Domingo1 de novembro de 2026 · Salvador

Coluna

Buenos Aires além do óbvio: 10 paradas (e otras cositas más) para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 2)

Do café de 1930 ao Museo del Whisky, Dan Morais segue o roteiro portenho entre empanadas, pubs e cervejarias

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Onde comer e beber em Buenos Aires longe do roteiro óbvio? Na segunda parte do seu guia portenho, o mixologista e sommelier de cerveja Dan Morais, colunista quinzenal do Muito Gourmet, reúne dez paradas e cinco dicas rápidas: o Los Galgos, café de 1930 na esquina de Callao com Lavalle; uma empanada catamarquenha escondida numa galeria da rua Florida; o 878, que já figurou entre os 50 melhores bares do mundo; o Museo del Whisky, em Villa Urquiza; e a Juguetes Perdidos, cervejaria de Caseros premiada com ouro na World Beer Cup. Um roteiro para encaixar entre um passeio e outro, como propôs a primeira parte.

Buenos Aires além do óbvio: 10 paradas (e otras cositas más) para comer, beber e aproveitar a cidade (Parte 2)

Buenos Aires tem uma característica que considero especialmente interessante: quanto mais a gente conhece, mais percebe que ainda existe muita coisa para descobrir. Na primeira parte deste roteiro, passamos por bares premiados, restaurantes contemporâneos, um casarão histórico e até uma escapadinha para Tigre. Mas a cidade guarda outros endereços que ajudam a compreender sua relação tão particular com a gastronomia, seja num café que atravessou gerações, numa pequena casa de empanadas ou num balcão onde a coquetelaria argentina começou a escrever parte de sua história recente.

E já deixo claro que não é preciso organizar a sua viagem em função de bares e restaurantes! Na verdade, gosto de indicar justamente o contrário: aproveitar os passeios que já fazem parte da programação para descobrir lugares interessantes pelo caminho. Uma caminhada pela Avenida Corrientes pode terminar em um vermú com soda, uma tarde em San Telmo lhe permite conhecer cozinhas de outros cantos do mundo e pubs cheios de personalidade, enquanto outros bairros reservam experiências que justificam sair um pouco do circuito turístico mais conhecido.

Nesta segunda parte, reuni mais dez indicações para quem quer continuar explorando Buenos Aires pelo copo e pela mesa, misturando estabelecimentos tradicionais, endereços descontraídos e algumas experiências que (na minha opinião) merecem um deslocamento exclusivo. E, porque ficou muito lugar de fora, ainda deixo cinco dicas rápidas que também merecem espaço na agenda. Afinal, uma boa viagem não é feita apenas dos lugares que visitamos, mas das histórias que encontramos entre uma parada e outra.

Do Obelisco à Florida: cafés históricos e minha empanada favorita

Los Galgos

Se você estiver passeando pelo Obelisco, caminhando pela Avenida Corrientes ou explorando a região dos teatros e livrarias, vale fazer um pequeno desvio até o Los Galgos, na esquina de Callao com Lavalle. O café abriu suas portas em 1930, mas ocupa uma construção de 1879. Ao longo dos anos, tornou-se um daqueles estabelecimentos onde a própria cidade parece fazer parte da decoração, com a atmosfera dos antigos cafés portenhos e uma história que resiste ao movimento das avenidas.

Depois de um período fechado, o Los Galgos reabriu em 2015 pelas mãos de Julián Díaz e Florencia Capella, ligados também ao 878, que cito mais adiante. O espaço preserva o charme de um bodegón tradicional, mas a comida não vive apenas de nostalgia: é gostosa de verdade, daquelas que me fazem voltar sempre, há anos. Curto muito o ambiente, o ritmo da casa e a possibilidade de parar para um café, um almoço ou um vermute sem transformar tudo num compromisso formal inserido no roteiro. Não saia sem beber um vermú com soda: peça o copo de vermute e o sifão de soda da casa (clássico portenho), que vai muito bem com o matambre arrollado (um “rocambole” de carne suína recheado) ou um tradicional revuelto Gramajo. É uma parada que vale pelo conjunto e não apenas pela história.

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Los Galgos – Foto: Dan Morais

La Cocina

Depois de aproveitar a região da Corrientes, você pode continuar o passeio pelo Microcentro, passar pelas Galerías Pacífico e seguir pela movimentada rua Florida, entre lojas, galerias e fachadas históricas. É nessa caminhada que recomendo procurar um lugar pequeno que guarda, para mim, a melhor empanada de Buenos Aires: La Cocina. A unidade que indico fica no fundo da Galería Boston, na Florida 142, quase como uma descoberta escondida entre as vitrines no subsolo de uma pequena galeria em frente à loja da Havanna. Aproveito para agradecer a Teresa Carvalho, do Provei e Aprovei, pela indicação na minha primeira ida à cidade: é daquelas que acertam em cheio e acabam virando parada obrigatória nas viagens seguintes.

A especialidade são as empanadas catamarquenhas, de massa espessa e amanteigada, com recheios generosos. Há versões de carne com batata e outras receitas tradicionais, mas é impossível não falar da Pikachu (minha intolerância à lactose me odeia por isso), redondinha, recheada de queijo e cebola caramelizada, com um toque picante por cima. É deliciosa! O lugar é simples, com poucos lugares para sentar e nenhuma necessidade de inventar moda. E é justamente isso que faz a experiência ser tão boa: uma empanada excepcional, no meio de um passeio pelo centro, que merece voltar ao roteiro sempre que possível. Nota engraçada: o dono já morou um tempo na Ilha de Itaparica há diversos anos!

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La Cocina – Foto: Dan Morais

Puerto Madero: sushi, bons Negronis e um ótimo fim de tarde

Negroni (Puerto Madero)

Puerto Madero costuma entrar no roteiro de quem visita Buenos Aires, principalmente para caminhar pela região da Puente de la Mujer, apreciar os antigos armazéns restaurados e observar o contraste entre a arquitetura histórica e os edifícios modernos. E, se você estiver por ali, vale fazer uma parada no Negroni de Puerto Madero. O ambiente é simplesmente lindo e combina com aquele passeio mais demorado pela região, especialmente do pôr do sol até a noite (meu horário preferido).

Embora o Negroni tenha outras unidades na cidade, a que realmente recomendo é a de Puerto Madero (para mim, as demais não entregam a mesma experiência). Aqui o programa é simples e funciona muito bem: sentar, pedir os sushis, que estão entre as coisas de que mais gosto na casa, e acompanhar com um bom Negroni ou alguma de suas variações. A proposta tem esse lado de bar que também lhe permite comer bem, sem precisar escolher entre jantar e aproveitar a coquetelaria.

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Negroni – Foto: Dan Morais

San Telmo: sabores asiáticos, cerveja artesanal e metal nórdico

San Telmo é um dos bairros que mais gosto de incluir num roteiro gastronômico, especialmente pela facilidade de combinar arquitetura, feiras, antiguidades, pequenos comércios e bons lugares para comer e beber. O Mercado de San Telmo costuma ser uma das paradas principais, mas vale se permitir conhecer novos locais e sair um pouco do óbvio.

Saigón Noodle Bar

Um deles é o Saigón Noodle Bar, que fica na parte externa do Mercado de San Telmo, que considero uma parada maravilhosa para quem gosta de comida asiática (vou há tantos anos que o Wi-Fi já conecta sozinho no celular). A casa trabalha com referências da comida de rua vietnamita, entre noodles, arroz, vegetais, ervas frescas e molhos que combinam acidez, doçura, salinidade e picância: é aquela mudança de sabores que cai muito bem depois de alguns dias entre parrillas e empanadas. Eu gosto bastante de pedir o Bo Xao (macarrão caldoso com contrafilé fatiado fino e legumes) e os rolinhos de lagostim para beber com as limonadas da casa, mas o que me ganha é o flan de matcha com leite de coco, simplesmente surreal. Vale ressaltar que a cozinha é um show à parte: tudo é preparado do zero em minutos, as chamas flambam cada panela a todo tempo, o balcão é aberto e em frente aos clientes, e a coifa imensa faz o primordial trabalho de não deixar nenhum resquício de fumaça ir para o salão. É lindo ver a organização e fluidez da cozinha.

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Saigon – Foto: Dan Morais

The Gibraltar

E, se você gosta de cerveja, vá ao The Gibraltar, um pub de inspiração britânica na rua Perú, com muito mais personalidade do que qualquer cenário construído para parecer antigo. Ali, a cerveja tirada merece atenção especial: a casa conserva uma antiga estrutura de câmara fria, ligada ao cellar, assim o cuidado com o armazenamento e o serviço aparecem no copo. Para acompanhar, não tenho muita dúvida sobre o pedido: o fish and chips é sensacional e, para mim, é o prato que você precisa comer por lá! Vale ainda procurar a parte dos fundos, onde tem mesa de sinuca, e ficar um pouco mais. É um pub para beber sem pressa, comer bem e aproveitar o movimento.

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The Gibraltar – Foto: Dan Morais

Valhalla Bar Vikingo

A poucos minutos de caminhada está o Valhalla Bar Vikingo, que merece entrar no roteiro especialmente de quem gosta de metal e do qual eu sou suspeito para falar: morei literalmente no prédio da frente! A ambientação remete ao universo nórdico, com referências à mitologia viking, música pesada e uma atmosfera que combina muito com o conceito da casa, que tem um trono e vários adereços no meio do bar para fazer fotos. Além das cervejas, tem hidromel, bebida fermentada de mel que tem tudo a ver com a proposta. Se o rock e o metal fazem parte da sua vida, a visita fica ainda melhor: dá para aproveitar a música, entrar no clima e brindar como se estivesse num salão viking, mesmo no meio de Buenos Aires.

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Valhalla Bar Vikingo – Foto: Dan Morais

Palermo e Villa Crespo: livros, madrugada e coquetelaria de referência

Backroom

Na primeira parte deste roteiro, Palermo apareceu com alguns dos bares mais reconhecidos da coquetelaria mundial, mas o bairro também guarda um endereço de que gosto muito por reunir duas paixões que nem sempre aparecem no mesmo lugar: livros e drinks. O Backroom funciona dentro do espaço cultural e livraria Borges 1975, e essa relação com a literatura ajuda a explicar até o nome, como se o bar estivesse esperando o visitante no quarto dos fundos.

Vale chegar com tempo para conhecer a livraria, olhar as estantes e aproveitar a atmosfera antes de se entregar ao bar: junta coquetelaria, gastronomia e música (especialmente jazz) num ambiente que consegue ser acolhedor e movimentado ao mesmo tempo. A melhor parte é que o Backroom costuma estender a noite um pouco mais do que outros endereços de Palermo, sendo uma ótima escolha para finalizar a noite, quando não existe pressa de ir embora. Os drinks da casa costumam ser bons, mas o meu pedido de sempre é o frango crispy com barbecue (um absurdo de bom). É um desses lugares em que o passeio cultural acaba virando uma bela saída noturna.

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Backroom – Foto: Dan Morais

878

Seguindo para Villa Crespo, o 878 é um dos endereços mais importantes da história recente da coquetelaria argentina e já esteve na 25ª posição no The World’s 50 Best Bars. Aberto em 2004, também ligado a Julián Díaz e Florencia Capella, nomes que encontramos no Los Galgos, o bar ajudou a consolidar uma nova maneira de beber em Buenos Aires, muito antes de os bares escondidos se multiplicarem pela cidade. Sua entrada discreta, na rua Thames, revela um ambiente de luz baixa, boa música e uma barra que continua sendo referência. É um lugar sensacional para quem gosta de coquetéis, mas também para quem simplesmente quer beber e comer bem.

A carta atual, “Buenos Aires, una coctelera”, homenageia diferentes bairros da capital com combinações bastante particulares: o Barricada 43, que representa Villa Crespo, reúne jerez, notas cítricas e outros ingredientes; o San Telmo combina whisky, Cynar, vermute de figo e damascos secos; já o San Nicolás explora uma linha mais gastronômica e foi meu favorito (vodka infusionada em azeitona e orégano, água de tomate, vinagre de Torrontés, sal e azeitona). São bons exemplos de como o bar continua trabalhando técnica e identidade portenha sem abandonar a ideia de receber bem.

A cozinha também merece ser lembrada: o Fatay (esfiha fechada recheada com frango, tomates, pimentão verde, cebola roxa, coentro e limão) e o Lajmashin (esfiha aberta com cogumelos, tomates, cebolas, limão e hortelã), além de não conterem lactose, são simplesmente maravilhosos. O 878 é um daqueles lugares que ajudam a entender como Buenos Aires construiu sua reputação entre os melhores destinos para beber e comer no mundo.

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878 – Foto: Dan Morais

Villa Urquiza: um endereço para quem leva whisky a sério

Museo del Whisky

Nem todas as experiências precisam acontecer nas regiões mais turísticas. Em Villa Urquiza, por exemplo, está um dos lugares mais curiosos de Buenos Aires para os aficionados por destilados: o Museo del Whisky, instalado numa mansão de três andares na Avenida Monroe. Para amantes dessa bebida (como eu), a visita é sensacional e merece um espaço próprio no roteiro, mesmo que seja necessário sair um pouco do circuito habitual de passeios.

O espaço reúne a coleção de Miguel Ángel Reigosa, com milhares de garrafas de diferentes origens, épocas e estilos: quase 6.000 garrafas, de Elvis Presley a uma entregue pela própria Rainha Elizabeth II. Entre vitrines com rótulos históricos e exemplares raros, há uma estrutura que também inclui loja especializada, restaurante e bar, onde tive que pedir um Penicillin (meu coquetel favorito, que leva whisky, mel, gengibre, limão siciliano e é finalizado com um whisky turfado). É muito mais do que olhar uma coleção: o lugar permite entrar em contato com diferentes histórias da bebida, comparar tradições de produção e descobrir países que nem sempre aparecem primeiro quando pensamos em whisky.

Na minha visita, por exemplo, degustei o M&H Classic Single Malt Whisky, um whisky israelense (da destilaria Milk & Honey) que achei bem interessante, uma daquelas descobertas que fazem valer a saída do roteiro mais previsível. Para quem aprecia destilados, recomendo separar tempo para conhecer o acervo e aproveitar a degustação sem correria. É um endereço que impressiona pelo tamanho da coleção, mas também por abrir espaço para rótulos que talvez você não encontrasse tão facilmente em outro lugar.

Caseros: um desvio que vale pela cerveja

Juguetes Perdidos

E, para fechar as visitas desta segunda seleção, vale lembrar que algumas das experiências cervejeiras mais interessantes da região estão fora da capital, como é o caso da Juguetes Perdidos, em Caseros, na região metropolitana de Buenos Aires. Se você gosta de cerveja artesanal e está disposto a sair um pouco da cidade para conhecer uma produção de referência, essa é uma das paradas que merecem ser consideradas.

Criada por três amigos que começaram produzindo cerveja em casa, a marca ganhou reconhecimento com receitas experimentais, fermentações mistas, maturação em barris e exemplares de guarda. Seu trabalho vai muito além dos estilos mais comuns, com projetos que exploram ingredientes, tempo e diferentes possibilidades de fermentação. É o tipo de produção que chama atenção especialmente de quem acompanha a cena cervejeira e gosta de provar coisas fora do padrão.

Para mim, o atrativo de visitar a Juguetes Perdidos está justamente nisso: conhecer uma cervejaria que construiu personalidade própria e virou referência dentro e fora da Argentina, sem precisar seguir o caminho mais óbvio, ganhando medalhas em todo o mundo e mostrando um exímio trabalho com fermentação espontânea e barricas. Num roteiro com tantos coquetéis e restaurantes, vale reservar um espaço para mostrar que Buenos Aires também tem uma cultura cervejeira de alto nível.

As visitas ao taproom e os eventos na fábrica acontecem em datas específicas, por isso é importante conferir a programação antes de sair. Minha recomendação é que você vá com a cabeça aberta e aproveite para conhecer cervejas dos mais diferentes tipos de perfil: aproveite bastante para apreciar o trabalho sensacional que eles fazem com barris e peça alguma sugestão de algum lançamento. Como Caseros fica fora da Cidade Autônoma de Buenos Aires, o ideal é separar algumas horas para o deslocamento. Mas, para quem leva a cerveja a sério, certos desvios fazem parte da melhor parte da viagem.

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E, para completar: cinco dicas rápidas

Se ainda sobrar espaço na programação, vale deixar anotados outros cinco endereços que oferecem experiências muito distintas, seja para uma noite mais animada, um jantar diferente ou simplesmente uma boa pausa durante a tarde.

Uptown (Palermo Hollywood)

Para quem quer entrar numa estação do metrô de Nova York sem sair de Buenos Aires, o cenário do bar já é uma atração. A entrada reproduz o subway, e lá dentro a música, a iluminação e a coquetelaria criam um programa bastante divertido. Minha dica é conversar com o bartender e pedir um drink com Hennessy, se houver disponibilidade, para aproveitar ainda mais o clima nova-iorquino.

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Uptown – Foto: Dan Morais

Florería Atlántico (Retiro)

Um dos endereços mais importantes da coquetelaria latino-americana, de Renato “Tato” Giovannoni. Você entra por uma floricultura e desce para um bar subterrâneo que ajudou a colocar Buenos Aires no mapa mundial dos coquetéis. Chegou ao 3º lugar entre os melhores bares do mundo em 2019 e continua sendo uma visita emblemática para quem gosta de drinks com história e identidade.

The Night Market (Palermo Hollywood)

A decoração remete a um mercadinho asiático e transforma o jantar numa experiência quase de viagem dentro da viagem. Com proposta inspirada nos izakayas e nas receitas familiares asiáticas, é um lugar ótimo para compartilhar pratos, descobrir sabores e aproveitar uma mesa descontraída. Achei a comida muito gostosa e as porções bem servidas; vale a visita tanto pelo ambiente quanto pelo que chega à mesa.

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Night Market – Foto: Dan Morais

Café Tabac (Recoleta)

Para uma pausa no fim da tarde, especialmente se você gosta de café acompanhado de um charuto, vale conhecer esse clássico da Avenida del Libertador. A dica é escolher uma das mesas ao ar livre, pedir um café e aproveitar o movimento do bairro com calma, respeitando as áreas em que fumar é permitido.

Gran Parrilla del Plata (San Telmo)

Se bater vontade de um bom asado argentino durante o passeio por San Telmo, anote esta parrilla na esquina das ruas Chile e Perú, perto da estátua da Mafalda. O endereço já foi uma antiga carnicería, e parte dessa história continua no ambiente, com azulejos, ganchos de carne e detalhes preservados. Uma opção para incluir cortes na brasa no roteiro sem deixar de aproveitar as ruas e a atmosfera do bairro.

Buenos Aires sempre deixa espaço para mais uma rodada

Se na primeira parte deste roteiro a proposta foi reunir diferentes maneiras de começar a conhecer Buenos Aires, nesta segunda a ideia é explorar um pouco mais da personalidade que faz a cidade ser tão interessante. Há história nos cafés, tradição nas pequenas cozinhas familiares, criatividade atrás dos balcões e uma cena cervejeira que merece ser descoberta com o mesmo interesse dedicado aos vinhos argentinos.

O mais interessante é perceber que essas experiências não precisam competir com os passeios: elas podem acontecer entre uma visita a um museu e uma caminhada pelo centro, depois de uma tarde em San Telmo ou durante aquela noite em que a gente decide não seguir exatamente o que estava planejado e talvez sejam justamente esses momentos que acabam se transformando nas melhores lembranças.

Porque, no fim das contas, conhecer Buenos Aires também é isso: descobrir que a próxima boa história pode estar numa esquina antiga, numa pequena casa de empanadas, atrás de uma porta quase escondida ou num coquetel despretensioso que ainda não tivemos a oportunidade de provar. Há sempre uma razão para voltar, e quase sempre ela vem acompanhada de alguma coisa boa para comer ou beber.

por dan morais

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