InícioGastronomiaFestival Tempero Bahia 2026 chega à 9ª edição com os sabores da...

Festival Tempero Bahia 2026 chega à 9ª edição com os sabores da Mata Atlântica

PUBLICADO EM

De 17 a 27 de setembro, circuito reúne restaurantes e hotéis em Salvador, nas ilhas, em Feira de Santana e na Chapada Diamantina

O Festival Tempero Bahia 2026 acontece de 17 a 27 de setembro, em sua 9ª edição, com curadoria da chef Tereza Paim e o tema “Biomas da Bahia: Mata Atlântica”.

Durante 11 dias, restaurantes e hotéis de Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Itaparica, Vera Cruz e Vale do Capão, na Chapada Diamantina, criam pratos e cardápios autorais a partir dos ingredientes que nascem, crescem e são colhidos no território da floresta atlântica baiana. É o segundo capítulo de uma série temática que, em 2025, havia se debruçado sobre a Caatinga.

A escolha do bioma não é decorativa. A Mata Atlântica baiana é o corredor que sustenta o cacau do sul do estado, os manguezais da Baía de Todos os Santos e as matas de altitude da Chapada. Colocar esse território no centro de um festival gastronômico significa pedir a chefs e cozinheiros que olhem para o que está mais perto, e nem sempre é o que está mais valorizado no cardápio.

Ingredientes que contam história

A curadoria propõe um repertório amplo, organizado por origem dentro do bioma. Do mar da costa baiana vêm pescados e frutos do mar. Dos manguezais, o time que define boa parte da memória afetiva soteropolitana: sururu, ostra, siri, aratu, caranguejo e lambreta.

As frutas trazem cacau, jaca, pitanga, araçá e jabuticaba. As ervas entram por taioba, alfavaca, capim-santo e hortelã, além do repertório aromático que cada casa costuma guardar como assinatura. Os temperos de autenticidade estão todos ali: dendê, pimentas, urucum e gengibre. Completam a lista as raízes e tubérculos, mandioca, inhame e cará, e os produtos da floresta, com destaque para o mel de abelhas nativas e o palmito pupunha.

Vale um registro de precisão editorial: nem todos esses ingredientes são espécies nativas da Mata Atlântica. Jaca tem origem asiática, cacau e pupunha vieram da Amazônia. O que os une é o território. Todos são cultivados, extraídos ou consumidos dentro do domínio da floresta atlântica baiana, o que faz deles ingredientes daquele lugar mesmo quando não nasceram nele. O caso mais eloquente é o cacau, plantado sob a sombra da mata no sistema cabruca, arranjo que transformou o sul da Bahia e ajudou a preservar remanescentes florestais que provavelmente já teriam caído.

Festival Tempero Bahia 2026
Imagem: Divulgação

Do mangue para a mesa

Se há um grupo que sintetiza o tema, é o dos moluscos e crustáceos de manguezal. Sururu, aratu e lambreta são ingredientes de marisqueira, de cozina de terreiro, de bar de esquina. Chegam à alta gastronomia com frequência menor do que mereceriam. Uma edição inteira dedicada à Mata Atlântica cria a desculpa perfeita para que apareçam em menu degustação, em entrada de restaurante contemporâneo, em drinque autoral.

Festival Tempero Bahia 2026: Um circuito que atravessa seis destinos

O Festival Tempero Bahia 2026 deixou de ser um evento exclusivamente soteropolitano. O circuito deste ano conecta a capital a Lauro de Freitas, na Região Metropolitana, a Feira de Santana, no principal entroncamento rodoviário do estado, a Itaparica e Vera Cruz, na maior ilha marítima do Brasil, e ao Vale do Capão, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Na prática, isso cria roteiros muito distintos sob a mesma assinatura. Um jantar de frutos do mar em Salvador, um almoço de raízes e ervas no Capão, uma travessia de ferry para comer aratu em Vera Cruz. Para o trade turístico, é a chance de emplacar setembro, mês tradicionalmente mais discreto que o verão baiano, como período de viagem gastronômica pelo estado.

“O evento é um verdadeiro convite para criação de uma experiência gastronômica única, inspirada na riqueza da Mata Atlântica Baiana, valorizando ingredientes, produtores, tradições e a biodiversidade do nosso Estado”, afirma Djanira Dias, da 2D Projetos Culturais e Eventos, realizadora do festival.

O que o festival move além do prato

Festivais de bioma funcionam como política cultural disfarçada de calendário gastronômico. Ao pedir que uma casa crie um prato com lambreta ou mel de abelha nativa, o Tempero Bahia empurra restaurante para fornecedor pequeno, marisqueira, meliponicultor, agricultor familiar. A cadeia se movimenta antes do primeiro cliente sentar.

É também um exercício de identidade. A gastronomia baiana costuma ser reduzida, de fora para dentro, a um punhado de pratos icônicos. Organizar edições por bioma revela o óbvio que ainda precisa ser dito: a Bahia tem várias cozinhas, e elas mudam conforme o solo, a chuva e a distância do mar.

festival tempero bahia 2025
Festival Tempero Bahia 2025 – Foto: Divulgação

O Muito Gourmet acompanha o Tempero Bahia desde as primeiras edições em Salvador, quando o festival ainda se concentrava na capital.

Serviço

Evento: Festival Tempero Bahia, 9ª edição
Tema: Biomas da Bahia: Mata Atlântica
Data: de 17 a 27 de setembro de 2026
Cidades do circuito: Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Itaparica, Vera Cruz e Vale do Capão (Chapada Diamantina)
Curadoria: chef Tereza Paim
Realização: 2D Projetos Culturais e Eventos
Informações e programação: @temperooficial_ no Instagram.


Siga o Muito Gourmet no Instagram e fique por dentro de todas as novidades gastronômicas de Salvador!

Últimos Artigos

Silva Cozinha recebe produtor espanhol em jantar harmonizado na Rua Chile

Pablo Miranda Roger conduz cinco etapas com rótulos ibéricos no dia 10 de agosto,...

O baiano tem o malte: onde beber cerveja artesanal na Bahia no Mês da Cerveja

Do Rio Vermelho a Itacaré, Dan Morais mapeia doze nomes que sustentam a cena...

Como Começar a Gostar de Vinho: por Onde Realmente Se Começa

A nossa colunista Carol Souzah mostra que a paixão pelo vinho nasce de gente,...

ConfraDelas: Silva Cozinha retoma degustação de vinhos para mulheres na Rua Chile

Primeira edição no Centro Histórico acontece em 29 de julho, com curadoria da sommelière...

leia mais

Silva Cozinha recebe produtor espanhol em jantar harmonizado na Rua Chile

Pablo Miranda Roger conduz cinco etapas com rótulos ibéricos no dia 10 de agosto,...

O baiano tem o malte: onde beber cerveja artesanal na Bahia no Mês da Cerveja

Do Rio Vermelho a Itacaré, Dan Morais mapeia doze nomes que sustentam a cena...

Como Começar a Gostar de Vinho: por Onde Realmente Se Começa

A nossa colunista Carol Souzah mostra que a paixão pelo vinho nasce de gente,...