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Une Cozinha Rio Vermelho abre segunda temporada com Katsu Sando no cardápio e exposição de Maria Correia nas paredes

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A casa de Cris Une renova menu e mostra de arte nesta quinta-feira (16), em Salvador, e reafirma o diálogo entre cozinha autoral e artistas visuais como marca do projeto

O Une Cozinha, no Rio Vermelho, inaugura sua segunda temporada nesta quinta-feira (16) com dois movimentos simultâneos: um cardápio renovado, que traz o Katsu Sando como principal novidade, e uma nova exposição nas paredes, assinada pela artista visual Maria Correia. A proposta da casa, aberta em dezembro por Cris Une, continua a mesma desde o primeiro dia: tratar gastronomia e arte como linguagens que se atravessam, e oferecer ao cliente não apenas uma refeição, mas um espaço de pausa e presença no coração de um dos bairros mais culturais de Salvador.

Une Cozinha: um projeto organizado em temporadas

A lógica do Une é menos a de um restaurante convencional e mais a de uma curadoria em movimento. O cardápio é estruturado em três momentos, café da manhã, almoço e jantar, e a cada nova temporada passa por uma renovação quase integral. Dois pratos de cada período, porém, permanecem, escolhidos por votação dos próprios clientes. A prática transforma o menu em algo coletivo, quase editorial, onde a memória afetiva da casa é coescrita por quem frequenta.

“Cada temporada é um novo capítulo. A participação dos clientes na escolha dos pratos que permanecem torna o cardápio mais afetivo e fortalece essa construção coletiva”, afirma Cris Une, empresária e cozinheira à frente do projeto.

O Katsu Sando entra em cena

A estrela da segunda temporada é o Katsu Sando, sanduíche japonês que ganhou projeção mundial nos últimos anos e agora chega ao Rio Vermelho em versão autoral. O prato reúne lombo suíno empanado no panko, batizado de tonkatsu na tradição japonesa, entre duas fatias de shokupan, o pão de leite de miolo aveludado que se tornou símbolo da padaria japonesa contemporânea. O conjunto é finalizado com molho agridoce, maionese japonesa e repolho fatiado bem fino.

No Une, o detalhe que muda tudo é o pão. O shokupan é produzido artesanalmente na casa, o que aprofunda o caráter autoral da receita e coloca o sanduíche em outro patamar de execução. É o tipo de decisão que distingue um restaurante que serve katsu sando de um restaurante que faz katsu sando.

katso sando une cozinha rio vermelho
Katsu Sando do Une Cozinha Rio Vermelho – Foto: Brenda Matos

Arte como parte do cardápio

Nesta temporada, quem ocupa o espaço expositivo é a artista visual Maria Correia, graduada em Artes Visuais pela UFBA, com a mostra Terrenos Áridos. A exposição reúne obras em telas e tecidos que investigam deslocamento, pertencimento e memória, quase sempre a partir de figuras femininas situadas em paisagens abertas e simbólicas.

“Na minha arte, as mulheres aparecem em espaços amplos, quase infinitos, carregando objetos que representam peso. É uma forma de materializar o deslocamento, porque a gente nunca leva só o corpo, leva também o passado e as expectativas de futuro”, explica Maria.

Para a artista, o ambiente do restaurante não é um suporte qualquer. Comer, sentar-se à mesa, desacelerar: tudo isso cria uma condição de escuta diferente. “Existe um convite natural à pausa. O restaurante é um lugar de encontro, e minha intenção é provocar esse olhar mais atento, mais presente.” Inspirada pelo outono, a mostra atravessa a ideia de transição, de deixar ir o que já cumpriu seu ciclo para abrir espaço ao novo.

Uma casa que pensa como plataforma

A decisão de transformar o Une em vitrine para artistas não é decoração de parede. É parte do projeto desde a origem. “Desde o início, pensamos o Une como uma vitrine para novos artistas. A ideia é criar conexões entre diferentes formas de expressão e ampliar repertórios”, reforça Cris.

Inaugurado em dezembro, o Une Cozinha vem se consolidando como um dos endereços mais autorais da cena gastronômica soteropolitana justamente por recusar a separação entre experiência à mesa e experiência estética. Nesta segunda temporada, o encontro entre o Katsu Sando e os Terrenos Áridos de Maria Correia sintetiza o gesto: comer é também observar, sentir e se deixar atravessar pelo que está em volta.

Une Cozinha Rio Vermelho
Une Cozinha Rio Vermelho – Foto: Brenda Matos

Serviço Une Cozinha Rio Vermelho

Une Cozinha Endereço: a R. Alexandre de Gusmão, 57, Rio Vermelho, Salvador, Bahia Horário de funcionamento:

  • Segunda, quarta, quinta, sexta e sábado: das 8h às 12h e das 12h30 às 23h
  • Domingo: das 8h às 12h e das 12h30 às 16h
  • Terça-feira: fechado

Exposição Terrenos Áridos, de Maria Correia, em cartaz a partir de quinta-feira (16).

Perguntas Frequentes

Onde fica o Une Cozinha em Salvador?

O Une Cozinha está localizado no Rio Vermelho, um dos principais polos gastronômicos e culturais de Salvador. A casa funciona de segunda a domingo, com pausa apenas nas terças-feiras.

O que é o Katsu Sando servido no Une Cozinha?

O Katsu Sando é um sanduíche japonês feito com lombo suíno empanado no panko (tonkatsu), pão de leite japonês (shokupan) produzido artesanalmente na casa, molho agridoce, maionese japonesa e repolho fatiado. É a principal novidade da segunda temporada do restaurante.

Quem é a artista em exposição no Une Cozinha?

A artista visual Maria Correia, graduada em Artes Visuais pela UFBA, apresenta a mostra Terrenos Áridos no Une Cozinha a partir de 16 de abril. As obras, em telas e tecidos, trabalham temas como deslocamento, pertencimento e memória a partir de figuras femininas em paisagens simbólicas.


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