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Realeza Tropical: Carlota Joaquina e os sabores tropicais do Brasil

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O que Carlota Joaquina tem a ver com maracujá, caju e jabuticaba? Tudo. Pelo menos na coquetelaria brasileira.

A coquetelaria brasileira vive um momento de esplendor, e, como em um conto histórico saboroso, quem nos guia dessa vez é uma personagem improvável: a rainha espanhola Carlota Joaquina. Com seu temperamento ácido e fama de desprezar o Brasil, ela se transforma, sob a pena afiada de Raimundo Freire, em símbolo do que antes se rejeitava e hoje se celebra.

Nesta coluna especial, o sommelier e cronista gourmet propõe uma reflexão deliciosa sobre a riqueza das frutas tropicais e da cachaça como protagonistas da coquetelaria nacional. Um brinde à brasilidade, à inovação e à redescoberta do que é nosso. Prepare-se para um passeio literário pelos sabores que só o Brasil sabe oferecer.


A Realeza Tropical na Coquetelaria Brasileira: Um Brinde à Nossa Identidade

Quem diria que a história de uma Rainha espanhola, com seus gostos peculiares e sua aversão declarada ao Brasil, poderia nos inspirar a olhar com novos olhos para a riqueza da nossa própria terra?

Pois bem, D. Carlota Joaquina de Bourbon, figura controversa e fascinante, que supostamente apreciava misturas de cachaça com frutas, nos serve hoje como um ponto de partida inusitado para desvendar o universo vibrante da coquetelaria brasileira.

Imagine Carlota Joaquina, com sua personalidade forte e seu olhar perspicaz, desembarcando no Brasil de hoje. O que ela encontraria? Um país pulsante, com uma diversidade de sabores e aromas que fariam qualquer paladar real se render. E, sem dúvida, ela se depararia com a cachaça, nossa aguardente nacional, que, longe de ser uma bebida rústica, se transformou em um destilado sofisticado, capaz de protagonizar drinks complexos e memoráveis.

Mas o verdadeiro tesouro que Carlota Joaquina descobriria, e que nós, brasileiros, muitas vezes subestimamos, são as nossas frutas tropicais. Maracujá, caju, acerola, graviola, jabuticaba, manga, cacau, cupuaçu, pitanga, umbu… A lista é vasta e cada uma dessas joias da natureza carrega em si um universo de possibilidades para a coquetelaria. São sabores que explodem na boca, aromas que inebriam e cores que encantam, transformando um simples drink em uma experiência sensorial completa.

É hora de desmistificar a ideia de que a coquetelaria de qualidade se restringe a ingredientes importados ou a receitas clássicas. A verdadeira inovação e a identidade de um bom drink residem na capacidade de explorar o que temos de melhor. E o Brasil, meus caros, é um celeiro inesgotável de inspiração.

Nossos bartenders, verdadeiros alquimistas modernos, têm em mãos um arsenal de frutas frescas, ervas aromáticas e especiarias que permitem criar combinações únicas, que contam a história do nosso país em cada gole. A acidez vibrante do maracujá, a doçura exótica da manga, o toque adstringente do caju, o mistério do cacau… Cada fruta, com sua personalidade, pode ser a estrela de um drink que reflete a alma brasileira.

E não se trata apenas de sabor. A coquetelaria com frutas tropicais é um convite à celebração da nossa cultura, da nossa biodiversidade e da nossa criatividade. É um brinde à brasilidade, à alegria e à capacidade de transformar o simples em extraordinário. É a oportunidade de mostrar ao mundo que, sim, temos drinks à altura dos melhores do planeta, com um toque de originalidade que só o Brasil pode oferecer.

Então, da próxima vez que você for pedir um drink, ouse. Pergunte ao bartender sobre as opções com frutas da estação, experimente combinações inusitadas e deixe-se levar pelos sabores da nossa terra. Quem sabe você não descobre o seu próprio Desdém da Coroa ou A Intriga Real, e se apaixona pela coquetelaria brasileira, assim como Carlota Joaquina, mesmo a contragosto, se renderia aos encantos tropicais.

Um brinde à nossa realeza tropical, que está ao alcance de todos nós!
Um brinde à cachaça! A melhor bebida destilada do mundo.


Raimundo Freire, sommelier de Cachaça

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