustação e provei alguns rótulos da Miguel Torres, do Chile, cultivados sob os princípios da agricultura regenerativa. Foi bonito ver o representante falar desses vinhos e do trabalho no vinhedo com tanta paixão e convicção. E a taça confirmava o discurso: vinhos vivos, de acidez vibrante, aromas precisos e cheios de frescor, tudo em equilíbrio, sem excessos.

Vou explicar um pouco, ainda que de passagem, porque muita gente confunde e é bonito perceber as diferenças. O orgânico parte da exclusão dos químicos de síntese. O biodinâmico vai além, entende o vinhedo como um organismo vivo, trabalha com preparados naturais e observa os ciclos da lua e o ritmo do cosmos para definir o momento de plantar, podar, colher, trasfegar. Pode soar poético, tem quem ache um exagero ou chame de “haribô” essa mistura de agricultura com astrologia, mas vale lembrar que o nosso calendário é lunar há milênios, que a lua move os mares e regula ciclos biológicos. Por que não influenciaria a agricultura?

E se você ainda torce o nariz para a biodinâmica, eu sinto dizer: talvez seja melhor riscar da sua lista o sonho de um dia provar um Romanée-Conti. O Domaine de la Romanée-Conti começou a conversão dos vinhedos nos anos 1990 e hoje é integralmente certificado. Sim, um dos vinhos mais desejados do planeta nasce sob os princípios que muita gente ainda insiste em chamar de “exagero”. Eu sempre penso que, no vinho como na vida, o preconceito não protege ninguém, só empobrece o repertório. Quem bebe impondo barreiras ideológicas à forma de cultivo não está defendendo qualidade, está apenas limitando a própria experiência.

Continuando pelas diferenças, chegamos ao vinho natural, que está mais ligado à intervenção mínima na adega do que propriamente a um protocolo agrícola específico, embora quase sempre venha de vinhas cultivadas com esse mesmo cuidado.

A regenerativa compartilha vários desses princípios, mas tem um foco muito claro: devolver vida ao solo, capturar carbono da atmosfera, ampliar a biodiversidade e, principalmente, recuperar paisagens empobrecidas pela agricultura convencional. No fundo, é sobre curar.

É por isso que ela se parece com a biodinâmica em alguns pontos, as duas entendem a terra como um organismo, trabalham com cobertura vegetal, respeitam ciclos naturais. Mas a regenerativa mede impacto ambiental de forma direta, fala de clima, de água, de futuro do planeta com uma objetividade que dialoga com o mundo de hoje. E isso muda tudo.

Porque a gente começa a perceber que existem vinhos que nascem de solos que estão se tornando desertos, e outros que nascem de solos que estão voltando a respirar. Os dois chegam à mesa. Mas só um devolve vida à paisagem.

Essa conversa não é técnica, ela é sensorial. E talvez essa seja uma das grandes mudanças no mundo do vinho hoje. A gente não deveria pensar apenas se o vinho é bom, mas buscar entender o que ele causou até chegar à taça. Beber sempre foi um ato cultural e, cada vez mais, se revela também um gesto ambiental.

No fim das contas, não é sobre agricultura, é sobre relação, com a terra, com o tempo e com aquilo que a gente escolhe sustentar quando levanta uma taça.

por carol

Sobre Linha Editorial e a Carol Souzah

Carol Souzah é sommelière, jornalista e colunista do Muito Gourmet.

A sommelière abordará inovações no mundo dos vinhos, curiosidades, harmonizações, aspectos socioeconômicos, sustentabilidade, ética na produção e muitas dicas.