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Existe amor em SP: 6 endereços para beber (e comer) bem em São Paulo

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Do balcão consagrado da Vila Madalena ao bar escondido perto da Paulista, o sommelier Dan Morais mapeia onde a capital paulista entrega comida honesta, coquetelaria precisa e hospitalidade de verdade

Quem vive Salvador sabe que hospitalidade não se finge: ou a casa recebe bem, ou não recebe. É com esse filtro baiano que o gastrônomo, mixologista e sommelier de cerveja Dan Morais, colunista do Muito Gourmet, atravessa São Paulo nesta terceira coluna e seleciona seis endereços onde comida, bebida e atendimento se encontram no mesmo nível. De clássicos da Vila Madalena a bares quase secretos perto da Paulista, o roteiro vai do picadinho do Astor ao laboratório de coquetelaria do The Door, passando pela cozinha brasileira do Fitó na Pinacoteca, pelo amargor irreverente do Amargot, pelo verão cenográfico do Irina Beira de Praia e pelo ritual japonês do The Punch. Boa leitura!


Tudo existe em São Paulo

Tudo existe em São Paulo: tem bar escondido, boteco elegante, balcão pequeno, restaurante com comida de verdade, casa de coquetelaria premiada e locais que já valem a visita só pelo clima.

Mas, no fim das contas, o que faz um lugar ser legal não é só o drink bonito ou o prato bem servido, mas o conjunto: atendimento bom, ambiente gostoso, comida que segura a mesa e bebida feita com cuidado. É chegar e se sentir em casa!

Conheça agora alguns destinos irreverentes e inusitados, para curtir uma São Paulo diferente e receptiva, que nem coração de mãe: onde sempre cabe mais um!

Astor e SubAstor

O Astor, na Vila Madalena, é um clássico paulistano: tem chopp bem tirado, cozinha de raiz, balcão bonito e serviço seguro. É o tipo de lugar que funciona tanto para jantar quanto para começar a noite. Não deixe de experimentar o sensacional picadinho (feito à perfeição) e o steak tartare (clássico!).

Descendo as escadas, chegamos ao mágico SubAstor: luz baixa, coquetelaria precisa e uma atmosfera mais intimista. Sob o comando de Alex Sepulchro, o Sub leva a uma experiência imersiva, com uma carta que traduz o Brasil nos copos, clássicos da casa e coquetéis icônicos. Os meus favoritos são o Sub Zero Martini (BEM gelado e com ótimos garnishes) e o Mata Atlântica (cordial de cambuci, whisky Bulleit Bourbon, aguardente de pera e orange bitter).

Fitó Contemporânea

O Fitó é daqueles lugares em que comida e coquetelaria falam alto: a casa traz a cozinha brasileira da chef Cafira, com muita influência nordestina, cheia de sabor, afeto e prato bem servido. Na barra, a carta de Renata Adoracion é uma aula de sustentabilidade e sabor, trazendo também ótimas opções não alcoólicas.

Localizado na Pinacoteca de São Paulo, é uma parada perfeita para quem quer comer antes de seguir para os bares, ou até fazer dali o programa principal. Tem personalidade, ambiente vivo e uma hospitalidade que vem muito pela mesa farta. Carpaccio Sertanejo e Arroz Caipira são ótimas pedidas para comer. Já nos drinks, o Gal (mocktail com suco de uva branca, limão e água de flor de laranjeira) e o Cajuína Spritz (cajuína, calda de caju, bitter de laranja, espumante) roubam a cena!

Amargot

O Amargot é, como diz Gabriel Queiroz, sócio da casa, incontestável! Com uma hospitalidade de dar inveja e clima irreverente, é uma das melhores noites de SP! A casa, que comemorou recentemente seus 4 anos, celebrou o aniversário em grande estilo, com nomes importantes da coquetelaria no mesmo clima de sempre: como uma grande família!

É um lugar para provar, curtir uma boa música com os amigos, conversar com o Rasta no balcão e entender que amargo também pode ser gostoso, elegante e muito refrescante. É um bar com muita personalidade, mas que recebe bem todo tipo de público: desde quem está começando a explorar esse universo aos mais chegados. Não saia sem provar o Tiramisu (Jack Daniel’s, Royal Charlotte, banana, caramelo salgado e espresso) e o Fitz pra Gringo (gin com infusão de goiaba, limão siciliano e bitter Nib).

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Amargot – Foto: Pri Morales

The Door

O The Door, casa do mago da coquetelaria Sylas Rocha, tem aquele charme de bar escondido: entrada discreta, ambiente mais fechado e luz baixa colocam a noite em outro ritmo. Mas, de simples, o lugar retrô não tem nada: é palco de um laboratório onde, unindo ciência e alquimia, Sylas e sua equipe entregam uma verdadeira experiência.

É um ótimo lugar para encontro, conversa longa ou para quem quer fugir um pouco do movimento da rua. Os drinks autorais fazem toda diferença, ajudando a completar essa sensação de descoberta, mas sem perder o conforto de um bar acolhedor. Se permita provar o No Bloody, Mary! (suco de tomate clarificado, vodka com fatwashing de bacon, shoyu destilado no rotavapor, cambuci clarificado, tajin e tabasco) é a ciência extraindo o melhor sabor do coquetel!

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The Door – Foto: Dan Morais

Irina Beira de Praia

O Irina Beira de Praia tem uma proposta deliciosa: trazer o clima de praia do Nordeste para São Paulo. A casa tem comida solar, ambiente descontraído e aquele clima leve, carregando toda a regionalidade, identidade e carisma da chef Irina Cordeiro.

A premissa não é fingir que a cidade tem mar, mas criar um estado de espírito. Um lugar aconchegante para pedir bons pratos, beber algo gostoso e deixar a conversa rolar. Os picles da casa, o tartare de carne do sol e a casquinha de siri são maravilhosos (dica boa: todos sem lactose!). Nos drinks, criações de Hugo Merchan, peça o inusitado Cenoura e Bronze (dirty martini de beterraba, laranja e picles de cenoura), Marola (rum, maracujá, manjericão e flor de sabugueiro) ou o Mocktail de Tomate (xarope de tomate, limão, água com gás e alecrim).

The Punch

Numa singela portinha em uma galeria ao lado da Paulista, se encontra o The Punch: intimista, preciso e muito atento aos detalhes. Com inspiração nos bares de coquetéis japoneses (ascendência do casal de donos Ricardo Miyazaki e Naomi), os anfitriões têm um jeito de receber mais pacato e cuidadoso, quase ritualístico!

É um bar para sentar no balcão, trocar uma ideia com os donos, explicar o que gosta, observar o preparo e beber com calma. Tudo aqui é pensado: gelo, copo, diluição, tempo e serviço. Uma experiência mais intimista, ideal para quem gosta de alta coquetelaria bem executada. Sinta-se à vontade para pedir o que mais gostar (ou o que for sugerido), mas os que eu mais gostei na ocasião foram um Penicillin (a versão com Black Label, limão, gengibre, mel e o whisky brasileiro Union Extra Turfado finalizando) e uma versão do Petanque (Disaronno, Jerez Fino, bitter, sal e amêndoa).

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The Punch – Foto: Dan Morais

No fim, o que vale é se sentir confortável!

Esses lugares são bem diferentes entre si: tem praia imaginária, balcão japonês, cozinha brasileira, bar escondido, coquetelaria premiada, bar balada e clássico paulistano.

Mas todos têm algo em comum: são lugares onde a experiência passa pelo cuidado. Cuidado no prato, no copo, no atendimento e no jeito como a casa conduz o cliente.

Porque sair em São Paulo pode ser acelerado, caro e, às vezes, caótico. Mas quando se acerta o lugar, tudo muda: a cidade fica mais leve, a mesa mais gostosa, e o que fica é aquela memória que faz a gente querer voltar. Porque, afinal, existe amor em SP!

por dan morais
Existe amor em SP: 6 endereços para beber (e comer) bem em São Paulo

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